Educação e Justiça: qual o maior problema português?

A Educação é para muitas pessoas um dos maiores e principais problemas em Portugal. Para uns até, o segundo maior problema, sendo a situação da Justiça, o primeiro. Para outros, um dos problemas principais, mas longe de ser o maior e mais urgente.

Para mim, inequivocamente o maior e mais complexo problema nacional. Desde...há séculos! Em primeiro lugar porque houve tempos em que a alfabetização chegava a uma minoria insignificante da população. E, também neste aspecto, fomos dos últimos a identificar este erro, esta lacuna e esta necessidade. E os resultados, num país com mais de oitocentos e sessenta anos  de existência, o mais antigo da Europa com as mesmas fronteiras, o povo é o mais inculto e com pior formação de todos os povos europeus.

A Justiça ganhou nos últimos anos um destaque que durante decénios não teve, pelas más razões. Instituiu-se que no sistema judicial, por uma questão de respeitabilidade, de dignidade dos cargos e da sua desejada, mas pouco conseguida, independência, ela não devia ser criticado, nem sequer questionado. E esse foi sempre o erro português, como o são outros erros, em relação a outras áreas e sectores sociais. Imagine-se que, por exemplo eu designo aqui o clero e a religião, como sector ou área em termos sociais. Cai o 'Carmo e a Trindade' não é? Pois...mais uns intocáveis, até que ...começam a surgir as suspeitas de actos de pedofilia no seio da Igreja Católica, e não se sabe se noutras, até por não terem representatividade pelos nossos lados. Mas afinal, são intocáveis...até vermos. Como o são..ahhh! O cargo e função de Primeiro-ministro...mas então porquê? Porque o são ou, apenas e tão só, pela nossa mentalidade, que nada tem a ver com os cargos, funções e pessoas em causa, sejam Juízes, políticos, ou membros do clero. Não há intocáveis e pessoas impolutas só pela inerência das funções e posições que ocupam.

Mas a Justiça, por não ter resolvido, ainda, e não se tendo atingido o desfecho, seja ele qual for, de casos mediáticos ou mediatizados, nos últimos anos tem sido alvo de ataques, nem discuto se legítimos, e de preocupações, que ainda assim não levaram a arrepiar caminhos ou a corrigir erros do passado, como por exemplo acabar com as amizades especiais entre políticos e certos Juízes ou Procuradores Gerais e outros...melhorar procedimentos, rever Leis e acabar com um sem número delas...em resumo, fazer, de facto e de uma vez, a Reforma necessária. Nunca feita. Mas os casos, que atingem figuras como o actual Primeiro-ministro porque nunca avançam e são arquivados e destruídas provas antes até de alguém ser constituído arguido, ou indiciado, como ele próprio Sócrates, o homem e o político mais vezes citado em casos de corrupção e rede de influências em toda a história da Democracia em países ocidentais. Porque não é nunca sequer indiciado? E são tantos dos seus amigos? E porque se se defende tanto o 'segredo de justiça' vêm Procuradores e Presidentes do Supremo defender...a anulação de provas e arquivamento de processos, antes dos processos sequer avançarem? Porque é este indivíduo, a quem lhe fica melhor o fato de 'criatura' por efectivamente ser o pior exemplar de um político, num país supostamente democrático, num continente com antigas e profundas raízes civilizacionais e a pessoa a quem ninguém, mesmo os que hoje o pretensamente defendem, entregaria uma banca de jornais, já que ele até a casa da moeda levaria à falência e aos seus amigos e a ele próprio faria enriquecer. Pior carácter e mais baixa dignidade não conheço, desde 1974. Porque nada lhe acontece?

Porque, exactamente, não pode acontecer. Porque ele é o verdadeiro garante do sistema, não o político, não o democrático, mas o da falta de transparência e legalidade na vida pública portuguesa, o garante da teia de interesses que depauperam o Estado português há dezenas de anos. Ele mesmo! E ele nada tem a ver com o Partido que o defende, bem pelo contrário. Tem havido um mútuo aproveitamento. Interessou ao PS, porque através de Sampaio derrotou Santana Lopes e o seu desastrado Governo. Interessa-lhe a ele, porque ninguém lhe deu valor em nenhum outro Partido.

Mas e a Educação que tem a haver com isto? Pois que...está na base de tanta desgraça, tanta mentira e tanta desinformação: sem um povo informado, interessado e culto, estão criadas as condições para surgirem criaturas como este Sócrates. E isso leva anos e muitos a alterar. Como o próprio Sócrates o sabe. E por isso, nem mais, não efectuou nenhuma Reforma na Educação, limitando-se a fazer uma guerra idiota e inconsequente, com a classe profissional de que precisa para fazer funcionar o sistema. Mas onde está a reforma de um sistema onde ainda se ensina Francês, que ninguém fala ou falará, onde o Inglês é mal ensinado, porque da escola não sai ninguém a falar a língua, e nem a escrever, mas apenas a indentifica-la para a ter de aprender no futuro e, nesse futuro num qualquer curso intensivo de três meses se põem pessoas a falar a  língua do British Empire...E para quê uma Educação Visual onde ninguém aprende nada? Nem a desenhar, nem a pintar, nem os respectivos professores dominam as técnicas para poderem ensinar adequadamente a pintar, por exemplo. E a Educação Musical onde se tratam as crianças e jovens como anormais e não se ensina nada! Alguém aprendeu música numa escola secundária ou antes disso? Alguém aprendeu a ler uma pauta, um sistema que tem séculos, desde que criado por Guido de Arezzo, no século X? Tão complicado assim? Não me parece. Para que ensinar uma Geografia que todos os anos, durante três seguidos ensina a mesma coisa, repetitivamente? E muito mais...

Ora um povo que recebeu boa e eficaz formação na sua juventude, ganha espírito crítico e intervém. Não se deixa levar neste marasmo desinteressado que conduz, sempre, a que surjam pessoas que usem e abusem do Estado, dos seus recursos e ...de nós!


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