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Mãos

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Olhava as mãos como frequentemente fazia, como numa espécie de aquecimento, antes de começar a procurar as palavras, com que queria preencher espaços no papel. E, mais uma vez, não entendia, tinha de estudar este assunto. A transmissão de uma ideia, começava onde? Na percepção do mundo, provavelmente, muito antes de vir a saber sequer se alguma ideia lhe surgiria, se algum recanto novo de mundo podia fazer surgir, com a palavras. Reais ou não. Bem, reais são todas, o que traduzem é que pode não ser. Isso já pensava ter esclarecido. Mas este processo... uma, duas, milhares de impressões, conscientes, ou subtis, inconscientes, e algo novo se geraria, ou a confirmação, repetição de algo já demasiado conhecido. Aquela janela ali, aquela luz filtrada, ajudariam. Era uma luz serena, redonda e doce, silenciosa, sem atropelos e ruídos obstaculizantes. Era a sua luz preferida, para pensar, ler e escrever. E, olhando as mãos magras, dedos esguios, pensava poder teclar melhor, com mais des...

O nosso tempo...

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Que somos feitos de nadas, já é frase feita. Que somos levados pelas nossas emoções, mas conduzidos pelas de outros, é fruto de uma aprendizagem que, a custo e alguma dor, nos deixa arrastar ao ponto de uma sabedoria acrescida que, esperamos, um dia nos possa proteger. Nos impedir de voltar a cair em erros de que o passado nos marcou.  Somos tão voláteis que, na nossa segurança cega e muda, pensamos não sermos susceptíveis. E, no entanto, voltamos ao mesmo ponto, ou local onde o crime deixou marcas, tantas vezes quantas as da nossa abertura à mesma vontade, ao mesmo instinto, até, de nos deixarmos levar…  Foi assim que vezes e vezes me deixei levar…  Bem, não foram tantas, mas foram profundas, sérias, se acharem mais adequado. Não vou litigiar-me por palavras. Não me interessam discussões sobre significados. Interesso-me por conteúdos, pelo recheio que dá cor, vida e beleza às palavras.  No nosso meio, somos todos feitos do mesmo. A mania da racionalidade já nos abandonou há gerações e...

Words for Silence

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Words can harm you. So much as the silence can. The words can teatch you, and the silence, purify you. Live the silence, and then leave it, as you'll need the peace that it can bring to you, but you'll need the words to tell the world what you just learn from that silence, from that peace. Feel love with silence, Live love with words. Have sex with both, silence to feel, words, to give yourself.

Think, by himself

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Sabem vocês que os pensamentos têm vida própria? Talvez saibam. Mas o que lhes vou contar não é a minha história, mas uma pequena parte da minha vida. Que ainda não descobri se é efémera e, dizem-me os outros, que não se chega a saber. Quando tal acontece, deixamos de saber, ou melhor de ser. Estou aqui para vos dar testemunho de um mundo que vocês não sabem. Mas já no século XVII René Descartes nos descobriu. E ficámos famosos através da célebre máxima Cogito ergo sum (penso, logo existo). A todos como eu. Mas, eu…bem, o melhor é apresentar-me, como toda a minha falta de modéstia. Chamo-me a mim mesmo de Think . Considerem-me presunçoso ou não, é assim que me vou auto-intitular nesta breve descrição, ou narrativa se quiserem de um pouco de mim. Ora eu sou filho, prefiro assim, ou produto, se preferem do meu hospedeiro (esta copiei de uma amiga minha, uma ideia muito gira com quem gosto de conviver…). E ele, um humano bem inteligente, ou não me teria gerado. Mas sabem vocês o que é a ...

Turn my grey sky blue

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Neste Inverno acanhado, seguimos essas ruas cinzentas tristes Olhando o chão, olhando o céu, Procurando em nós aquilo que os olhos Para fora de nós não conseguem ver São dias de tristeza apenas aparente? São dias de uma Natureza em recuperação Estes cinzentos céus das nossas cidades Estes frios e húmidos dias de Inverno acanhado Esperam o acordar, dentro de nós, fora de nós Sabemos que chega, mas tarda a chegar Um dia melhor que nos faça acordar Que liberte as coisas naturais do seu sono anual Que nos deixe sair de dentro de nós Neste dormir que não desejámos Feito triste e frio por vontades alheias, ou por falta delas Vamos por essas ruas, olhando o chão, onde apenas lágrimas Dão a humidade aos dias, turvam os nossos céus Esperamos o tempo da nossa secura, de dentro De uma secura...para sempre? Olhamos o chão e olhamos o céu... Não vemos ainda o tempo que há-de chegar Mas já sabemos como há-de vir... E o que irá de nós fazer.