Mãos
Olhava as mãos como frequentemente fazia, como numa espécie de aquecimento, antes de começar a procurar as palavras, com que queria preencher espaços no papel. E, mais uma vez, não entendia, tinha de estudar este assunto. A transmissão de uma ideia, começava onde? Na percepção do mundo, provavelmente, muito antes de vir a saber sequer se alguma ideia lhe surgiria, se algum recanto novo de mundo podia fazer surgir, com a palavras. Reais ou não. Bem, reais são todas, o que traduzem é que pode não ser. Isso já pensava ter esclarecido. Mas este processo... uma, duas, milhares de impressões, conscientes, ou subtis, inconscientes, e algo novo se geraria, ou a confirmação, repetição de algo já demasiado conhecido. Aquela janela ali, aquela luz filtrada, ajudariam. Era uma luz serena, redonda e doce, silenciosa, sem atropelos e ruídos obstaculizantes. Era a sua luz preferida, para pensar, ler e escrever. E, olhando as mãos magras, dedos esguios, pensava poder teclar melhor, com mais des...