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O Século XXI como carrasco do Século XX

Surpreendo-me com assustadora frequência pelo que vou descobrindo em leituras repetidamente adiadas. Sempre admirei um dos nomes de referência da ciência Histórica e do pensamento analítico dos nossos tempos, Tony Judt. Judt foi um historiador de renome, um intelectual respeitado, nascido em Londres, tendo leccionado nos Estados Unidos da América e em França e aí vivido. Desapareceu de entre nós em 2010, vítima de uma doença terrível, Esclorose Lateral Amiotófica. Era um simpatizante do pensamento socialista, mas um crítico do mesmo e qualquer forma de totalitarismo e um denunciador de crimes contra a Humanidade. Não foi o único a fazê-lo. Um outro historiador de renome, ainda bem activo, Timothy Snyder, que com ele colaborou, nomeadamente em "Pensar o Século XX", editado em Portugal pelas Edições 70, também tem sido um imparcial denunciador das manobras de manipuladores e perigosos ditadores, como Putin e alguns mais, que não tendo instaurado um regime totalitário, com e...

Congresso Feminista

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Acho muito interessante, divertido, ou mesmo hilariante este Congresso Feminista 2008. Sei que alguém, talvez muitas senhoras, ou algumas que me lêem podem sentir-se entre confusas e incomodadas, aliás irritadas, com este meu texto. Mas, por um lado, as que já me conhecem sabem que não padeço do mesmo mal, mas de sinal oposto, das organizadoras e participantes no dito Congresso. Por outro lado, a polémica, se for gerada, nem é por mim, é pelo Congresso, o que só me deixa quase frustrado por não ser a lançá-la, tanto o prazer que me dá entrar em polémicas... Imagine-se que se organizava um dia destes um Congresso Machista... Esta ideia do Feminismo é, para mim, absolutamente estúpida, ridícula e para quem assim se sente ou defende, é redutora. Novamente, veja-se um homem a defender o seu machismo, e imagine-se o que se pensa dele: redutor será o mínimo... Confesso que conheço muito mais mulheres inteligentes e competentes do que homens. Confesso ainda que nunca na minha vida profissiona...

Ideias anacrónicas

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  Ando há tanto tempo a insistir que as análises políticas são irrealistas e anacrónicas quando se prendem e tentam, depois, catalogar os partidos e suas personalidades, como de direita, esquerda, ou mesmo de socialistas, comunistas, sociais-democratas, liberais, conservadores, democratas-cristãos, populistas, etc.   O conceito de Direita e de Esquerda vem da Revolução francesa! 1789! Por favor…há tanta evolução tecnológica, ideológica e, não tanto como devia haver, mas enfim, sociológica, no mundo e ainda se agrupam as pessoas à direita ou à esquerda! E não se pensa, que antes da dita Revolução, já havia a gestação das mesmas ideias, e que foram melhor clarificadas ou, até, elaboradas por Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot, Locke, Kant.   Por outro lado, podia parecer que a catalogação das organizações políticas nas ideologias políticas ou filosóficas mais comuns, seria mais legítimo e aceitável. E, para mim, já nem isso faz sentido. Um exemplo é vermos um Partido Soci...

Conjuntura económica

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Em Fevereiro deste ano eu escrevia que Portugal é um dos países, se não o mais susceptível, que mais afectado pode ser pela crise financeira iniciada pelo crash dos subprime nos EUA. Por esses dias o Ministro Teixeira dos Santos, logo seguido do sempre 'sorridente-optimista-qual-arrogante-com-vidinha-a-gozar-a-dos-outros' Sócrates, vinha dizer que Portugal está bem preparado para enfrentar qualquer crise. Seria o encantatório défice que lhe provocava tal autismo e exaltação? Enfim, agora, para minha tristeza e nosso mal comum, vêm os mesmos que antes perfilavam Teixeira dos Santos, embriagados por um controlo orçamental que nem uma Alemanha cumpre (mas que nós, alunos exemplares, de uma estúpida política europeia, asfixiante e limitativa de desenvolvimento económico, queremos a todo custo seguir), dizer que, afinal...afinal Portugal será dos mais atingidos por esta crise mundial. Pois! E quais as razões? Ora...as que eu aventava nesse meu texto de Fevereiro. Mas eu não sou mini...

Violência psicológica, física e sexual

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Nas últimas semanas ouvimos e vimos notícias sobre o abuso sexual por parte de pais, presumo eu perturbados ou gravemente doentes mentais, sobre as suas filhas. O caso mais falado, na Áustria, não se tratou apenas de abuso sexual, mas violência física, pelo que implica restringir a liberdade, ou, no caso concreto negar a total liberdade à própria filha. Não consigo, nem com o maior esforço, não digo entender, mas no mínimo imaginar como pode um pai, perpetrar um acto de tão grande violência sobre a sua filha. Como o pode fazer durante vinte e quatro anos! Não consigo imaginar um ser humano, normal, ao menos, ser capaz de um acto de violência contra um filho ou filha. Mas durante vinte e quatro anos, aquele homem conseguiu, cá fora da sua casa, levar uma vida aparentemente normal. Se isto é assim, abre-se a possibilidade de que muita gente, aparentemente normal, possa praticar actos de semelhante desumanidade, de idêntica violência e criminalidade. Hoje ouvia uma notícia sobe uma france...

A verdadeira crise das nossas sociedades – II

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Uma sociedade informada, mais culta, com espírito crítico, não está protegida do surgimento de autoritarismos, de individualidades que carregam consigo essa marca indelével de tudo e todos querer controlar, de se verem a si mesmos como detentores e verdade, de conhecimento e de capacidade de liderança, que outros, nenhum outro, a tem. Uma individualidade assim, tem tido este país infeliz, demasiadas vezes. No nosso caso português, tal pode explicar-se, com talvez demasiada ligeireza, como consequência da falta de espírito informado e crítico e, em consequência, de participação social, política, religiosa e cultural. Um verdadeiro espírito de intervenção social. Esse espírito e mais do que isso, essa atitude e postura social, existe e é facilmente reconhecida nas sociedades dos países nórdicos. Um individualidade assim, abrangente, totalitária e manipuladora é que temos hoje na pessoa do Primeiro-ministro Sócrates, Mas já o havíamos tido em Pombal, em Salazar, em, inclusive, embora com ...

A verdadeira crise das nossas sociedades - I

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Em poucos anos, fruto talvez da rapidez a que nos impulsionaram movimentos acelerados como a globalização económica e cultural, e crises do petróleo e de moedas fortes como o Dólar e a Libra inglesa, tem-se assistido a uma substituição na classe política europeia, de grandes nomes, de individualidades herdeiras ainda dos ideais da chamada cultura ocidental, que sempre se tem vindo a identificar com a liberdade individual, cultural e política, por um grupo de políticos que, sem questionar o seu valor individual, não têm sido capazes de continuar essa missão de dar às sociedades europeias e a Portugal em particular, as armas suficientes para se protegerem da decadência e, finalmente, morte sem remissão da nossa cultura comum. Jacques Barzun, numa monumental e visionária obra, “Da Alvorada à decadência”, retrata de forma erudita e esclarecida essa queda da nossa cultura e dos nossos valores. Talvez não estivéssemos mal nesta nossa identificação, se fossemos capazes de assimilar e viver be...

A Educação em Portugal, uma visão verdadeiramente ...pouco optimista

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Se há assuntos em que não acredito no sucesso da maioria das medidas políticas tomadas agora, por este Governo, ou no passado recente por outros, são a Educação e a Cultura. Aliás, para a Cultura, quase que se poderia desactivar a intervenção do Estado pois com a excepção- e nesses casos, enfim, justificar-se-á- de apoios a companhias de teatro, que ninguém vê, enfim ou escolas ligadas à cultura e arte, a acção da nossa gestão pública mal se faz sentir. Mas a Educação... Leia-se este texto de José Carreira, oportuno e incisivo, sobre um dos aspectos mais relevantes, pela negativa, da educação dos nosso filhos, a começar em casa, com a utilização mais correcta das horas de todos, pais e filhos. Ver Tv é um hábito que pode ser útil e até saudável. Mas consumir todo o tempo de uma família à frente da TV, sem mais uso a dar ao nosso tempo, pode até ser bem pior do que nem ligar a famosa 'caixinha'. E há tanto para fazer, dependendo das horas e dias: ler- o mais importante de todos...