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A propósito do Museu de Pamuk

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 Orhan Pamuk é dos meus autores favoritos (mas, afinal, são uns quantos...). Escreveu sobre o seu país, sobre as diferenças culturais, as paisagens urbanas de Istambul e sobre as paisagens humanos e os romances inerentes. Pamuk escreveu "O Museu da Inocência", título para um pretexto com história de amor, para, de novo, estabelecer as diferenças e as semelhanças entre a cultura do seu país, a Turquia, e a cultura europeia (admitamos como Uma Cultura a amálgama de culturas que nem ainda hoje se entendem). O Museu, das memórias de um amor impossível entre um jovem herdeiro de uma família rica e a sua prima afastada, no momento em que decorria a preparação do seu casamento com uma também herdeira de outra família da alta sociedade de Istambul, estabeleceu-se no livro como a colecção de objectos da memória do que "era o momento mais feliz da minha vida, mas eu não o sabia", segundo narração de Kamal, o jovem em causa. São memórias que nos podem lembrar, a cada um de nós

Uma Democracia ameaçada em risco!

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Em poucos dias, o Partido Socialista foi o centro de duas terríveis ameaças à Liberdade e a uma Democracia ainda não plena. 1. A Carta. Uma Carta, aprovada na Assembleia da República, pretende ser o início de um controlo, precisamente controlo, da Liberdade de Expressão em Portugal. Pretende, tem a pretensão, para explicitar, regular "a verdade" e premiar os órgãos de comunicação social que não usem de "fake news", como gostam de dizer quando se referem a notícias falsas. Partidos de Oposição acharam por bem e normal a aprovação. Talvez se sintam alvos de notícias falsas. O que, a meu ver, é normal em Democracia, como é normal em Ditadura e porque simplesmente é normal na vida! Qualquer um de nós, qualquer pessoa viva ou mesmo já morta, é passível de ser alvo de mentiras. Alguma vez foi diferente? Afecta-nos? Pois, afecta, a uns. mais do que a outros. Normal, também. Pretender regular as "verdades" e as "mentiras", por organismos do Estado, direc

Uns comentários livres sobre Odemira, a Agricultura na Costa Vicentina e a (ir)responsabilidade do Estado

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Primeiro o mais grave: o drama humanitário (sim, é o que lhe chamo) em São Teotónio, Odemira. Milhares de trabalhadores imigrantes têm vivido em condições sub-humanas e inqualificáveis de desconsideração pela sua condição de Pessoas. Têm vivido assim há vários, há muitos anos. Alguns deles têm ali ficado, outros já terão regressado ao seu país ou estarão noutro país europeu, eventualmente melhor do que estavam por cá. Viver como nem aos animais se tratam, é simplesmente inadmissível, mas perfeitamente admissível a condenação em Tribunal de quem assim os colocou ou deixou continuar. Pagar 150 euros por mês por uma cama, num quarto com mais 3 ou mais 5 pessoas, oferecendo a proprietários locais (muito prestimosos a reclamar direitos ao Estado português ou mesmo a votar num dado Partido comunista ou socialista, publica e hipocritamente defensores de direitos humanos e...direitos dos trabalhadores- falta a investigação sobre quem são efectivamente os ditos proprietários que, admito, aufira

Despretensiosamente

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 "Escrevi  Chamada para o Morto , o meu primeiro romance, porque andava há vinte anos ansioso por escrever mas nunca chegara a ter propriamente incentivo para tal. (...) Numa casa sem livros, conseguira adquirir algum gosto pela leitura, em grande parte devido a um mestre de uma das minhas primeiras escolas nos lis maravilhosamente em voz alta textos de Conan Doyle e G.K. Chesterton." Assim escreve John le Carré em 2020 na introdução à reimpressão do seu primeiro livro,  Chamada para o Morto , escrito em 1961, agora publicado em Portugal (temos um culto muito "esquisito" por autores de culto, ao nível das nossas editoras não temos? Um respeito, ou uma desatenção, culturalmente pouco louvável, digo). Le Carré, David Cornwell, de nascença, teve um pai considerado vigarista...não teve uma educação literária em casa (parece que teve mais sorte na escola) e muito menos intelectual. Desenvolveu-se. Recriou-se. Fez-se. Considerado uma referência em literatura de espionagem

O dia em que a Esquerda acabar

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 A Esquerda e a Direita, uma criação da dita...Esquerda. Não existia o conceito entes de 1789. Um mundo que diz a si mesmo avançar a grande velocidade mantém em grande parte este ridículo mas nada inofensivo conceito, sem contexto em democracia, mas bem claro em ditadura, por conveniência exclusiva de algumas facções da sociedade que se auto-intitulam de maior justiça social e económica e de maior abertura e avanço cultural e social e até, pasme-se quase exclusivos detentores "oficiais" da intelectualidade. A auto-intitulada "Esquerda" o maior logro da política mundial, anda há mais de cem anos a tentar moldar um mundo, por via de insistentes e variadas técnicas de propaganda e manipulação, simplesmente porque a humanidade continua a lutar contra uma ignorância de que já não se prevê o fim. Há cem anos que se assiste, a nível global, a um glossário de falsidades e falsas promessas, sobre a construção de um mundo novo de maior justiça social, de redistribuição da riq

AGROMEETING da ESPAÇO VISUAL, 10.09.2020

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Há uma verdade que fazemos por ignorar

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  «Dois anos antes de sair de casa, o meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia». Com esta frase começa Elena Ferrante o seu mais recente romance editado em Portugal pela Relógio D´Água. A história é a da descoberta da identidade de Giovanna, de Nápoles.  Podia começar com aquela frase, ou com outra qualquer, de inspiração (ou profunda mágoa) de outro autor. Karl Ove Knausgard, norueguês, na sua epopeia autobiográfica, foi-nos passando revelações da sua vida, do mundo como o via, de inconfessos momentos. Não sabemos as motivações de Ferrante, como nem a conhecemos fisicamente, nem à sua própria história. Mas que só pode ter sido enriquecida por emoções fortes, de momentos fortes, parece plausível. E quem não tem da sua vida mais do que uma visão? Podemos não ter mais do que uma visão, porque parte dessas outras opiniões ficam com os que nos vão conhecendo. Não tenho, porém, grandes dúvidas sobre sermos uns, aos nossos olhos, e outros e outras aos olhos de outrém. Faz isso de nós