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Uns comentários livres sobre Odemira, a Agricultura na Costa Vicentina e a (ir)responsabilidade do Estado

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Primeiro o mais grave: o drama humanitário (sim, é o que lhe chamo) em São Teotónio, Odemira. Milhares de trabalhadores imigrantes têm vivido em condições sub-humanas e inqualificáveis de desconsideração pela sua condição de Pessoas. Têm vivido assim há vários, há muitos anos. Alguns deles têm ali ficado, outros já terão regressado ao seu país ou estarão noutro país europeu, eventualmente melhor do que estavam por cá. Viver como nem aos animais se tratam, é simplesmente inadmissível, mas perfeitamente admissível a condenação em Tribunal de quem assim os colocou ou deixou continuar. Pagar 150 euros por mês por uma cama, num quarto com mais 3 ou mais 5 pessoas, oferecendo a proprietários locais (muito prestimosos a reclamar direitos ao Estado português ou mesmo a votar num dado Partido comunista ou socialista, publica e hipocritamente defensores de direitos humanos e...direitos dos trabalhadores- falta a investigação sobre quem são efectivamente os ditos proprietários que, admito, aufira

Despretensiosamente

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 "Escrevi  Chamada para o Morto , o meu primeiro romance, porque andava há vinte anos ansioso por escrever mas nunca chegara a ter propriamente incentivo para tal. (...) Numa casa sem livros, conseguira adquirir algum gosto pela leitura, em grande parte devido a um mestre de uma das minhas primeiras escolas nos lis maravilhosamente em voz alta textos de Conan Doyle e G.K. Chesterton." Assim escreve John le Carré em 2020 na introdução à reimpressão do seu primeiro livro,  Chamada para o Morto , escrito em 1961, agora publicado em Portugal (temos um culto muito "esquisito" por autores de culto, ao nível das nossas editoras não temos? Um respeito, ou uma desatenção, culturalmente pouco louvável, digo). Le Carré, David Cornwell, de nascença, teve um pai considerado vigarista...não teve uma educação literária em casa (parece que teve mais sorte na escola) e muito menos intelectual. Desenvolveu-se. Recriou-se. Fez-se. Considerado uma referência em literatura de espionagem

O dia em que a Esquerda acabar

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 A Esquerda e a Direita, uma criação da dita...Esquerda. Não existia o conceito entes de 1789. Um mundo que diz a si mesmo avançar a grande velocidade mantém em grande parte este ridículo mas nada inofensivo conceito, sem contexto em democracia, mas bem claro em ditadura, por conveniência exclusiva de algumas facções da sociedade que se auto-intitulam de maior justiça social e económica e de maior abertura e avanço cultural e social e até, pasme-se quase exclusivos detentores "oficiais" da intelectualidade. A auto-intitulada "Esquerda" o maior logro da política mundial, anda há mais de cem anos a tentar moldar um mundo, por via de insistentes e variadas técnicas de propaganda e manipulação, simplesmente porque a humanidade continua a lutar contra uma ignorância de que já não se prevê o fim. Há cem anos que se assiste, a nível global, a um glossário de falsidades e falsas promessas, sobre a construção de um mundo novo de maior justiça social, de redistribuição da riq

AGROMEETING da ESPAÇO VISUAL, 10.09.2020

 https://www.facebook.com/EspacoVisualConsultores/videos/319476919261459/

Há uma verdade que fazemos por ignorar

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  «Dois anos antes de sair de casa, o meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia». Com esta frase começa Elena Ferrante o seu mais recente romance editado em Portugal pela Relógio D´Água. A história é a da descoberta da identidade de Giovanna, de Nápoles.  Podia começar com aquela frase, ou com outra qualquer, de inspiração (ou profunda mágoa) de outro autor. Karl Ove Knausgard, norueguês, na sua epopeia autobiográfica, foi-nos passando revelações da sua vida, do mundo como o via, de inconfessos momentos. Não sabemos as motivações de Ferrante, como nem a conhecemos fisicamente, nem à sua própria história. Mas que só pode ter sido enriquecida por emoções fortes, de momentos fortes, parece plausível. E quem não tem da sua vida mais do que uma visão? Podemos não ter mais do que uma visão, porque parte dessas outras opiniões ficam com os que nos vão conhecendo. Não tenho, porém, grandes dúvidas sobre sermos uns, aos nossos olhos, e outros e outras aos olhos de outrém. Faz isso de nós

O império socialista em construção

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Nunca um socialista desiste de criar mais um império que, para ele, significa perpetuação no poder, solidificação da rede de interesses criada, enriquecimento à custa do Estado, digo país. A megalomania socialista não pára e não desiste. Não se ficam pelo acto de governação temporária, têm que transformar o país, vergá-lo ao seu "iluminismo" falso, afinal o seu obscurantismo retrógrado. Quando Soares tomou o poder, tinha que afastar todos os seus adversários mais directos, desacreditando de forma fácil e muito natural Cunhal, tinha ainda que afastar definitivamente o líder do Partido que crescia organicamente, naturalmente implantado a nível nacional, o seu verdadeiro inimigo, um líder com ideias e uma visão de progresso, Sá Carneiro. E afastou-o. Destruiu nesse dia o PPD, agora PSD. E nem no Partido de Sá Carneiro tiverem a perfeita noção da estratégia negra de tomada do poder e sua perpetuação, nem, muito menos, o povo a teve. Ainda hoje, isto soa demasiado a teoria da cons

O Verdadeiro Big Brother

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Há uns dias escrevi um texto que, como quase todos os que publico, ninguém terá lido. Pretendia com ele fazer uma reflexão sobre a necessidade premente de uma renovação ideológica no mundo livre. A expressão Mundo Livre nunca como hoje foi tão falsa, contraditoriamente tão real e, mais do que tudo, tão importante. Já se irá perceber a necessidade de usar a expressão e, acima de tudo, a defender, literalmente contra tudo e contra seja quem for. Num trajecto de vários séculos, desde que os Iluministas pretenderam difundir ideias de abertura das sociedades europeias ao Conhecimento, ao Saber e à sua democratização e, com isso, fazer intervir no destino dos povos, o pensamento informado de cada pessoa, com consequências para os regimes absolutistas, o Mundo Ocidental, foi ameaçado na sua crescente libertação de governantes autoritários e centralizadores, e foi, repetidamente, recuperando Liberdade, ciclicamente ameaçada. Quando no início dos anos 90 (1989-1990) Berners-Lee imaginou e propô