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Determinismo

“Se tiver que acontecer, acontece”. As vezes que ouvi isto…  Sempre que ouvi alguém me dizer que as "coisas acontecem, se tiverem que (de) acontecer”, senti-me ou incomodado ou, normalmente, incrédulo, quase com uma reacção alérgica. Hoje acordei com esta na cabeça. (“tenho de escrever mais alguma coisa sobre este determinismo”).  Quando revejo os momentos em que tal ouvi, julgo ter percebido que se tratava de uma frase de "saída", de fim de conversa, algo para dizer "deixa andar e logo vês", uma quase estratégia mental para desviarmos o pensamento de qualquer coisa muito preocupante ou que nos entristece, e nos atingiu "lá bem fundo". Não me recordo de ter ouvido algo deste género, quando o assunto tinha a ver com trabalho, ou com acontecimentos sociais, ou políticos. Penso que quando ouvi, era dirigido a alguém que falava de um assunto pessoal, um problema de família, com a família, ou sentimental. E interrogo-me porque razão acham ...

Emoção, razão...amor, paixão...responsabilidades: as asneiras seculares nas nossas relações

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Volto a alguns temas preferidos para os envolver numa grande amálgama, numa ‘sopa de ideias’ que quero deixar à consideração de quem (ainda) me lê. Emoção, razão, sexualidade, sentimentos, enamoramento, paixão, amor, casal, sociedade, religião… É espantosa a confusão que ainda hoje ouço e sei haver entre tantos adultos sobre estes assuntos. Espantoso… …que se defenda uma relação a dois com base numa justa concentração de sentimentos mútuos, numa fusão de emoções, numa intersecção de ideais um sobre o outro, no fundo, que as relações, de namoro, de casamento se devam pautar pela paixão e amor genuínos, para…tempos depois, no quase sempre inevitável desenamoramento e assumir da perda da paixão ou do amor, se defenda a racionalidade e se considere a emocionalidade, antes defendida, uma coisa para ingénuos, imberbes, irresponsáveis e infantis. Nesse momento, ser ‘racional’ é ser adulto. Ditam assim as regras sociais, as regras religiosas e toda a nossa educação, activa ou passiva, assim no...

Bach e outros: case study do humano

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Ouvir Bach (J.S. Bach) hoje é, para quem aprecia o género musical, uma experiência transcendental. Uma música dos deuses, é uma das expressões mais frequentemente ouvidas. Bach é considerado por muitos, especialistas musicólogos ou apenas melómanos o maior compositor do Barroco ou mesmo o maior compositor de sempre (outros consideram Mozart, ou Beethoven, ou Wagner, ou Mahler). Mas Bach, no seu tempo não foi tão reconhecido, em vida, como hoje se poderá imaginar. Nem popular. Era um compositor metódico, que criava sempre de acordo com os cânones, nunca fugindo muito a tais princípios. Mas também dever reconhecer-se que inovou, e muito, mesmo usando as clássicas regras da composição. Criou pérolas de música bem evoluídas para a sua época, como as fugas, invenções, suites para instrumentos solistas, sinfonias e partitas. Obras sacras de grande vulto e fôlego, pequenas obras com base em temas simples por vezes sugeridos por outros como pelo seu admirado o Kaiser Friederich II da Prussia,...

Humanos: um 'case study'

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É para mim cada dia mais surpreendente a forma como as pessoas se agarram a crenças, convicções e conceitos que nunca poderão confirmar. Sempre, desde novo, mas mais agora, me espantou que a nossa mente usasse dois critérios de raciocínio, de conceptualização, de conduta, de atitude e, depois, procedimento. Pensemos na ideia de Deus. Tantos pensadores, filósofos da teologia, ou muitos outros, e tantos humanos que os seguiram, conscientemente ou não, assumiram, pouco a pouco a ideia de Deus, como certa, segura e inquestionável, leia-se, dogmática. Por detrás não da ideia em si mesma, não do conceito de Deus, ou da crença se quisermos, mas do raciocínio - ou da ausência dela, visto que o dogma uma vez universalmente aceite, dispensa e repudia o raciocínio, pelo menos o que o pode por em causa – há um formato que devia incomodar os pensadores, tanto que a dada altura o fez, mas tal já não passou para as pessoas comuns em geral, como também não se fez eco em relação a outros conceitos, dog...

Congresso Feminista

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Acho muito interessante, divertido, ou mesmo hilariante este Congresso Feminista 2008. Sei que alguém, talvez muitas senhoras, ou algumas que me lêem podem sentir-se entre confusas e incomodadas, aliás irritadas, com este meu texto. Mas, por um lado, as que já me conhecem sabem que não padeço do mesmo mal, mas de sinal oposto, das organizadoras e participantes no dito Congresso. Por outro lado, a polémica, se for gerada, nem é por mim, é pelo Congresso, o que só me deixa quase frustrado por não ser a lançá-la, tanto o prazer que me dá entrar em polémicas... Imagine-se que se organizava um dia destes um Congresso Machista... Esta ideia do Feminismo é, para mim, absolutamente estúpida, ridícula e para quem assim se sente ou defende, é redutora. Novamente, veja-se um homem a defender o seu machismo, e imagine-se o que se pensa dele: redutor será o mínimo... Confesso que conheço muito mais mulheres inteligentes e competentes do que homens. Confesso ainda que nunca na minha vida profissiona...

Ideias anacrónicas

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  Ando há tanto tempo a insistir que as análises políticas são irrealistas e anacrónicas quando se prendem e tentam, depois, catalogar os partidos e suas personalidades, como de direita, esquerda, ou mesmo de socialistas, comunistas, sociais-democratas, liberais, conservadores, democratas-cristãos, populistas, etc.   O conceito de Direita e de Esquerda vem da Revolução francesa! 1789! Por favor…há tanta evolução tecnológica, ideológica e, não tanto como devia haver, mas enfim, sociológica, no mundo e ainda se agrupam as pessoas à direita ou à esquerda! E não se pensa, que antes da dita Revolução, já havia a gestação das mesmas ideias, e que foram melhor clarificadas ou, até, elaboradas por Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot, Locke, Kant.   Por outro lado, podia parecer que a catalogação das organizações políticas nas ideologias políticas ou filosóficas mais comuns, seria mais legítimo e aceitável. E, para mim, já nem isso faz sentido. Um exemplo é vermos um Partido Soci...

Ler e pensar

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Apesar de nos últimos anos o panorama da leitura em Portugal se ter vindo, gradual e lentamente a alterar, ainda somos um dos países onde se lê menos. Sejam um jornal uma revista ou apenas um livro por ano. Muitas pessoas passam dia e dias, durante meses ou anos, sem ler absolutamente nada. Ou apenas lêem uma etiqueta de um produto comercial, ou um rótulo, uma receita médica, um menu de restaurante, um título de um jornal que não compram. Uma língua está viva enquanto praticada e sujeita a uma evolução, mais ou menos lenta, pelos seus falantes. Mas uma língua tem a sua base fundamental na forma escrita. Profissionalmente, muitos de nós fazemos muitas leituras, de cartas, de correio electrónico, de documentos de trabalho. São, porém, a maioria das vezes, escritos tais documentos, em linguagem limitada, senão hermética e característica da profissão em causa. São pois linguagens sem a riqueza suficiente, para servirem de genuíno exemplo do que eu chamo de leituras. A leitura é uma base es...

Que políticos temos?

O líder do PSD anda a fazer o quê da nossa política? Por que razão não temos alternativa credível perante um Governo tão parco de imaginação e criações positivas? Se temos uma vida política cada vez mais presente nas nossas vidas, e passamos por um momento tão pobre da nossa democracia, que nos resta de esperança para os próximos tempos? Temos um Governo arrogante, mas sem obra positiva. Anúncios de reformas, que são alteradas todos os dias, ao sabor de sondagens e de clientela. E temos na oposição, na que teria condições para ser mais viável em termos de governação, uns tantos políticos que se entretêm mais com jogos de ‘ser do contra’, e se ocupam de casos menores, fazendo propostas que até nos parecem brincadeira de putos, sem uma ideia positiva. Quantas pessoas de vulto público têm coragem para dizer que esta política financeira está a arruinar o país? Uma política estilo Salazar, mas com a desvantagem de aquele ter diminuído a despesa e os de agora nem isso conseguirem, mas também...

Racionalidade, emoções e decisões

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Todos nos confrontamos com decisões. E todos as tomamos certas, umas, erradas, outras. Em geral conseguimos saber do acerto das nossas decisões pelos resultados obtidos. Mas muitas vezes nem assim, nem passado muito tempo, somos capazes de aferir da sensatez, equilíbrio ou adequação das nossas tomadas de decisão. E já não irei aqui discutir as diferenças, grandes ou ténues entre decisões, tomadas de decisão ou execução das mesmas. Tomemos um exemplo que pode parecer despropositado, exagerado ou até absurdo (como exemplo para o que de seguida quero dizer). Quando Hitler e os Nazis tomaram a decisão de exterminar uma raça, ou melhor os partidários de uma religião, por sinal das mais antigas do mundo, os Judeus, estariam ou não convencidos de terem tomado uma decisão acertada. Tendo em vista os seus objectivos, sobre os quais hoje muito se conjectura, claro, mas pensemos apenas no controlo de áreas industriais e financeiras que estariam naquela época - não foi assim há tanto tempo...acaut...

A Educação em Portugal, uma visão verdadeiramente ...pouco optimista

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Se há assuntos em que não acredito no sucesso da maioria das medidas políticas tomadas agora, por este Governo, ou no passado recente por outros, são a Educação e a Cultura. Aliás, para a Cultura, quase que se poderia desactivar a intervenção do Estado pois com a excepção- e nesses casos, enfim, justificar-se-á- de apoios a companhias de teatro, que ninguém vê, enfim ou escolas ligadas à cultura e arte, a acção da nossa gestão pública mal se faz sentir. Mas a Educação... Leia-se este texto de José Carreira, oportuno e incisivo, sobre um dos aspectos mais relevantes, pela negativa, da educação dos nosso filhos, a começar em casa, com a utilização mais correcta das horas de todos, pais e filhos. Ver Tv é um hábito que pode ser útil e até saudável. Mas consumir todo o tempo de uma família à frente da TV, sem mais uso a dar ao nosso tempo, pode até ser bem pior do que nem ligar a famosa 'caixinha'. E há tanto para fazer, dependendo das horas e dias: ler- o mais importante de todos...

Atitudes negativas, pessimismos...

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Uma jornalista (Teresa de Sousa, que até gosto de ler) escreve no Público, sobre Putin e as recentes evoluções das relações da Rússia com a União Europeia, dizendo a dada altura que "cá fora em Washington, Berlim, Londres ou Paris a imprensa tenta desesperadamente deslindar o passado deste homem seco e de baixa estatura..." Não estou a imaginar um jornalista espanhol, ou francês, ou mesmo brasileiro referir-se assim à imprensa internacional, sem mencionar a do seu próprio país, deixando implícita a sua capacidade de, também, veicular ou gerar opinião. Parece-me uma atitude, mais do que comportamento, claramente pessimista, ou mesmo que não se aceite como tal, com certeza, negativa. Optimista e Positivo seria fazer exactamente o contrário. Tal como positivo é ter esta opinião, precisamente. A de que Portugal, como país aberto e inserido num contexto internacional cooperante, sendo parte de importantes e diversas organizações internacionais, como representantes seus a participa...

Optimismo ou Positivismo

Como sabem nos meus últimos comentários de cariz político, tenho sido muito pessimista, quanto àminha interpretação do nosso futuro comum. Mas pessimista e negativista não têm o mesmo significado, nem estão carregados do mesmo peso. Assim também, Optimismo e Positivismo não são, em diversas accepões, exatacemente a mesma visão de um caso, de um problema, tendência ou perspectiva. Se continuo pessimista quanto ao nosso futuro próximo, quanto ao desenvolvimento- entenda-se mais riqueza distribuída e mais justiça na partilha de recursos- e quanto à esperança nesse objectivo perseguido há tantos anos por Portugal e pelo seu povo, já não posso dizer que serei negativista, na minha visão do que, futuramente, mais distante ou mais proximamente, poderemos conseguir, como povo, como país e como Estado independente. Tudo isto pretendo vir a explicar, em vários pequenos textos, ou seja, explicar a minha forma pessoal, sempre muito pessoal, de ver as coisas. Para dar uma dica... explicar como se p...