Catalunha e BES

Durante anos ouvi a doutrina da "Catalunha exemplar". Trabalhava na altura, por volta de 1997, numa multinacional alemã, onde antes, de 91 a 97, dependíamos directamente da Alemanha, e passámos, após uma "restruturação" das que na altura estavam em moda pela Europa e pelas maiores empresas europeias (organizar cluster de dois a três países, uma moda peregrina...), a depender da "eficiente e hiper sapiente Barcelona". Um desastre total. Nunca vivi tamanha incompetência, de gente que se julgava superior, bem preparada e muito profissional. Tudo mentira do pior nível. Não falavam quase nenhum idioma que se entendesse, eram pueris em tecnologias e uso de informática e, ainda pior, eram hilariantes em teorias de marketing. E...nunca aceitavam, ou aceitam que alguém 'de fora', mesmo de fora da Catalunha, mas de Espanha, tivesse uma opinião, excepto contribuir para um ego muito imerecido.

Anos mais tarde, tive um chefe catalão, novamente numa empresa, outra, alemã. Era socialista, um apoiaste e admirador do Grande Jordi Pujol. Pujol! O homem que tudo fizera pela Catalunha, exacerbando o nacionalismo catalão. O homem a quem a Catalunha deve tudo...e agora também se ficou a saber, que deve também...a mentira, o roubo vergonhoso aos catalães, de milhões de euros, depositados na Suíça. Por parte de quem nem de tal precisava, tendo nascido rico.

Jordi Pujol, o Grande Pujol. O grande ladrão, tão falso como a própria Catalunha, que do 'alto' da sua grandeza...nada é mais do que o resto de Espanha, ou de alguma outra região europeia. Apenas mais uma mentira no mundo europeu das mentiras. Este homem recebia comissões por todos os negócios contratados pelo Governo da Catalunha. A extensão da sua corrupção põe em causa muito argumento sobre Espanha, regiões autonómicas, e sobre o Socialismo democrático, neste caso independentista. Põe em causa a falsa verdade de que a Esquerda é pura e limpa e nunca corrupta, como os 'nossos' queridos PS's por cá nos querem fazer crer.

E...por cá. Até assusta, mais do que surpreende, a campanha acelerada e forçada de muitas personagens do PS na sua desesperada tentativa de se distanciarem de Ricardo Salgado e do seu famigerado, outrora dourado e rigoroso, perfeito e magnânimo BES e GES. É tal o esforço, o quase desespero, de tentativa de colagem de um BES muito amigo de Sócrates ao PSD que o cheiro é pior do que o de Veneza em Agosto. Ou das nossa ribeiras onde tudo se verte...

Pujol e Salgado. Dois, outrora, monstros sagrados, que pareciam tudo fazerem perfeito e intocáveis se  configurarem, que hoje nem se percebe bem a necessidade de correrem para o abismo da má fama e desgraça pessoal total. Não se percebe esta vertigem pela decadência, em gente que nem disto precisava.

Mas percebo uma coisa muito bem, pois a digo há anos em excesso: a confiança em gente "superior" deve se muito inferior à que se tem por uma vaca louca no cio...levam tudo à frente e a cegueira, não lhes permite ver que praticamente nada fazem de bem ou correcto. E à sua volta, praticam a 'terra queimada', sem algum escrúpulo.

Outra vez Joseph Stiglitz, de memória, sem rigor na citação: Os directores executovos dos Bancos, que antes eram respeitados pela sua elevada gestão, usaram da poupança conseguida nos despedimentos de colaboradores normais, para poderem usufruir de prémios milionários, no momento da queda dos seus bancos, queda essa fruto da sua péssima e incompetente gestão. Prémios descomunais, para quem gerou prejuízos descomunais, à custa de desemprego de gente normal e provavelmente muito superior, humana e profissionalmente.

Foi também assim no BES e no GES. Foi também assim na Catalunha com a corrupção activa de Pujol. Corrupção que é sempre, onde existe, e existe em todo o mundo, sem excepção, o maior dos custos suportados pelos contribuintes. Nem mais!

E não estou a falar apenas de sector público, como se vê, como Pujol. Mas também, e em muito maior escala, podem crer, do sector privado. Conheço casos concretos. Onde trabalhei. E ainda hoje se gabam de serem os mais inteligentes e competentes gestores...mas penso que o tempo, o tempo justo, acabar por nos chegar a todos. Usam da pressão de falsos processos disciplinares, para empurrarem gente competente, séria e profissional para fora das suas empresas. Usam de todos os recursos, legítimos ou não, mas sempre injustos, para assim poderem ter gente apenas 'sim-sim', sem espinal medula, ou sombra de carácter, sob total controlo. Irão destruir anos de crescimento empresarial e perder absolutamente tudo. Excepto uma fortuna pessoal criada com o sangue e sofrimento dos outros. Gente-réptil, merecedores do maior desprezo humano. Irão tê-lo, mas rir-se-ão quando estiverem numa bela praia, num belo resort de luxo...

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