Emoções racionais?

Nós humanos somos um mistério.  
Estamos num café e alguém, en passant, nos toca. Nada dizemos, e nem mostramos reacção muito evidente, mas boa parte do nosso corpo reaje, pelo aprazível, ou pela aversão, consoante a pessoa que nos tocou nos é atraente, ou, pelo contrário, quase sentimos repúdio, se não indiferença. Os sinais são enviados ao cérebro, que toma boa conta deles, regista e armazena, uma entrada mais num vastíssimo banco de dados, de longos e esquecidos anos e sensações. Mas essa tão efémera sensação é logo comparada com todos os dados indênticos, toques, sensações dérmicas, da mais remota data das nosssas vidas. 

É um dos bons exemlos do trabalho do nosso inconsciente. Talvez seja a razão, noutro plano, outras sensações, com uso de outros sentidos, a visão por exemlo, pela qual sentimos aquela empatia especial, a indentificação com aguém remoto, porventura esquecido do consciente, mas ainda assim um quadro agradável que se formou em tempos, já intangível para o consciente (não sei onde fica a 'razão'!, que papel tem essa parte tão erradamente considerada a nobreza da mente?). Uma comparação silenciosa, imperceptível e tão rápida que só um super computador a uçtrapassa, com todas as pessoas que de alguma forma nos foram positivas. O nosso próprio pai? Mãe? Um ou uma colega, ou amigo, amiga, que nos foi querido? Não há, provavelmente forma de o sabermos?

Errado. o nosso poderoso inconsciente sabe, mas não nos deixa ...saber, conscientemente. Ficamos, assim, agarrados a alguém, à imagem que de alguém fazemos e não saberemos racionalizar (estranho agora o uso deste termo, confesso). Para o bem ou para o mal. Pode ser uma imagem negativa, em geral até mais forte. Estas silenciosas 'sensações' (se inconscientes, nem sensações se podem chamar, verdadeiramente), saturam-nos de tal forma num único dia, ou apenas numa fracção dele, de tal jeito que se poderia assimilar a uma passagem de carro a alta por uma ala interminável replecta de estátuas, que não coseguiríamos identificar, e com reptição de percurso, mas em que durante tal percurso uma câmara de elevada sensibilidade registaria em vídeio todas as características de todas e cada uma dessas mesmas estátuas, que depois em câmara lenta poderíamos então reconhecer. 

O mesmo com cheiros, sons de pessoas e sabores de alimentos. 

Isto não evita o trabalho da mente num outro nível, ou camada. Nada nos indica que uma aversão gerada por alguém, não seja um dado inteiramente novo. Tal como uma empatia ou paixão. Embora o tema da paixão possa ser ainda mais enigmático, até os dias de hoje. Os sentimentos profundos e altamente incontroláveis escapam grandemente este tipo de análise, por razões bioquímcas e por introdução de dados novos, não fora cada 'novo' ser humano, alvo de sentimentos desses, um conjunto novo e desconhecido de dados e características. Este o lado mais fantástico da descoberta de um ser humano, por boas razões, ou pelas piores.

As nossas senções deste tipo efémeras e imperceptíveis, não acontecem apenas com outras pessoas, mas inda com objectos, sons, odores. 

Mas é no plano humano que nos deixamos fascinar mais por este iceberg de desconhecido, como sentir algo de muito ou apenas ligeiramente atractivo por alguém, ainda que distante e nunca visto, na verdade. Pode suceder em relação a um político, que está do outro lado do oceano, ou um cientista, e a explicação para a empatia ou aversão não se pode obter tão-só pelo que diz, ou jugamos ter ouvido.

O mistério dos nossos amores e desamores ainda pode estar na Idade Média das neurociências. Mas hoje, como ontem, como há séculos atrás, as nossas estruturas cerebrais, o nosso complexo hormonal, e todo o próprio controlo/ descontrolo desde a percepção à emoção e desta à reacção, fez e fará o seu caminho. Connosco, mas 'sem nós'.


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