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O ausente

Em 200 assinei o meu documento de apoio à candidatura de Cavaco Silva, à Presidência da República. Nessa altura, para mim, Cavaco Silva tinha sido o Primeiro-Ministro que mais tinha feito pelo crescimento económico do país, período em que Portugal teve a mais baixa taxa de desemprego, também. Não me deslumbrava com todos os aspectos da sua governação, período durante o qual considero que os governantes se afastaram demasiado dos seus eleitores, e durante o mesmo se dera muito pouco valor a alguns dos sectores, pelouros, que considero, desde sempre como essenciais para atingirmos um patamar de segurança na Democracia, com um povo mais esclarecido, mais culto (este termo que ainda me parece mirífico perante o que vejo do nosso povo...enfim) Fiz parte dos apoiantes, mais ou menos activos, de Cavaco, mas nunca participei em campanhas ou acções de rua, porque a minha actividade profissional não me deixava qualquer possibilidade e porque, confesso, que o ambiente de feira das campanhas ...

Passos e o jornalismo

Já li vários comentários de jornalistas que se indignaram com as palavras de Passos Coelho, que os apelidou de preguiçosos e patéticos. Compreendo os jornalistas. Embora até concorde com Passos, em relação a alguns deles, os famosos vendidos ao clube de esquerda, preguiçosos não na investigação jornalística, mas no simples exercício mental. Ao contrário de Soares o raivoso e triste pseudo-democrata, penso que a defesa cerrada de um clube, sem interrogações pessoais, denota muita preguiça mental e muita, demasiada, ignorância sobre o que hoje acontece no mundo. Mas obviamente que Passos se tornou mais patético do que já era, ao afirmar o mesmo sobre os jornalistas.  No entanto, preocupa-me bem mais um outro aspecto desta novela, que os jornalistas normalmente adoram alimentar. Não sendo exclusiva deles esta atitude, pois quase sempre uma classe se defende desta forma, quando acha que se deve sentir deontologicamente ofendida. O que é outra forma de ridículo. Dou de barato a...

A Energia da Europa

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A União Europeia fundou-se no princípio de livre circulação de mercadorias (e pessoas) e na cooperação económica geral entre os Estado Membros. Desde a ideia inicial e a fundação, que partiu da CEE e das outras comunidades da altura, como a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, houve uma crescente complexidade de regulamentações, de crescente burocratizarão do espaço europeu, mas muitas vertentes ligadas à actividade económica se mantiveram com poucas, ou não muito significativas alterações. Um espaço económico da dimensão da Europa, o maior mercado do mundo, o maior exportador mundial, no conjunto dos países da UE (onde a Alemanha foi até há pouco o maior país exportador mundial, recentemente ultrapassado pela China), outrora a zona mais importante de produção mundial, não se percebe porque não avançaram mais as políticas de coordenação energética, no sentido de mitigar a dependência do exterior, que é a maior em todo o mundo. Dentro em pouco, um a dois anos, no caso de Angola, ...

Um adeus sem saudade

Deixou-nos à pressa, mas, no momento, até nos sentimos lisonjeados, ainda que um tanto órfãos, por passarmos a ter um "português na Europa". Sabíamos muito pouco das suas ideias, na altura, embora desconfiássemos do vazio. Chegámos a pensar que, uma vez num lugar de tal destaque, não sabíamos se de impacte real, talvez pudéssemos ver algum benefício da sua nova função. Durão Barroso foi um desses políticos que passaram por diversas funções e, como a comida sem sal, ficamos sem saber se nos faz bem, se é mesmo essencial, ou se apenas é um desprazer para os sentidos. De cada vez que falava, a expectativa inicial se gorava, a sensação de peixe sem sal aumentava. Se perdêssemos uns minutos, preciosos para coisas verdadeiramente importantes, a reflectir no que dizia, e, mais, no que podia estar a fazer, a sensação de vazio era acentuada. Era uma reflexão sobre o mais normal, sem rasgo algum, dos políticos dos últimos anos. Uma mediocridade que se alcandorara a grandes voos, mas ...

Diversos...e pouca paciência

Como eu adoraria não pensar mais na política portuguesa e europeia. Ou escrever sobre isto. Mas parece-me sempre impossível ficar passivo perante os disparates, exageros, inverdades e o prosseguimento deste caminho de suicídio colectivo. Comentários soltos: Durão Barroso fez o auto-elogio na despedida. Por cá, houve quem se regozijasse pela sua actuação nestes dez anos, ou apenas por termos tido um português na Europa. Por mim, não. Acho que Barroso é um político medíocre, um vaidoso sem razão para tal. Para mim, ainda há outro aspecto, que aos portugueses em geral não agrada. Não defendo um português apenas por essa condição. Mal comparado, faço o mesmo com os produtos made in Portugal. Defendo que a qualidade, que nunca é absoluta, tem, apesar disso, uma qualidade perceptível intrínseca, que merece defesa. O resto não. O mesmo com as pessoas. E é uma análise difícil, subjectiva e sujeita a erros grosseiros. No caso, Barroso, é um político muito fraco, se se pode chamar de políti...

Raízes culturais europeias

É comum ouvirmos dizer das raízes cristãs da Europa. Um dos aspectos comuns, em todas as diferenças que distinguem os povos e culturas da Europa. Não é falso. E não é totalmente verdade. Antes do Cristianismo já havia Europa. Mas algum cristianismo pretendeu introduzir uma falsa realidade, dando a ideia de que antes dos Cristãos, os povos eram menos civilizados, menos organizados e estavam constantemente em guerras, não evoluíam socialmente. Eram "bárbaros". Este termo, usado para indicar pejorativamente, um povo não civilizado, não evoluído no sentido das modernas sociedades, é de origem grega e tinha exactamente o significado de "quem não é grego, é bárbaro. Era um sentido pejorativo, mas de acepção diferente da que mais tarde foi usada pelos cristão, sem qualquer razão. Os gregos sentiam-se efectivamente superiores, uma civilização incomparavelmente mais organizada. Mas é positivo olharmos para essa antiga civilização, considerada o berço da humanidade civilizada, e...

Lixo

Todo o nosso corpo consome nutrientes, água e energia. E também produz. E produz lixo, em cada canto do nosso corpo. No cérebro também. O cérebro consome 25% de toda a energia que temos como reserva, e pesa apenas 2% de toda a massa corporal. http://www.ted.com/talks/jeff_iliff_one_more_reason_to_get_a_good_night_s_sleep?utm_source=newsletter_weekly_2014-10-18&utm_campaign=newsletter_weekly&utm_medium=email&utm_content=talk_of_the_week_button#t-553079 O cérebro funciona a partir de uma química especial, desenvolvida com a evolução humana, para o seu próprio funcionamento, que nos permite armazenar não apenas os pensamentos por nós gerados, mas muito, imensamente mais: o que herdámos culturalmente (os memes que nos foram transmitidos, desde gerações de progenitores que desconhecemos, até aos conhecidos deles, que com eles interagiram. Somos efectivamente um animal social. Somos feitos do que por nós fizemos, e do que todos os que conhecemos e não conhecemos, antes de n...