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Nunca se sabe o momento certo

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Estive muito tempo sem escrever no meu blogue. No sítio onde tenho a liberdade (até ver...) de expor o que penso, como penso e sinto, à minha maneira. Aprendi com o meus pais, em particular com o meu pai, a ser livre. Ao dizer isto, alguns dos que me lêem logo pensarão que sou condicionado, por fazer opções, de vida, ideológicas, de atitude. E é verdade. Não somos livre na totalidade, nunca, ficando reféns de um pensamento, de ideias e de comportamentos. Mas há um grau de liberdade, que considero essencial, e que não mo irão sonegar: a de me manter saudavelmente distante de organizações. Ainda que pouco ou muito do que penso possa coincidir com alguém, de alguma organização, aliás o mais normal e atá saudável, por me considerar inserido numa sociedade e numa cultura e ter herdado dos meus antecessores, progenitores e antepassados culturais, memes, para além de genes.





O tempo em que daqui, do meu espaço privado, que preciso sempre seja do conhecimento público (já explico), estive ausent…

Coletes de Libertação

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Em França, uma vez mais em França, onde não sei se haverá mais coragem, mas seguramente muito menos necessidade, necessidades, iniciou-se um processo de transformação do regime político, pelo movimento de Coletes Amarelos. Isto não é uma Revolução! Também só seria preocupante se o fosse, do lado de órgãos de poder actuais, ou de uma população preocupada ou assustada com o agigantamento de uma onda de violência, a que se perdesse o controlo. A sensatez lembra-nos que devemos aguardar, para ver os desenvolvimentos seguintes e, se os há ou não, os limites, dos meios usados, ou das exigências (não aprecio o termo reivindicações, demasiado colado a ideologias marxistas, as mesmas que um dia podem ter posto um travão noutro género de tirania e, depois, levaram o termo a extremos nunca conhecidos.
Mas interessa-nos Portugal. Porque o país independente mais antigo da Europa (se não dermos essa palma de honra a San Marino como país e independente de outros) nunca conseguiu, nos últimos cem anos…

"Iluminismo Agora"

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O título é de um livro de Steven Pinker (Enlightenemt now: The case for Reason, Science, Humanism, and Progress, Viking, 2018) de que iniciei leitura há pouco. Steven Pinker é Professor de Psicologia em Harvard, e um dos pensadores mais activos na actualidade na reflexão sobre o nosso mundo de hoje, como aqui chegámos e em que "status" estamos quanto a Qualidade de Vida, progresso, Liberdade, Igualdade, Democracia, Tolerância e Regimes políticos e Sociedades que praticam o Humanismo, inspirados e seguidores do Iluminismo de há mais de duzentos anos.



Numa sua anterior obra (The Better Angels of our nature, Viking, 2011), Pinker defendeu que a ideia de que hoje termos mais repressão ou nem tanto progresso social, no respeito humanista por todos, na inclusão de minorias, é falsa e, pelo contrário, vivemos agora um tempo em que há mais sociedades humanizadas do que há cinquenta anos, do que há cem anos e, claramente, do que há duzentos anos e antes.

Concordo integralmente com es…

Nunca é suficiente

A sensação era incrível, incrivelmente estranha. De uma plenitude frustrante. Sentado num café, pela estrada fora, ou num intervalo entre duas coisas quaisquer, a sensação era de nunca haver tempo que chegue, quando se quer viver intensamente, aprendendo, apreendendo e tentando entender. Entender a vida, não. Mas coisas. Partes da vida, partes de coisas. Servir-se da linguagem, explorando-a, usando-a na relação com todos, explicando para poder vir a aprender. Ficar um dia sentado a tentar entender tanto de que ainda não conhece resposta. Só o desafio e a experiência valeram e haviam de valer o esforço de uma vida.

Esse estranho uso da esquiva capacidade criativa que todos temos

É o tempo. É do tempo. A desculpa menos convincente que nos damos, para a desistência diária de uma actividade criativa. O tempo que não temos, o que pensamos não ter e até do raio do clima que parece querer implicar com estes poucos quilos em cima dos ombros.

A activdidade de um escritor, daqueles a sério, que não se ficam por contar uma história, que nos agarra e nos põe a pensar, como será, de tão transcendental nos parece? De escritores a sério, falo de um Phillip Roth, ou de um Herman Hesse (este génio devia ter as palavras todas já feitas e organizadas em formas poéticas, em formato filosófico ou apenas prosa, mas uma que não se fica pelo apenas. Isso é para nós. Hesse devia ter um cérebro na ponta dos dedos, para além do que nós quase que temos, e carregamos aos ombros. E Steinbeck? E tantos...

Que faziam no dia a dia estes criadores desta arte de encher papel branco com contruçoes frásicas perto ou para além do transcendente? Teriam também que pensar na limpeza da casa, na lav…

Parece normal

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O dia começava com uma rotina e desenvolvia-se em outras tantas, muitas. Os dias enchem-se e preenchem-se de actos repetidos à exaustão, na persistência do suporte da subsistência. Mas os actos fora do comum, os feitos que se elevem acima de si mesma, existem guardados secretamente, silenciosamente, à espreita de uma oportunidade.


À espreita da oportunidade pode não significar uma passiva existência. Sair de casa para o trabalho, levando consigo um sorriso sempre único e genuíno e forte, é em si um acto de resistência e coragem perseverante. A maioria de nós desiste do sorriso, e desiste, com isso, do sonho bem preservado, fechado a sofrimento por anos de tanta rotina desgastante. O sonho, eram sonhos em catadupa. Era um novo local, uma nova vida, uma outra rotina que não fosse assassina. Sair e entrar, entrar e sair, de casa de todos os locais, sorriso sem correspondência certa com o sentimento profundo e asfixiante, com essa fome de libertação.

Um sorriso e uns olhos radiosos, podem…

Leituras recomendadas

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Podemos passar tempos indefinidos a ler banalidades, ou histórias interessantes que apenas nos ocupam e dão prazer. Nunca nada de mal existe em continuarmos em hábitos de leitura ligeira, que nos tornam as horas mais agradáveis e até as companhias mais preenchidas, com a partilha de uma bela história, com a leitura de um bom livro, mesmo que apenas se trate de um romance, de mera ficção. Há livros que conseguem cativar-nos pela qualidade da escrita, como pela qualidade da construção do enredo.

Mas há outro tipo de leituras, que uma vez por outra fazem todo o sentido e nos ajudam no desenvolvimento pessoal, enriquecendo-nos com conhecimentos e ideia, tanto como com a qualidade da sua prosa.

Recentemente encalhei em alguns desses livros de que quero deixar testemunho, mesmo ainda a caminho de conclui a sua leitura.

Brendan Simms escreveu uma obra tão fascinante, como inteligente e importante. Uma leitura actual, que nos apela a uma reflexão que nem sempre conseguimos ter. Europa, a luta…

Os intocáveis

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Este título é uma provocação. Ia a escrever qualquer coisa como "personalidades" ou "figuras sagradas", mas lembrei-me, a despropósito, mas mesmo a jeito de algum sarcasmo, de um filme sobre um grupo de gangsters em que ninguém tocava. Até um dia.



Na cultura ocidental, ciência incluída, sempre houve um conjunto de "monstros" sagrados, inquestionáveis criaturas que parecerem sempre acima de qualquer falha, erro, ou lapso de inteligência. Foram tantos...Freud (logo este!), Kant, Voltaire, Descartes, Marx, Engels, a lista não terá fim. Nem tudo o que disseram e escreveram se configurou ser verdade, mas nem tudo teria de o ser. Mas ainda assim, muito do que deixaram na sua herança intelectual, está plena de disparates. Hoje, por elegância, bem mais do que por justiça em nome de ciência e cultura, desculpamo-los com a repetida ideia de que "à luz dos conhecimentos da época"...ou "com os meios de que dispunham na altura". Mas terá sido sempr…