Começa sempre mais um ciclo, de descoberta, de risco e de prazer. Pela vida que segue.

Quanto vale um Ano? Digo, não o valor dos dias que lhe pesam. Mas o valor, o peso, numa vida, num momento da vida, numa fase, ou o que seja. Quanto vale um pensamento? E se, num ano, tivermos um pensamento por dia? E se forem dois? Ou vários? Em média, ou em absoluto, quantos pensamentos valem um ano? E de que servem? E as palavras que os traduzem, que sabemos nunca os traduzirem integral e fielmente?

Ao ter um ano terminado, outro, novo, porque os calendários convencionados assim o determinam, iniciado, claro que entre o último dia de um e o primeiro do seguinte, não há uma linha. Separadora. Sendo que, se separa, também une. Ao terminar 2014, não há outra forma de encararmos, de termos a visão de um novo, 2015, se não for pela cega esperança, ou por uma esperança que ganhe corpo e força, se houver para tal resistência e perseverança, cada dia, pelo nosso esforço. Quero dizer, resta-nos, aos optimistas, aos mais realistas e aos pessimistas mais racionais (só se excluindo os pessimistas pouco racionais), juntar a esperança, coisa imaterial e do foro da fé (para os que valorizam fé, em algo supostamente superior, ou em si mesmos, para os que acreditam na raça humana como única detentora da determinação do seu futuro, como eu...quase, quase), juntar esperança, pois, a uma permanente busca alicerçada na capacidade humana, no trabalho "diário", persistente, em seu prol.

Esta explicação devo-a a mim mesmo, antes de mais. Depois, faço com ela um mero exercício de busca de uma resposta que até hoje não consegui encontrar. Porque tenho menos fé na mudança que os segundos, as fracções de tempo, que constituem a tal linha separadora, ou unificadora (neste caso interessa separar, fechar um ciclo, iniciar, uma vez mais, um outro) podem operar, sem mais, do que na nossa capacidade, usando desse artificialismo do Ano Novo, para fazermos mudar o que queremos que mude.

E, porque em 2014, o que pretendi mudar, não consegui, e me surpreendi, com o que o tempo, e o que ele me trouxe, mudou em mim, não eu nele, tenho-me deixado levar por este pensamento. Será desta? Há promessas que fazemos a nós mesmos. Parte delas, alguém pode saber, parte, só nós mesmos podemos confessar, aos botões. Porque podem ser simples, ou não, fáceis ou muito desafiantes, exigentes, mas podem apenas para nós ter significado. Como, cumprir connosco, o que a nós prometemos, sobre o que somos e queremos disto tudo, antes que o ano deixe de mudar de vez. Porque os que sabiam adivinhar o que para nós e de nós esperávamos, já cá não estão. Ou, apenas, porque não temos que incomodar alguém com pensamentos que podem nem ter corpo suficiente.

Sei de tantos amigos que sonharam para si vidas bem distintas. Chegaram ao final do ano anterior, ontem findo, certos de mais alguma frustração (frustração não é vergonha) acumulada. E cada ano...a vontade de acreditar naquela ínfima fracção de tempo que separa dois anos consecutivos, que pode mudar o rumo de muitas vidas, ou de algumas, cada um da sua, vai definhando.

Mas um reduzido ciclo de fundamentais pensamentos, pessimistas como se impõe, deixa-me a certeza da necessidade de acreditar. E este primeiro dia, é o dia em que temos de prometer a nós mesmos a mudança e o esforço e a luta por tudo isto. E só assim se justifica, até o ritual anual de tradições da última noite e dos votos de Feliz Ano.

Soçobrar não é para vivos e inteligentes, nem para todos os outros. E render-se a vontades de outros, os que pensamos (e de facto...) decidirem o nosso futuro, não chega. É curto e pode ser demolidor.

Cada passo, um pensamento, cada raio de luz, desta que nos tem banhado os dias. Cada pensamento que lemos, ou que no passado ouvimos. Cada experiência humana, sabida, ouvida e lida. Fazemos tanto cada dia, de pequenas e automáticas coisas, rotinas e mais rotinas. Podemos começar por nos livrarmos de algumas, e criar outros ritmos. Há muitos anos, decidi, porque aprendi, por mim e para mim mesmo, criar uma mecânica nos meus dias. Procurar sempre mais e novas ideias, sobre tudo isto, que constitui a nossa vida e as nossas razões, de por cá estarmos. Nada de muito filosófico, mas em cada leitura, ou em algumas conversas, com tanta gente, surge algo que podemos tornar parte de uma ideia nova. Eu uso o conhecimento constante, a aprendizagem, como subterfúgio, para me enganar...tantos desenganos. Ou para continuar numa busca. Nunca saberei de que serviu. Mas enquanto uso, ocupo a mente, que a quero sempre em exercício constante. Um dos meus filhos...diz por vezes "és muito sério, a pessoa mais séria que conheço". Não sei de onde lhe surgiu a frase. Mas sempre assim fui, desde a idade dele, precisamente, por essa altura iniciei uma busca no conhecimento, que é diário. Nunca me cansei. E, de facto, perdi alguma coisa na vida por essa forma de a ver como coisa muito séria. Sei-o bem. E nunca saberei o que ganhei. Apenas prossigo, pelo prazer, coisa que me anima sempre, o prazer, de muitas "naturezas", confesso um descendente inconsciente de Epicuro.

E proponho esse prazer aos meus amigos. A descoberta. Do que quiserem! Dêem muito, mas muito trabalho à Mente! E divirtam-se. Nesse âmbito, e dessa perspectiva, eu divirto-me.

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