29.7.11

Uma análise (sumária, pessoal e criticável) sobre a Bondade

Ser Bom.

Ser-se bom, em geral, diz-se, para os outros, uma das personificações do Altruísmo, mas não a única, só se torna possível se formos, antes, bons para nós mesmos. Começo por aqui, porque nunca concordei totalmente com isto. Mas em parte é verdade. Só que alguns exemplos históricos nos provam que não é bem assim.

Figuras históricas, como Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela (bem mais questionável, pelo menos na juventude), S. Francisco de Assis, Jesus Cristo (muito questionável neste caso, principalmente pela distância temporal e pelas lacunas nos registos, mas aceitemos que sim) deram prova de um altruísmo, completa ou quase completamente desprovido de interesses pessoal, de segunda intenção e, mais relevante, de interesse em si próprios e em sentirem-se, fazerem Bem a si mesmos. Diz-nos a história 'oficial' destas personalidades universalmente aceites como exemplos de 'Altruístas  famosos'.

Muitas outras personalidades lutaram e entregaram grande parte das suas vidas a Causas em prol de outros, de um grupo, de um país, de uma civilização, ou de uma ideia. Não sabemos se todos o fizeram por puro altruísmo.

Temos, por outro lado a ideia de que o altruísmo é sempre mais benéfico, mais positivo, e superior, ao egoísmo e a formas mistas e intermédias. Para mim, em parte é verdade, mas nada é assim tão preto e tão branco.

Algumas pessoas conhecidas como altruístas ganharam também com essa imagem que de si construíram. E nem sempre é certo que o tenham feito desinteressadamente.

Mas a Bondade é muito mais do que o altruísmo em si mesmo. E o altruísmo é muitas vezes um princípio filosófico, um sistema de regras e um programa estabelecido para a vida, bem mais do que uma forma banal, básica e terrra-a-terra de vivência. Altruístas como Teresa de Calcutá, ou mesmo Gandhi, que nem sempre o foi, foram-no em prol de um conjunto de regras, um sistema, e um modo de vida em conformidade com ele, sistema, que definiram e impuseram a si mesmos. Um dos altruístas mais famosos e mais antigos, foi, talvez, Buda,  o Gautama. Mas hoje, o nosso olhar a esta distância da história e dos acontecimentos não nos permite uma análise fidedigna e rigorosa, de um Buda ou de um Jesus Cristo. Algumas destas personalidades podem ter tido um segundo interesse, político, social ou até pessoal que desconhecemos.

Voltando à ideia de 'faça o melhor a si mesmo, para poder fazer bem aos outros'. E a outra, bem mais consensual, de que fazer Bem, serve a uns e não a outros, e o mesmo Bem pode prejudicar outros, bem mais do que beneficia uns... resta dizer que, por isto mesmo, a prática da Bondade, é tão questionável, mas obviamente mais simpaticamente aceite do que a Maldade (que, tal como a bondade, pode sê-lo para uns e não para outros).

Afinal, a história é prolífica em exemplos disto mesmo. A nível social, político, ou individual. Mas também o é, a História, um bom juiz, o melhor que se conhece, das atitudes e da vida de tanta gente, personalidades ou não. Mesmo que hoje, por interesse, ou por conforto, muitos queiram ignorar ou desprezar a História, como registo, ainda que não rigoroso, da vida e da evolução humana.

Certos estamos todos de que a Maldade é condenável e deve ser Condenada, e nem sempre o é. Porque o resultado é o prejuízo da maior parte de nós. E a Bondade o contrário. Em termos gerais, mesmo com a relatividade, acima 'analisada', de um e outro conceito.

Mas nem sempre estaremos seguros da prática de Bondade, que provavelmente a maioria de nós pretende e se proclama.

As religiões, que na minha opinião pessoal, são inúteis e ficcionadas criações dos Homens, têm, ainda assim, uma vantagem, não exclusiva no entanto, de, em geral, pretenderem caminhar numa prática de Bondade. Mas, também têm um historial de muita maldade, ainda que o digam ter feito em prol do Bem. Mas não. Também aqui, é relativa a prática do Bem, mas sei que isto é quase impossível de ser aceite pelos que sentem ser religiosos e vivem o seu Dogma, à sua maneira.

Mas o exclusivo do Bem não é propriedade de qualquer Religião.

Não há exclusivos, nem de Bondade, nem de Altruísmo, nem tão-pouco de egoísmo. Somos todos uma mistura de muitas coisas, com a excepção de algumas figuras, que usado a acepção filosófica pura e a vivência 'regrada' (regras auto-impostas e inflexíveis) foram mais altruístas, ou altruístas puros.

27.7.11

A Perda


(no Funeral de uma cantora única)

Amy Winehouse foi um furacão à deriva no mundo das artes, e da música em particular. Desde cedo foi demonstrando que se pode cantar, por o saber fazer, por se querer e lutar muito para isso, mas que toda a diferença se faz notar, quando se tem uma voz tão especial e se a sabe utilizar. Muito cedo também, demonstrou um outro lado, que a derrubou, o da sua fraqueza emocional e psíquica. Vencida pela droga e pelo álcool, talvez por não saber lidar com a fama meteórica que atingiu, talvez por outras muitas razões que desconhecemos, não encontrou força para contrariar o rumo que ia seguindo. E sucumbiu. Deixou-nos uma voz que as tecnologias que hoje possuímos, nos permitirão recordar por muitos anos, os que adoravam ouvir a profundidade daquele timbre único. Deixou-nos a tristeza também, das cenas tristes e deprimentes que algumas vez nos deu em alguns palcos, com frequência crescente nos seus últimos tempos. Penso agora na dor que sente um pai que lhe ofereceu as palavras de amor no seu elogio fúnebre. "Boa noite meu anjo, dorme bem".

E as lavou com lágrimas e envolveu em dor. Uma dor que num pai, e numa mão, nunca cicatriza. Nunca. Um vazio que não será mais preenchido.

Os pais e mães que lidam com os problemas que julgam ser os mais insolúveis do mundo, com os seus filhos, deviam reflectir nisto: na Perda. Muitas perdas podem ter alguma compensação, se não tiverem substituição.

A de um filho ou filha, não.

20.7.11

Rattings e verdade: USA e Portugal

Portugal nada tem a ver com os Estados Unidos da América. Verdade tão óbvia que quase se torna ridículo, ou inútil referi-la. Mas pode-se, ainda assim, no contexto da 'Crise das Dívidas' e do problema premente e mais actual dos países europeus, de Portugal, dos EUA e do Japão, fazer-se alguma comparação. O que torna, por mim, mais óbvia a estupidez e má-fé, da acção das agências de Rating.

Notação da Moody's:

Portugal Ba2 ('lixo').
EUA Aaa (notação máxima, em risco de baixar ligeiramente) 

Dívida pública per capita:

  • Portugal 15.334 € 
  • EUA 32.339 € 


Dívida pública em % do PIB (2010):


  • Portugal 93% 
  • EUA 97% (já agora, Alemanha 83,2%) 


Défice orçamental (em % do PIB, 2010):


  • Portugal 9,1%
  • EUA 10,6% 


Défice orçamental (% do PIB), previsão para 2011:


  • Portugal 5,9% 
  • USA 10,1% 


Crescimento económico 2011:

  • Portugal -1,1% 
  • USA 4% 


Crescimento económico 2012:

  • Portugal -0,5% 
  • USA 4,5% 


É evidente que o grande problema português, para superar a crise, e para manter um nível sustendado de suporte da dívida e de credibilidade exterior, é o incipiente, agora negativo, crescimento económico, ao contrário dos Estados Unidos. Mas as previsões americanas de crescimento podem também ser demasiado optimistas, principalmente na actual conjuntura. No entanto, estas diferenças não justificam de forma alguma as notações das agências de Rating, excepto se pusermos a possibilidade, muito aventada por muita gente credível, de haver interesses menos evidentes que levaram às análises que sabemos, por parte de Moody's e Standard & Poors. Números para reflectir. Pena a Merkel não ler português...

19.7.11

SMAS Oeiras e Amadora, Seven e...disparates de (má) gestão

Publica o senhor Campilho um artigo no Jornal de Oeiras, como o título de 'Seven', aludindo a um famoso filme que se debruça sobre os sete 'pecados mortais '. Não me vou debruçar sobre a enormidade do disparate, enclausurado numa falsa moral católica, que muita gente gosta de brandir, porque julga socialmente correcto, prova cabal, aliás da falta dos 'ditos' no que a convicções diz respeito (opinião pessoal! Não se ofendam os melindrados moralistas do costume. Mas mesmo a propósito, brando eu bem alto a minha questionável moral pessoal, contra essa outra que muita gente gosta mostrar-se defensor empedernido, ou, pior, 'racional'- deixem-me rir sozinho...- cujo valor é o que é, e que terá o direito de ser questionada, tal como o não é essa ridícula coisa chamada catolicismo, 'superior'.

'Pecados mortais', enfim... lembra-se cada um de cada uma...

Mas interessa é tentar perceber o mobil deste artigo, em geral bem ao gosto da propaganda política mais básica, mas que, afinal, parece ter outros intentos.

Então os SMAS Oeiras e Amadora são um orgulho em termos de recursos humanos e já 'conquistaram o país', partindo agora à conquista da Europa e do Mundo. Interessante, que as pessoas que de lá conheço não digam o mesmo, mas, nem sequer sendo para contradizer, por má índole, dizem bem o contrário.

Uma empresa pública municipal que muda os seus quadros ao sabor do vento, que é coisa que não falta em Oeiras, também. Que os muda, não pela competência de uns, ou incompetência de outros, mas por critérios nunca entendidos cabalmente, ou, talvez, por dar mais jeito a amigos de alguns, por sua vez lá colocados, pelo mesmo insano critério, da amizade e compadrio, contra qualquer juízo de competência pessoal. Diria mesmo, contra toda e qualquer princípio da boa gestão dos recursos humanos.

Não. Não será o pior sítio e o pior exemplo da má gestão de recursos humanos. Mas seguramente que levaria a palma de um dos locais de trabalho onde a vergonha e o pudor não existem.

Engraçados os gestores que se gabam a si mesmos, que candidatam as suas empresas a prémios que valem tanto, como a sua gestão medíocre. EDP? CTT ???? por favor...ASCENDI??? Mas esta gente julga que basta dizer, para ser verdade? Não lhes serviu os mais recentes exemplos da nossa propaganda política (ia a dizer barata, mas mentia, pois ficou-nos bem cara...)?

Se os SMAS Oeiras e Amadora não se podem gabar de uma coisa é precisamente da sua política de Recursos Humanos (troca de quadros, sem critério algum, critérios e classificações ao sabor de sabe-se lá o quê, menos de qualidade do desempenho dos seus recursos humanos, aliás, Pessoas, que é coisa que já não se usa, e é bem mais Cristão, a propósito). Aliás, nem possuem qualquer política, mas antes...muito 'vento'....que umas vezes leva uns, outras, traz outros...

Mas aliás já sabia eu, por experiência, que as empresas que a prémios se candidata, só pretendem obter um escrutínio positivo que, dentro delas, junto das suas pessoas, eufemisticamente designadas de Recursos Humanos (nestes tempos de mediocridade na gestão, empresarial e política, em que a criatividade dos gestores, públicos e privados se fica pelas designações inventadas, mais do que outra coisa de valor real) lhes é negado e chumbado, categoricamente.

Numa palavra: só os medíocres e de mais baixa qualidade no seu desempenho candidatam as suas empresas a estes prémios parvos.

A minha análise intrusiva e abusiva de um texto de Mário Soares


Mário Soares. Num artigo na Visão. 
Com palavras bem ditas, como muitas vezes o disse. 
E com palavras bem ridículas, como também sempre praticou. 
Espanta-me que este homem tenha sido Presidente (que acrescentou com a sua intervenção?) Que nos deu este homem, afinal?...



Para quê apertar mais o cinto aos portugueses? Cumpramos o que a "troika" nos impôs e não mais do que isso. A saída só pode vir da UE. (É verdade que a saída vem TAMBÉM da UE. Mas não só, pois como sabe Mário Soares, muitos de nós somos a saída, e seríamos com qualquer Governo, dado termos de 'apertar este cinto que já nem nos serve...ou não?)
O ataque feroz da agência americana Moody's ao euro, por via de Portugal, constituiu, realmente, um murro no estômago. Sobretudo sentiram-no os partidários do neoliberalismo ( Quem são? José Sócrates, que fez o pobres mais pobres? E os ricos mais ricos? Com quem cresceu mais o fosso entre ricos e pobres nos últimos 20 anos? E uma pergunta...eu, que não sou liberal, estranho ler coisas destas de quem se diz democrata, mas depois sente acossado sempre que um Governo não é do PS. Digam-me...em que é que os liberais são piores do que os socialistas? Porque o 'dividendos e influências deixam de recair sobre os do PS?), dado pensarem que o importante é emagrecer os Estados (sim, evidentemente, como a nossa dívida pública de 93% do PIB o demonstra, ou aindas não lhe chega?), até à exaustão (não, não exageremos). Uma vez que o que conta, para eles, são os mercados especulativos, sem regras nem ética (os especuladores não, mas os mercados não são só só especuladores, como se sabe. São também os nossos financiadores, nós e de todos. Não quer assim? E como fazer? ), por criarem rapidamente lucros fáceis e mais riqueza, concentrando-a, sem qualquer sentido de justiça social, nas mãos de cada vez menos pessoas (já comentei isto. Concordo com Mário Soares, mas foi com Sócrates que essas 'menos pessoas se tornaram menos e mais ricas, nunca aconteceu com o PSD, como com o PS. Demonstrável com números oficiais). As desigualdades sociais, a precariedade do trabalho e a miséria são as marcas da ideologia dominante (as desigualdades sociais, deve referir-se ao desemprego crescente na classe média e nos licenciados...com Sócrates, de novo).
No entanto, o ataque da Moody's era previsível para quem estivesse atento à evolução política dos tempos difíceis que estamos a viver (verdade!). Note-se que hoje assistimos a uma "guerra" das moedas, para destruir o euro, que faz sombra ao dólar, o que os neoliberais republicanos e mesmo alguns democratas não suportam (também concordo, mas ainda está por saber se é bem assim, em minha opinião. Desconfio que é, mas...). Ora o desaparecimento do euro conduz, necessariamente, ao fim do projeto europeu e, concomitantemente, ao regresso dos nacionalismos egoístas (Estou de acordo, mas...deixaram de existir algum dia estes egoísmos? O país que tanto adimira, a França não é disso o melhor exemplo, com as ajudas à agricultura, que já nem devia ter, sempre aos níveis mais elevados do que outros, como nós a Polónia, etc?) - que afloram já em alguns Estados europeus - pondo em risco a solidariedade e porventura a paz. A análise do século passado - com a tragédia de duas grandes guerras mundiais - pode-nos trazer algumas luzes, sobre o risco que representará a destruição ou mesmo a simples decadência da União Europeia (UE)...
A China, que tem a sua própria agência de rating (e será imparcial??? Alguma coisa na China é natural, imparcial, democrático, sensato ou saudável, sem interesses escondidos? A China, como exemplo seja lá do que for??? A China que tem presos políticos e censura a todos os níveis? Por favor...) - como a UE devia ter mas não tem -, e o Governo dos Estados Unidos, que se fosse avaliado pela Mood'ys, com o mesmo critério, talvez estivesse pior do que Portugal (isto é bem verdade!), alertaram, há poucos dias, para a necessidade imperiosa de salvar o euro, sob pena de uma catástrofe mundial. Será suficiente para que a Europa acorde? (concordo plenamente, mas como o próprio Mário Soares disse, há uns meses, embora o tivesse feito com a sua intencionalidade facciosa, porque a maioria dos governos da Europa não são socialistas...os 'actuais políticos europeus são medíocres. E concordo!)
Em Portugal, o ataque criminoso - é a palavra - que nos foi feito pela Moody's, foi muito sentido pela maioria dos portugueses, independentemente das suas posições políticas e ideológicas. É verdade que atingiu não só o Estado central, como as autarquias, as regiões autónomas e mesmo, diretamente, grandes empresas privadas e até os bancos.
Foi, aliás, confrangedor ver e ouvir, em televisões e rádios, alguns dos economistas e comentadores habituais a expressar a sua indignação. Ainda bem que o fizeram e, finalmente, talvez tenham compreendido. Mas lembremo-nos que há poucas semanas diziam que a responsabilidade da crise era, essencialmente, do Governo de Sócrates e não da incapacidade política dos dirigentes europeus...(mas é mesmo verdade que a Crise em Portugal tem muito mais a ver com Sócrates e com a sua tremenda e atroz incapacidade, mas também arrogância autista, como o provam os números oficiais e ainda não totalmente conhecidos, como veremos até Setembro, ou Outubro, de um total e despudorado abuso das finanças públicas para uso propagandístico e perpetuação no poder, a qualquer custo. Um descalabro como não havia igual há mais de 150 anos! Há dúvidas? É ouvir e ler. Números oficiais!)
Isso, contudo, pertence ao passado (que abuso dizer isto: pertence ao nosso Presente! E devia ser cobrado a Sócrates, sem hesitações. Culpabilizado e incriminado pelo crime maior de lesar as nossas contas públicas!). Estamos agora perante outro dilema grave: a austeridade imposta pela "troika" não vai chegar, porque vai, necessariamente, fabricar cada vez mais desemprego, desigualdades e miséria (Concordo...). O Governo já pressentiu, julgo, a recessão inicial. Para quê, então, apertar mais o cinto aos portugueses? (porque ainda não se sabe a totalidade do 'buraco' que Sócrates, e não a Moody's ou os mercados, criou, mas sabe-se já que é bem maior do que a avaliação da 'troika' fazia prever. E Soares sabe-o bem, mas como sempre usa da mesma hipocrisia facciosa que volta e meia gosta de usar, para continuar a defender o seu 'clube' acima de tudo e todos. Todos, que somos nós.) Cumpramos o que a "troika" nos impôs e não mais do que isso. A saída só pode vir, como sabemos, da UE. Se os seus dirigentes, tiveram a coragem de mudar de paradigma - como se impõe - e forem capazes de "salvar o euro-, investindo (isto de investir, este discurso ruinoso...mais uma vez parace-me ser a política da distribuição de euros de Sócrates e meia dúzia de governos europeus, que estão como estão exatamente por esta política: o Estado a 'investir' e deu no que deu...), criando mais emprego e mais desenvolvimento nos Estados-membros, a par da austeridade financeira estritamente necessária (necessária, afinal. Pois. Mas emprego que o cria não é o Estado, nem deve ser mais. Essa foi a doutrina que nos trouxe onde estamos).
É, aparentemente, fácil que a UE o possa conseguir. Acabem com os "paraísos fiscais" e a chamada economia virtual (concordo); controlem os mercados especulativos (concordo); punam a corrupção (exactamente! Chega de Armandos Vara, de Sócrates e Silva Pereira e de...como se chamava o razpazinho da PT que deu tanto que falar e todos os 'amiguinhos' o defenderem na lógica do que faz a Máfia, para que se evite que o dito ponha a boca no trombone?); aceitem criar os Eurobonds; e, já agora, terminem com as agências de rating privadas (também me parece). O que nos levou à crise de 2008 - de que ainda não saímos - foi o negocismo sem freio. Os responsáveis, com raríssimas exceções, não foram punidos. Pior: alguns são talvez os mesmos que arrastam agora a UE para o caos (são mesmo).
Se queremos subsistir, temos que mudar de paradigma (inteiramente de acordo, mas mudar o paradigma quer do tal pernicioso neoliberalismo, quer o do utópico socialismo democrático, que quando necessita de dinheiro é mais liberal do que os liberais), como propôs o Presidente Obama em relação aos Estados Unidos (que tenha sorte, Obama, é o que lhe desejo, mas duvido...). Mas é necessário que os verdadeiros europeístas, de todos os Estados-membros, se unam nesse combate cívico e político essencial, pressionando os eurocratas de Bruxelas (estou totalmente de acordo com Soares. E não só. Há anos que digo que a o problema da política medíocre e corrupta, como aquela de onde acabámos de sair, se resolve com mais participação e não com menos e com desalento. A política entra-nos na vida todos os dias, mesmo que queiramos dizer e pensar que não. Por isso, o melhor é que tenhamos mais intervenção). Senão, não!

12.7.11

Uma Terça qualquer

Numa Terça-feira como esta, uma terça qualquer. Acordo um tanto cinzento para dar com o cinzento lá fora, num céu que ontem me deixara azul. Classificados como lixo, pelo supostos mais desenvolvidos (já me ponho reflectir no significado deste epíteto), mas sobra-me pouco espaço mental (disposição, vulgo comum) para Moody's (not in the mood for that...) porque outras preocupações me assolam. Pelo meio de vagas de preocupações pessoais, digo, de mim, comigo mesmo e sobre mim, e uma parte da minha vida, que condiciona muito o restante dela, lembro-me dos últimos dias, enganadoramente calmos. Porque o meu país, já triste, de tantas 'classificações' e de ser tão puxado 'para baixo, ainda teve de levar com mais notícias deprimentes. Nos últimos dias, o meu país perdeu, duas personalidades de grande vulto, humano e social. E cultural, que é uma vertente que me toca particularmente, em especial. Maria José Nogueira Pinto. Diogo Vasconcelos. Um e outro, duas pessoas que deixam Portugal mais pobre, no panorama político, cultural e humano. Uma portuguesa e um português que deixavam orgulhosos de sermos este povo. Já nos faleceram amigos e familiares que nos deixaram bem mais sós e saudosos. Mas vultos como estes, que não conhecia pessoalmente, embora, acrescentam um pouco mais de densidade a estes dias cinzentos. Numa Terça feira qualquer, como esta em que me encontro, deseja-se que esta calma o fosse bem menos, pois por vezes uma certa tranquilidade exterior, era melhor que o não fosse. Como um veleiro que odeia a calma excessiva que o impede de seguir com os ventos desaparecidos.

11.7.11

A hora da Europa

Lembremo-nos do início da Crise das Dívidas no espaço europeu. A Irlanda pediu ajuda. Foi elaborado um plano de austeridade, para voltar a recentrar as contas da Irlanda no caminho do controlo do défice, da solvência financeira, da capacidade de pagar créditos e juros de créditos. A Grécia, com receita surgida dos mesmos pressupostos, também recebeu a mesma receita, o mesmo tipo de ajuda, mas adaptada às suas circunstâncias, e com o risco de incumprimento do plano, muito mais elevado do que a Irlanda, dada a sua condição, como Portugal em parte, de menos produtivo, menos industrializado e ...'menos' anglófono. ( a condição de se ser do Sul é uma coisa tramada...segundo o 'Norte'). Portugal, entretanto, e como se previa desde 2008, e se avisava de riscos e perigos, desde o Governo de Guterres, sem interrupção, nem com o PSD nem com Sócrates, veio a pedir ajuda, também, com o agravamento de o ter feito pelo menos meio ano mais tarde do que devia. Portugal, como a Grécia, tem o problema estrutural da Organização do Estado por resolver. Mas também tem, e não é de menos, o problema educativo e da formação profissional efectiva e real, e não apenas mascarada, para 'inglês ver', coisa de que se fala desde Salazar, já com a reforma triste e ridícula de Veiga Simão (que alguns brilhantes idiotas ainda parecem gabar...), e mais tarde, com a 'esperança perdida' quando da adesão à CEE. Nos dias correntes assiste-se a um 'espremer' da nossa credibilidade, o elemento definidor e decisivo que determinará um dia a nossa capacidade de podermos negociar com o mercado o financiamento das nossas actividades e o pagamento da dívida, por parte de agências de Rating americanas. Já escrevi sobre isso e sobre a irracionalidade de uma Europa que se diz independente, forte, unida de com uma moeda com futuro, se reger por critérios e análises extra-europa, ainda para mais americanas (e não estou a criticar o facto per si, de serem americanas, pois nada tenho contra os EUA, muito pelo contrário!). Agora a Europa começa a assistir ao início de uma discussão sobre o estado a que chegou, onde alemães, franceses, países do norte, e até ingleses, pretendem, há tempo demais, dar a entender que o problema é o SUL, é do SUl, e que só o Sul os tem e deve resolver. Mas a França nem sabe se tem futuro, e ninguém imagina como um país sem projecto e sem nada que se veja, desde o rei-sol, ainda se sente e é como tal visto, um pilar da Europa e da sua civilização... Nem como um Reino Unido que tem perdido todo o seu tecido industrial, continua a pretensamente, ter mais voz nos destinos Europeus e mundiais, do que têm os 'tristes, mal arrumados, desorganizados e pouco civilizados do Sul'...(e foi do Sul, do Império Romano, que lhes chegou a educação e a civilidade que hoje pretendem ter, mas é no norte que se assiste às vagas de violência por tudo e mais alguma coisa, seja no futebol, seja nas manifestações de agricultores, camionistas, sindicatos do sector metalúrgico, manifestações pro e contra povos imigrantes de África, etc.) Hoje a Europa parece querer começar uma nova discussão sobre o seu futuro, o seu rumo, as medidas necessárias para fazer sobreviver o Euro, a Europa ela mesma e as suas instituições. Há uns bons anos, Jacques Barzun (2000 From Dawn to Decadence: 500 Years of Western Cultural Life, 1500 to the Present. ISBN 978-0060928834) escrevia sobre a decadência da civilzação europeia e sobre o seu declínio continuado e eminente...ninguém pareceu ler, ou ouvir. Não que tenhamos de viver com esse punhal da eminente decência por cima das nossas cabeças, ou se aceite isso como o inevitável, ou, pior, se chore colectivamente sobre o falhanço do nosso projecto europeu e da nossa 'cultura ocidental', quando vimos outros bem mais decadentes, desabarem diante de nós (como os países do milagre comunista, nunca esquecido pelos nossos utópicos dinossauros do PCP, que ainda nos aparecem na TV?!). Mas hoje, parece-me, pessoalmente, bem evidente, a necessidade de se repensar este modelo social e económico, e se encontre, provavelmente, um novo modelo económico-financeiro, mais sustent avel, mais justo e menos germânico também. Da dimensão de uma Alemanha e de uma França, não virão mais e melhores soluções e ideias do que da cabeça de um simples português, espanhol, grego ou italiano. A dimensão dos nossos crânios não difere muito das dos alemâes. E é tempo, de certo, de o demonstrar... A mim, poucas dúvidas me restam... Veremos o que nos dizem estas cimeiras de Eurogrupos...mas tenho as minhas fundamentadas dúvidas.

9.7.11

Os tiros das agências de Rating e a incompetência dos políticos


O país, sensatamente, tem-se levantado contra as injustas, talvez superficiais, talvez incorrectas ou mesmo incompetentes, análises e avaliações das agências de Rating americanas. O país, e a Europa. Porque o país sente o esforço e o sacrifício, todos os dias, para voltar a encontrar uma situação financeira e uma economia saudáveis, ou menos doentes. E pior, quando a sensação, clara e sem dúvidas de todos nós, é de apesar de termos todos um pouco a responsabilidade por esta situação, haver alguns, políticos de governos anteriores, do PS, principalmente, de Sócrates em substância, mas também de outros, bem mais responsáveis ou culpados (é de culpa que se trata, mesmo!), do que cada um de nós, portugueses.

A Europa, porque não interessa a nenhum país europeu, neste momento, um agravamento da nossa situação, no caminho de um abismo helénico, mas antes uma recuperação, que lhes custe menos dinheiro e menos sustos. E menos imprevisibilidade ou incerteza para o futuro. Mas lembremo-nos de que a mesma Europa que agora se mostra superior e moralista, foi também co-responsável por esta nossa situação. Com as decisões de abandono da nossa agricultura, mesmo que uma reconversão e modernização se impusesse, com saída de mão de obra e uso crescente de tecnologia conducente a maior produtividade. Com a 'oferta' do sector de pescas a Espanha, a pior decisão, a meu ver, sobre o nosso sector primário, sendo nós o terceiro maior consumidor per capita do mundo e o segundo na Europa, e a Espanha bem atrás de nós tem uma das maiores frotas pesqueiras do mundo...

Com a subida desastrosa e inflacionista de preços de produtos europeus, alemães em grande escala, após a criação do Euro, provocando imensos problemas de descapitalização, e situações difíceis nos créditos a bancos, pelas empresas. Em grande parte, pelo que se perdeu de produtivo a nível nacional, sem capacidade de reconversão de sectores e de mãp de obra, com baixa formação, e com o endividamento crescente, também resultante do efeito do Euro, foi a Europa, agora tão leonina e justiceira, responsável por tudo isto. Por cá e na Grécia, Irlanda, Espanha...

Mas nada disto desculpa o que nós portugueses devíamos ter feito. Pelas nossas contas, e dos nossos políticos, mal escolhidos, crescentemente medíocres e de seriedade duvidosa.

As agências de rating não estão a fazer agora nada que já não estivessem desde 2008, e um pouco antes até. Tal como a nossa crise, portuguesa, se agravou com a crise mundial, mas iniciou-se bem antes e foram disso os políticos avisados.

Hoje criticamos e bem a Moody's. Mas já este ano a Fitch havia descido o nosso rating uns cinco pontos, em Abril, mais concretamente. E nessa altura poucas vozes se levantaram contra os 'yankees'. Nós, comuns, pouco podíamos ter dito, o nosso juízo estava bem mais afectado pelo Governo decrépito e degradante de então. Mas os políticos, portugueses e europeus souberam-no e mostraram passividade, ou ignoraram. Nessa altura, há dois, três meses, teria já sido importante terem tomado uma atitude. Como parece agora pretenderem tomar. Mais uma vez, porém, os políticos desta Europa, muito rápidos nas condenações de países do sul, mostraram-se incompetentes e medíocres, pouco merecedores da confiança dos cidadãos da Europa. E mais uma vez...a mudança talvez esteja a começar num pequeno país, muitas vezes desprezado: Portugal. Pode ser um início de mudança dos medíocres para os competentes e meritórios. Veremos...

Entretanto, o problema que levou à avaliação negativa de Portugal é, custe-nos o que custar, real. Portugal pode não conseguir pagar todos os encargos da dívida, os juros e os novos empréstimos, pelo menos como o pretendem os nossos credores. Portugal, depois da Grécia, pode vir a ter de renegociar esta dívida, os seus juros, pelo menos...

Para isso, contribuem também as agências de Rating, afundando-nos mais. E os 'esqueletos' que Sócrates nos deixou e ainda não saíram todos dos armários...

E Passos Coelho, que pretende governar positivo, pode ter de vir a responsabilizar o passado, mesmo. E culpabilizar...

Mas nisto tudo, as injustiças dos Ratings não são o nosso maior problema. Disso, estou bem certo.

O melhor mesmo é que a Europa se assuma de vez. Portugal se mexa no mais premente e urgente, que é a efectiva redução da despesa e a reforma do Estado, mas também que se estanquem alguns abusos e arrogâncias da nossa banca. Que os políticos europeus se vão substituindo, uns após outros e dêem lugar a outros de real qualidade. Que as agências de rating americanas usem da mesma bitola e 'justeza' connosco, como o seu próprio país, um caos económico-financeiro neste momento (mais a França, o Reino Unido, a Espanha...). Que se tome rapidamente consciência do desastre que tem sido considerar uma China o oásis do mundo, sendo certo que a próxima vaga da crise nos virá de lá. Que se inicie na Europa um caminho de equilíbrio económico-financeiro-social entre os vários Estados.

Muito por fazer e poucos os competentes...ainda.