Transportes e demagogia

Os transportes públicos em Portugal acumularam, salvo correcções, um valor estimado em mais de 17 mil milhões de Euros.

Sucessivas políticas demagógicas, baseadas na mesma estupidez socialista que tem regido muitas coisas em Portugal, nomeadamente tudo, sem excepção, do que é público e do sector 'empresarial' do Estado, adicionado de sectores não competitivos que à custa do Estado têm vivido, como quase tudo no sector primário, conduziram a esta situação.

Na prática, tudo o que ainda hoje é deficitário tem de ser sempre pago, e endividar-se continuamente, por todos nós. Pagamos a dívida e o endividamento sucessivo desses sectores, onde os Transportes não sendo o único, são dos mais pesados, e dos que mais mediocremente têm sido geridos. Não há praticamente uma só empresa de transportes públicos em Portugal que seja rentável.

Há anos, quando o FMI interveio em Portugal isto já tinha sido notado e alertado. Mas nada se fez. Era muito anti-popular. E continua obviamente a ser. E nunca ninguém conseguiu explicar bem aos clientes dos transportes (que os grupos de dita esquerda PCP, BE e até PS, gostam de chamar 'utentes', para supostamente diferenciar de clientes, que dizem ou pensam ser os que pagam um serviço pelo custo que ele tem, em contraponto com pagar um serviço ou produto, por um valor muito abaixo do que ele tem), que ao não pagarmos os títulos de transporte pelo seu real valor, estamos a fazer pagar esse serviço a todos os que o utilizam e aos que o não fazem. Um reformado de Castelo Branco, ou dos Açores paga o bilhete de transporte da Carris entre o Terreiro do Paço e Belém, sem nunca o ter usado, para se perceber bem este sistema, muito socialista e muito anacrónico.

Nos países onde a social democracia está viva e se pratica, quase em exclusivo os países nórdicos, ou escandinavos, os Estados têm liquidez e superavit suficiente para que se cubram estes custos. E, assim, parece-nos a todos justo que por cá também se faça o mesmo. Mas quando um Estado não tem essa liquidez, a riqueza suficiente para tornar o ensino 100% gratuito, ou os transportes (ainda assim bem mais caros do que por cá, e isso, num sistema bem interligado, também justifica os elevados salários que conseguiram granjear tais sociedades, ao longo de mais de meio século de evolução de políticas consistentes e responsáveis, com a social-democracia como orientação geral) não pode, sob o risco de se tornar injusto, primeiro, insolvente, um dia mais tarde, continuar nesta interminável catadupa de subsidiação dos transportes, da agricultura, da pesca, da indústria, etc. E mais injusto ou criticável se torna, quando os gestores ou proprietários de ditas empresas se sentem no direito de viverem bem acima de padrões para os quais não possuem rendimento, mas apenas o fazem com o recurso aos mesmos subsídios.

Um dia chega-nos a famosa 'troika', de quem necessitamos para continuar a financiar todo este desvario e excessos, e diz-nos que o momento de se iniciar a inversão deste caminho já cá está. E que temos de começar a imputar aos títulos de transporte o seu real custo, mesmo que não de uma vez só. E, claro, quem usa os transportes vai sentir e já sente os reflexos de décadas de péssima e super demagógica política de mentira e de mediocridade.

É isto que se está a passar nos transportes públicos e nada mais. E o mesmo nas famosas SCUTS, nas PPP, e em muitos outros serviços, que ainda assim, não serão, nem por sombras pagos pelo real custo, mas que temos de entender que a dependência excessiva da subsidiação e do endividamento do Estado tem de ser estancada?

Injusto? Por mim, nem um pouco. Mas muito doloroso. E com coisas destas, bem queria Sócrates por-se a milhas...pudera...!

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