A Casa do Tempo





A propósito de um filme interessante, com uma dupla de charme e dos sonhos de homens e mulheres, Sandra Bulock e Keanu Reaves, The Lake House (2006), e de um clássico da Literatura, Persuassion de Jane Austen, vim, novamente, fazer uma viagem no tempo...e umas reflexões sobre o papel que esse, que é o mais importante e influente factor das nossas vidas, joga nos nossos dias, nas nossas relações, nos nossos sonhos...

No filme, um intrigante história e um jogo, quase uma parodia com o tempo, a protagonista (Kate, médica em Chicago) vive um sonho...uma paixão com um homem, à distância de dois anos. Tinha ela vivido numa casa muito particular, uma quase cápsula do tempo, toda envidraçada, uma casa-analogia com uma ampulheta, onde a luz entra por qualquer lado, por todos os lados, a cada momento do dia, a mesma luz, com que, sem outros instrumentos, como os ‘modernos relógios’, sempre se aferiu o Tempo. Mas este tempo é outro...bem outro, para cada um dos dois protagonistas. Ao deixar a casa de vidro, no lago, nos arredores de Chicago, para ir viver num novo condomínio de luxo, na cidade, Kate deixa uma nota, uma carta ao seu sucessor inquilino.

A partir dessa carta e pelo pedido de reenvio da correspondência para a sua nova morada, Kate e o novo inquilino da casa do lago, Alex, um arquitecto, filho do desenhador da casa, correspondem-se e...pouco a pouco as suas vidas vão-se conhecendo, misturando, criando laços...e o sentimento de cumplicidade e de paixão começam a surgir. Mas neste caso, nesta relação, sui generis., o tempo que os afasta é de dois anos. Alex habita a casa onde Kate viveu. Mas Alex vive em 2004 e Kate...em 2006. Kate sonha em encontrar-se um dia com Alex, que se esforça o mais possível, e vive em função disso, por conseguir encontrar Kate. Um dia Kate pede-lhe por carta que tente encontrar um livro especial que ela perdera numa estação de comboio: Persuasão, de Jane Austen. Um livro que fala, também de uma paixão e...do tempo. E da espera. Um romance memorável de Austen sobre a Espera, por alguém. Tal como Kate e Alex tentaram...esperar.

Pode alguém encontrar a pessoa certa, no tempo errado? E pode conseguir ter essa percepção e a sabedoria de ...esperar, se puder, e conseguir? Antes, ainda, há um tempo certo para se encontrar a pessoa...certa? Ou, não sendo o momento mais adequando, consegue um ou os dois, num conhecimento, numa relação, ter essa noção, e saber...esperar? E ter tempo, para o Tempo certo?

Não me é difícil imaginar quantas pessoas, quantas relações, se perdem porque o tempo de cada um é distinto. Porque não tiveram essa noção..a tempo de fazer parar um certo desenvolvimento da relação e esperar? Porque os seus ritmos e compassos, são distintos, como a mesma melodia interpretada a tempos diferentes? Tal como a Kate e o Alex do ‘The Lake House’, muitas pessoas se perdem e esfumam, sem nunca se encontrarem...ou até se conhecerem mas verdadeiramente conseguirem conjugar os seus momentos, tempos.

Tal como ‘A Casa da Lagoa’ (tradução de The Lake House) muitas e muitas pessoas vivem um filme triste uma ou mais vezes na sua vida...

Comentários

Adriana Zardini disse…
Oi Alexandre, tudo bem?

Acabo de citar seu post lá no blog: www.jasbra.com.br

Mensagens populares deste blogue

Parece normal

Leituras recomendadas

Nenhum dia é suficiente para conter toda a luz