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(Quase) Sempre a Desigualdade

Os problemas da Grécia, os problemas de Portugal, de Espanha e de mais países pobres, da América Latina, da Ásia, são todos devidos a uma crescente e profunda desigualdade social? A uma desigualdade que, assim, em termos genéricos, pouco diz? Não. A Desigualdade, que sempre existiu, e, por isso mesmo é argumento de alas mais conservadoras, ou liberais económicas da sociedade, sempre existirá e a vida (leia-se o Mercado, a Sociedade) se encarregará de ajustar e re-equilibrar (coisa que nunca aconteceu), é uma súmula de desigualdades várias: nos rendimentos, desde já. Na Propriedade (e rendimentos dela) e nos Capitais (e rendimentos deles). E nos Acessos. Acesso a oportunidades, na Educação, na Saúde, na Cultura e Conhecimento, na Ascensão (Mobilidade) social. É uma causa e, ao mesmo tempo, uma consequência. O que centenas de economistas, sociólogos, politólogos, neurocientistas, psicólogos sociais, filósofos (a quem se costuma dar muito pouca atenção e se devia dar muito mais!), nos...

A próxima Grande Ameaça?

Há uns tempos, escrevi sobre o potencial perigo de uma Terceira Guerra Mundial. Não pelo prazer, mórbido, ou pelo fútil passatempo de adivinhação. Nem pelo que me parecia ver nos sinais que ainda me surgem tão evidentes (e desejo enganar-me, espero que sim). Putin é uma ameaça real. Parece pretender vingar o antigo regime dos sovietes, o tempo assassino e mortal de Estaline, o grande carrasco da História, que o PCP ainda venera. Putin é um ex-KGB que, num país de gente mais interessada nas dificuldades dos seus dias, ou na parca gestão do que conseguem entre mercados negros, corrupção sem igual e simples, legítima sobrevivência, nem olham para o que lhes fazem de uma Democracia inexistente, ou de uma Monarquia não assumida, mas deixam que se alastre, de novo, a terrível censura e perseguição política e o antigo imperialismo militar e violento, completamente desumano da URSS. Putin não deixará de ser uma das maiores ameaças à Paz, ao desenvolvimento gradual e sereno do Mundo (que a ...

O Abismo

A Austeridade. Querem fazer regressar aquilo que ainda não nos abandonou. Nem no primeiro momento a Austeridade resolveu alguma coisa. Admito que exista algo de corporativo nesta coisa de se implementarem medidas, a nível político, mas económicas, com o intuito de tentar resolver um problema, gerando outro, ou outros. A Austeridade gerou, e sempre assim foi, pobreza, e incipiente crescimento económico. Mas ainda, desigualdade nos rendimentos, desigualdade social, esmagamento de estratos sociais até ao seu desaparecimento. E, não sendo ainda tudo o que a Austeridade faz, cria mais riqueza no estrato superior de uma sociedade. Tudo isto é bem conhecido dos economistas, que, no entanto, insistem em medidas de carácter austero, em economias em default, em crise profunda, em situação de incumprimento dos compromissos da sua dívida. Mas serve uma corporação, que, assim, se perpetua a corrigir, emendar, costurar remendos, num trapo que criou, com o empobrecimento generalizado, mas o enriqueci...

Alan Turing (Enigma): a sua fatal homossexualidade

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O Reino Unido, ou a civilização britânica é um mundo de muitos mundos, uns previsíveis, muito, como adoram os britânicos. Sempre saber o dia seguinte. Como lhes será. Há alguns anos li um livro que diria, interessante ou mesmo mais que isso, e pela narrativa, diria fascinante. Mas um livro pouco profundo, sobre uma das histórias mais importantes, secretas e determinantes do curso da Segunda Guerra Mundial. Um conflito que ainda nos consegue, ao dia de hoje, surpreender pelas revelações. E não me refiro às atrocidades que os Aliados cometeram nos países que foram libertar dos nazis. Isso é um assunto bem mais complexo e polémico. A obra de Robert Harris tem o título na máquina infernal, uma encriptadora, que os alemães construíram na Segunda Guerra que deu cabo da cabeça aos Aliados durante os primeiro quatro anos de conflito: Enigma. Infernal, porque todos os dias o código base era alterado, e já de si bem difícil era de ser decifrado, tornando quase impossível descobrir...

Eu teria vergonha...

Eu teria vergonha. E tiraria ilações e consequências. Para quem foi responsável e para mim mesmo, se fosse o responsável pelos responsáveis, que, com estupidez, ignorância e uma inexplicável irresponsabilidade, elaboraram uma prova de avaliação dos professores, com tanto disparate... Disparate e erro. Como é possível pretender-se avaliar docentes, com a justificação de ser absolutamente fundamental, para garantir a qualidade do Ensino, para filtrar a docência e usar de traduções de um mau gosto e de uma tão baixa qualidade, como se se estivesse a gozar, com uma total desfaçatez, dos avaliados? E ninguém é responsabilizado? Ah, já sei! Deve ser porque 95% dos professores passaram na prova...na tão bem titulada " Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades” (PACC). Repita, por favor...? Prova de Avaliação de Conhecimentos? E que perguntas se fizeram para tal aferir? Ah! afinal passaram cerca de um terço dos professores? Então deve ter sido porque não tinham "capa...

Dívidas soberanas, Grécia e o Circo

Por regra e por princípio, acho que uma dívida deve ser paga. Seja privada, pública ou soberana (de um Estado). Porque quem paga as suas dívidas ganha direito ao "bom nome", junto dos seus credores. O que lhe pode servir de imagem prestigiada (todos teremos dívidas, uma ou outra vez), principalmente se estivermos a falar de um Estado. Mas parece-me que há muitos equívocos sobre o assunto das dívidas soberanas, especialmente (tal como a nível privado, ainda há quem pense ser muito grave ter uma divida, quando a gravidade está, apenas, em ter dificuldade ou impossibilidade em conseguir pagar. A dívida de um Estado reveste-se de outras particularidades. Porque, desde já, todos os países têm dívida, ou são muito raros os que têm uma situação de folga financeira, sem dívida e até de superavit , ao contrário de deficit .  Os equívocos são diversos, mas referir-me-ei apenas a alguns. Primeiro, as origens das dívidas soberanas. São diversas. Normalmente têm muito a ver, regr...

O que nos pode chegar do berço da civilização europeia?

O Syriza vai ganhar amanhã, numa profunda reviravolta política, numa Democracia europeia. Ou talvez não. Ganhar, provavelmente sim. Mas Tsipra irá conseguir mudar alguma coisa na política germânica da Europa, que, aliás, tem conduzido a União a um pré-caos político e a um desastre social a confirmar, uma falhanço económico já confirmado? Tsipras quer o perdão de metade da dívida grega. Bruxelas já vai dizendo que não. Relevante? Como atitude, provocação, ou seriamente assumida, sim, é relevante. E de resto? Porquê metade da dívida? E que solução isso traria à Grécia? E se Bruxelas resistir, aliás Merkel? E...porque Merkel tem de se meter em tudo e decidir quem morre e quem fica? Merkel consegue mesmo persistir neste papel de Kaiser (César em alemão?) que aponta o polegar para cima ou para baixo, consoante o destino que pretende para o gladiador escravizado em causa? Tanto acho que Bruxelas não tem razão, não pelo dever de um país cumprir com uma dívida contraída, mas pelo valor que...