Quando termina o tempo destes Tempos?

Que tempos vivemos!

Como é possível esta conjunção de tanta coisa má, negativa e preocupante? 

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Vivemos numa Europa em crise, crise de civilização, que os líderes, confortáveis nas suas funções cimeiras, na sua vida de mordomias, para as quais não têm nem mérito nem inteligência, se escusam a reconhecer. Discutem pormenores, das lides da casa, como limpar o pó, quem irá passar a ferro, quem vai às compras e compra o quê e hoje o jantar é feito por quem...

Não entendem mesmo os sinais que se lhe têm sido dados, os alertas de tanta gente de imensa sabedoria e inteligência, desde há imensos anos.

A União Europeia nasceu mal. Nasceu com o plano em que os filhos teriam de ter vida diferente: uns iriam para o mais luxuoso e reputado colégio privado, bem vestidos de fardinha larilhas, alimentados com pão de ló. Outros, iriam ter uma vida dura, tendo de começar a trabalhar aos quinze, usando as roupas de outros meninos bem, comendo alfarroba e broa mal cozida, o objectivo era uma um experiência gigantesca inter-social, que no futuro daria mão de obra vergonhosamente barata para uso dos superiores na raça. A mania da raça superior nunca foi extinta…e há quem não queira ver. E não é a ariana, são todas as que geograficamente se situarem acima do centro da europa, e que não sejam latinas. O projecto pode falhar e as famílias desavindas nunca mais se olharão de frente, nem trocarão uma palavra.

Povos inteiros a sofrer, para que outros possam sentir o seu bem-estar, precisamente com o esforço de dor dos outros. Tudo o que o Cristianismo combateu, desde os seus mais antigos tempos. Há cem anos, só isto levaria a uma Guerra na Europa, entre Sul e Norte.

No mesmo tempo, continuam as ditaduras pelo Leste europeu, pela África, e pela Ásia. As ditaduras e as desumanidades. Putin, comunista ortodoxo, no seu elegante fato de arrogante, superior também ele (pudera, se no seu país não lhe fazem frente e não o arredam do Poder), ameaça o Ocidente, invade os seus vizinhos, e, à imagem dos tempos de Hitler, tem um imenso séquito a apoia-lo. Na Ucrânia temos, pelos vistos, um regime pro-nazi, que a Europa prefere apoiar, para assim não o fazer com Putin. Como diria o povo “venha o diabo e escolha”. Ou, melhor “tá tudo louco”. E está mesmo.

No Iraque, loucos extremistas dedicam-se a actos de sangue medievais. Vivem em tempos medievais. 
Por todo o mundo, a Banca que arruinou as economias europeias e americana, continuam na mesma senda. Têm sido tantos os intelectuais economistas, sociólogos, politólogos, filósofos e gente normal com cabeça para muita coisa…que têm alertado, que tentam indicar caminhos novos, mas que gente menor, como Merkel, Holande, e um homem que ainda estamos para conseguir avaliar correctamente sobre as suas capacidades, visão e humanismo…Obama, não querem entender.

Estaremos à porta de uma Guerra Mundial? Os sinais indicam que sim. Esperemos que não estejamos a ler bem os sinais.

Na Ásia, no Norte de África, populações inteiras perdem as casas, ou pela fome, ou pela desertificação que conduz à escassez alimentar, ou por perseguições e guerras contínuas. Há neste mundo mais gente que nunca conheceu a paz, a democracia, ou teve sempre comida para si e para os filhos, do que conhecemos nós no nosso mundo europeu, com problemas graves, mas com luxo e algum ou muito futuro.

Há países que uns anos atrás eram uma promessa para si mesmos, de crescimento, que muitos juravam virem a mudar paradigmas e dominarem o mundo pelas sua força económica e a dimensão das suas populações, mas que foram os primeiros a arruinar a economia de países ocidentais. E puseram em causa a hegemonia dos mesmos. Não que isso tivesse de ser assim. Mas ainda me lembro de alertar para que a China, por exemplo, que comprava aço, combustíveis e produtos químicos, plástico principalmente à Europa e EUA, levando à subida dos preços desses factores de produção ou energia, para depois colocarem nos nossos países os seus produtos de muito baixa qualidade a preços que arruinaram muitos pequenos negócios no nosso espaço económico.

Outra loucura, em que o nosso empertigado (também ele com séquito de gente pouco esclarecida, mas com uma tremenda sede de poder, coisa comum no PS, que prefere estar no Poder do que ter um líder capaz, a todo o custo, mesmo que o líder seja um criminoso) Sócrates embarcou, com essa inteligência luminosa que foi Bush, e outra espécie rara de nome Lula da Silva (este sim que aproveitou a moda do momento, para escoar o excesso de produção de açúcar) foram os biocombustíveis. Lá se foi a moda…tanta estupidez, que nos custou e ainda custa fortunas.

Essa mania louca das energias alternativas, fora de tempo, foi outra loucura quase generalizada. Não que não sejam fundamentais. Mas havíamos de ter percebido que, sendo de muito pouca eficiência, ainda hoje, o tempo para a sua adopção num país como Portugal não tinha chegado, mas chegou. Uma das razões por que temos a nossa energia tão cara. E muita gente não sabe que a energia eólica para ser compensada nos seus ciclos de não produção, ou muito baixa produção, acaba por exigir mais construção de barragens, do que seria necessário sem ela. Ou que estamos a pagar a energia solar muito antes de a virmos a ter, e ainda por cima pagamos enormes parques por nós custeados, para os vendermos depois a empresas espanholar…tudo da cabecinha esperta do amado Sócrates.

Agora, não temos esse perigoso Sócrates que viveu para si, a sua vaidade e os seus interesses económicos, apoiado em redes de corrupção ainda por destruir, mas temos uns meninos a brincar à política, nos dois maiores Partidos políticos. Passos e Seguro, não sabem o que fazer da vida se lhes retirarmos a política, onde nada sabem fazer, ou pensar. Precisarão da eterna bengala dos amigos dos amigos dos amigos. Costa, um eterno cabeça oca, pretende-se a si mesmo como Primeiro Ministro, um homem do sistema, de um sistema podre que só se serve a si mesmo e a amigos das finanças e economia. Um homem que nada mudará, se for o caso, e pode bem não ser (não sei o que será pior, de tudo o que é tão mau) de ganhar eleições. Porque terá de alimentar o sistema. Estamos cercados desta infeliz e perpétua mediocridade. É atroz e muito preocupante.

Foram e são tempos de acontecimentos loucos, incompreensíveis e que nos trarão mais estagnação, sofrimento social e pessoal, vidas que se ficam pelo meio, países que não evoluirão como poderiam. A Europa que tanto defendi, parece-me hoje um obstáculo ao progresso de Portugal. A Europa não consegue acertar uma na sua política externa, parecendo feita por criancinhas. A Europa não acerta no seu ritmo de desenvolvimento, continuando a escavar fossos que dizia ir diminuindo, com esta louca mania da austeridade, em vez de uma disciplina financeira de raiz e de reformas essenciais, nunca iniciadas (mas nem tudo necessita dessa nova moda de reforma…necessitamos sim, de gente fresca na política, sem interesses pessoais ou de grupo, e há demasiados anos que o Poder serve, em vez de servir).

Nos EUA, Obama não sabe ou não consegue reformar o país. Conservadores olham para o umbigo, ainda com a memória de tempos gloriosos, e a cegueira própria de quem vivem num espaço protegido, por um sistema com uma das maiores desigualdade sociais do mundo. So a China os ultrapassa, e por cá, o Reino Unido, que também insiste na sua memória. Ingleses vivem da mesma memória que os portugueses viveram com os Descobrimentos, e não conseguem ver para além desse horizonte limitado.

No Brasil (que tem dezassete das cinquenta cidades mais violentas do mundo), os disparates continuam. A corrupção, que usa do crescimento económico (com pés de barro… sem sustentação social e cultural!) aumenta a olhos vistos, mas olhos de quem quer ver.
Neste mundo, apenas prosperam ou têm tranquilidade os países de quem nunca se fala: Canadá, Austrália, Nova Zelândia e até Japão que, após uma profunda crise económica, fruto de um ciclo natural e de algum deslumbramento, que ainda singra pela Alemanha e Norte da Europa, vai conseguindo alguma recuperação, mas por ali, a desigualdade é muito pouco marcante. Se nos EUA a diferença de remuneração entre um Director executivo de uma grande empresa atinge 200 vezes…no Japão a diferença é de 16! (Stiglitz, “O preço da desigualdade”).

Esta desigualdade será o funeral das economias europeias e dos EUA. Será também o maior problema chinês. E na Europa, que nos interessa em especial, nada evoluirá enquanto dois irmãos comerem diferente, se vestirem diferente, frequentarem escolas diferentes, e forem tratados pelos pais com muita desigualdade. Mas a Alemanha é, de novo cega, e nem a sua cegueira consegue…vislumbrar. Já o fizeram pelo menos duas vezes, com a Europa, e das duas…tivémos Guerra. Esperemos que alguém mude aquela gente que em tempos julguei culta e visionária, um país que sempre admirei e cuja cultura conheci bem e vivi.

No médio oriente os fatais e sangrentos jogos de guerra, fratricida, continuam. 
Esta guerra não me parece nem religiosa, nem de civilizações, mas da mesma procura de hegemonia que já vimos pela Idade Média. É anacrónica e muito violenta.

Ironicamente, temos pela primeira vez um Papa com ideais de humildade e tendências franciscanas, despido de uma opulência que já não se suportava. Um Papa que nos vais alertando, como tantas vozes de ilustres e de desconhecidos. Mas que até hoje, poucos ouvem. Ouviam mais o anterior Papa, do alto de uma sabedoria canónica sem sentido, excepto para os dogmáticos anacrónicos, do um homem, vivo e pulsaste, de espírito jovem e inteligência brilhante, que desce do seu trono para clamar pelos aflitos e sofredores.

Por todo o lado, quase, este mundo está mesmo louco.
Quando muda isto, quando mudamos isto? Quanto acabam estes tempos, se não estarão precisamente a começar…?

Será preciso mais violência para aplacarmos estes tempos violentos? Que teremos de fazer, sabendo que sentado...nada conseguimos?

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