The Human Center for the Unknow

1. "(...) A cada momento a mente humana pode absorver milhões de fragmentos de informação. No entanto, a estimativa mais generosa aponta para que uma pessoa possa ter conhecimento consciente de não mais de quarenta" (Brooks, D.,  O Animal Social, D. Quixote, Lisboa, 2012
Um odor, a intensidade desse odor, a duração do mesmo, uma forma, o tipo de forma, a cor, a intensidade dessa cor, a opacidade, a saturação, o recorte da forma, a dimensão...num total de quarenta fragmentos, apenas. Mas, nessa fracção de tempo, passaram milhões de informações para o nosso cérebro, foram processadas, comparadas com o banco de memória, traduzidas em termos da situação que se apresente e dadas 'instruções' ao nosso corpo, que se podem, ou não manifestar, numa reacção visível a outros, por exemplo.

Mas, todos esses milhões de dados lidos através do nosso sistema sensorial, não chegou ao nosso conhecimento consciente. Intrigante, não? Estranho! Mas é exactamente assim.

2. As hormonas. Essas ainda quase desconhecidas. Oxitocina, Vasopressina. Duas pouco conhecidas, mas com alguns efeitos já muito bem estudados. Entre outras.

Oxitocina é a hormona responsável pelo estímulo de produção do leite materno nos mamíferos em geral. Pode-se induzir essa produção pela injecção desta hormona. Pode-se gerar um instinto maternal com essa injecção. Normalmente em mamíferos de criação, como ovelhas ou vacas. Noutra situação, a sua ausência levará à rejeição de um filhote, um cordeiro, um bezerro, pela ausência desta hormona. No ser humano, as hormonas também nos controlam, mas parte do controlo é elaborado pela mente humana, capaz de contrariar efeitos primários de substâncias bioquímicas, como destas e doutras. Outra curiosidade dos efeitos destas são, e não de menosprezar, a tendência para a infelidade, ou a fidelidade, associada ao número de receptores neuronais, para estas duas hormonas e outras, mas estas essencialmente, sendo que quando em quantidade reduzida, o indivíduo 'sofre' de infedilidade 'compulsiva'. Evidentemente, mais uma vez, a mente humana tem capacidade de contrariar o efeito, principalmente se a inteligência emocional e social do mesmo estiver trabalhada e desenvolvida.

Mas também na atracção sexual estas hormonas fazem sentir o seu 'poder', libertando-se em maior extensão quando há estímulo no sentido de uma atracção, que começa com uma 'simples' mas decisiva empatia. E mais...durante o acto sexual, aumenta a produção destas duas hormonas, e no orgasmo...ainda mais! A elas e outras pode associar-se o sentimento de elevado prazer sexual nesses momentos. Mas não se ficam por aqui. Numa simples atracção empática, mesmo sem qualquer sentido carnal, sexual, elas nos podem 'comandar'. E...surprise! Mesmo à distância, entre pessoas qe nem se conhecem fisicamente!!!

É preciso, claro, uma predisposição, Ou melhor, pode, neste caso, entrar em cena, também, o inconsciente, em efeito cumulativo com o consciente ('antigamente' designados também de 'racional e irracional', hoje designações consideradas desajustadas). Uma predisposição psicológica é papel do nosso controlo, consciente, ou mesmo em trabalho conjunto com o inconsciente. Este, é fruto de muito do que não temos noção a cada instante. Mas produto de informações, impressões, experiências, que ali se armazenam (a capacidade do inconsciente é bem superior à do consciente, termos de estruturas cerebrais e de quantidade de informação recolhida e processada). O inconsciente tem, pois um papel decisivo, nas nossas...decisões. E 'predisposições'!

Agora, façam o exercício mental elaborado de juntar os efeitos cumulativos das nossas hormonas e de toda carga de poder sobre nós e...as NOSSAS DECISÕES, que o inconsciente tem. Sim, poder que se reflecte em quase tudo. Numa decisão profissional, empresarial ou não, Numa decisão política, ou sentimental!

Hormonas e Inconsciente dominam em mais de 95% as nossas tendências e as nossas decisões. Onde "pára" a consciência, a parte diminuta de que tomamos consciência do que estamos a fazer, a pensar e sentir?

Na franja mental do que somos. Ou seja, somos, o que NÃO SABEMOS QUE SOMOS!

Não. Não vale a pena tentarmos controlar o processo, não conseguimos. Admiram-se então como sentimos o que sentimos por alguém, ainda que nem conhecido num momento, apenas por um telefonema, um texto que se lê, uma mensagem, uma descrição mesmo, feita por terceiros? E depois dizemos...'não entendo o que se está a passar, é um impulso', etc. Não entendemos, nem iremos entender. Mas se "falássemos" com o inconsciente e controlássemos a produção hormonal, já entenderíamos. Parte das empatias, primeira etapa de processos de relacionamento humano, podem começar por controlo do inconsciente, e de acção de hormonas.

E lá está. Uma explicação, que não nos fará ficarmos mais conscientes, nem entendermos mais do que antes julgávamos saber. Muitas empatias e até paixões inexplicáveis caminham por trilhos desconhecidos da nossa consciência. Decisões políticas, profissionais, antipatias, inimizades, raivas que crescem...e grandes...amores!

O racional humano nunca existiu, amigos! (ainda que em tudo há uma franja, ínfima, de racional e consciente, de predisposições também, mas que não é decisiva...nas nossas decisões).

No inconsciente se armazenam dados nossos e memórias passadas, mesmo geneticamente. Socialmente também.

É disto que somos feitos. E, assim, se perdem e ganham pessoas pela vida fora!

A nossa mente é o centro humano para o (nosso) desconhecido.



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