27.12.11

A China actual (I)





Alain Peyrefitte: Quand la Chine s'éveillera... le monde tremblera, 1973.


A obra de Peyrefitte, um político gaulista pouco consensual, tido como envolvido, no fim da carreira, num escândalo que envolveu a morte misteriosa de Robert Boulin, também político e ministro na mesma época (anos 60), parece hoje ser actual. Mas, como o seu autor, é tudo menos consensual.


Hoje, logo pela manhã, recebi um dos habituais emails-newsletter do Banco Millenniumbcp, como sempre a misturar uma espécie de veia literária com análise económica. Na comunicação do BCP a China é um país em arrefecimento económico, e essa desacelaração é um dos problemas do actual regime ditatorial, disfarçado de regime aberto, mas não exageremos com os epítetos, pois o de 'Democrata' não lhes serve, não se encaixa. O regime, ou o governo, para continuar a resistir à pressão popular que quer a sua mudança e a ocidentalização do país, necessita de um crescimento económico sustentável ou rápido, mas continuado. Diz a newsletter do BCP, num tom entre o kitch piroso e o idiota, como é apanágio de um Banco 'Socialístico-socratiano', que o frio deste Inverno, que chegou à China, é seco ("Este ano, a chegada do Inverno na China pareceu anunciar a mudança de estação também da conjuntura macroeconómica, paraum clima mais frio e mais seco. ).


Sem me debruçar nas considerações económicas da letter do BCP, aliás correctas, como não podia deixar de ser, o interesse nestas informações sobre a China, aliás incorrecto, como não podia deixar de ser, vindo de um banco onde o Administrador incompetente, foi nomeado por um Primeiro ministro ainda mais incompetente, numa intolerável interferência do Estado numa Empresa privada, por acado a maior do sector financeiro privado, e onde se tem demonstrado como se pode e consegue gerir mal (acções a metade do preço de um café?!? Passar da melhor imagem na Banca, para a pior de todos os Bancos, esta análise, como dezenas de outras por todo o lado, esta Preocupação e Interesse pela China, é o que me espanta e preocupa.


A China é uma ameaça para o Ocidente, como se depreende do livro de Peyrefitte? O que se entende por ameaça? E porque a China? Um dos países onde o nível de vida e as condições gerais do povo, não roçam, mas atingem mesmo o mais sub-humano que se conhece? Um país onde a Vida tem o interesse que se sabe das meninas bebés abandonas nas ruas, ou deixadas ao abandono até à morte em lares piores do que canis? A China que anda a investir no Ocidente (onde a EDP foi um dos primeiros e significativos passos, apenas), porque não o faz dentro de portas, criando mais emprego e melhores condições aos do seu povo? A China que arrogantemente despreza todas as chamadas de atenção contra os direitos humanos, invadiu países fronteiriços e se mantém no poder por força das armas? A China que reprime todas a vozes que se levantem contra o Regime Comunista disfarçado, tão brutalmente como antes o fazia com o bandido Mao Tsé Tung? 


Porque esta preocupação com a China e a sua capacidade de investimento, vinda de um PIB imenso, mas de um miserável e bem inferior ao português PIB per Capita? Tudo pela necessidade de financiamento urgente das falidas economias europeias?


Não é estranho que em vez de cuidarmos de nós, sem o recurso único e absurdo, enquanto único, à Austeridade (as Reformas nos Estados e Administrações Públicas sim, serão fundamentais, desde que se façam...) mas ao invés, com aplicação de medidas de libertação de recursos, via Banca privada, e não interferência directa do Estado, para financiamento e re-investimento nas economias, se veja como solução principal para os problemas, de todos os Estados Membros da UE, a China?


É certo que a China tem esta capacidade. Como o é, que o seu povo morre de fome e é desprezado nos seus direitos. E como se comparam os PIB dos grandes países, com a China? E, sendo comparáveis, no PIB total, pois no PIB per Capita, não o são, já que o da China é bem mais baixo do que o de Portugal, porque não investem as economias dos países mais fortes e maiores, em países como Portugal, Espanha, Itália, etc?


(a continuar)



15.12.11

Carta-proposta ao Ministério da Educação para a Reforma curricular


Exmos(as) Senhores(as),

Sou pai de três jovens dos 12 aos 19 anos e vivi muitas experiências educativas contraditórias, desde o meu próprio tempo no Ensino, até ao acompanhamento dos meus filhos e, mais recentemente de dois enteados.

Pessoalmente tive algumas, escassas, experiências directas com o Ensino. Fui professor eventual de Biologia durante um ano lectivo, antes de iniciar a minha carreira como Engenheiro Agrónomo. Mais tarde, fui co-fundador de uma das actualmente maiores escolas/conservatórios de música de Lisboa e do País, a Academia de Música de Lisboa, que ensina prioritariamente, mas não exclusivamente, violino, por um método misto de dois pedagogos de referência, o método Suzuki-Galamian.

Sempre procurei ter uma orientação pela motivação pelo Estudo, pela evolução pessoal e pelo prazer pelo saber, quer a título pessoal, quer no que me tenho esforçado de transmitir aos meus filhos.

Tenho assistido a uma progressiva degradação na Educação em Portugal. Nem tem sido, na minha óptica, uma oscilação, ou alternância de políticas educativas, mas uma efectiva degradação progressiva. De cada vez que mudava o Governo e o Ministério da Educação, esperei melhorias e progressos, que correspondessem a saltos significativos e acentuados na qualidade do Ensino, a começar pelos currículos, mas sem esquecer a disciplina nas escolas e o empenho e profissionalismo de todos, sem que possa estar desligado do mesmo empenho, na mesma direcção, dos Encarregados de Educação. De cada vez, as minhas expectativas saíram defraudadas.

Agora vivemos um período de nova transformação que desejo seja reformista, e na sentido adequado. A minha expectativa tem sido a de um dia podermos, de facto, fazer uma inflexão nesta tendência decadente, que em lugar do nos levar a termos, num futuro de algumas gerações, uma população mais informada, culta, interessada e com espírito crítico, construtivo, tem-nos deixado num marasmo cultural e educativo, não condizente com os mais de oito séculos de história como País independente.

Como opção pessoal, cultural e consciente, continuo a escrever pela antiga e legítima ortografia, pois nunca reconhecerei um Acordo Ortográfico que adulterou a minha Língua, e foi uma imposição política de uma minoria de deputados, e de outra minoria de técnicos com demasiada e suspeita pressa em alterar a favor de um país estrangeiro, a língua que por cá bem se escrevia e falava, e por lá mal se escreve e fala. Lamento. Mas esta é uma das formas do meu exercício da cultura pessoal, e colectiva, e uma expressão de Liberdade que não permitirei alienar pela opção inconsciente e irresponsável de políticos pouco informados sobre a Língua Lusa. Ando agora nesta luta contra a má ortografia, mas respeitarei nos outros a opção pelo Acordo Ortográfico, e numa luta contra o corrector de texto no meu computador...

Se me permitem, gostaria, então de vos endereçar um conjunto de ideias, que tenho vindo a tecer sobre as linhas gerais do que penso dever ser a Nossa Educação e Ensino, se um dia quisermos empenhar-nos na preparação de uma sociedade informada e letrada.

Ensino Básico.

No ensino básico julgo ser fundamental dois aspectos: possibilitar ferramentas iniciais nas áreas da Língua Portuguesa (e do Inglês)  e começar a treinar a agilidade e o calculo mental. As crianças têm chegado ao quinto ano, e passam para o sexto e sétimo, sem as bases do calculo matemático, o raciocínio básico e rápido com as tabuadas. É fundamental que todos transitem do quarto para o quinto ano, com uma capacidade inquestionável nos cálculos, com um conhecimento cabal das tabuadas. Na língua portuguesa, não se deve deixar passar um só erro, ortográfico sintáctico, fonético. O inicio da interpretação e compreensão de textos, deve igualmente ser aprofundado. No inglês, nada o quase se tem avançado, com as crianças a transitarem para o quinto ano sem conhecimentos pelo menos básicos e, principalmente com a curiosidade e vontade de mais saberem. Esta vontade e prazer pelo saber deve ser estimulada em todas as áreas do ensino básico, mas com incidência principal no tocante à vontade pela leitura e pelo raciocínio matemático.


Ensino Secundário.

No secundário, penso que a reforma deve ser mais fundacional e profunda. Devemos interrogarmo-nos do real interesse das disciplinas de Geografia (pelo menos com o actual currículo, em que não se valoriza a geografia política, nem a física, e se repetem, ano após ano, conceitos de geografia humana, com pouco avanço), de Educação Visual (ninguém ensina, nem ninguém aprende a desenhar, e muito menos a pintar, usando materiais erradamente, como cravos de cera a seco, que foram fabricados para usar com solvente orgânicos, produtos estes de difícil e duvidosa viabilidade em escolas, pela toxicidade potencial), Educação Musical/música, na qual se 'brinca' à música com umas flautas de má sonoridade e interpretando composições muito incipientes ou infantis, nem se procurando constituir, para quem tiver possibilidade económica pelo menos, pequenos grupos, ou orquestras, com a calendarizacão de concursos, recitais e apresentações, inter e intra escolas, Francês, a qual esta actualmente desprovida do interesse que pode ter tido no passado, sendo hoje mais relevante e com interesse real, o ensino do espanhol, para além de um ensino de inglês que efectivamente ponha os jovens a ler, escrever e a falar a língua.

A Língua Portuguesa tem assistido, como disciplina, o desinteresse crescente dos alunos, excepção feita aos professores que a reinventam. Os livros de leitura obrigatórias, os textos analisados ou estudados, têm contribuído para a fuga da leitura. Não se devi pretender que os jovens que hoje se ocupam na internet ou com os jogos, ou Tv, possam sentir qualquer estimulo com Os Lusíadas, o Padre António Vieira e outros textos clássicos, demasiado distantes e maçudos para adolescentes que navegam num computador pelo mundo inteiro a 60 mbps... Há suficientes obras bem mais estimulantes da leitura, seguramente menos significativas dos períodos históricos da Literatura Portuguesa, mas também mais informativas e mais formativas, actuais, sem “auto-colantes” ideológicos marcantes de preferência.

A Matemática penso que irá no caminho certo, uma vez corrigidas as deficiências maiores no Ensino Básico. Mas a procura da motivação e interesse dos alunos é fundamental. Um professor de matemática não deve partir do princípio da incapacidade generalizada dos seus alunos, mas antes, colocar em si o ónus da responsabilidade pela motivação, interesse, curiosidade e empenho dos alunos, que devem avançar num bloco o mais alargado possível em cada turma. Esse avanço em ‘bloco’, aliás, mais do que o destaque dos melhores, que sempre os haverá, deve ser a preocupação primeira de qualquer professor.

No ensino do Inglês, a preocupação, por vezes excessiva com referências gramaticais e a mais reduzida, relativamente, com o vocabulário, impede que o estímulo e motivação por este idioma possa crescer em cada aluno. Este caminho deve ser invertido, precisamente com o fornecimento de mais vocabulário e com o recurso a metodologias diferentes, como o apoio na música de origem e letra inglesa.

A Educação Física, disciplina muito vocacional, não é de forma alguma de aceitação universal. Mesmo sabendo-se das vantagens de todos os jovens terem uma actividade física, a valorização que tem sido dada a esta disciplina, e a valoração que é frequentemente prejudicial a muitos, ou mesmo à maioria dos alunos, não é, para mim, um assunto pacífico. Nem todos têm a suficiente habilidade, destreza e competência física, nem todos necessitam de a ter, mas muitos são prejudicados nas suas classificações, principalmente quando as mesmas contam para a média final de candidatura para o Ensino Superior. Por outro lado, para os que mais se interessa, e mais capacidades denotam nesta área, carece muitas vezes a prática suficiente, através mesmo de mais competição inter e intra escolar. A constituição de equipas desportivas várias, que vão avançando a par com o ano lectivo e a idade dos alunos seria uma razão mais para motivar os jovens alunos.

Penso que um ensino que pretenda fazer crescer os nossos jovens, e os faça avançar no prazer pelo Saber, Conhecimento, procura da Informação e das Referências Culturais, e treine as suas várias formas de Inteligência, não deve descurar a possibilidade de introduzir a Filosofia bem mais cedo nos currículos escolares. Provavelmente a partir do 7º ano de escolaridade.

Mais tarde, no 10º ano, a Psicologia devia ter um lugar para qualquer área de preferência, científica, técnica ou das ciências humanas e sociais. É uma necessidade comum no mundo moderno, onde os papéis dos profissionais devem ser mais activos e assertivos e o conhecimento de Si e dos Outros é primordial.

Finalmente, ainda que fora do âmbito desta Reforma Curricular, a forma como se faz o acesso ao Ensino Superior, devia igualmente, ser um dia, repensada. Exames Nacionais indiferenciados, para qualquer Faculdade, Curso, Universidade, nas várias disciplinas ou ‘cadeiras’, parece-me já muito desasjustado. Exames definidos pelas próprias Faculdades e Cursos, eventualmente em ‘blocos’ com outros cursos idênticos ou similares, parecer-me-ia bem mais adequado. O resultado do actual sistema de acesso é encontrarem-se imensas dificuldades e incapacidades em matérias como as Matemáticas e outras, nos primeiros anos de muitos cursos, umas vezes por defeito, outras, raramente, por excesso.

Alexandre Bazenga Fernandes
Oeiras

10.11.11

O Poder e o mau exercício dele



Quanto mais aprendo na vida mais me convenço da máxima que diz que ser Chefe não é o mesmo que ser Líder. E que o Poder não é 'para todos'. No sentido em que nem todos o sabem usar, ou deviam. Mas as coisas não são, obviamente, como deviam, como sabemos.

Exercer Poder é exercer uma influência decisiva, limitadora, condicionadora, ou não, manipuladora no bom sentido, ou no mau, quanto baste, ou mais do que basta, sobre outra ou outras pessoas. Ter ascendente sobre uma pessoa é ter algum poder sobre ela. Ser respeitado por alguém é ser, de certa forma, reconhecido, nesse poder que se exerce. Manipular é muitas vezes usado em sentido negativo, perverso. Mas a manipulação, com intentos e objectivos não constrangedores, e sem pretender mudar os outros, não é forçosamente uma má atitude, ou nem sempre o é. Tudo isto usamos nós, alguma vez, em alguma circunstância, com alguém.

Mas o exercício do Poder que se tem, sobre uma pessoa ou sobre um grupo, para que seja reconhecido como uma qualidade de um Líder e não de um 'chefe', no sentido mais redutor do termo, é algo que nem todos temos, nem todos o sabemos usar, na maioria das circunstâncias. Para que se use de Poder, sem esmagar ou anular alguém, sem lhe retirar direitos ou sem lhe tirar o sentido que encontra nas coisas, sem que se sinta substituído no seu exercício discricionário, de livre arbítrio, da Liberdade a que tem direito, é fundamental que se comece por respeitar o destinatário do nosso exercício.

O respeito quando não vem da admiração pura, tout-court, por aquilo que o outro é, ou fez, vem de uma coisa bem mais básica, porque fundamental: do amor. Desse amor que temos pelo companheiro ou companheira, marido ou mulher, filhos e filhas, pais, irmãos...ou por amigos que nos dão mais sentido à vida e a preenchem e dão cor. Mas amor também pode ser social, como alguns líderes espirituais e até sociólogos e psicólogos (Goleman, Gardner, entre outros) o explicaram. Esse é o amor por uma sociedade, por uma cultura, por um povo e por um país. E também existe, mesmo em tempos de desencanto e descrença como este em que nos encontramos.

O respeito devemos a toda a gente. Ou devia ser assim, pelo menos numa sociedade utópica, que é algo que nos faz bem seguir, mesmo sendo inatingível. Outras ideias utópicas já serão bem mais perigosas, mas esta não, como princípio. O respeito também devemos recebe-lo de muita gente, ou devia ser de todos. Mas esse respeito, quando levado a admiração, quando a alguém que seguimos, que reconhecemos como Líder, leva-nos a reconhecer-lhe e a outorgar-lhe, até, um Poder sobre nós, que não nos lesa, ou não o deve.

Quando o Poder, por outro lado é exercido apenas porque sim. Apenas porque se tem os meios para tal, porque temos a posição para o exercer, como Chefes num serviço, numa empresa, numa família, como pai ou mãe, mas é desprovido do reconhecimento necessário que leva alguém a consultar-nos, a esperar para nos ouvir, a seguir-nos é vazio e é Um Vazio. Mas é bem pior, uma Perversidade e um Perigo.

E o Poder assim exercido, seja em que ambiente for, mas tanto pior se houver intimidade, como numa família, é bem mais pernicioso, é um autêntico perigo é uma Bomba. Cria desequilíbrios insanáveis. Deteriora relações e conduz ao desrespeito, quando devia levar ao Respeito e Consideração.

Quem julga ter poder, deve exerce-lo o como se de um conselheiro se tratasse, como se se encontrasse numa assembleia política, como se fosse, se não é, um democrata. Não tem deixar de o exercer, apenas por se comportar com cortesia, complacência até, com atitude de ouvinte e de conselheiro. Após uma consulta a todos, um político pode e deve decidir. Assim também, se o ideal é possível, numa empresa, onde nem sempre o é. E com maioria de razão em casa, com a família, onde os laços de proximidade tendem a criar tensões e rejeições, ou, pelo contrário, subserviências nada saudáveis. Como pai ou como mãe, o nosso cuidado no exercício do nosso poder deve ser acrescido e não diminuído, por comparação com outras circunstâncias.

O nosso poder como pais, molda e determina comportamentos subsequentes. O nosso poder é bem mais facilmente aceite pelo exemplo, um poder, aliás de uma força imensa. O nosso poder como pais, a propósito de alguém que neste momento o exerce de forma extemporânea e absolutista, de forma implacável e irresponsável, é condicionante e extremamente perigoso, se não bem exercido. Mas temos, em tais circunstâncias um poder imenso, com frequência, o do Amor. E que se perde, por vezes, indeterminada e irremediavelmente pela sede de Poder gratuito e cego, pela autoridade sem liderança, pelo orgulho idiota e infantil, pela forma como quando o exercemos assim, se afastam de nós os que de nós precisam. Quando os devíamos ter mais próximos...em momentos delicados e de grande tensão. Em momentos, nem sempre identificáveis, extremamente decisivos!

A perversidade do desequilíbrio europeu


Portugal seguiu, a meu ver, nos últimos anos, o caminho mais errado que podia ter escolhido. O de um país onde os preços se deviam regular pelos da vizinha Espanha, mas os bens adquiridos eram equivalentes aos que consomem os alemães.

Um mercado total de dez milhões e meio, mas de pouco mais de oito milhões activos consumidores, dificilmente pode suportar os preços baixos e agressivos de um mercado cinco vezes maior, como é o da Espanha. E face à dimensão do mercado, assim se calcula a base do poder de compra, do nível de rendimento per capita, dos níveis de poupança e outros indicadores, uns regulados pelos dos grandes países, outros pelos de países como uma República Checa, Hungria, ainda em ascensão no seio da UE, mas, pior, como uma Suíça (que devia ser o nosso 'target').

Mas injustamente, ou propositadamente, o desequilíbrio europeu, entre países como a Alemanha, a Holanda, a Dinamarca e outros como Espanha, Grécia e Portugal, interessa, activa e forçosamente aos mais ricos.

Tal como interessa que, no contexto mundial exista uma China, a duas velocidades, e a várias dimensões, consumindo matérias primas europeias, como aço, plástico, química básica e química fina, e combustíveis de países produtores asiáticos, mas enriquecendo rapidamente, para que lá se coloquem os produtos de luxo e glamour europeus, mais as tecnologias americanas e europeias, persistindo embora, e não dispensando a mão de obra mais barata do mundo, num desequilíbrio e fosso perverso, dentro da própria China, e da China para o mundo 'ocidental', interessa um outro desequilíbrio entre países da União Europeia, mantendo Portugal, Grécia e já não tanto Espanha (que nunca aceitou estar neste grupo dos infortunados-dominados) numa relativa pobreza, de matriz europeia, que em nada se compara à pobreza real de uma China, ou de um chinês.

Mas surge então uma de duas perguntas: interessa a um alemão subsidiar um português com dívidas para que lhe compre um automóvel germânico, correndo até o risco de insolvência e incumprimento do pagamento do mesmo? Interessa a uma Alemanha subsidiar esta dívida colossal, para que alguns, novos-ricos, empresários sem base sólida e políticos vivendo dos recursos de outros, adquiram automóveis e outros produtos made in Germany? Não me parece. Mas sobretudo, não lhes parece a eles, que nos estão a pagar as compras no supermercado e na mercearia, tanto como os medicamentos (que eles também produzem, tal como americanos). Mas, por outro lado, interessa a um alemão que os portugueses deixem de poder comprar os seus VW, BMW e Audi? Também não me parece.

Este o dilema alemão. Que pouco nos interessaria, não fora que o que eles sentem, pensam e decidem nos toca muito a nós nestes momentos de dependência financeira.

Este o desequilíbrio difícil de manter numa Europa nunca plenamente unida e construída, numa Europa que vive disto e não sabe disto sair.

E como quem paga, manda, poucas hipóteses teremos, sem custos maiores, de libertação desta cadeia de interesses mutuamente desequilibrados que se construiu na Europa.

Portugal não fez, nem tão pouco iniciou o único caminho que poderia libertar o país desta posição. Nunca se interessou, nem hoje se vê que o queira, por uma verdadeira educação do seu povo, uma formação elevada e superior, que ainda hoje se despreza tanto. Como o fizeram os suíços, os finlandeses, os dinamarqueses, e mesmo os checos. E tivemos ainda mais tempo e paz dentro de fronteiras do que todos esses.

Portugal nunca iniciou o caminho de se tornar um mercado mais caro, exclusivo e menos dependente de vizinhos e tendências internacionais, com um progressivo e crescente poder de compra das famílias. Fez sempre, pelo contrário, o caminho inverso. E um mercado assim, com baixos preços e fraco poder de compra, é bem mais frágil e dependente.

Se a isto adicionarmos um consumismo desajustado, investimentos públicos faraónicos e políticas pautadas pelo apego ao Poder e reféns de clientelas, bem depressa se entende porque temos esta Dívida (que, recordo, Sócrates sempre a negou publicamente, mas duvido que ignorasse, e usou essa mentira para tirar dividendos, ganhar adversários e ofender gente séria como Ferreira Leite, o que o torna um criminoso da política...) e esta dependência de uma Alemanha que a todos nos parece prepotente, arrogante e imperialista.


30.10.11

Europa





Nos últimos tempos só se escreve e só se lê sobre a Europa. Mas, na realidade, para quem vive num país europeu, seja um como o nosso, que depende das decisões de outros, eufemismo para se dizer, do dinheiro de quem o tem, seja um dos países com boa saúde económica, financeira e social, o 'Tema', o fulcro do nosso futuro próximo, de médio prazo e mesmo longo, passa pelas decisões actuais e próximas, sobre a Europa. 


Sobre a Economia e as Finanças europeias, mas também sobre as políticas sociais, e de outras que pouco têm sido aludidas, ultimamente: política agrícola, educativa e de saúde. Umas políticas por estarem no centro da Crise actual, outras por sofrerem consequências das de 'charneira', ou centrais. Sobre a capacidade dos actuais políticos dos diversos países do Eurogrupo, e sobre a liderança da Europa, também se tem escrito e falado, em privado e em público. Os problemas nacionais, as crises financeiras e económicas de cada país, parecem perder importância no contexto global europeu, ainda que os políticos da União Europeia não façam mais, até ao momento do que se comportar como políticos de um Estado Membro, em reunião e contexto europeu, ao invés de serem políticos europeus, a tentar resolver o problema da União e, concomitantemente, de cada Estado.


Mas a verdade é que faltam neste 'xadrez' outros dados e mais competências. Fez-se uma União monetária, ainda nem suficientemente alargada, sem se ter feito a União Económica, mesmo que esse fosse, desde sempre, o mote da criação da União. Irónico, ridículo ou apenas estúpido, que um conjunto de países que se congregaram para criar um Mercado Comum, ou vários mercados, sectoriais, mas comuns não tenha ainda logrado criar uma União económica efectiva e, mais, eficiente. 


Uma Europa que se ufana dos seus pergaminhos, da sua superioridade cultural, que se motiva a criticar os modelos sociais e económicos dos outros 'blocos' mundiais, como os EUA, a América no seu conjunto, os países asiáticos e o Japão de per si, ainda não conseguiu e, receio, ou melhor, tenho a certeza e assusta-me que assim seja, não sabe mesmo como fazer, e, pior ainda mais um pouco, pensa poder fazer tudo isto apenas com combinações e planos, acordos e tratados congeminados entre dois, ou três dos seus Membros. 


Para além do problema da efectivação da União Económica, para a qual alguns consideram essencial a União política, uma Federação ou algo próximo disso, ou mais ou menos isso, mas talvez não o seja, ainda temos o problema da substituição dos actuais agentes políticos por gente que seja de facto inteligente (isso mesmo, inteligente), políticos com mais vontade de o serem do que de o 'usarem'. Políticos com capacidade de pensar 'de novo', pouco agarrados a preconceitos, sociais, nacionais, culturais, excepto o de acreditarem numa Cultura Europeia e, já agora, entre outras coisas menores, de se deixarem de imitações de culturas e economias, americanas ou asiáticas. Políticos que acreditem que o equilíbrio das várias economias é tão importante, ou bem mais do que o imenso desenvolvimento de umas poucas, comparado com o desenvolvimento incipiente de outras, como a de Portugal. Desenvolvimentos a duas, a três velocidades, como é jargão dizer-se, nunca conduzirão a uma União Europeia sólida, saudável e preparada para futuras crises.


Imaginemos então, que um dia, talvez ainda distante, mais distante do que seria conveniente, a União Económica será uma realidade. Como pensam estes actuais políticos que a podem fazer? Com uma liderança Germano-francesa? Com uma liderança dos mais ricos, que implique uma subserviência, incondicional dos mais pobres? Parece lógico. Mas digo-vos que nunca funcionará. E já nem me interrogo sobre o ser positivo, ou mais positivo do que negativo que no futuro próximo sejamos todos mais germânicos, mesmo continuando a comer o 'cozido' e as 'tripas à moda do Porto', e os doces conventuais, a desprezar as ruas e a suja-las, a termos o mesmo comportamento selvagens nos cruzamentos e rotundas. Numa época em que já não sabemos se é mais possível perder-se uma boa parte da 'identidade nacional', como julgam alguns, e de que não estou certo se já não perdemos, todos os dias, desde há mais de oitocentos anos, ao mesmo tempo que a construímos, talvez abdicar de 'soberania', para vivermos melhor, ou apenas sobrevivermos...seja a melhor, se não a única, solução. E não falo de nós portugueses apenas, porque estou certo de espanhóis imaginam nunca irem abdicar da sua forma de ser...e italianos, franceses e mesmo os intrépidos ingleses, também. 


Mas essa União económica efectiva, com ou sem Governo Económico, ou mesmo Federação, não será saudável, sólida e estável, sem o real desenvolvimento e enriquecimento, por moldes distintos do processo novo-riquista que temos vivido, de forma sustentada e realista, dos países mais pobres, os do Sul. Impossível. Caso contrário as crises sobrevirão, os desequilíbrios e as 'lições' e arrogâncias dos mais ricos sobre os mais pobres, que são o menos, se comparado com o problema da crise real em si. Não resolvido este problema, de alemães nos considerarem 'chineses da europa', se continuarem neste 'equilíbrio instável' de termos de ser mais pobres, para eles serem mais ricos, nunca o espaço europeu será uma União, pelo menos com saúde económico-financeira. 


E os políticos dos 'mais ricos' não têm mostrado superioridade alguma. Mas comparar diferenças como a de uma empresa portuguesa que para se financiar, quando ainda podia, contrair crédito a seis ou sete por cento, e uma alemã a dois por cento...explica boa parte da 'superioridade' alemã. Tal como explicam os juros que actualmente pagam alemães e portugueses, porque, para os 'mercados', que funcionam na lógica clássica do sistema financeiro, mas que agora deviam repensar, pelo incumprimento da Grécia, quem mostra mais garantia de poder pagar deve pagar menos pelo dinheiro. E esta lógica está em tudo. Até em termos caseiros, quando há incumprimento de pagamento de prestações, os bancos cobram, de forma legal e europeia, mais de 24%, asfixiando mais os devedores e diminuindo as possibilidades de pagarem. Porque analisam o incumprimento, como a má vontade em o fazer e não a dificuldade ou impossibilidade. E assim, também, funcionam os mercados das dívidas soberanas. Má lógica, que vai fazer recuar blocos económicos (EUA incluídos, claro!) e a economia mundial no seu todo. Garantir o pagamento dos que têm dificuldade, independentemente da razão por que a têm, devia ser a tónica dos 'mercados', mas são demasiado 'germânicos' para o entenderem...


Veremos o que nos dão ainda estes políticos menores que nos lideram na Europa, e os que os pretendem substituir, que em nada são melhores. Mas para já, acredito muito pouco nas boas soluções.







20.10.11

Chega!


Pois é. Verdade! Nos EUA um comentador deixou o cérebro derramar tudo o que lhe tem incomodado, deixou-se de meias e peias e falou bem alto! Foi um momento que pode vir a ser recordado dentro de algum tempo...
Indignado com Democratas e Republicanos, com o Congresso que apelidou de 'vendido', com o sistema financeiro, não se calou enquanto não deitou para fora toda uma raiva que lhe parecia contida, por anos e anos de desilusões.
Mas mesmo assim não chega. Pois só será suficiente quando toda a gente ouvir. Ouvir a Verdade, já que ela existe. E a Verdade não está em 'camisolas' políticas, escolhas partidárias, e A, B, ou C, nem de AB, BC ou AC...Nem está em Esquerdas ou Direitas, que nem existiram um só segundo na História da Humanidade. Sim, é preciso, por todo o lado, nos países onde já se pensa, ou se começa a pensar, Repensar! Pensar de novo. Como é possível que se mude de um Partido a outro, nos USA, em Portugal, no reino Unido, em França, Alemanha ou Espanha e tudo fique na mesma, para a generalidade de todos nós? Porque...o sistema 'is not working anymore!!!'. Não é uma questão de por em causa Capitalismos, socialismos, ou comunismos, se alguma vez existiram num único país. Em estado 'puro' ao menos e não adulterado por interresses financeiros, bancários, para explicitar melhor, empresariais, monopólios, etc. É uma questão de pensar de Novo a Democracia. E a Economia associadas a estas Democracias. Certo é que assim não funciona. Em Espanha o PSOE será derrotado, com grande probabilidade, mas ninguém acredita, fora de Espanha que alguma coisa mude e melhor, que se veja. Em França, a troca pode ser inversa, saindo a 'direita' (para quem gosta destas merdas estúpidas de classificações de 1789) e entrando uma suposta 'esquerda'. Na Alemanha, processo idèntico pode seguir-se. Depois, pode vir Itália e mais adiante, Reino Unido. Nos países de leste, parece que as coisas andam mais calmas, que é o mesmo que dizer que...ainda nem estão a 'pensar' muito ou que nem sentem muito ainda a Democracia, tal como necessitamos dela cada dia mais. E que irá mudar com todas estas alterações de espectro político pela Europa fora? Provavelmente NADA! Serve, este sistema? Sabemos que não nos serve qualquer regime de tarados extremistas, comunistas ou fascistas e outros quejandos, que nos retiram o direito de pensar, expressar, exprimir, opiniar, viver a nossa vida comum, participando (coisa, aliás, que por cá ainda muito pouco se faz). E não admitiremos regressos a ditaduras com falsas promessas de futuro e organização, que nos soneguem a Liberdade! Mas a Democracia precisa, por todo o lado, e as organizações dos estados, os sistemas financeiros, económicos, judiciais e educativos, de ser Repensada e Reformulada! Urgente! Isto sim, é 'Emergência (ele quereria dizer Urgência?) Nacional. Já não servem as greves e protestos vazios se sem mais nada que não seja por em causa tudo e todos os sistemas, de saúde, educativos etc. E também não parece chegar esta receita de Austeridade que nos vai matar silenciosamente. Muitos de nós nunca mais teremos emprego, primeiro pelo que fez um certo Governo anterior (no caso, o de Sócrates que nos lixou o país todinho!), depois por esta mania das 'troikas' e dos 'investidores', que pouco a pouco já não terão mais nada onde ir buscar nem investimento nem juros. Eles ainda não viram este filme...parece...


Não vamos lá com manifestações e indignações, nem com austeridades ou com investimentos dos Estados (pseudo Keynes). Não estamos a ir a lado algum! Temos pois de 'pegar este assunto' como o mais urgente e decisivo das nossas vidas, pois ele é mesmo isso. Temos nós, os que vivemos e sofremos com o que todos fizeram, nós, mas talvez outros mais do que nós, os que nos têm governado, de pensar, Repensar e actuar. E o tempo escapasse-nos pelos dedos...

Como o comentador na Tv americana, que hoje está a ser divulgado por todo o lado, muitos de nós, se não a generalidade há muito que perdeu as crenças, fés, e outras 'magias intelectuais' que nos têm tornado carneirinhos de um sistema que serve a alguém, mas não serve quase a ninguém, mas nada fazemos, ordeiramente. 

Uns falam em partir tudo, em 'esqueiqueirar' tudo. Outros, que nada se pode fazer, se não entrar e seguir o sistema. Mas ninguém sabe ao certo se alguma coisa irá funcionar, e todos temos alguém conhecido, com pouco mais de 40 anos, ou pouco acima dos 50 que sabe, e se sabe, nunca mais ir ter emprego. Quando se preconizava trabalhar-se mais anos, um quinto da população pode ter que ficar inactivo até...herdar de alguém, ou esperar que um banco lhe dê um empurrão para criar o seu próprio emprego.

Hoje, soube-se de um prémio literário, do grupo Leya, no valor de cem mil euros, atribuido a um engenheiro de 38 anos, há dois anos desempregado. Dois anos que as empresas e sociedade dispensaram um homem e mais uns tantos milhares como ele, que podia ser uma mais valia, num país em que se sabe e preconiza a formação e a Universidade. Dois anos de frustração, agora interrompidos para este homem, que se pode tornar escritor, num país onde não se lê, e agora nem dinheiro há para livros e leituras. Dois anos que podem ser o resto da vida para muita gente. Porque nada disto funciona e se, um dia a Troika e austeridade resultar, já será tarde demais para muita gente válida, considerada desprezível por empresas (tantas delas sem qualquer valor que se veja mas com ordenados de dezenas de milhares para administradores sem nível ou valor).

Ainda que todo o nosso esforço dê resultados ao país, pelas reformas a que obriga, não chegará a ser alguma coisa para tanta e tanta gente de imenso valor, que este sistema e tantos Governos desprezaram e jogaram fora.

Chega! Chega, pois!

11.10.11

Quem somos, já? E que seremos, no futuro?

E se... tudo o que o Programa da Troika BCE+FMI+CE pretendem para Portugal e o actual Governo pretende cumprir, não resultar? Se os cortes na Despesa do Estado não forem já suficientes, por tardios? Se as receitas adicionais, a nosso custo doloroso e sangria, à custa da nossa asfixia e de perda de futuro para muitos de nós, não for suficiente? Mas se nos afundarmos mais e ...se António Barreto tiver razão? Que podemos já não ter condições para sermos um País, uma Nação Independente? Viveremos das directrizes e governação europeias? Viveremos do dinheiro de uma China sub-humana e criminosa, com um PIB per capita muito inferior ao nosso, mas um PIB total esmagador? Viveremos de uma Espanha tão ou mais falida do que nós, mas que nos absorve com a sua dimensão? E amanhã onde e para quem iremos trabalhar, para ter que rendimentos?

E se...toda esta austeridade imposta nos matar mais depressa? (sabemos da necessidade da austeridade no Estado, nos seus organismos e dos abusos e exageros e desvarios de privados, que à sombra desse Estado falido têm vivido).

Que futuro temos, nós que até já a Língua nos querem usurpar e destruir, envergonhando-nos com essa estúpida e inculta forma de português do Brasil?

Quem somos, já? E quem seremos, amanhã?

7.10.11

Comissão de Economia e Transportes e a chicana do PS


Parlamento de Vergonha. Na Comissão de Economia e Transportes, o PS decidiu brincar, gozar com or portugueses e fazer chicana de todos os presentes na mesma e de todos nós: O Ministro da Economia, por sua iniciativa, solicitou a presença da Comissão referida, para Apresentar o novo Plano Estratégico dos Transportes. O mesmo plano foi apreciado mas não votado em Conselho de Ministros. Como não foi ainda votado em sede de Governo, o mesmo plano não foi previamente enviado à AR. Mas o Ministros Santos Pereira tem com ele o Plano e pretende apresentá-lo e distribui-lo na AR, através da referida Comissão. Basílio Horta, o fascita que o PS colocou nas suas fileiras, é o chefe da chicana vergonhosa, e demagógica, que justificam apenas com a alteração de procedimentos que o Governo e o Ministro acharam por bem encetar. O PS, como sempre, vazio de tudo, de ideias, de princípios democráticos...no boicote e na demagogia, não se consegue adaptar a procedimentos democráticos, demonstrados pela atitude de apresentar e discutir um Plano, ainda antes de o votar em Conselho de Ministros. Continua o PS na senda da garotice sem nível que Sócrates estreou na vida política? Há mais de meia hora que estão a tentar iniciar os trabalhos da Comissão...mas que o PS pretende boicotar (por saber que se trata de um plano com valor para a reforma do nosso sistema de transportes!)
PS: tenham vergonha...e juízo!

6.10.11





Faleceu Steve Jobs! Um génio empresarial um ser humano único, pelo exemplo de lutador e vencedor em todos os planos e vertentes, na sua vida e empresa. Só a doença o venceu...
Perdemos todos um Homem que nos merece toda a admiração, consideração e respeito. Ainda que a esta distância do seu país e do seu meio, sinto-me chocado pela notícia. Nunca esquecerei Steve Jobs!

Estou chocado!

I'm Chocked!
Yesterday I've seen in Apple site the last Keynote, without Steve Jobs, but still within Steve's time in Apple. For a long time I admired a Man who's a unique example of personal fight against adversities, and a winner in all achievements a man would like to gain in a lifetime.
I'm from Portugal and at this distance I've always admired this Great Human Being, this business and market...

4.10.11

5 de Outubro

A 5 de Outubro de 1143, Portugal assinou o Tratado de Zamora, sendo reconhecido como Rei de um novo Reino: Portugal.

A de de Outubro de 1910 foi proclamada a República, em Lisboa, nos Paços do Concelho.

Qual das duas datas a mais relevante, para hoje sermos um povo, com estas fronteiras, estáveis há 868 anos, as mais antigas na Europa. Para sermos um povo com uma única Língua, unido e coeso, com território estável, em tempos bons ou de depressão social e convulsão.

Esta mesma Língua que um punhado de políticos, porventura com as mesmas 'luzes' dos que apagaram a história e a refizeram, ao ponto de nos esquecermos do dia da Independência de Portugal como Reino, que a tudo deu origem, agora pretende ofender e Vender a um país outrora nossa colónia e onde sempre se falou um português deficiente e nem sequer homogéneo.

Porque fazemos tábua rasa da nossa História?

Acordo Ortográfico. Uma Lei e Imposição para desobedecermos


Andam as escolas a 'impingir' o vergonhoso Acordo Ortográfico, fruto de uma provinciana cedência a ignorantes e prepotentes, supostos proprietários de um bem básica e fundacionalmente valioso demais para ser deixado, assim, ao desbarato e ao sabor de outras culturas, povos e países que mais não têm feito do que deteriorar a língua maior que lhes foi transmitida: Brasil à cabeça, com todos os defeitos de quem fala e escreve o pior português do mundo, e tem o direito de o fazer, se quiser, mas não o de impor essa falta de qualidade e essa mancha vergonhosa à nossa cultura.


Pois os professores das nossas crianças e jovens andam numa azáfama a pretender que os seus educandos usem uma nova, e péssima, e saloia e arrevesada, forma de português, nem homogéneo, nem consensual, antes mesmo do prazo que a estúpida Lei, prepotente e ridícula, que terei todo o prazer do mundo em desobedecer, diz ser de 2014, para ser oficial e ter força de Lei, nas escolas e no Estado. Mas nunca pelos portugueses, como gente normal.

A Resolução do Conselho de Ministros de 8 de Janeiro de 2011, determina a aplicação do Acordo Ortográfico no Ensino, a partir do ano lectivo, já iniciado, de 2011/2012, e nos organismos do Estado, a partir de Janeiro de 2012. Mas a adopção será gradual, tendo em vista a adaptação de manuais escolares e o seu período normal de seis anos, para renovação dos mesmos. 

Ora, tão ridícula é esta Lei (aprovada pela Assembleia da República em 1990) como esta Resolução de um Conselho de Ministros presidido por um ignorante da Língua, como o é o ciclo de seis anos de renovação de Manuais escolares, que devia ser de...Nunca! Os Manuais escolares, que aliás, abusam do epíteto de Manuais, pela denotada má qualidade e falta de condições e conteúdos, sérios e imparciais, que apresentam, não deviam ser renovados, repostos ou substituídos, nunca. Excepto quando uma alteração de conteúdo, por consequência de novas descobertas, históricas, científicas ou culturais o impusessem. Nem deviam ser, sequer, adquiridos pelas famílias. Mas antes, fornecidos pelas Escolas, e avaliados no final do ano lectivo, quando, então deviam ser substituídos os exemplares que não se apresentassem nas melhores condições de conservação. Como acontece na Suíça por exemplo.

Mas, voltando ao Acordo Ortográfico, cada dia se impõem a urgência de impedir a aplicação do mesmo, da Lei que o enquadra e da Resolução de ignorantes que o regulamenta. Cada dia se torna mais capital a desobediência generalizada a este absurdo criado por meia-dúzia de indivíduos, contra a vontade da esmagadora maioria dos portugueses. Todos os inquéritos e estudos realizados dão conta da oposição esmagadora dos portugueses, contra a vontade de uma minoria, com complexos políticos notórios e injustificáveis razões. 

Veja-se esta pérola do ridículo e Ofensivo Acordo:

‎" A secretaria está hoje doente, disse o chefe da secretaria. Eu ultimo a agenda, e você...secretaria? Seria uma solução. Seria e pratica. Pois, você quanto mais pratica melhor. Pratica e eficiente, ajuntou, pousando a pasta aos pés da secretaria. Incomodo? Nenhum, disse ela. Duvidas? Muitas, disse ele, e continuas. Ainda assim publicas...Sim, sem estimulo publico. E, claro, estimulo o publico. Mas sobre isto silencio." 
(extracto de texto publicado por Fernando Venâncio no Jornal de Letras)

Portugal precisa do AO? Para que a Língua Portuguesa se torne mais Universal? Como o afirmam os ridículos auto-idiotizados Carlos Reis e Malaca Casteleiro, arautos desta enormidade e ofensivo atentado à nossa Língua. Portugal não precisa deste Acordo para nada. Não foi com Acordo ou sem ele que a nossa Língua ganhou a importância e o lugar que hoje tem no mundo e na Cultura Universal. Nem com ele se tornará mais importante ou mais falada, escrita, ou melhor entendida. Regresse-se ao pequeno excerto acima e logo se entende a desnecessidade para além da evidente inconveniência.

Mas ainda que fosse possível justificar um tal Acordo, à luz da técnica da língua, da sua linguística mais progressiva e 'avançada', nunca o seria pela forma prepotente, e arrogante, como alguns (mal) pseudo-especialistas julgam poder impor um conjunto de normas e um novo código da língua, pelo lado Legislativo, sem saber o que pensa o povo que usa a Língua que ama, sem o ouvir e sem o respeitar (vide texto citado acima).

A maioria, ou todos os portugueses que conheço afirmam que nunca irão querer usar esta forma absurd de escrever a sua Língua. Ou que nunca a desejaram, ou que desobedecerão a qualquer Lei que imponha este Absurdo.

Atente-se noutras maravilhas desta estupidez:

Portugal Muda, com o AO: aceção, confecionar, dececionante, excecional, impercetível, indefetível, intercetar, invetiva, perceção, perentório, precetor, receção, rececionista, recetáculo, recetador, recetividade, recetivo, rutura.

No Brasil... mantêm-se as consoantes mudas de todas as palavras acima

Portugal quer mudar, com o AO: 
aspeto, afetuoso, cético, coletivo, conjetura, desafeto, detetável, dialeto, fação, fator, fraturar, infletir, inseto, objetivar, otimismo, perspetiva, respetivo, retângulo, retificar, sintático, suscetível, transato.

No Brasil, admitem-se todas as consoantes mudas, nas palavras acima.


Não acredito que os mesmos professors que tanto têm defendido a nossa Cultura e Língua, aceitem de ânimo leve e boa vontade adopter esta Ofensa à Cultura que nos tem mantido como o que somos, para bem ou para mal, mas com uma inquestionável riqueza lexica, que muitos nunca poderiam ter. A nossa Língua é o fruto de tudo o que nós fomos e somos, com a misceginzação cultural que vivemos e cultivámos. É única e bem mais rica, versatil e viva do que todas a outras no mundo mais faladas do que a nossa.

Não pode ser usurpada e ofendida por uma meia-dúzia de arrogantes, sem autoridade cultural ou política para o fazerem. Este assunto devia ter sido objecto de um Referendo, à séria, tão ou mais do que os outros que por cá se realizaram.

Pretende-se que este processo passé despercebido, no clima depressive em que nos encontramos. Mas não podemos permitir que este processo não regrida e a Lei seja revogada!




19.8.11

O Papa-deus

O Papa 'acusou' os ateus de se 'julgarem' deus. Não sabemos se a noticia e fiel as palavras de Bento XVI. Mas a serem, e ridículo da parte de um Papa, de uma Igreja que se julga com direitos teocraticos sobre os homens. Sobre todos nos, crentes ou ateus.

Esta mesma atitude e passível da critica mesma que o Papa pretende fazer, qual propaganda política a favor de uma religião tantas vezes abusadora de um poder que nunca devia ter possuído.

Por mim, o Papa que se fique na 'sua'. E que nos deixe sossegados na nossa serena e democrática convicção de que se inventou Deus e a Religião, qualquer delas, para esta confrangedora, mas perigosa, manipulação das nossas cabeças e dos nossos mais profundos medos, receios,p incertezas e angustias.

Nada de novo, afinal...

8.8.11

Um Verdade muito conveniente


Uma verdade extremamente importante:

"Há aqui uma potência muito poderosa, que lidera, e que lidera mal. Lidera mal uma Europa... Lidera lá uns interesses, uma visão de interesses pessoais, que, se calhar, também estão um bocadinho errados. Se não, vamos lá a ver: a maior parte das exportações alemãs são para a Europa, para a União Europeia. E, portanto, se eles contam resolver o problema deles deixando os outros numa situação muito debilitada, isso significa que não estão a resolver nada. E deixa-se a Europa à mercê do abutre de maior dimensão."  Diz João Duque, Presidente do ISEG.

Trabalhei em duas multinacionais alemãs. Não eram eles melhores do que nós por cá. Mas julgavam-se. E usavam da uma força e poder que lhes dava a natureza e a nacionalidade da sua empresa, também nossa, mas que eles não admitiam que o fosse, para impor Erros, atrás de Erros e opções ridículas, nem todas, óbvio (uma delas foi a minha grande escola profissional, aliás. Mas onde os erros de posicionamento de produtos, estratégias de marketing e vendas também foram evidentes. Rácios e rácios comparativos fecharam essa empresa em Portugal, entregando a gestão Ibérica a uma Espanha de profundos incompetentes e ignorantes do nosso mercado...) mas foram as 'filosofias' que agora se repetem, de 'nortes e suis' dissonanets e distantes, de Bons e competentes, contra maus e desorganizados, que levaram, como agora estão a levar a Europa, com esta visão de uns 'superiores', que de facto não são, mas apenas têm um país no centro de uma Europa, no centro dos mercados e um mercado interno com dimensão acima de qualquer mínimo viável, à aflência do Equilíbrio e...da VIABILIDADE deste Sistema. Não era possível, como eu tantas vezes o disse antes ainda de 2000, internamente nessa empresa, manter estas distâncias de poder de compra, e fazer-nos comprar os produtos (caros, bons mas caros), como eles pretendem, o país mais exportador do Mundo...nem será possível, mas temo que eles ainda não o tenham percebido. E este meu receio, ou temor, que comungo com vez mais Economistas e Políticos, poderá ser o vaticínio mais negro do Euro, e, espero que não, da Europa. A 'arrogância' germânica está a esconder uma profunda ignorância do que deve ser um Mercado comum equilibrado, onde a generalidade de todos nós têm poder de compra próximo e não este fosso que a nada leva.