Desenvolvimentos sociais assimétricos


O desenvolvimento, assumido como hoje o conhecemos e apelidamos, ou seja, numa base de avanço científico, tecnológico, social e (não consensualmente) humano, tem os seus maiores expoentes na chamada civilização ocidental. Este termo, de origem francesa, já de si tem sido alvo de intensa discussão ao longo do tempo. Tal como 'cultura'. Mas, de forma clássica e do senso comum, entenda-se como cultura e civilização as característica identificativas e diferenciadoras de um conjunto alargado de sociedades, com origens e pontos de 'encontro' múltiplos e persistentes no tempo.

Ora, perguntemo-nos porque razão este tal 'avanço' técnico-científico e social (etc) tem o seu epicentro nos países europeus e americanos (alguns, pelo menos). Porque razão, ou o que terá levado a que, a dado momento do desenvolvimento humano, se impuseram pela força e pela cultura estes países em que nos encontramos, do 'ocidente' e não em sociedades como alguma da Ásia, ou do Pacífico, por exemplo.
Sabemos, pela história narrada e documentada, que as armas e os microrganismos conduziram à subjugação ou à extinção de sociedades ou civilizações bem antigas e algumas bem desenvolvidas, à época, como as pré-colombianas ou algumas das africanas ou asiáticas (Egipto antigo e Suméria - Mesopotâmia, a civilização do Crescente Fértil, localizada entre Tigre e Eufrates.
Sabemos que a nossa cultura, religião, artes, organização política e forma de vida foi exportada, por imposição para outras e, no final, todas as partes do planeta, pelo bem e pelo mal. Mas porque não se deu esse momento noutros locais e noutras civilizações? Porque não foram os Maori e Moriori ou os Polinésios, em termos gerais, os arautos do desenvolvimento e da expansão civilizacional?
É claro que neste caso concreto a localização e a descontinuidade geográfica impuseram-se de forma natural como barreiras a tal expansão e constituição de hegemonias.
Mas os Asiáticos, não são hoje tidos como mais antigos no estabelecimento de uma civilização e culturas bem sólidas e características? Ou não teriam e não tiverem durante muitos séculos esse pendor imperialista e expansionista que hoje se lhes pode imputar? E porque não o tiveram antes?
Um povo ou uma civilização ganham hegemonia e universalidade quando dominam um conhecimento ou tecnologia que se vê como importante e decisivo, numa dada época, para muitos outros povos e áreas geográficas. Talvez isto seja parte da resposta. Mas ainda assim insuficiente, para explicar, ao menos e no limite, como tem um povo essa capacidade e não a tem um outro, noutro local bem diverso.
Portugueses e espanhóis dominaram o mundo numa época em que o domínio da navegação marítima era a solução para os problemas de expansão e necessidades económicas de culturas e países que já não encontravam nos seus territórios, os bens fundamentais ao seu crescimento, ou mesmo subsistência. Alguns séculos mais tarde a descoberta da máquina a vapor veio introduzir um novo factor de desenvolvimento, numa época também ela, de necessidade absoluta de crescimento social e económico.
Em épocas de estrangulamento económico ou social, há tendência para surgir uma nova tecnologia que permite a quem a descobre e/ou a quem a desenvolve uma hegemonia e um domínio sobre os outros, sobre os que não detêm tal conhecimento. A era da informática e iniciou-se nos países anglófonos, mas hoje o seu domínio e desenvolvimento está a deslocar-se para oriente. Por isso mesmo nesses países o desenvolvimento conhece tempos nunca antes vistos e a ameaça, seja ela bem vista ou não aos nossos fracos olhos de ocidentais, de uma nova hegemonia está cada dia mais presente.
Mas falta ainda um novo paradigma em tais países e esse é o do desenvolvimento humano, mais do que o social, que permita outras formas de vida e organização política e que a justiça tenha outra face, e as economias individuais e domésticas sejam bem mais próximas das que conhecemos a ocidente. Sem isso, bem podem os orientais crescer e impor-se economicamente, que a sua hegemonia jamais se construirá.
E nós portugueses que vimos desaparecer esses dias de grande universalidade e importância à escala mundial e hoje crescemos na desorientação do que somos e do que viremos a ser?
Chegaremos nós a descobrir uma nova tecnologia ou conhecimento científico que se torne importante e imprescindível para este mundo globalizado (no início 'americanizado' mas agora mais 'orientalizado', pouco a pouco)?·

Como uma Finlândia conseguiu com as telecomunicações móveis? Mas ...e com este nível educacional que reconhecemos tão baixo, chegaremos algum dia lá?

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