29.7.06

Maria João Pires e os socialistas



Maria João Pires. Indiscutivelmente a nossa maior artista, na música clássica, desde há muitos anos, talvez mesmo a mais reputada desde Vianna da Motta.

A ida de Pires para o Brasil sugere-me dois pensamentos: indignação e um sentimento de indisfarçável satisfação (embora me possam acusar de ser uma satisfação um pouco cínica).

Indignação porque Maria João Pires é, de facto um enorme, um imenso nome da música clássica mundial. É uma das melhores pianistas internacionais, numa área cultural em que não abundam grandes nomes do nosso país. É uma das artistas que mais admiro e admirarei. E já por diversas vezes confessei a minha paixão pela música clássica. Que vive comigo todos os dias, em casa, no carro, num hotel (em formatos, hoje, mais modernos como mp3, iPOD, etc.).

Maria João Pires tem uma forma muito inspirada de interpretar, magistral, própria apenas de génios.

A sua partida para o Brasil, num óbvio divórcio com a política deste Governo- só não assumida pela sua declarada simpatia com o PS, deixa-me pleno de tristeza, de frustração, de indignação. Um país com um tão pobre panorama musical deve acarinhar artistas de tão gigante valor. Maria João Pires poderia ser comparada, neste tempo em que vivemos a uma Clara Schumann do século XX. Sem exagero. Apenas com a diferença de esta ter também composto algumas obras, mesmo assim, pouco conhecidas. Mas Pires teve e tem o mérito, não menor, de ter iniciado um projecto artístico absolutamente imenso, fantástico e único, mesmo a nível internacional.

O Governo Sócrates mais uma vez não sabe dar valor a quem o tem, nem mostrar reconhecimento. Já Guterres o havia feito e provocado a mesma indignação em Maria João Pires.

Mas este facto também me traz uma mórbida satisfação: a de verificar que, numa altura em que Prado Coelho ofende Rui Rio, no seu último artigo no público, apelidando-o de saloio intelectual, por este ter tomado uma acertada decisão, quanto ao destino do Rivoli do Porto, uma sua confrade e amiga de partido se afasta da orientação do pertido comum a ambos. Mesmo que Maria João Pires não o assuma, por pura solidariedade intelectual, política e partidária.

Prado Coelho, também ele declarada e tão fanaticamente socialista (tanto quanto os iranianos são, de forma cega, pelo Ayatollah Khamenei, agride Rio pela sua decisão, confirmando, assim a sua visão errada de uma política cultural fora de tempo: a de o Estado ser, ou ter de ser um bastião da cultura. Mas Prado Coelho, tal como todos nós lê - e gosta de ler, obviamente por livros editados por…privados. Em toda a Europa, em todo o mundo é normal teatros, e outras salas de espectáculos serem propriedade de privados. Em Portugal também: um seu amigo socialista, também, é proprietário de uma sala em pleno coração de Lisboa: o Politeama, de La Féria…

Esta mesma visão tem Maria João Pires: Cabe ao Estado apoiar a cultura. E é verdade, mas só parcialmente, e cada vez menos. Pois o Estado, hoje, fruto de uma política propagandística - quase Salazarista - do PS, a cultura é demasiado, asfixiantemente, politizada. E cultura e política não se deveriam confundir assim tanto, tal como defende. Prado Coelho e Maria João Pires, precisamente.

Pires foi para o Brasil. Mais uns nove milhões de portugueses gostariam de ir atrás… e deixar este PS aqui, sozinho…

Pires vai obviamente construir no Brasil o que aqui não poude fazer, pois lá terá a tal política de subsídio, do seu amigo Gilberto Gil, que comunga da mesma visão do Século passado.
Isto não retira nada ao mérito e à qualidade do projecto de Pires, e muito menos à sua excelência artística.

É a fuga de uma grande senhora, uma enorme artista, uma pessoa superiormente inteligente. A fuga desta mediocridade nojenta em que subsistimos, por culpa de PS's, de PSD's e de um povo ignorante, mas sem culpa prórpia,  todos demasiado instalados num marasmo doentio. É a fuga onde tudo o que tem valor acaba por mirrar, se chegou a germinar. Apenas porque orgulhositos caseiros e pessoais, como o da Ministra da (in) Cultura e da de José Sócrates, esse amanuensse demérito...

É um dia triste e de mais uma vergonha nacional este da notícia da saída de Pires...

...mas é bom não confundirmos tudo.

 Posted by Picasa

25.7.06

PSD e PS: qual o pior?

Com um PS tão mau, tão fraco de inteligentsia e de honestidade até devia parecer fácil ser oposição...mas com um PSD ausente, desmotivado... não há nada que 'nos acuda' (só o BE????).

A pergunta não é: qual o melhor paar nos governar e tirar desta m... lama

A pergunta é: quem ganha em mdeiocridade...

Vão lá de férias a ver se Espanha, em Setembro já comprou mais uma 'golden share' de Portugal...

Rectificação sem grande importância

Enganei-me quando escrevi que "The Eight" não havia sido publicado em português. Fui dar om um exemplar único do segundo volume, da nossa estimada editora Europa-América. Que por ter vendido pouco, não se interrogou porquê... e não reeditou. Um exemplar sujo, amarelado, no El Corte Inglês, com uma capa que até dá orgulho às Edições Paulistas, pelas obras de arte que vendia... (as capas vendem livros!)

Mas isto não tem relevância, pois ninguém deu por nada e o livro em português morreu mesmo. No Reino Unido continua nos primeiros lugares a vender e vender..( vender é negócio, senhores editores, que deixam esgotar livros, de autores portugueses consagrados e outros, internacionais, também: já tentaram procurar um Steinbeck ou um Dos Passos, por exemplo...com capa decente e sem cheiro a mofo?). Mas temos a "Livros do Brasil" que merecemos.

Há uns anos, quando a Margaret Atwood ganhou o Booker Prize (com The Blid Assassin) a Livros do Brasil pedia (em escudos ainda) € 20,00 (!!), por uma coisa daquelas com capa horrorosa e a 'crescer' para os lados, mal cortada...

Enviei um mail, a referir a afronta, como leitor, perdão, comprador e... ignoraram-me. Por que em Portugal, uma edição ganha já dificilmente passa para oura editora e, por isso, podem produzi-la mal e cara porque a mantêm no seu catálogo, mesmo não reeditando.

Mas se os livros fossem importantes...este post podia ter interesse, o que não é o caso, neste país.

Leiam!

22.7.06

The Eight



The Eight. Katherine Neville. Em Portugal a actividade editorial rege-se por critérios muito estranhos e díspares, em compararão com outros tantos países, desde logo os mais fortes neste mercado "das letras", como a Alemanha na frente e também o Reino Unido e a França. Em todos estes países, e ainda em Espanha os critérios dos editores não são apenas os que pautaram os lançamentos de livros como os de Dan Brown- um escritor entre o fraco e o mediano, mas com bons ingredientes de sucesso - ou a série de Harry Potter- que teve o condão de por muita gente miúda a ler. Mas em todos os países mencionados é impressionante a actividade das editoras, que publicam tudo, de bom e de mau, ou seja, para todos os gostos (que os há bons e maus...). E, assim, perde-se, em Portugal, ou chega-se sempre mais tarde, por vezes muito tarde, a oportunidade de ler livros bons, ou interessantes, ou de escritores de grande mérito, ou mesmo excelentes, escritores ou livros. Há uns anos, por altura da atribuição do prémio Nobel a Günter Grass, procurei um livro dele muito bom, "O Tambor", de 1956, já publicado há muitos anos, se não me equivoco, pelo Círculo de Leitores e outra editora, que não consigo precisar qual. Nessa altura, como em qualquer ocasião de atribuição de prémios literários importantes (Nobel, Man Booker, National Book Award, Pulitzer, Planeta, etc.) teria sido boa oportunidade reeditar os livros todos de Grass. Mas tal não sucedeu e enviei um email para várias editoras, lembrando, ao qual nenhuma me respondeu... E ainda hoje esse livro de Grass não voltou a aparecer em português. Tal como muitos outros, clássicos da nossa excelente literatura portuguesa, aliás, há tanto esgotados. Hoje venho aqui referir um outro livro, The Eight, de Katherine Neville, do qual me falaram em Espanha e de qual autora já há um outro publicado em português, pelas edições 70, "o Círculo Mágico". Os títulos dos livros de Neville podem não ser os melhores, podem entrar um pouco, ou muito, por essa moda ou exagerada tendência actual de escrever, e publicar, sobre sociedades secretas, casos insólitos, escândalos... mas asseguro-lhes que The Eight é um bom livro, na senda de "A sombra do vento" de Carlos Ruiz Zafón (este talvez mais literatura, de mais qualidade). The Eight � um bom livro para as férias, mas � muito superior aos Dan Browns (que já li também, mesmo antes de publicados por cá). The Eight só está acessível em Inglês, por enquanto mas vale a pena aventurarmo-nos por ele dentro e fazer do tempo de férias algo mais estimulante também, pelo menos com aquela vontade de andar sempre com o livro, de o levar para todo o lado, de sentir um impulso para chegar � noite e nos deitarmos a ler até chegar o "ardume" aos olhos... The Eight � um livro inteligente, bem escrito (mesmo sem ser um Auster, ou McEwan, Cunningham, Clémente, Rushdie ou Coetzee, etc). Vale mais lê-lo do que a dez Dan Brown. É só ir a uma Fnac ou Buchholz, por exemplo. Boa leitura!
Posted by Picasa

11.7.06

Marasmo

Passado o Mundial de 2006 (e eu, de facto, nem sou um habitual apreciador, ou um "entendido" em futebol) sente-se, de novo o regresso à nossa afamada letargia... ou o nosso Marasmo.

Já em Julho, entrar-se-á gradual e de forma crescente, em período de férias do país. De todo o país.

Se juntarmos os habituais dois meses mais típicos de férias a um mês de futebol, quase diariamente vivido e sentido, ou ainda, para onde muitas das nossas energias, pensamentos ou preocupações se dirigiram, temos três meses de pouca ou quase nenhuma actividade...

Pode Portugal dar-se a um luxo destes?

Em Setembro estaremos em rescaldo e me choque. Em rescaldo de férias. Ainda de "Mundial" e de "Scolari fica-não fica-quem será a selecção-sem-Figo e Pauleta... Depois virá o choque: o das contas públicas a resvalar de novo. O da economia a persistir no marasmo, na inércia negativa...

Em Setembro queria regressar a um país cm novidades: na educação, principalmente, na cultura...o resto virá sempre, tarde ou cedo.

Tratemos da nossa desgraçada educação, estimulando os nossos jovens, mas sem fazermos das escolas espaços de discussão democrárica. De liberdade e respeito sim, mas de enterna e estéril discussão não.

Terminenos com Conselhos directivos. Precisam-se de Directores/reitores, nas escolas. Mas também urge uma prática de incentivo ao prazer pela apredizagem, pelo conhecimento, pelo estímulo à critavividader, com menos volume e peso de "matéria" e mais criação!

A cultura tem de deixar de ser um sector de lobbies, de amiguitos... a cultura é, por natureza, universal! Ninguém pode amarrar a cultura a uma esquerda, inculta muitas vezes, e reaccionária e conservadora, frequentemente. Nem a uma direita "pirosa"...

Não pode haver lobbies e amiguinhos, nem complexos na cultura.

Em Setembro, após o marasmo, será tempo de recomeço de muita coisa nunca feita...

9.7.06

Do mal o menos...

Ao menos passou a selecção, entre ladrões, que menos merecia perder. Porque mereciam perder as duas que hoje jogaram.

Mas confirma-se que nenhuma delas jogou futebol neste Mundial. E ambas roubaram, no sentido em que eliminaram adversários de mais qualidade, superiores, com baixos golpes ajudadas por árbitros corruptos num ambiente de uma corrupta FIFA.

E que dizer de um animal que agride um atleta advsário, derrubando-o com uma cabeçada? um tal de Zidane, que dizem ser um grande jogador... tem-se visto... de arrogância talvez...

E que dirão os idiotas dos violentos ingleses, que sempre se pautaram por violência em toda a sua história? Que dirão eles agora, para tentar manchar os nossos jogadores, nomeadamente o Cristiano Ronaldo e, assim, tentar esquecer outra besta de nome Rooney? Deviam fazer uma selecção de animais, tipo: Rooney, Zidane, Del Piero...e uma mão cheia de holandeses. E por um tal de russo a arbitrar...

Era giro.

O Mundial terminou antes da final oficial

Como a FIFA fez, como fizeram a França e a Itália já nem me interessa. Mas que se conseguiu, uma vez mais, levar à final Mundial de Futebol de 2006, duas das piores selecções que jogaram na Alemanha, lá isso é verdade. Ou, melhor, nem sei se é verdade, mas é a minha opinião, e como nunca pretendi ser imparcial, nestes temas - isso fica bem a profissionais de futebol e a pro-profissionais - dou apenas a minha parcial opinião. E como só esporadicamente ,me interesse por futebol, é a opinião de um candidato a amador. Mas será, permitam-me uma opinião, como o valor que tem e tão só isso.

Duas das melhores selecções jogaram ontem, para, oficialmente, disputarem o terceiro lugar. Essa foi, para mim, a verdadeira final, por serem as melhores selecções. E como Portugal até jogou melhor do que a Alemanha, então somos segundos no Mundial e a Alemanha, que foi mais eficaz e marcou dois golos (não sei porque contam com os auto golos...) mesmo tendo jogado pior do que nós.

O que faz de Portugal... a melhor selecção do Mundial de 2006!!!

O jogo de hoje, desmerecidamente para disputar o primeiro e o segundo lugares, mas, afinal, apenas merecendo o terceiro e o quarto lugares, e já esforçadamente, por terem passado eliminatórias incorrecta e injustamente, como a Itália com a Austrália com uma grande penalidade roubada e a França tendo feito o mesmo com Portugal... duas das selecções que pior jogam e jogaram o Mundial...

... o Mundial terminou ontem, para mim!

Viva Portugal e o seu merecido título não-oficial de Vice-campeão!