"Portugal no seu melhor"

Portugal é reconhecido como um dos países mais atrasados (económica, social e culturalmente) da União Europeia (antes e depois do último alargamento aos países de Leste).

Portugal é o país que mais necessita de fazer um esforço para se aproximar do patamar de desenvolvimento dos seus parceiros e concorrentes europeus.

No pós guerra (Segunda Guerra Mundial) diversos países, mais directamente envolvidos ficaram com o seus tecidos económicos e sociais destruídos, ou bastante danificados (com excepção de algumas indústrias directamente ligadas ao esforço de guerra). Foi o caso da Alemanha, da França do Reino Unido e da Itália e, ainda - embora de forma distinta e a ritmo muito inferior e, principalmente, com objectivos e pressupostos diferentes- os países de Leste, para além da Cortina de Ferro.

O enorme esforço de reconstrução é, hoje ainda, o pilar de grande parte da economia industrial dos países mais envolvidos naquela guerra absurda. Os padrões de comportamento laboral ficaram indelevelmente marcados naquelas sociedades.

Em muitos desses países o sentido de nacionalidade é tão forte que ainda actualmente pode por em risco grandes reformas como a entrada em vigor do Tratado Constitucional Europeu, levando a situações como a que, presentemente, se assiste em França com o referendo sore aquele Tratado.

Quando alguma coisa está em causa na defesa de interesses nacionais, enconómicos ou outros, assiste-se, nos países mencionados, e pode-se acrescentar a Espanha a essa lista a verdadeiras movimentações nacionais. A reais manifestações de nacionalismo.

O nacionalismo tem muitos defeitos, mas também algumas virtudes: impede ou retarda um desenvolvimento em comunidade, para além das fonteiras do país em causa mas permite, também, um sentimento de união e de luta pelos interesses nacionais.

Portugal é dos países com mais elevado número de Feriados, religiosos ou políticos. Uns e outros, em muitos casos ideologicamente opostos (feriados religiosos e outros de inspiração mais marxista até).

Portugal é também dos países com mais elevado absentismo, associado à mais baixa produtividade no contexto da União Europeia.

Ontem foi feriado de Corpo de Deus. Um dos dias religiosos mais significativos do calendãrio cristão. Mas portugal não é um país totalmente cristão. E mesmo sendo-o maioritariamente, a prática religiosa é apanágio de não muitos portugueses.

Os feriados como o de ontem são frequentemente utilizados para as fugas tradiconais para as regiões de praia, ou para visitas à terra.

Os feriados como o de ontem não têm a utilidade religiosa pretendida. Mas também não têm outra qualquer utilidade. (excepto a louvável recuperação de energias... de que também não sou adversário).

Mas agora pergunto: no actual contexto nacional, de crescente miséria social e económica, não deveríamos encarar estes feriados de outra forma? Não os aproveitando de forma perfeitamente instituída e automatica?

Dispensarmo-nos de fazer feriado e ainda pior, ponte, não seria mais proveitoso e louvável, porque mais contributivo para uma luta nacional por uma melhor produtividade?

O exemplo dos países que há sessenta anos sofreram a Guerra não deveria ser, para nós todos, algo que nos levasse a questionarmo-nos sobre esta nossa atitude nacional conjunta, de falta de sentido de luta nacionalista?

Ouvi um representante de um sindicato da Função Pública mostrar-se indignado com a eventual perda de previlégios da classe. Mas a garantia de emprego, por si só, associada à mais baixa produtividade de todo o tecido laboral português, não é um previlégio suficiente?

Dizer que a perda das regalias de assistência na saúde é colocar os funcinários públicos em desvantagem em relação aos privados, porque a maiorias das empresas tem um sistema de assistência médica para os seus funcionários- o que uma declarada mentira, quando o problema número um do Estado é precisamente o custo das remunerações dos seus colaboradores... é de uma irresponsabilidade atroz!

Na Alemanha, por diversas vezes os trabalhadores de diversos sectores, nomeadamente metalúrgicos sacrificam aumentos salariais e até aceitam perder relagias sociais, para assegurarem a manutenção do seu trabalho e a sobrevivência das suas empreas e do sector em que se inserem...

Quando mudamos a nossa atitude colectiva?

Mas numa coisa dou razão aos sindicatos e a muitos portugueses anónimos: a classe política não dá bons exemplos ainda suficientes (quando vamos saber da perda de regalias pelos actuais Deputados, membros do Governo e da Adminstração local? Quanto nos custam essas mordomias??? Continuamos a aguardar, já que sobre as anunciadas não sabemos se são para os futuros políticos ou se têm efeitos retroactvos...) e muito menos as gestores, ou empresários, que, hoje, por exemplo estão de ponte...

Uma boa ponte, para quem a faz!

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