30.12.04

Uma correria sem sentido

 Posted by Hello


Digam-me lá se isto faz algum sentido. Um ano termina e vem logo outro, coladinho, a querer ocupar-lhe o lugar, quase sobre os restos mortais do anterior, ainda com o corpo a arrefecer?

Tem isto algum jeito?

No minuto seguinte ao término de um ano, inicia-se logo, sem pausas, sem respiração, o ano que se lhe deve seguir. Quanto a dever um seguir o anterior, de acordo. Mas, assim, deselegantemente, sobre a última expiração do ano anterior?

Não acho nada bem.

Então não devia haver uma pausa qualquer, tipo- já que isto tem de se medir em dias, e os dias em semanas, digamos umas duas semanas ou, no mínimo, uns dez diazitos. Bolas, era o mínimo. Por respeito...

E fazia sentido, lá está. Há tantos sapatos velhos para arrumar, roupas para substituir e retirar para fora as velhas, livros que estão fora de uma ordem lógica nas estantes, gente que deve ser visitada- "ao menos uma vez no ano", aliás este "ao menos uma vez e uma vez é melhor do que nada" aplica-se a tanta coisa... (até chateia!)

Há... simplesmente uma pausa, que se impõe, ou deveria...uma pausa respiratória.
Agora assim...espalmadinhos, um junto, tão junto ao outro...esquisito, não? E apertado!

Por respeito...

Assim, não gosto disto. Não, não... não é nada elegante...

Aproveitem...e num segundo, um milésimo, ou mais cientificamente, um nanosegundo saboreiem o Ano Novo, que vos desejo, principalmente aos que não me visitam (esperem lá...como é isto???)

Que vos salte a tampa ( a rolha!- dedico esta a um amigo) a todos!

29.12.04

Silêncio

 Posted by Hello

Jozef Stefanka

Saíam uns sons, arrumados, espalmados pelas cordas do seu violoncelo francês. Eram notas afinadas e não sons sem cor alguma. Um choro de música, que lhe saía sem controlo seu. Se se balançava ao ritmo da música de Dvorák, a que tanto gostava de dar vida, ouvia-se outro som, ruído. Rangido de madeira velha. Seca e velha, como ele já se ia sentindo, do desgosto. Tocava só, tão só como aquele choro de Dvorák. Os dois lamentavam-se e iam seguindo juntos. Agora, porém surgia uma outra coisa, um outro ruído. Quase se irritava, mas nem teve tempo, pois já a porta se abria, como se alguma vez se tivesse fechado de verdade. A sombra que, disforme se esticava naquele soalho antigo e gasto era inesperada, porque diminuta. Pelo menos assim lhe parecia, ou era do transe sempre que lhe induzia que interpretava.
Penetrando no silêncio súbito que se fez no seu quarto, uma linda menina de pele branca e cabelo dourado, provocou-lhe um quase calafrio. Não pelo que a rapariga podia representar, mas porque algo lhe recordava, e isso vinha de muito, muito distante. No tempo.
Num lapso insensível de recordação, uma imagem da sua Praga tão distante. Tão recuada no tempo. Seriam já quantos anos? E quem era essa menina, que tal reflexo indesejado lhe havia provocado?
"Desculpe, assustei-o? Incomodo?" Que nada disso. Era não sabia o quê. Talvez só do transe interrompido. "Entre. Entra!" Quase seco e brusco, do que, no mesmo instante, se arrependeu. Um professor de música tem sempre de ser mais condescendente com crianças. Firme mas sem impulsividade.
"Posso entrar, ou venho mais tarde? O senhor é o professor Vlada, não é?" Sem resposta, dado ainda o relativo choque causado pela entrada súbita, ela prosseguiu. "Disseram-me lá em baixo, uma senhora, que o senhor estava aqui, no quarto andar."
"Sou, mas não recebo aqui ninguém...normalmente. Porque vens aqui, como te chamas" Agora queria perguntar tudo sem parar, procurando um ponto de apoio, nas palavras, continuava com a mesma estranha sensação. Já a tinha visto? "És minha aluna? Como sabias onde moro?" Quem te mandou aqui? Como te chamas"
" Aproxima-te, sem deixar a miúda dizer nada, ia continuando, aos impulsos, uma pergunta seguia outra. "Espera, parece que te vi já..." Mas a rapariga conseguiu dizer "s... Anabel, a minha mãe..." E foi interrompida. "Interrompeste a minha música, porque vens aqui? Aqui estou sempre só. Eu e essa velha louca, lá em baixo, no primeiro piso."
"Deixe-me explicar, por favor. A minha mãe, escreveu-me, ela está em França, toca numa orquestra em Lion. Ela mandou-me aqui, eu vivo com uma tia. Que não é minha tia. Ela, quero dizer a minha mãe, escreveu à tia, para eu vir aqui, ter aulas consigo"
"Tens quantos anos, Anabel, dizes tu que é o teu nome?"
"Onze anos, professor. Mas se quer, eu vou já..."
"Espera..." Onze anos. Tantos quantos a sua esquecida saída, fuga, aliás, do seu país...Anabel? Seria...? Impossível...
Tremia de se lembrar. Anabel viu-o assim, e assustou-se. Estava doente? Que lhe estava a acontecer?
À próxima tentativa de pergunta...saiu a correr e desceu sem mais nada lhe dizer. Uma vez tinha visto um velhinho ser atropelado, e morrer em frente aos seus olhos...Tinha de sair dali.
O professor Vlada estava suspenso. Seria...? Tudo, subitamente, parecia passar-lhe como um filme estranho, assustador. O ruído esmagador dos tanques russos, tiros, fumo, toda a gente a fugir, desordenadamente... Ele, perdido da sua família, só gritava pelo nome da sua mulher, grávida, sem poder fugir como os outros. Mas ele não conseguia chegar a casa... e teria de fugir também. Os russos não lhe perdoariam as conspirações, as reuniões clandestinas de intelectuais, do melhor que Praga tinha, naquele tempo. Anabel?
Não podia ser...

Anabel. Lá estava. Tudo numa enorme confusão. Que havia acontecido? "Caíu como se fosse de cartão..." Ouvia dizer "que aconteceu, perguntava ela" Miúda não devias estar aqui tão perto é perigoso, ainda pode cair o resto."
"Em Lisboa é assim, está tudo velho, a cair. Eles deixam tudo abandonado. E morre gente, dizia um homem de ar irritado, ali ao seu lado" Merda de políticos, repetia.
"Mas... ontem estiva lá dentro. Com o professor que lá vive, o senhor Vla...sabe onde ele está?"
"Oh minha linda...tu conhecias o velho?" Aquela velhota ali diz que ele estava lá, quando o prédio caiu! Tu conheci...? Já ela tinha fugido...nem via bem o caminho, os olhos enchiam-se de lágrimas, a tia havia-lhe contado, do seu pai, de ser músico, de se chamar...
Correr. Correr...

A brutalidade, do tempo, do estrondo do tempo. Como em Praga, também em Lisboa.

28.12.04

O mundo dos pobres e o mundo liderante

Uma parte do mundo, auto-consagrada como a parte liderante, continua a querer, porque achar dever e porque, de facto, pode determinar a vida na(s) outra(s) parte(s).
Com a devida vénia recomendo este post do Pura Economia, fazendo referência ao blogue Becker-Posner...

...sem mais comentários
Nem consigo imaginar as horas de dor e enorme vazio, a tremenda solidão, que sentem todos aqueles que, no recente sismo na Ásia perderam ou se perderam de entes queridos, família e amigos.
Calcule-se os sentimentos de pânico de quantos se encontram vivos tentando procurar os seus mais queridos, sem nada saber, muitas vezes tratando-se de filhos menores, perdidos... e isso já é algo, nestas circunstâncias, bem animador, se pensarmos na alternativa... a de não estarem perdidos, e não se saber deles... Posted by Hello

27.12.04

A Cultura de Dietrich Schwanitz

 Posted by Hello


Faleceu a 22 de Dezembro.

O alemão que publicou um dos grandes sucessos editorial ensaístico na Europa, foi encontrado morto no seu apartamento em Hartheim. Schwanitz alertou a nossa atenção, ou antes a nossa desantenção, para problemas da educação, da cultura, desmistificando-os, ainda que de um ponto de vista fundamentalmente germânico, mas mesmo assim alertando os alemães, mais do que todos os outros, para os nossos preconceitos e complexos, tanto como a nossa ignorância...

Numa obra informativa, pedagógica, eloquente- Cultura, tudo o que é preciso saber (Bilgdung, was man wissen muss), Schwanitz oferece.nos uma longa mas não fastidiosa viagem pela Cultura Ocidental, desde a Grécia Antiga aos nossos dias.

Um livro inteligentemente escrito, com um título que nos deixa ou intrigados ou nos transmite uma ideia enganadora das inteções do seu autor.

Recomendável!

23.12.04

Mais contos para este Natal

Li alguns contos, e contos dentro de contos...

Como este e este da Vieira do Mar. Como sempre imperdível!

E ainda este, original, do Espumante.

À falta de inspiração... recomendo quem é melhor do que eu.

Mais 'Feliz Natal'

22.12.04

O Natal é um conto de encantar

Sempre gostei de contos de Natal. Pelo Natal. Gostei, nesta fase de infância muito tardia, particularmente, das delícias que este, saído do Guarda-Factos me proporcionou.
Da minha janela podia ver, ao fim da tarde, uma rua deserta e fria recuando da sua actividade frenética habitual, perante o avanço de uma noite que se adivinhava ainda mais gélida.

Atrás das nuas e dormentes árvores podia admirar, lá ao fundo uma mancha de sol que se refastelava, por efémeros minutos sobre a torre da igreja, dando-lhe mais motivos para se envaidecer da sua reconhecida beleza.

O tempo parecia que parava à espera...

À espera do tempo da paragem anual. Do Natal.

Tudo parecia, ali, longe do rebuliço das lojas e centros comerciais, parar... suspender-se, como se não houvesse que fazer nada mais, senão esperar.

Momentos de paragem e de nostalgia. Tudo parado para nos dar tempo de recordar. Outros tempos. De há muitos anos. Em que o Natal era de ansiedade e expectativa, pelo dia de todas as alegrias. Pelas prendas, pelos dias em família, no quente e protector espaço do lar.

Aquela luz alaranjada sobre a torre lá ao fundo deu-me vontade de parar, também. De regressar a casa, a um espaço morno, de lareira, e vivo, da actividade das crianças.

Mas, mais do que parar por uns minutos ou umas horas, deu-me imensa vontade de parar e deixar este tempo fluir. Até à renovação que vem com esta paragem do tempo. Com este tempo ao retardador. Esperar. Apenas. Por um tempo novo. Um ano novo. E tudo recomeçar!

A todos os que me lêem. Que parem por um tempo. Uma fracção de tempo e que se deixem levar, podendo saborear um Natal e um recomeço de Ano Novo.

Feliz Natal!
Vamos fazer de 2005 um Ano Fantástico! Posted by Hello

17.12.04

É Natal! É outra vez Natal. Para mim e para muitos "cotas", desde o Natal "de há dias", o de 2003 e este tudo se passou como se alguém puxasse pelo tempo, porque este tempo não é, não tem sido dos melhores. Mas para as crianças, se todos nos lembrarmos de quando éramos pequeninos, o tempo é de outra relatividade. Não voa ainda. Até, por vezes, lhes custa a passar. Quando não estão ocupados, suficientemente. Agora, por estes dias, ainda mais lhes custa a passar. A uns porque nunca mais parece chegarem as férias. A outros, mais pequeninos, porque o tempo da grande festa, de estar em casa, em família, com todas as tradições deste tempo, as doçarias, as visitas anuais de amigos e família e, claro as músicas de Natal! É deste Natal musical que vinha falar. Mas, muito melhor do que falar é ouvi-la. E, sendo suspeito, por ter ligações ao projecto, venho propor-çhes um excelente e mágico concerto no Teatro São Luiz, no próximo Domingo, dezanove. Mesmo a tempo! De ouvir e deixar-se inebriar, com encantamento, por estas maravilhosas crianças, que muitos ao ouvir, nem acreditam de crianças se tratarem. São artistas de palmo e meio. São jovens e crianças que contagiam com a sua arte. Verdadeira arte. E cheia de música. É ir e encantar-se! Posted by Hello

16.12.04

O tal 'rapazinho'

O (grande, dizem... ahaha) tribuno, que não tendo nada de próximo com o da antiga Grécia, excepto no nome, disse: “...Santana e Portas não fizeram um casamento. É meramente uma união de facto...” ...ou de como se, não se tem telhados de vidro, arranja-se...

Ele que espere... hão-de falar dele. Até já me vêm as lágrimas, entre a tristeza que nos espera com tal 'tribuno' e o que se prepara para fazer ao país.

Como dizia Sampaio? Que o país não pode esperar mais? Não se aguenta mais?
Pois... então deêm-lhe um Sócrates... Triste país! (isto é plágio, eu sei), tristes de nós.

Lá vamos a entrar no tunel... por muiiiiiito tempo. Demasiado. A não ser que o PR dissolva o próximo Governo, se for Socialista, usando dos mesmos critérios que agora usou... Isto é, dissolver Governos incompetentes!

10.12.04

A vida num tunel imenso... terá fim o tunel?

Finalmente Sampaio explicou-se. Pensa ele, do alto da sua arrogância, que ‘aquilo’ foi uma explicação. Não disse nada de novo, nada que não se adivinhasse, vindo de um socialista, que nunca abandonou os seus complexos políticos.

No seu tom grave (ou seria mais, arrogante?) habitual, tentou demonstrar que toda esta crise política foi da responsabilidade do Governo.

No tocante ao estilo de Santana Lopes, não me é nada difícil aceitar a argumentação do todo-poderoso-supostamente-imparcial Sampaio. De facto, todos estamos fartos, e eu pelo menos, substancialmente saturado, das trapalhadas e imaturidades do PSL.

Mas... é tudo tão convenientemente oportuno. O PS mudou de liderança (tem-na tido ultimamente? Vai ter agora, com este 'menino'?)

Falou-se tantas vezes de crise, aliás, falou a oposição, fazendo, obviamente o seu papel (legítimo?) de dizer mal, por lhe apetecer, por ter perdido tachos (e foram muitos...mas agora já se preparam para os recuperar...veremos)

Onde está a crise? Onde? Onde????

Porque Sampaio, (perdão, o Sr. Dr. Jorge Sampaio, não ele me mandar prender, livra!) não gosta de Santana? Mas essa é fácil... há muito quem não goste. Então, porque não demiti-lo e pedir ao PSD que indique outro nome? Nada o impede. Nunca aconteceu, mas nada o impede! Repito, Nada o impede de sugerir outro nome ao PSD, para Primeiro-Ministro!

Porra! Terei eu de ensinar a esta cambada de incompetentes, sendo um deles o revolucionário Sampaio (a quem lhe parece dar um gozo especial provocar crises -mas não dissolveu a Assembleia no tempo do Governo PS, quando tal partido nem a maioria tinha, só tendo governado com tranquilidade porque o PSD de Marcelo assim o permitiu, com uma oposição serena, embora a crise, nesse tempo fosse demais evidente, tanto que o próprio - queria dizer impróprio...que é o que esse incompetente é - Guterres reconheceu...) que essa possibilidade existe, está prevista na Constituição e...por exemplo, preservaria melhor a imagem de Portugal (que comparado como uma Espanha que em 25 anos teve apenas quatro Chefes de Governo, permitindo-lhe a estabilidade fundamental para o desenvolvimento global e específico...)?

Mas o Senhor Presidente considera que está acima de tudo e é o intérprete do sentimento nacional - esta é mesmo socialista, já Soares se dava a tal arrogância! Entendeu que, mesmo sendo um nosso funcionário, do povo, por ele eleito tudo lhe é permitido, mesmo provocar crises, na coincidência da oportunidade em que as sondagens (podem ainda ter surpresas...) dão a maioria (absoluta! E tal nunca tinha acontecido, lembremo-nos) ao seu PS!

Também agora se está a divulgar (mais um) o relatório da nem-sei-quantas comissão de inquérito a Camarate, donde têm vindo a 'evaporar-se' diversas provas... eonde podem estar implicados alguns amigos de uma certa área política que nada sofreu com tal atentado...

Tenho de respeitar o Prsidente, por ser isso mesmo, Presidente. Com tem ele de me respeitar por ser um português, um eleitor. Não tenho de o reconhecer como intérprete de sentimento nacional algum, nem concordar com as suas ideias esuerdistas, nem sequer o sentir como meu Presidente. Como não o farei em relação a um hipotético Governo PS.

Só me sinto em obrigação perante a Lei e a Democracia. E chega-me. De resto, insisto em preservar-me ao direito de ter a minha liberdade intelectual, religiosa e política. Que manterei. E nenhuma auto-intitulada (pseudo-) referência macional, estilo Mário Soares, me demoverá desta minha conquistada liberdade.

Isto é apenas por acaso?

Por acaso é a sorte dele ter um PM como o Santana, que por ser tão parvo e menino mimado e obviamente incompetente lhe dá de mão beijada esta oportunidade. Fácil demais, para não se desconfiar.

Diz o totó do PS, de serviço um tal pseudo -licenciado António José Seguro (vindo de debaixo de uma rocha e agora dando-se ares de ‘muito fino) que a crise é inteiramente da responsabilidade do Santana Lopes. Pois, mas é o Presidente que a provoca!

Isto foi o desabafo.

Agora o que realmente me preocupa e na linha do meu anterior ‘Post’, é a real possibilidade do PS ser Governo. Após o pântano de Guterres, teremos o túnel do Sócrates.

Nem nos deixemos enganar. E se a culpa é muito do PSD, que não tem sabido encontrar u líder adequando, porque muitos barões se têm preocupado mais com a gestão da sua carreira milionária, típica do gestorzeco que ganha os seus parcos vinte a trinta mil Euros mensais, pagando dez por cento disso ao seu mais directo colaborador...

Se o PSD tem essa responsabilidade e tem-na, nem duvido, o certo é que o PS nunca nos deu um único Governo eficiente (Deu? Qual???) e responsável apenas se limitando a gerir, pelo mesmo princípio que o PSD, na carreira privada, as tais vinte ou trinta mil Eurozitos, mas desta feita pagos por todos nós... com senhores a serem colocados em empresa públicas ou organismos estatais.

É isto que o povo português se prepara para ratificar em Fevereiro. É este o povo que somos!

E Sampaio, quem na História irá ficar, é um pigmeu nesta incompetência geral.

O facto, o grave facto é que o PSD não se preparou, com um líder de qualidade e o PS preparou-se, com um arrogante e vaidoso incompetente.

Dando isto como resultado que o longo e negro túnel aí pode estar... e não se consegue vislumbrar uma mínima luz para este desgraçado cantinho ocidental.

Até já me dá saudades do Marcelo como líder do partido dele!

Ainda me acusam de pessimista? Neste momentos, optimismo pode confundir-se com irresponsabilidade!

Acho eu...

9.12.04

Exportem-me!

Por hora, o solo nacional é escarrado, talvez, umas (é mesmo a atirar para o ar um valor, de facto) duas a três milhões de vezes? Das instalações sanitárias, públicas e privadas, devem sair, por hora uns outros milhões de homens (e mulheres também?) sem lavar as mãozitas, como a mamã havia ensinado. É lindo! Além de ser muito português...esta coisa de, depois de ter andado com os dedinhos na coisa, dar, por exemplo a mão a outra pessoa, logo à saída do WC, ou atender o telefone, ou ir almoçar, porque não?
Noutro local, ou melhor em milhares deles, por esse país fora, uns tantos tapetes, decorações de Natal e até, why not, lâmpadas são surripiadas das portas de apartamentos, mesmo que os edifícios tenham segurança- o que, aliás, ainda abona mais a favor dessa habilidade tipicamente portuguesa. E assim se conseguem mais uns cêntimos, ou Euros (uns cinco ou seis por dia, que êxtase!).
Melhor do que tudo isto, por mais profissional, umas dezenas de milhar de riscos, feitos de improviso (no que somos melhores, por acaso), com uma chave, ou um qualquer outro utensílio (utensílio, por ser coisa útil) são desenhados, em automóveis, bem ou mal estacionados.E, já agora, uns bons milhares de automóveis ficam, propositadamente mal estacionados, porque, assim, são os seus donos tidos como pessoas que, de tão ocupadas, ou absortas em grandiosos pensamentos, nem tempo têm para se preocupar com uma mal ocupação do espaço de estacionamento público, não deixando, por isso, possibilidade a mais ninguém de ali deixar o seu carro. Mesmo ao lado, uns outros não menos numerosos automóveis, são bloqueados ou multados, por estarem com uma rodinha fora do sítio, ou supostamente não permitirem o normal fluxo de automóveis, ou de peões- que, diga-se, de forma muito positivamente nacional, preferem andar pelas faixas de rodagem, em vez do lindo passeio de calçada portuguesa. Assim, nesta cruzada, a nossa amiga PSP pode continuar a equilibrar as contas públicas, naquilo que não podem, obviamente, contribuir os nosso políticos, agora ditos de pouca qualidade, mas que sempre foram da mesmíssima massa, pois, para mais elevada produtividade, necessitam de, por cada Ministro, Secretário de Estado, ou Presidente de Câmara, pelo menos, uns quinze a vinte acessores.
O nosso querido Presidente da República, que todos dizem, em uníssono, respeitar, logo desancando o mais possível, considera não ter de consultar primeiro, os órgão com função exclusivamente consultiva, como o Conselho de Estado, para depois, e só depois, considerar dissolver a Assembleia da República, que meses antes achava dever continuar em funções e só porque o Governo- apesar de ter vindo a dar uma imagem de desgoverno e imaturidade, de facto!- não funciona nos moldes em que ele, Presidente acha que devia funcionar, no sentido social e político da coisa.
Assim, no mesmo dia, uns bons milhares de políticos- todos nós!- exprimem as suas inspiradas opiniões, vindas da mesma gente que, em concursos televisivos, nem conseguem distinguir uma curgete de uma especiaria, ou de um queijo, ou saber se o Rio Vouga está a Norte ou a Sul do seu tão amado país!
Tenho uma proposta. E não cobro nada por ela.
Venda-se este povo! Todo, de uma só vez. Exportem-no. Depois pode-se comprar outro. E, se o negócio for bem conduzido, até serve para equilibrar as contas nacionais. E dá-se a oportunidade a este espaço geográfico de ter um povo melhor, que seja melhor em matemática, com políticos de qualidade superior, com mais letrados e menos iletrados, sem escarros e papéis atirados para o chão comum, com uma sinalética, nas estradas e localidades, adequada e feita a pensar em pessoas, sem complexos de assumir marcas e empresas, na divulgação de locais das mesmas, sem a procissão de imbecilidades televisivas, ou concursos estúpidos com concorrentes ainda piores, com polícias, serviços públicos e entidades oficiais que tenham prazer em servir (quem os paga!) e tratem as pessoas como tal e não como UTENTES, etc. etc.
Venda-se o povo português e depressa. Até porque, com a especulação imobiliária que temos, podem haver compradores que imaginem que ganham com o negócio, comprando bem e ainda ganhando com a venda do povo.Venda-se!
E nem quero comissão pelo negócio.
Só peço uma coisa: como tive eu a ideia, que me deixem escolher o país para on de serie exportado. Apenas isso.
Bom negócio!