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Há 25 anos... inflectiu-se o progresso do país

Há vinte e cinco anos morreram Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, num brutal atentado que fez interromper uma inflexão irreversível na vida política nacional, e num futuro mais auspicioso para todos nós. Quem os matou, ou mandou matar sabia bem da ameaça pessoal que representavam, pela sua qualidade individual intrínseca, que tinha toda a sabedoria, inteligência e coragem necessárias à mudança que, evidentemente não interessava a quem lhes ceifou a vida. Hoje cumpriu-se a homenagem às suas memórias e lembrei-me do dia 4 de Novembro desse ano de 1980, em que chorei a sua morte, de Sá Carneiro, como se de um parente próximo se tratasse. Durante todos estes anos fui ouvindo diversas opiniões sobre o significado de Sá Carneiro, o significado da sua vida para todos nós e da sua morte também. Algumas vezes me diziam que ele não nos deu experiência política suficiente para que lhe pudessemos reconhecer as qualidades. Foi isso precisamente o sentido de oportunidade que sentirm os ...

O pior dos corporativismos

Sempre fui contra o Corporativismo, como forma de estar na vida profissional e pessoal e de se defenderem interesses, muitas vezes até justificados. Hoje temos ainda em Portugal uma das mais fortes e duradouras expressões do Corporativismo: as farmácias, como actividade económica. Não conheço nenhuma outra forma de expressão comercial tão lucrativa e saudável, que tantas alegrias tem dado aos seus proprietários e alguns colaboradores, pelo facto de terem conseguido impor a defesa de uma actividade profissional, como nenhuma outra o conseguiu. É aberrantemente retrógrada a ideia de que uma Farmácia tenha de ser propriedade de um farmacêutico, pelo facto, aliás falsamente defendido pelos seus mentores - Associação Nacional de Farmácias e seu dirigente, farmacêuticos e alguns "iluminados", como o foi Ferro Rodrigues, que conseguiu descobrir uma função social no negócio mais rentável que em Portugal existe e, de forma muito estável, contra todas as crises ainda se mantém de assim...

Um sonhador compulsivo

Tinha por hábito fazer o seu passeio a pé até um dos bancos junto à margem do rio. Manuel, Teodósio de segundo nome, que ninguém sabia, nem ele usava, era um ser solitário e, ali, naquele banco, sentindo o frio seco e o vento suave, mas cortante, que anunciava o Inverno, se sentava a pensar num mundo só seu. Num mundo que queria tivesse existido, mas que nunca na verdade conhecera. Baixava ligeiramente a cabeça e, por baixo das suas grossas sobracelhas, herança familiar que lhe davam aquele ar antigo e sisudo, ia observano o raro e triste movimento, no rio e no passeio que o separava da água. Os homens e as mulheres conheciam-se há uns milhões e milhões de anos e não se entendiam, não se conheciam. Continuavam a debater-se os mesmos temas de costume. Da igualadade, da liberdade, da distrubuição de riqueza, da justiça e das mesmas oportunidades para todos. Mesmo que tendo avançado muito, o mundo desde um Platão, um Lutero, um Robespierre, um Montaigne, Sartre e tantos outros continu...

Cavaco

Já há muito decidi votar em Cavaco. O que é mentira, parcialmente. Na verdade, apenas depois de ele anunciar oficialmente a candidatura... Nesse dia porém, só não fiquei eufórico porque alguma experiência de vida já acumulada, me desinibe de tais excessos pueris. Mas há uma coisa que me tem incomodado. Gostaria de ver Cavaco Silva mais inovador no discurso, mais fluente e menos repetitivo. O que apenas tem a ver com questões semânticas, pois para se ser Presidente, ou qualquer outra coisa em política, há muito que tenho para mim que, mais importante do que a fluência da palavra é a seriedade da mesma. A genuidade da palavra. Por oposição à correnteza boçal e excessiva quase roçando a ponografia da mesma, como acontece há mais de trinta anos com Soares e há menos que isso com Guterres, Sócrates e outras falsidades que por aí abundam.

Nós e os outros

Somos os tristes da UE... Porque tem de ser assim? Podemos ser uma potência europeia de Turismo, Energia (com um forte investimento em Energias alternativas e Nuclear), indústrias tecnológicas e de precisão... Mas em vez disso teremos de viver, asfixiando-nos, com um nível de impostos insustentável, apenas porque o Estado insiste em permanecer gordo e despesista... Ou julgamos nós (porque o Governo há muito que o sabe, mas não diz a verdade, por lhe ser adversa) que com uma tão tímida redução da despesa pública e manutenção de despesismo (megalominas nas obras públicas, criação de comissões e grupos de trabalho- caso do Metro do Porto, que se já estava mal, como ficará com aumento das despesas por via de um grupo de trabalho de amiguinhos...?) se pode algum dia dar um forte impulso a novas áreas de investimento e criação de riqueza? Portugal precisa de uma solução 'filandesa' na sua economia, ou irlandesa, em termos económicos e sociais... mas não se vê como com esta arrogância...

Crónica de uma morte anunciada

Escrevia eu, há uns dias, que após a aprovação do orçamento viriam as más notícias sobre a economia portuguesa. Logo depois de ter passado na Assembleia da República - qual espécie de encenação desta maioria entregue, pelo povo, a um partido de incompetentes - seguiram-se as entrevistas a diversas personalidades tidas como referências na área económica. Quase todas foram unânimes em que o Orçamento de Estado para 2006 é, em termos gerais, um bom documento, do ponto de vista teórico, pois se pudesse ser posto em prática, os resultados em termos de redução do défice das contas públicas e em termos, mais difíceis de execução e de obtenção de resultados positivos, de crescimento da economia, assim como da melhoria da distribuição de riqueza. O problema é a execução do Orçamento. O problema é ainda, agora, mais real depois de ter sido confirmado que o crescimento da nossa economia será, em 2006, muito menor do que o Governo queria fazer crer. E com um crescimento da ordem dos 0,3% ou 0,4%, ...
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Foi uma falha minha. Mas passou-me, aqui na blogosfera, o lançamento do livro Encandescente. Por nos últimos tempos andar imenso em viagens, por cá e por lá. Não tenho já a frequência destes espaços, como desejava. Não conhecendo ainda o livro, mais do que pela sua capa, sei, no entanto, pelo blog que costumo visitar, pela sua qualidade, sensibilidade e imensa beleza, dos textos e das fotos, o livro tem de ser lido e saboreado. Parabéns Encandescente!