Os infortúnios criminosos da História

Parece que não saímos disto. Vivemos entre gente culta, evoluída, capaz de, uma vez a guiar-nos, como líderes sociais, líderes políticos ou, bem mais signgicativos, líderes intelectuais, não necessariamente culturais, mas pessoas que têm esse dom de em poucas palavras resumirem o que sem se saber, se esperava fosse dito por alguém. Esses nossos guias,  são quem nos fazem recentrar, a todo o momento e especialmente quando, como em momentos, ou alargados períodos das nossas vidas, há uma sensação de perda, de perda do rumo. Digo, colectivamente, como em pequenos cílculos de amigos ou familiares.

E, volta e meia, talvez a Terra esteja doida e acelere e nem demos por isso, ou com algum sobressalto na sua rotação nos baralhe os tempos, surgem os loucos e as suas loucuras, que sempre serão criminosas e os sensatos, ou mesmo os mais passivos de nós, nos surpreendemos. 

Até que ponto nos deixamos ir nestes atropelos à evolução humana, ou apenas à nossa lânguida, em geral serena, vivência? Só pode ser uma terrível partida que a História a ser escrita nos queira pregar. Não que no universo de uma vida, os pequenos problemas sejam efectivamente pouco importantes. São-no, importantes e marcantes, tantas vezes para nos deixaram sequelas. Mas num contexto de uma civilização, a relatividadade de uma relação perturbada ou destruída, ou de uma carreira decepada, um emprego perdido, uma vida com anos sem fim em tremendas dificuldades de subistência, mesmo, essa relativa pequenez das coisa impõe-se. 

É criminoso, e nunca saberemos se verdadeira, digo, cientificamente, necessário, que a História nos faça passar por momentos de regressão, de retrocesso na evolução, lenta e rápida da nossa espécie, como os que nos impelem actos de uma incompreensível violência se repetem, periodicamente. Para mim é absolutamente clara a desnecessária violência por que se faz passar quase um país inteiro, excepção aos privilegiados do costume, com o imposto retrocesso que uma austeridade ineficaz nos provoca.

Mas ganha em relatividade essa, se não fosse já obviamente criminosa, obcessão pela pobreza imposta, quando comparado com os travões na evolução que os actos de loucos sanguinários como os do Estado Islâmico, ou o doido ridículo da Coreia do Norte, ou o não menos criminoso Putin, cometem contra tanta gente, contra pessoas, não contra árvores, rios, ou leões. Travões da civilização. Mas crimes horrendos contra pessoas como todos nós. Será uma necessária fase da evolução, para depois darmos mais um salto em frente? Violento demais. Um acto de terro gratuito como cortar a cabeça a um homem sereno, ironicamente guardião das marcas da História, é uma paragem. Do tempo. Desnecessária, se não fosse do mais animal e horrível que pode acontecer.

Mas continuamos incapazes de evitar "actos de fé", de violência atroz, contra outros como nós. Do mais pequeno acto num local de trabalho, de destruição criminosa de carreiras e vidas, à imposição de medidas de empobrecimento, a soldo do agiotismo ainda não totalmente revelado, de outro povo e país, ou, a actos de terror, impossíveis de serem excedidos, pelo nível de violência praticados, os humanos continuam a deixar travar o tempo. 

Contra os mais fracos. Contra nós mesmos.

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