A Democracia Ameaçada



Medo dos estrangeiros. Medo das outras raças (transformado ou não em aversão ou ódio). Medo de certos grupos sociais (dos mais pobres e menos sofisticados nas suas atitudes e intervenções sociais, de grupos profissionais, como médicos, pilotos da aviação civil, técnicos de manutenção aeronáutica, de agricultores, de enfermeiros, etc). Medo do desemprego. Medo do desaparecimento de fronteiras económicas. Medo da concorrência comercial aberta. Medo da supremacia de um pais, normalmente vizinho, frequentemente parceiro principal. Medo dos terroristas.

Toda este vasto conjunto de ‘medos’ que afecta um pais, que pode afectar uma empresa monopolista, estatal ou não, são os piores e mais castrantes princípios para o anti-desenvolvimento, para a estagnação e para o super-proteccionismo, ou securitarismos desproporcionado.

‘Casa roubada, trancas à porta’. Uma das ‘máximas’ que justificam muito do nosso mundo de hoje, na Europa, e muito mais, em maior escala, em Portugal.

Quando os terroristas descobrem uma nova forma de nos perturbar a tranquilidade, de nos ameaçar o nosso modo de vida, de nos retirar, e aos nossos mais queridos, a esperança de um futuro... as ‘entidades’ ditas oficiais, os tais que se julgam legitimados para tudo fazer em nosso nome, até nos ‘estragar’ o modo de vida, mais porque mais perdurável e estruturada, com a desculpa ‘da Lei’ e da força que ela encerra, ‘metem trancas á porta’ e ‘lixam-nos o dia a dia, o conforto e prazer de viajar. O prazer de um dia a dia como antes tivéramos.

Se somos ameaçados economicamente, tentam-se criar medidas proteccionistas, dos nossos produtos, sancionando, assim o bom e o menos bom, o medíocre, que também produzimos, com a desculpa da perda de competitividade, de solvência económica e de postos de trabalho. Mas nunca se procura o caminho da criação de novos meios e formas de produção e, sempre esquecido, inovadoras e competitivas formas de gestão. E, claro, nunca o ‘owner’ irá sacrificar o seu rendimento pessoal, em prol da defesa da sua própria empresa.

Quando há medo de desemprego, pressiona-se ou insiste-se em leis e regulamentos proteccionistas do mesmo. Esquecendo, assim, como se está a desproteger quem trabalha, com o proteccionismo anacrónico e limitador da competitividade e desistimulador de uma melhoria na formação profissional, e acusa-se então ‘as entidades patronais’...até por não investirem em formação e valorização dos seus colaboradores - (o que é verdade) mas esquecendo que com o proteccionismo existente da força de trabalho e respectivos postos, não há que investir em formação, se por acaso a ‘mão-de-obra’ disponível já não permite uma competitividade aceitável, nem aos (supostamente) mais interessados, interessa essa evolução...

Quando há medo de opiniões contrarias, em meio politico, o melhor, mais garantido é encontrar formas de castrar ideias, desprovi-las de sentido, ridicularizar adversários, inventar processos judiciais, com o ‘agrément’ de entidades teoricamente imparciais, e praticamente comprometidas, com o Partido do Governo.

Quando há medo de estrangeiros e de raças, combate-se com medidas de suposto proteccionismo e violência policial.

A Europa, os Estados Unidos da América, e em particular Portugal andam há alguns anos a usar a democracia, para a ameaçar, e a por em causa.

A Europa gera todos os anos um conjunto vasto de medidas de proteccionismo e depois vem queixar-se da falta de entendimento dos que pretende sejam parceiros comerciais e até políticos. Os EUA andam a derivar entre politicas incongruentes e incoerentes, numa senda de decadência de que só eles não vislumbram os sinais.

Portugal é o pais da Europa que mais atenta contra a Democracia. O Governo coloca amigos partidários e pessoais em lugares de destaque e decisão em empresas, tribunais,
órgãos de comunicação social, entidades ‘reguladoras’ fúteis, inúteis, despesistas, carregadinhas de amiguinhos....de quem nunca ninguém viu um dia de utilidade ou sentido (numa duplicação de entidades...quando os ministérios o deviam ser...reguladores...e porque não o são? Para dar a falsa ideia, a mistificação típica dos socialistas, de sempre e não apenas em Portugal, de uma falsa independência do poder politico!).

Onde devia haver uma preocupação de continuar a fazer crescer uma Democracia ainda distante da maturidade, há a preocupação e a azáfema, de a desconstruir e ir destruindo...

As Democracias usam os seus meios próprios, legítimos, mas não forçosamente lícitos, para ameaçarem os seus mais básicos princípios e padrões e alicerces.

Um dia...a Democracia poderá não conseguir resistir e cair, de novo, naquilo que ninguém (a maioria, mesmo os actuais detractores e desconstutores da mesma) deseja!

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