31.10.12

Votos contra, votos a favor. Todos mal.

Orçamento votado e aprovado na generalidade. Já sabíamos o resultado. E também que este OE2013 não nos ajudará a resolver os problemas actuais, de falta de liquidez, de escassas possibilidade de pagamento da Dívida, de redução do Défice, de melhoria da economia, de recuperação da vida dos portugueses na linha de aproximação da Europa mais rica (uma miragem...actualmente, quando antes era um object
ivo e, talvez, uma ilusão, mas não era uma utopia. Não era...).

Os votos, no final, dão um só resultado. As intenções, deixando de contar assim tanto. Mas, para futuras opções de todos nós, em futuras escolhas políticas, as intenções, no momento do voto, contam sobremaneira. O voto do deputado do CDS-Madeira, por exemplo. Pareceu-me bem justificado. Porque este OE não facilitará à Região o cumprimento do acordo feito com o Governo Central. O voto do PS, pode estar de acordo com o que têm vindo a dizer, com as atitudes concertadas em grupelhos da Maçonaria e impostos ao seu Secretário Geral. Também eu não acho que este OE nos vá ajudar e, pelo contrário, ir-nos-á piorar a vida e, consequentemente (este o aspecto da Teimosia da Troika e de Gaspar) do país e do Estado. Mas o tom, na mesma linha de mentira e de fuga às responsabilidades do anterior Governo PS, pelo a mim, retira-lhes a credibilidade como, segundo andam muito atarefados a dizer, empurrados pelos ventos das sondagens, alternativa. Alternativa? Os votos disciplinados da maioria, são-no igualmente tristes e, para mim, retiram-lhes da mesma forma a possibilidade de serem alternativa a si mesmos. Detesto 'carneiros', e bem mais na política. Não me parece que votar este OE, apenas porque precisamos de um Orçamento, seja uma solução. Mas sei que sem ele, também não as tínhamos. Teria esperado que dentro dos próprios Partidos, para já os únicos, quase, actores da nossa política, se tivesse levantado um movimento contra esta monumental catástrofe. Votaram contra uns, por amuo, por raiva e por clubismo burro e cego, mas muito, muito irresponsável. No que eu desejo, mas não confio, que um dia os portugueses entendam as razões que os movem (a mais baixa das vilanezas...). Votaram a favor outros, por não terem mais solução, e pelo mesmo clubismo cego. Não havia caminho nenhum...nem há. Só mesmo o terem impedido a apresentação DESTE Orçamento.

As consequências disto, viveremos nós, mas espero que as Sofram 'eles'! Uns e outros. Todos!





Votos contra, votos a favor. Todos mal. Porque o objecto do voto está errado.

9.10.12

A culpa é desta janela

Uma manhã acorda seca, ou mais seca, e quente, mas muito luminosa. Logo na seguinte, um tempo que promete chuva, e talvez se fique pela promessa. Ali, ao lado da janela, a minha janela preferida, rodeado de uma paz sonora que devia corresponder a essa outra de pensamentos, estava a lembrar-me de tempos e gentes já percorridos. Como o tempo, as vidas mudam, sem aviso, num amanhecer, ou num findar de um dia qualquer. Por vezes gostava mesmo que existisse esse deus, que leva a tanto coro de disparates e a tanto engano e mentira. Gostava que esse tal superior, por o ser, se o fosse, se tornasse um recurso de respostas que não tenho. E, como eu, milhões de pensamentos, mais crentes nessas coisas, devem por estes dias esperar o mesmo. Quando cá por baixo, no real e visível, ou no real invisível, já não se obtêm respostas, para nós e para outros, costuma-se procurar num tal de sobrenatural, de superior, dito supremo por muita gente. Deve ser um conforto, penso que enganador e ilusório, imaginar que por obra superior a vida pode mudar como as duas últimas manhãs tão distintas.

Mas não. Ali, do lado de fora da minha janela, a vida está como cá dentro, talvez mais activa, mais prática e menos ridícula. Os silêncios trazem uma magia. Levam-nos a dar saltos de tempo fantásticos, como inúteis, de dezenas de anos. Gentes que nos passaram, vidas que vivemos, tudo o que não regressa e tantas vezes nem era bom que voltasse. O que fizemos e o que queríamos ter feito, sem certezas do que melhor seria. O que nos fizeram, e o que nem sabemos se nos queriam ter feito.

Foram anos que matámos, por querer e não querer. Iriam morrer em todo o caso. Mas podiam ter tido outro fim.

Este mesmo mundo que dispõe do sortilégio de ter um Gardner, um Damásio, um Dawkins, um Sloterdijk, Scruton, Kahneman, Roth, David Grossman, Rushdie e tantos outros que nos enchem de vontade de os aprender, de ter mais tempo para o prazer que os seus saberes nos permitem, está enfermo e refém de um grupo restrito de perversa gente. As rádios dizem-nos das famílias que agora partilham a mesma casa, num país em que o sonho de ter ser proprietário era o maior de todos. Dizem-nos dos mais de trezentos mil sem emprego e sem um único euro de rendimento. Dizem-nos de todas as desgraças que irão piorar as vidas desses muitos e ainda fazê-los duplicar, engordar o número dos sem futuro.

Um mundo em que se assiste ao conhecimento mais profundo e avançado de sempre, ao fascínio que nos é oferecido o saber nunca existido, tem gente tão anacrónica e malfeitora, como o sabemos ter existido numa Idade Média, numa Antiguidade, ou mesmo há cem anos atrás. Há cinquenta ainda tínhamos ditaduras na Europa, e há cerca de setenta uma Guerra que se alastrou pelo Mundo.

Corremos com os ditadores, pelo menos com os que o eram de forma assumida, mas talvez tivéssemos ficado com os mais subtis, hoje tendo nós a dúvida sobre algumas formas que nos surgem em supostas democracias.

A memória que me entra com esta luz na janela, leva-me ao meu pai e ao que ele pensava, ao que ele pensaria em tempos destes. Como se iludiria, se deixaria enganar, como tantos de nós e como agora se angustiaria com estes homens que nem já esse epíteto nos merecem, que nos enganaram colectivamente. Mas sempre os povos se deixaram enganar pelas minorias. Uma das razões por que alerto com insistência saturante, contra os que as representam, representando também ideais e regimes que sempre deram em totalitarismo e estrangulamento das liberdades.

Quando o Mundo se prepara para saber que o cancro pode ter solução, como funciona, um pouco mais pelo menos, o nosso cérebro, assiste-se ao mesmo desfile de crápulas que não têm já terreno suficiente, e que se espraiam por tudo quanto é mundo, onde exista um povo que precisa de Dívida, que precisa de construir uma ponte, ou uma rotunda, ou um gigantesco aeroporto, ou paulatinamente vão colocando os seus em lugares decisores e decisivos da política mundial, apenas para continuar a fazer imperar a lei do dinheiro.

E o silencio que me traz a estes escritos, e me envolve diariamente é o mais indesejado, onde seria bem vindo o rebuliço da nossa colectiva revolta.

A nostalgia boa leva-me a momentos da minha casa de infância, hoje tornada estacionamento para empresas, numa cidade a mil quilómetros. À casa onde fiz crescer os sonhos grande que tive, de saber e de prazer, de um dia ser mais útil, de sentir ter feito alguma coisa de valor. Uma casa rodeada de árvores, de muitas árvores de fruta, desse espaço que foi a felicidade de três irmãos hoje afastados e desavindos. Sonhos que foram embalados em Beethoven, em Chopin, em Rachmaninov, envolvidos em papel de Eça, de Steinbeck, Hemingway, ou Camus, com um laço de Einstein e Churchill e Sá Carneiro, mas onde todos os outros também estavam. Sonhos de uma vida normal, que não levasse com a incerteza e insegurança aos cinquenta. Esses foram sonhos de luxo! Nada que se compare com os simples e saudáveis sonhos de milhões de humanos, hoje com a incerteza da vida que terão amanhã de manhã.

Vi alguma miséria próximo de quem me rodeava, tornada dura e real pelas vidas de empregadas domésticas dos meus avós, vivendo num ambiente de uma família de doze filhos, uma casa de pedra, onde não se podia andar erecto, sem pintura qualquer nas paredes, qual imagem assassina de uma descrição de Steinbeck. Mas era real. Vi alguma conturbação social nas ruas da minha cidade, em tempos de euforia e afirmação de formas de pensar e viver, e sonhar, nos momentos seguintes aos da nossa 'revolução de veludo'.

Hoje vejo um povo que se deixa levar, que não confia nem na verdade e nem desconfia das mentiras. Foram as mentiras de um anterior governo, de um pro-ditador que enriqueceu, bem à frente dos olhos de todos nós. São as mentiras dos actuais, servindo uma máquina ao que serve, por seu lado, um grupo de sanguessugas a soldo de uma organização poderosa e perigosa.

E é este silêncio assustador, de quem prefere fazer de conta que tudo um dia se resolverá.

Dizem-me os programas que para isso servem, que amanhã pode ser dia de sol.

Diz-me o meu sonho ainda resistente, que amanhã devia ser dia de sol. E de sangue.

2.10.12

Um Grito em uníssono que urge!

Parece que, por termos de usar de pragmatismo e realismo, do mais duro que todos os dias sentimos, e do ainda não real, por vir a caminho ainda, que temos ainda de viver com este Regime, estes Partidos, nos quais e dos quais já não confiamos (excepto os cegos que ainda defendem a todo o custo o seu Partido, como um clube de futebol ou uma tribo, tristes esses... pois rapidamente verão o engano em
que se metem, ou deixam ficar) em nenhum, pelas razões tantas vezes apresentadas, por mim e por milhares de tantos outros portugueses.

Parece que temos, então, de conseguir exigir-lhes uma renovação. Temos de exigir que PS e PSD se limpem! Se limpem, mesmo! Estão cheios de lixo, de gente sem nível, sem mérito, sem qualidade, sem inteligência e capacidade criativa. Temos de exigir aos Partidos em quem votámos que arredem das suas funções de destaque e decisão, os medíocres que por lá pululam, que os substituam por gente que consiga ver a essência da Democracia, onde o povo eleitor e não eleitos é a Autoridade (e não o 'pessoal' das 'autoridades' e órgãos institucionais, sejam eles quais forem: Assembleia da República, Governo, Presidência da República, Tribunais, Polícias...).

Por isso, em minha opinião, é fundamental darmos este grito gigantesco, como primeiro e essencial passo numa mudança que urge: QUEM MANDA NO NOSSO PAÍS SOMOS NÓS, ELEITORES E NÃO ELEITORES. Nós, o povo que paga sempre tudo. E quem paga, manda. Por mais dinheiro que nos enviem para cá, do FMI, do BCE ou de onde for, somos nós todos, contribuintes sem escape possível que teremos de o pagar e a juros bem altos. Somos pois, NÓS, que mandamos nisto. Pagamos, por falta de alternativa, também, os governantes e políticos eleitos para Administrar (não para Mandar, fique bem claro), as nossas pretensões e o tal dinheiro que nós pagamos, para que se pague, depois a instituições externas, agiotas ou não.

Assim sendo, dado o grito, que se tem de fazer sentir dentro e fora do país, e melhor que o seja em uníssono e pacificamente (mas se não puder ser... cá estaremos para fazer cumprir a NOSSA VONTADE, sem qualquer arrepio da mesma!), temos de obrigar os tais Partidos a que mudem. A forma, não é o mais relevante. Mas Relvas, Zorrinhos, Soares, Gaspar, Borges, Jerónimos, Louçãs (embora estes dois não contem por serem anti-democratas confessos, a meu ver, mas são-me irrelevantes, diga-se), Coelhos, Seguros, e muitos, muitos mais, não têm futuro entre nós, e têm um presente com horizonte próximo à vista. Que continue o Governo a governar, mas que se corrija, que se remodele, que emende mão das asneiras e experiências. Não sei se podemos aceitar um pouco mais que seja de austeridade, duvido. Mas sei que o caminho NÂO PODE continuar a ser esse. E temos de o dizer de dentro para fora. A Merkel não manda cá! E nós não queremos ser gregos, a gritar pelo incumprimento. Queremos pagar o que nos emprestaram. Queremos, porém escolher a forma de o conseguir. Com cortes substanciais no Estado e talvez muitos mais no Privado. Com uma colecta de impostos eficiente, que talvez nos resolvesse quase todos os problemas. Queremos saber que todos os sacrifícios são temporários e tentar perceber qual o seu horizonte temporal.

O nosso gigantesco e ensurdecedor grito colectivo tem de ser firme e único! Mas tem de ser por coisas concretas. Que os Partidos mudem e se renovem, façam congressos ou o que entenderem. Mas não podemos tolerar mais este circo de palhaços que nos ofendem. Se temos de aguentar com Coelho por algum tempo, por nos ser útil a estabilidade governativa e a credibilidade externa, faremos esse sacrifício. Mas que isso lhes seja tornado bem claro! É um sacrifício e não um desejo!

O nosso grito deve exigir pois, a mudança que tantos nos prometeram e logo perverteram. Por conveniência nossa, povo soberano, talvez deixemos o Governo em funções. Isto tem de ficar claro. Mas somos nós, eleitores ou mesmo os não eleitores (por razões diversas), mas igualmente portugueses com os seus direitos intocáveis como cidadãos, que iremos dizer a todos os políticos, de Portugal e de fora, o que queremos.

Governem como o deviam ter já feito. Administrem bem o que pagamos, ou pagaremos. Acabem com as excepções e com os privilégios insustentáveis.

O nosso grito tem de ser a Revolução, sem líder ou com líder, mas a Revolução pacífica e decisiva. A Revolução que 1974 deveria ter sido...

E esse grito urge...!