29.8.06

Fogos... propaganda e desinformação

Continuamos em Portugal com esta estupidez de fazer campeonatos partidários de quem teve, ou tem, mais fogos (perdão... menos) anualmente.

E para tal serve tudo, inclusive escamotear informação. E isto nada tem que ver com notícias nas TV's ou imagens, ou pressões (ou pseudo-pressões) do Governo sobre a RTP. É conhecer o país, andar um tanto por aí, Norte e Sul e saber que muitos dos fogos que se vêm, se sabem existir, não são divulgados.

Como se houvesse menos fogos só por não os noticiar. Como se o Estado ficasse menos lesado, apenas por o Governo sair melhor na fotografia (leia-se propaganda por omissão). Como se todas estas jogadas (politiquices, como gosta de lhe chama o Ministro do Ambiente, precisamente o que mais se devia preocupar e menos aparece) fossem mais importantes do que o constante delapidar do nosso património mais básico e importante: a natureza e não apenas a floresta, pois os fogos afectam e muito toda a vida, vegetal e animal, nas zonas em que devastam.

E o problema persiste, porque persiste a teimosia de ver os fogos sempre do ponto de vista da perigosidade para as populações (eleitoralismo oblige) e não do ponto de vista da protecção da floresta e da natureza.

Tudo isto tem sido comum quer a Governos PS, quer a outros do PSD.

Basta mudar esta estratégia e valorizar a natureza... e tudo mudará.

E medidas avulsas, embora também importantes, como sanções, multas, agravamento de penas, não resolvem o problema. Prevenção e estratégia adequada, esquecendo a propaganda política é que o resolverão.

Este problema não é português apenas, nem tão pouco europeu. É mundial. E afecta mais países como Brasil e países africanos vários do que qualquer país europeu.

As alterações climáticas, que muita gente ainda persiste em ignorar, são parte das causas, mas são-no, fundamentalmente, a alteração de modos de vida de populações que antes viviam na e da floresta, e também de governos que não vêm este um problema de base e fundamental, com imensas consequências futuras, também nas alterações do clima e no nosso bem-estar e sobrevivência médio ou longo prazo.