24.3.16

Clubes exclusivos

As duas revistas de actualidade de maior circulação em Portugal decidiram na mesma semana, o mesmo tema de capa: os clubes privados em Portugal. Os clubes dos “poderosos”. As frases introdutórias são sugestivas, tanto dos clubes, dos grupos ditos mais exclusivos dos nossos mais “influentes”, como das redacções editoriais das referidas publicações.

Em tais clubes, rezam (é mesmo coisa de culto, não sabemos é se meio, todo ou nada secreto) a “Visão” e a “Sábado” há salas exclusivas, onde se discutem e decidem negócios e, parece claro, mas não é, a sociedade.

Qualquer ser normal entende que se discutam negócios em privado, em “exclusivo” ou “reservado”. Intrigante é, porém, entender onde andam esses negócios, num país que carece tanto deles e tanto eles escasseiam. Pelo menos para que a sociedade e o país (se incluirmos a administração do Estado na sociedade, coisa que ainda me dá que pensar…) vejam os chamados resultados, ou benefícios de negócios tão em grande secretismo discutidos. Mas talvez seja coisa que não se entenda, uma compra qualquer de acções quaisquer de um dado grupo, ou empresa. Ou será que andam sempre a surgir investimentos em negócios que irão tornar Portugal um país (re) emergente?

Imagino que a exclusividade envolva gente de muito saber, gabarito cultural e económico. Imagino mesmo o odor a fósforo de tanto pensante e pensador reunido em torno de umas quantas garrafas de Lagavulin ou The Macallan com 25 anos. Imagino a juventude e dinâmica intelectual de tais elites. Imagino mesmo que já devem ter gerado as ideias basilares das economias, das tecnologias e mesmo das ideologias do futuro.

E, assim, acho mesmo admirável que, em circunstâncias de pré-crise, financeira e social (mais uma) as nossas revistas revelem este iluminismo surpreendente e nos presenteiem com edições ao estilo da futilidade de uma Exame. Ou seja, a mesma passerelle de inutilidade que nos tem enriquecido (empobrecido) de ideias.

Talvez, se abrirmos um pouco os olhos, consigamos vislumbrar o resultado (numa sociedade tão culta e evoluída...e com um futuro tão promissor) de tão ilustres tertúlias, de tão exclusiva prole de filhos da Pátria, num país onde a quase generalidade e inovações são meras e pobres cópias do que nem lá fora se inventou. Só para recordar que…os programas de austeridade são uma cópia da “invenção” de Salazar e do seu programa de recuperação do país. Coisa que resulta em Economia fechada, com importações e exportações controladas, em mercado quase todo ele interno e anémico. Talvez ainda recordar que tão brilhantes inteligências não foram ainda capazes de gerar uma ideologia nova desde há mais de cem anos, ou sequer conseguir escapar da dicotomia anacrónica, de Direita e Esquerda, nascida em França em 1789.

Admiro muito as nossas elites, geradoras, quase só, de novos oligopólios, de empresas super fantásticas, capazes apenas de operar em mercado de poder negocial desequilibrado e injusto, como as nossas eléctricas, petrolíferas e algumas mais, nacionais ou internacionais.

Termino, questionando-me como somos um dos poucos países, ou o único onde um Partido Comunista ainda tem voz e surge na nossa comunicação social. Mas talvez essa seja também uma das estratégias desenhadas em exclusividade de clubes restritos, onde só os nobres pensantes conseguem ver o que ninguém mais quer ver: o poder de alguns face ao desprezo pelos muitos outros. Onde se inclui a Maçonaria, o Opus Dei, Bilderberg…


Gente de elite, evidentemente.

7.3.16

As prioridades das ideias no futuro

Segundo Anne--Marie Slaughter, no seu livro Uma Questão em aberto", no futuro os problemas entre Homens, Mulher, Profissões e Família ainda se colocarão. Sim provavelmente. A ideia base é a de que ainda há muito por "resolver" no tocante às profissões das mulheres, e na sua relação com marido ou companheiro, e com a família e a tradicional organização da vida familiar centrada na basilar figura feminina.

Acredito que sim, em muitas sociedades e em muitas regiões de um mesmo país.

Mas para mim este tema já começa a entrar pelo ridículo e perfeitamente fútil. Porque duvido serem esses os problemas sociais, e familiares, do futuro.

Os problemas essenciais terão bem mais a ver com as relações interpessoais em casal, desse casal com a restante família e nas implicações com as profissões. Hoje o amor, outrora, mas nem sempre também, um alicerce de uma vida a dois, o amor hoje prende-se com aspectos muito práticos e com condicionantes da vida contemporânea, que nada têm a ver com o sentimento, e quase sempre põem o mesmo em risco ou o matam antes de se desenvolver.

O problema do futuro será mesmo o amor. Ele foi aniquilado com a globalização, mas já o tinha sido com o esforço dessa perversa instituição criadora de ódio camuflado e cerciador da liberdade de que o amor precisa para surgir e crescer. a igreja católica. Ele foi aniquilado ou muito debilitado, quando o desemprego surgiu e grande parte das pessoas se tornou materialista. O materialismo, uma criação socialista, que demagogicamente acusa a direita de viver com ele, mata mais relações sentimentais do que qualquer outra coisa.

É fácil hoje observar um amor quase planeado com fim à vista, deixando de o ser, para se tornar uma efeméride. Confunde-se amor com necessidade. Com necessidade em suprir carência, ou mitigar solidões. Confunde-se com uma amizade de grau superior. Depois ainda se confunde amor entre adultos, com amor entre adultos e filhos, ou sobrinhos, ou aquela ternura que é natural ter-se quando em presença de um bebé, ou uma criança. Confunde-se até, de forma supramente ofensiva, com o prazer que nos dá a companhia de um animal.

Por tantas destas confusões, nem sempre inconscientes, o amor é o caso do futuro, por nunca no passado se ter tentado resolver. Hoje, com as neurociências no estado em que se encontram e no que vão previsivelmente estar, o amor será eventualmente melhor entendido e revelado ao mundo, como nunca antes o foi.

O problema de futuro não tem quase nada a ver com conflitos de género, com conflitos de gerações, ou mesmo com conflitos intrasociais. Os conflictos de classe, que tanto prazer dá a comunistas continuar a alimentar e inventar se necessário for, são também problemas do passado. Como tantos problemas do passado, não estão totalmente resolvidos, obviamente. Há regiões no mundo onde os conflitos de género, ou de classes se põem nas preocupações diárias de muitos milhões. Mas a solução tendo chegado a um ou mais pontos do globo, chegará sempre um dia a todo o lado, e com uma celeridade nunca antes vista.

Os sentimentos humanos mais profundos, o amor em concreto, sim, serão o problema real do futuro e não apenas entre um casal, ou entre o casal e as famílias, onde a sua importância será semrpe maior, mas entre tudo o que implique um respeito pelo ser humano, nas ciências, na política e, sobretudo nas piores instituições do mundo: as religiosas e as para-religiosoas, como a perversa e criminosa maçonaria.

Mas o amor está presente em tantas mais coisas e assuntos científicos e políticos. Ele devia estar presente quando se decide pela prossecução de pesquisas controversas que se verificam serem nocivas à vida humana, e pelo prazer científico, ou pelo prazer egoísta de se publicar mais um inútil paper, se esquece o valor que uma vida pode ter, e tem-no sempre. O amor não existe quando arrogantemente se pôe qualquer pesquisa científica como algo superior e incompreensível à maioria de nós.

A política, dos últimos 30 a 40 anos, tornou-se uma montagem de interesses pessoais e o amor altruísta das causas de estadistas como Churchil, se esfumam em prol do interesse pessoal mesquinho, sórdido e mesmo criminoso.

Não há muito amor pela sociedade hoje. Nem mesmo em casais, onde um facilitismo leva a mais separações do que a uniões sólidas.

Não há amor algum quando alguém rouba descaradamente outrem sem qualquer justificação, do que um roubo à imagem desses energúmenos sociais que constituem os referidos, constituídos pela pior escória social que podemos ter memória. Não há algum amor quando os interesses comezinhos e reles, de nível muito baixo, se sobrepõem a todos e a tudo. Sem um minuto de perda com escrúpulos. Há ódio e um ódio que até aos próprios usurpadores os convence de realidades mistificadas, totalmente inventadas. Como Sócrates o tem feito e como um dos seus mais intrépidos defensores me fez, pessoalmente. É um ódio que lhes ficará colado à pele e com que ele viverão

Este o problema do futuro, quando os problemas sociais e políticos tiverem uma espécie de preocupações sociais, e de novo se levantar a hipótese da regressão a tempos que já se julgam mortos,