30.9.15

4 de Outubro

Mais uma etapa política, quando de político, de que sempre gostei, ando cansado. Tem sido assim nos últimos anos. Embora da última vez eu tenha acreditado em Passos Coelho, por estar demasiado saturado das mentiras de Sócrates e das suas aldrabices (para dizer assim de forma suave).

As eleições são para a grande maioria de um povo que se escusa e recusa a pensar para além de si mesmo, a pensar no seu país, o único acto de participação social e política. Um facto, triste e, a meu ver, pernicioso, mas pelos vistos será assim por muito mais tempo.

As eleições são para mim o acto menos importante desta democracia, literalmente. Noutras democracias, já diria diferentemente. Mas são o que são. E, apesar de tudo, são um momento de alguma, pouca, verdade, onde a mentira é uma incrustação indesejada e perigosa. Muita mentira, para se chegar a um momento de verdade, perversa.

Estas eleições não me demovem do que tenho pensado e dito. Não concordo com a Austeridade, de modo algum. Acredito ser perfeitamente possível o rigor e um ajustamento das Contas Nacionais, públicas e privadas, sem austeridade. Embora rigor implique algum matiz de austeridade, pois restringe desvarios a quem os tem feito. O triste facto é que a Austeridade, ou o Programa dela como o conhecemos, serviu mais desvarios do que rigor. E não é exclusivo português.

No momento da escolha, porém, muitos portugueses terão percebido que entre esta triste miséria, entre esta constante ameaça de mais empobrecimento e desgraça, pessoa a pessoa, família a família, mas ainda por confirmar se se irá agravar (pessoalmente estou certo que sim), e a certeza de mais desvarios e despotismo, por não se saber fazer outra coisa que mascarar um desenvolvimento económico com investimento público ainda mais pernicioso e irresponsável, o que nos levará a um novo ciclo de austeridade ainda mais violento no futuro, uma silenciosa multidão de potenciais eleitores parece inclinar-se para "do mal o menos" e negar ao Partido Socialista, preso à Maçonaria e ao enriquecimento ilícito dos seus, a possibilidade de ganhar o Poder. E, assim, o povo parece querer dar esse Poder aos "fascistas", como pretende este PS que sejam vistos todos os que estiverem "à sua direita" (coisa que não sei o que é).

O medo de nada ganhar, que é neste caso, o medo de tudo perder, é uma grande rasteira da Política e nem todos se sabem esquivar a ela. Costa não se aguentou nos seus já proverbiais ímpetos de raiva e indubitável totalitarismo, ao dizer que iria estar contra, votar contra, chumbar tudo, o que da "direita" viesse. Ninguém lembrou a Costa que os tempos do PREC já acabaram e que numa democracia que se quer a si mesma madura, não admite ódios, admite ideias diferentes, adversários, não inimigos. O respeito e a tolerância não são coisa de Costa.

Por assim ser, espero bem que Costa, ou melhor, que o próprio PS perceba e já faz tempo, que precisa de um líder, primeiro que tudo, e não de um chefe. Que precisa de um líder tolerante e que não vida com ódios. Um líder que respeite o que lhe for dado, mesmo que pouco seja, no momento do que diz defender como a máxima expressão democrática (que não o é para mim), o voto. Como algumas vezes os pais têm de assumir que é melhor o filho não transitar de ano lectivo, por lhe faltar maturidade e responsabilidade...alguns Partidos têm um dia de admitir que não estão preparados e têm de se manter na Oposição, para encontrarem um caminho novo e servir melhor. Porque de servir se trata e de nada mais. Não de serem servidos, o que é transversal nesta ainda infeliz democracia.

Para mim, pois, o resultado que Domingo sair desta próximas eleições, não nos trará nada de novo ou de melhor, mas se possível que nos proteja de algo pior.

14.9.15

Sul e Norte

A propósito de uma séria dinamarquesa, Borgen na RTP2, tornou-se inevitável a reflexão, de novo, entre nós, os do sul e os países nórdicos.

No episódio que hoje vi, preparava-se um debate entre oito candidatos a Primeiro-ministro. Coincidência. Um ex-PM era siderada pelo jornalista, que insistia na apresentação televisiva, das contas que sustentavam um aumento de "impostos verdes", que ela sustentou serem potenciadores de mais crescimento económico.

A candidata não queria responder detalhadamente, insistia em fugir à pergunta directa do jornalista, guiado pela direcção do programa nos bastidores, comunicando com ele pelo sistema normal co auricular que usava. 

O debate ficou largos segundos em suspenso, com o jornalista a insistir "mas como pretende explicar aos milhares de gestores que um aumento dos impostos verdes, irá estimular a economia?". A política, ficou num silêncio assustador, em suspenso. Quando falou, hesitou, quase gaguejou e...contornou a resposta, não respondeu directamente ao que lhe era perguntado. Mas o jornalista não desistia e só o fez quando recebeu instruções para passar à frente.

Trata-se de uma série de Tv, apenas. Mas feita na Dinamarca, e deve, por isso, espelhar boa parte da postura do povo dinamarquês, dos políticos e jornalistas, perante a responsabilidade dos políticos perante o seu eleitorado. Uma postura diametralmente oposta à que conhecemos por cá, por Portugal e muito por todo o sul da Europa.

Não vi o debate de que tanto se fala por cá, entre Pedro Passos Coelho e António Costa. Vi excertos, o que tanto se tem repetido em diversos canais e li diversas opiniões, críticas e textos onde o debate é tema central.

Umas das melhores crónicas que li foi de Pulido Valente. 

Como o disse já num comentário que fiz, e hoje se reforçou com este episódio de Borgen, não entendo o estilo e o desempenho do nosso jornalismo perante as personalidades actuais da política. Parecem ter quase hibernado, ou se deixado subjugar por alguma influência, ou apenas, talvez por se deixarem estar na mesma lânguida passividade, num redutor cumprimento de agenda, de que os portugueses parecem padecer.

Então algum jornalista imagina que algum dos candidatos saberia responder a uma pergunto do tipo: se a Dívida portuguesa atingiu a dimensão que sabemos, de pelo menos 130% do PIB, como se pensa conseguir um dia reduzir, concretamente, não sendo o Governo o motor da Economia, mas obviamente as empresas, como será possível um dia inverter esta tendência de endividamento crescente". Sem demagogias, generalidades, ideia superficiais, mas com propostas muito concretas, das que quer gestores, investidores e portugueses em geral, que agora participam dos mesmos problema, responsabilidades e dificuldades pessoais com o esforço de cumprimento no pagamento da Dívida. Nem que seja tudo, apenas, num futuro ainda por vir, dentro de 20 ou 30 anos.

Pelo que observei da actual governação, e da anterior, do mesmo Partido que pretende regressar ao Poder, não consigo vislumbrar o ponto de inflexão deste caminho. Nem ouvi, ou li, uma única medida credível nesse sentido. Para sustentar esta dimensão da dívida, ainda serão impostos imensos sacrifícios, pois a economia não apresenta estímulo ou crescimento que torne viável um sequer alívio ou, muito menos, uma inflexão.

Se a isto acrescentarmos a demagogia da loucura de Costa e do PS, ainda pior estaremos dentro de um ano, não sendo precisos os quatro de uma legislatura. 

Posso enganar-me, é claro. Mas se não estiver enganado, então o nosso panorama económico será mais negro, já daqui a um ano, ou seis meses, e, nesse quadro, o papel de um jornalista português, nesta fase, em nada contribui positivamente para melhor esclarecidos ficarmos, ou, mais importante, um dia virmos a ter uma qualidade superior nos nossos políticos.

É evidente e triste de mais este distanciamento Sul-Norte, na Europa.