25.6.15

A lavagem da imagem do chefe

Em tempos de eleições ou pré-eleições, vivem-se os piores disparates, inventam-se verdades, muito á moda da propaganda usada pelas ditaduras. Um circo de vergonha. Uma palhaçada. Nada a propósito, Ribeiro e Castro demarcou-se desse circo onde ele, de verdade, não se enquadrava, demonstrando que para se ser útil, efectivamente, se deve ser o mais livre que se conseguir, ainda que a custo pessoal. Uma personalidade com espinha dorsal. E isto, a propósito de uma outra, que a não tem.

Fui dos primeiros a acompanhar a candidatura (a primeira) de Passos a líder do PSD. Nessa altura, ele concorria contra Manuela Ferreira Leite. Apoiantes de Ferreira Leite solicitaram o meu apoio e convidaram-me à AR para esse fim. Apostei em Passos nesse ano. Tinha-o ouvido a falar de temas fraturantes e, na altura, pelo menos, polémicos, como a legalização do aborto, a discussão dos casamentos homossexuais, a liberalização ou não das drogas. Mostrava um espírito aberto, moderno, uma atitude irreverente e parecia ter algumas ideias pela quais se iria bater. Seria uma lufada de ar fresco que o PSD bem necessitava, contra essa antiquada, conservadora e insuportável atitude que muitos, demasiados PSD's demonstravam (não digo já social-democratas, porque não o eram já). A reunião com militantes aconteceu numa das secções do PSD de Lisboa. O presidente dessa secção, um oportunista do pior, um dos que se têm servido da política, onde mentiras e atitudes o denunciaram até à denúncia e o (quase) descrédito, uma dessas figurinhas "à Relvas" e à "Sócrates" que nos têm envergonhado a todos. Passos...verificou-se ser um "flop". Não lhe reconheço hoje uma ideia. Uma visão, boa ou má, para qualquer coisa ou mesmo má. Mas atitudes, decisões...nunca vi tanto desastre num líder do PSD! Um menino. Teria todo o prazer em dizer-lho pessoalmente, se houvesse oportunidade e o mínimo de paciência para tal, e não fosse um simples desperdício de tempo. A desculpa, esfarrapada, de que teve de se comprometer com a orientação europeia...é a pior, se alguém a inventar. A Irlanda, país sem nada de recursos, nem minimamente comparável a Portugal em recursos humanos, ou naturais, fez o caminho que os homens de coragem e de inteligência fazem. Mas o seu caminho! Começando por não admitir certas imposições dos burros do FMI e da UE, como o aumento de impostos irracional que só aumenta a desigualdade, aniquila a única classe com capacidade para reerguer um país, a classe média. Mas a Irlanda possui um outro recurso: pertence ao legado do mundo britânco, séculos atrás país de bárbaros e incultos, e hoje referência do oposto. Um caminho que nenhum homem foi capaz de impulsionar para Portugal (excepto alguns monarcas de há muito. Tudo para dizer o que devia ser evidente para quem pensa e observa bem, livre de preconceitos, livre de pensar: Se Passos fosse uma pessoa excepcional (com "c" e a negação do AO 90 devia ter já acontecido, mais uma prova da falta de verticalidade, coragem e atitude, a prova de que o PSD não tem líder, efectivamente! O Partido de Sá Carneiro teve líderes, mesmo os que fizeram asneira, mas este é apenas um menino) nunca se teria rodeado de um Relvas (um indivíduo tal e qual como o Sócrates, sem qualquer formação para os cargos que ocupou, e apenas com a esperteza brejeira e reles com que Sócrates nos estafou), um Marco António, e enfim...outros mais que até estão na minha lista de amigos por aqui. Teve a sorte de alguns serem homens de valor, mas ainda assim com essa triste senda de terem feito parte de um Governo que não fez pior, mas nada de melhor fez por Portugal. Sei que muitos insistem na defesa da "camisola", porque sim. Mas eu nunca o farei, em algum lugar, Partido ou empresa. Seria o meu pior contributo. Passos deveria ter aberto o Partido a receber ideias e contributos válidos de gente capacitada, mas fez o oposto, fechou-o mais. Rodeou-se de vices que nada parecem ter na cabeça e nada até hoje demonstraram. Depois de Passos, porque o haverá...uma campanha hercúlea caberá a quem se seguir e não invejo esses trabalhos a alguém. Como João Jardim, deixará um deserto onde será precisa muita cabeça que agora não se vê. Dizem os seus apoiantes "sim-sim" que o país está melhor. Até revolta ouvir ou ler tais coisas. Só esteve pior com Soares, e em nenhum outro momento. Os indicadores...até eles pouco verídicos, nada dizem de um país desenvolvido, onde a Educação, a Saúde, a Segurança Social, o Emprego, a Classe Média, o Investimento de valor e de futuro (porque o dinheiro não é mesmo todo igual), a Ciência e a Tecnologia...são hoje uma sombra do que tinham começado a ser, são problemas e não casos de sucesso, são tudo áreas onde se destruiu, porque só se fez burrice e disparate, porque NÃO HÁ LÍDER E NÃO HÁ INTELIGÊNCIA. As minhas desculpas..pela urticária que este "menino" me provoca...

Hoje, verifico a razão que as razões de Ferreira Leite deu na altura, há anos, contra Sócrates e os motivos que a levaram a impedir Passos de ser o líder. Durou pouco, porque parece que os interesses dos grupos de interesses falam mais alto. Os interesses de quem colocou Passos onde não devia.

Várias vezes vi acertarem as minhas visões sobre homens e decisões políticas e as previsões que fiz e escrevi. Fi-lo com Sócrates, tinha-o feito com Santana e, antes, com Durão. Também com Soares, com Soares Carneiro, com Sampaio. De nada me serviu, mas muito pior, de nada serviu ao país, eu ter acertado. E a confirmação do que fui dizendo e escrevendo, tenho-a tido aos poucos, mas certeiras e seguras. Mas outra vezes, como com Cavaco, com Guterres, com Eanes, me enganei, pela positiva ou pela negativa.

Com Passos e com Costa, não me enganarei, a sua mediocridade é gritante e preocupante para Portugal. 

Dar-se-ão mesmo conta do que andam a fazer à Saúde? Que me interessam as mentiras de idiotas estatísticas, mesmo internacionais, se infelizmente quando necessitei, constatei repetida e insistentemente a desgraça que é o nosso SNS? Se somos África, então está bem, concordo, estamos muito bem. 

Dão-se conta do que andam a fazer à Educação? Onde está uma visão para uma área tão fundamental? O Ensino para capacitar para o mundo do trabalho (e onde está o mundo do trabalho se se paga a um Engenheiro o Ordenado Mínimo Nacional)? E as novas descobertas no mundo das neuro-ciências que desmentem esta orientação de Crato, de nada servem? Crato, uma desilusão mais.

E que pensa fazer Pires de Lima? E porque Poiares Maduro tudo justifica, um homem da sua inteligência e formação? 

Onde está o investimento de Futuro, onde Portugal se poderá enquadrar num mundo onde uma Coreia do Sul dá lições de sucesso e modernismo, liderando a cada dia? Portugal terá futuro apenas com grupos de distribuição de arroz e massa, ou de empresas em oligopólio que se vangloriam de sucessos lá fora, e cá dentro abusam da posição dominante, roubando literalmente portugueses sem capacidade económica e ainda os ameaçando com processos por incumprimento?

Portugal terá futuro, crescimento, aproveitamento da classe média, com a sua formação, a sua natural tendência para criar, inovar, investir, com a inflação de todos os bens relativamente ao que em todos, sem excepção, os países europeus fazem?

Este é o fruto do "trabalho" de um homem dito excepcional? 

Não é por demais evidente a falta de capacidade deste indivíduo que tomou o PSD a soldo de interesses de quem lá o colocou? Até o amordaçar de todas as opiniões divergentes se tem vindo a tentar. É admissível? Tolerável?  Algum grande homem se contenta com isto, ou, pelo contrário, se orgulha se ter contribuído para construir um país onde fervilham ideias e iniciativas livres e enérgicas, onde surgem até ideias para o mundo, onde a modernidade não assusta, mas antes o conservadorismo é calado? Só os fracos e inseguros, os que nada têm de seu na cabeça, temem ideias divergentes das suas. É o caso de Passos Coelho, era o de Sócrates, de Santana, de Durão, de Cavaco, de Soares, de Sampaio, de António Costa. Mas é, em concreto e para o que agora pretendem fazer com a lavagem da imagem do chefe, não líder, o caso de Passos Coelho. 

Se Costa é uma preocupação, pela desgraça anunciada, Passos é a certeza do vazio de novas e emergentes ideias, iniciativas e investimentos. Livres, sem ligações ao Poder e aos seus grupos fechados. Nenhum dos dois é uma boa aposta, uma aposta sofrível mesmo, para Portugal.

Onde ficamos, então? Pois...


19.6.15

A Grécia é dos gregos, a Europa é de todos?

Grécia. Crise da Dívida grega. Crise das Dívidas soberanas. Alemanha. Europa...

O "assunto grego", como outros mais, divide opiniões, uma vez mais na dicotomia (que insisto como ridícula) de direita-esquerda. Por vezes, apetece-me rir. Mas o assunto não tem nada de engraçado. Por vezes apetece rir, pelo facilitismo com que se entregam tantos aos moralismos "financistas" versus "não pagaremos". A realidade, distante do drama humano sírio, do drama humano de todos os países sob o jugo do Estado Islâmico, da Al-qaeda, do regime russo..do regime chinês (que erradamente é dado como politicamente consensual e pacificamente aceite, como se a dissidência de opinião, de pensamento, já fosse aceite)...essa realidade grega, a do povo grego, merece-nos muito respeito.

Não alinho com o espírito "não pagamos", muito menos por preocupação para com os credores, ou forma institucionalizada de agiotismo, do que com a viabilidade futura, e próxima, de uma país que se financia no exterior, mas que não cumpre com os seus compromissos. O que dará sempre em drama acrescentado ao drama actual, para o mesmo povo. E não serei juiz de um povo, se é superior, se é inferior, se trabalha bem, ou mal, ou se trabalha ou não trabalha. Sobre esse assunto, as opiniões, polémicas, terão de ficar nos bastidores, em casa.

Sobre os Governos gregos, todos maus, a coisa é bem outra. Nem um soube gerir uma oportunidade histórica. E, nesse aspecto, têm os credores razão. Com a Grécia, como com Portugal, um pouco menos com Espanha e o mesmo com Itália. Mas claro que, as diferenças carecendo de explicação complexa e exaustiva, também os "ricos" andaram a portar-se mal. Diferença essencial: podem ter dívida maior, mas o problema está, apenas, no pagamento dela, melhor, na garantia desse pagamento. Para ela, garantia, o essencial é ter uma Economia. Um país que funciona.

Outro assunto, igualmente complexo, é o da necessidade de termos sempre que crescer, um país, uma região, uma empresa, e até nós, pessoas (fosse hoje viável, e não um assunto de pura fé...). Simplificando muito, o crescimento sustenta a garantia de dívida e pagamento regular a credores, sustenta a melhoria de condições de vida e convergência com os mais ricos, sustenta a criação de tudo o que um país não tem, ou tem de mau, e necessita ou anseia vir a ter. E muito mais. Mas sem ele, nada é viável. Daí o meu tema de há dias: finanças ou economia.

A Grécia tem sido mal gerida, e, entenda-se mesmo a custo e dor, que não é viável a algum credor seguir no financiamento de um país, que não apresenta nada mais que a continuidade do seu desregramento, do favorecimento de grupos, do enriquecimento do sistema da corrupção e da quase total ausência de alteração de ambiente económico. Ninguém investe em outro, em tal cenário e condições.

O outro lado é o da albanização da Grécia, que se vê arrastada para um recanto de pobreza e recuo no tempo, que teme e tem profunda inércia em aceitar. Coisa muito diferente para Portugal? Ou ...talvez não. Não me escapa da memória, os cenários de Jared Diamond no seu "Colapso". Devíamos muitos de nós ler essa obra.

Alguém sabe o que irá acontecer? É difícil imaginar que países como a França e a Alemanha deitem janela fora a oportunidade de virem a recuperar qualquer coisa como (mais de) 170 mil milhões, cada um. É difícil imaginar, ou seria, não fosse o Syriza quem é, um Governo decidir um suicídio de todo o seu povo, pelo lado económico e social. Mas a possibilidade é real. E entre os dois extremos, muitos cenários, podem acontecer. Muito duro de aceitar, de entender sequer, é o abdicar de uma soberania e o sujeitar a toda a espécie de insultos, por parte de cada uma das pessoas que fazem parte desse mundo grego. Mas, pouco a pouco, afinal, também a nós acontece. Dia a dia. E, no final, seremos apenas sobreviventes. Se estaremos todos nessa Europa que um dia nos pareceu um sonho de melhoria de vida e de futuro...não sei. Sabemos hoje que, por cá, um dia se morrerá mais cedo, e mais doente, por degradação das condições de vida. Nem imagino o que estão a passar gregos, numa sociedade com mais de 30% de desempregados, alguns, muitos, ainda a meio da vida, que nunca mais voltarão a trabalhar e nem o sabem. Ou olham para o lado. Ainda. É neste "diferente" que há tanto de "igual" com os outros dramas de povos escorraçados da vida pelas guerras e pelas ditaduras.

Vota-se num Partido de "esquerda" quando não acreditamos numa política austera, de austeridade, muito defendida pelos que vêm o emagrecimento económico, o empobrecimento colectivo, como o único caminho para continuarmos cá, vivos. Vota-se num de "direita" quando nos damos conta de quanto a "esquerda" adora uma demagogia que cada vez se compra menos, que nos pretende relançar de novo em mais endividamento, na loucura já sobejamente conhecida, da má gestão, pública e privada, do despesismo, da gestão das redes de influências e do poder da maçonaria, da politiqueira mania do relançamento económico por via do investimento público, normalmente supérfluo, mas que contrata muito amigo, e gasta sempre demasiado.

A saída...deve estar no abandono destas visões dicotómicas e estereotipadas, tão parvas como ineficientes, mas todas desastrosas nos dias que correm. O conservadorismo, o liberalismo, o capitalismo de ha anos não é hoje solução em quase lado algum. Mas o comunismo, o socialismo de medíocres, das redes de amiguinhos...nunca o será, igualmente e nunca em algum lado triunfou economicamente. Lamento que a verdade custe tanto, a tanga gente. Mas as utopias, hoje, não levam a nada. A realidade é dura demais.

E não. A Grécia não terá solução. Um drama para o povo que lançou o mundo na Democracia e na Civilização que conhecemos.

18.6.15

A Europa e a Grécia, Junker e os idiotas

É incerta a origem do termo "Europa", mas com grande probabilidade é mesmo grega. Se não o termo, o mais antigo e valioso que se conhece da Civilização que hoje tentamos defender, sem nos darmos conta do desperdício de esforço, ou da aventura que é fazê-lo contra um país que por duas vezes arrastou um Continente para uma Grande Guerra e parece que descobriu uma outra forma de a devastar, de a afundar numa decadência de que julga ser a segurança-mor. Uma luta inglória?

O que é certo é que nem os disparates de alguém muito bem colocados se podem esfumar no alto de tão grandes responsabilidades, nem o exercício de elevados cargos e poderes isentam alguém de ser asneirão, parvalhão ou idiota. Mas nunca será desculpado por, ostensivamente, pretender ofender um povo. Se Junker imagina que ao tentar ridicularizar o Governo grego se coloca sob o aplauso da generalidade de nós, enganou-se. Eu sei que sempre haverá os que, membros não pensantes do seu clube decadente, confundem o seu gosto ou simpatia pessoal, por uma ideologia ou outra, com o respeito pelo que uma Democracia dá, de Direito institucionalizado, a um povo, de escolher quem bem entender.


Nunca devemos confundir os nossos preferidos com o respeito pela regra democrática, se ela assim o é. Como o foi a eleição do Syriza na Grécia. O erro é do tamanho do desrespeito pela Democracia. Outra coisa é termos e mantermos a opinião, contra ou a favor, do que um Governo, um Partido no Poder pode estar a fazer, que achamos de bem, uns, e outros, de mal. Normal. Mas um governante europeu, devia ser transversalmente democrata. E Junker demonstrou o que muitos antes deles já o tinham e continuam a fazer. São uns medíocres sem valor, uns idiotas que, pelo galopante desinteresse dos povos, têm atingido o Poder, em cada e quase todos os países da Europa, contribuindo para este disparate e alvo de chacota que é hoje este espaço, outrora orgulho de ser timoneiro da evolução humana e da evolução social e política. Um dia, este grande espaço, deixará de ser o sítio do bem-estar social e humano e se transformará numa Ásia do hemisfério norte, e, aquela, talvez uma europa do Oriente...

Junker, como Merkel são idiotas que nos atrapalham a vida, nos dão cabo do futuro e ou não querem saber, ou não sabem mesmo. Continuam com a "cassete", não a de Cunhal, outra tristeza, mas a da Austeridade. No entanto, a austeridade devia ser europeia, se somos um "espaço comum". Uma Grécia fora do Euro é uma desgraça? Para quem? A Grécia terá assim tanto a perder? Mais do que as medidas estrangulados dessa austeridade que sempre, sempre, sempre deu maus resultados e só serve para, dentro de um mesmo espaço económico haver ...um espaço de economia zero: o que uns ganham, outros terão de perder. Na mesma proporção. Este o projecto alemão.


O drama que conta

Somos instrumentos. Já sabíamos. Ouvimos notícias e vêm filtradas. Dias, semanas, meses que sejam, após tanta notícia e vamos ganhando anti-corpos, estereotipando, enchendo prateleiras da memória com simpatias, antipatias, amigos e inimigos de estimação. Parte dessa colecção de "tipos" que vamos fazendo crescer, é da nossa responsabilidade. Mas boa parte é-nos oferecida, como cromo de colecção já organizados por temas.

Uns de nós simpatizam com todos os países que prosperam, que passam pelas crises aparentemente incólumes, feridos ligeiros, os países desenvolvidos ricos. Há amigos da Alemanha e de todos os supostos defensores do que "está certo", contra tudo o que e quem, lhes seja evidente, estar errado. Há-os de todos os que são..."países de bem", como os há de "pessoas de bem". Uma ideia tão repugnante como a dos amigos das "coreias do norte" que ainda subsistem e persistem, venenos permanente, como que nos lembrar de quanto ainda há de incipiente no desenvolvimento humano. Mas essa incipiência há-a entre nós. Um conhecido qualquer que é um exemplo de sucesso no mundo empresarial, pode ser uma besta humana do mais básico e condenável que os princípios de uma civilização evoluída podem identificar, mas não rejeitar.

O mais próximo dos conhecidos, ou amigos ou familiares, pode ser a mais incrédula crença num ser abjecto que toda a raça humana já percebeu não merecer mais do que um esgar.


Podemos estar em presença, simultânea, de dois opostos tão extremos, como os cenários acima. E, no entanto, passa-nos, transparente e desconhecido o verdadeiro problema, o drama humano essencial, esse que nos merecia a atenção e a acção.

Podemos ter criado anti-corpos contra russos, chineses, árabes (generalizando), americanos, alemães...e não termos visto, porque não nos foi mostrado, ou não estávamos atentos, ao que conta. Ao que conta, de verdade.

Os refugiados sírios. Os refugiados de todos os actuais conflitos de África, Ásia. Os que sofrem na ditadura de um Maduro, de um Putin, do regime chinês- o país que se gaba de uma Revolução horizontal e única, uma revolução "cultural" onde a Desigualdade ganhou foros e pergaminhos nunca vistos num país "do Capital", "liberal económico"- do regime norte-coreano, do regime Angolano...Os que sofrem nos países que criaram ou desenvolveram a civilização que os que a usurparam dizem defender (Alemanha e Grécia, Alemanha e Portugal). Os dramas são todos dramas. São milhões de tristes histórias humanas para que contribuem os poderosos, directamente, e os indiferentes, indirectamente. São vidas perdidas, das quais nunca se saberá o valor que teriam, se não para nós todos, para eles apenas, com toda a legitimidade.

E a Informação, mesmo sendo o que hoje é, da Comunicação Social às notícias e informações passadas pela Internet, não são ainda suficientes para nos dar a real medida de tantas vidas despedaçadas.

Um pai sírio que se agarra a um filho ao seu colo, olhos marejados...vale menos do que um Alemão arrogante que opina sobre a inferioridade grega e portuguesa, como o desprazo que lhes adivinhamos e de que eu estou bem certo?