10.5.15

Os dias da Europa, no seu Dia



Um interessante programa da SIC Notícias, enaltecedor das virtudes europeias, das imensas capacidades, do futuro promissor, da grande capacidade científica, provavelmente económica, provavelmente social (sobre estas duas, lamento não ter ouvido o programa desde o início, mas será que perdi muito?)

É lindo ouvirmos os nossos representantes na Europa, os políticos portugueses mais bem pagos, que nos falam da Terra Prometida da Europa, que...os portugueses tão mal pagos, nunca conseguiram nem vislumbrar.

Sinceramente. Não estou a ser irónico, sei que têm razão em muito do pouco que ouvi, Carlos Moedas sobre os incentivos à Ciência, portuguesa e europeia. António Vitorino, eternamente entendido sobre assuntos europeus, Carlos Coelho, eternamente emigrado em terras de privilégios e bem estar, mordomias e protecção perante desgraças e misérias que matam ou ofendem de morte os sonhos dos mortais comuns. E, repito, não estou a ser irónico. Gostei do que disseram e acredito nas suas qualidades, intelecto e conhecimentos. Mas sei, todos sabemos, que na próxima segunda-feira, neste canto miserável da Europa, tudo está na mesma, desesperançadamente na mesma, ou, acordaremos com mais uma promessa de mais um roubo nos nossos salários, mais uma promessa de aumentos de custos essenciais, um deles a energia, para lermos que a tão portuguesa e querida EDP teve lucros de 900 milhões, num país com dezenas de milhar de gente da classe média qualificada, licenciada até, que auferem o ordenado mínimo, ou nem auferem alguma coisa, e sabem...que nunca mais terão futuro, nem verba para o próprio funeral. Mas ainda teremos de passar pela humilhação e pela ofensa, de mais assaltos do fisco, mais penhoras e, cúmulo máximo, teremos de levar com umas eleições onde não queremos votar, porque não queremos votar em nenhum dos actuais medíocres de baixa qualidade que se nos apresentam, e se propôem desgraçar-nos mais.

Perante isto, que só vos peço reflictam se será mesmo exagero meu, ainda há paciência para ouvirmos falar de uma Europa que nos quer como escravos desses que se auto-promovem como superiores povos e superiores decisores? Mais...

...ainda há Europa, por aí, para os portugueses?

Bem. Eu também sei que ainda pode muito ser feito para alterar tudo isto. Também sei que o sonho europeu e, afinal, o sonho português com e pela Europa, pode ser realizado. Mas sei que só com outras premissas, outras inteligências e um paradigma novo, político, social e económico.

Que ainda não surgiu.