Gratidão

Passados uns bons anos, desde o começo de uma aventura fantástica, que é viver...com a única forma de o fazer que conheço, intensa e apaixonadamente, dou por mim a avaliar, reavaliar e nem sempre concluir. Porque nem tudo tem resposta, e nem interessa que tenha. Mas tanta coisa tem valido a pena e assim parece continuar.

Não me arrependo. Do que quis fazer comigo, do que fui tentando ser. Mas, fundamentalmente, não me arrependo de ir juntando à minha aventura, tanta gente fantástica que só não me surpreende, porque, verdadeiramente sempre acreditei na natureza humana e, com muito mais propriedade, em todos os que fui conhecendo.

Numa viagem que se reinicia repetidamente, confirmo o que percebi nas pessoas, nas minhas pessoas.  Os filhos...parece trivial, mas não é. São uma confirmação de quanto vale a pena sermos apenas apaixonados pela vida, o que os coloca no centro de tudo isto, na maior razão de todas, pela vontade reconfirmada de ir persistindo e dando humildemente de mim o melhor.

Mas não me arrependo. Contra tanto que se possa imaginar, ou erradamente, apressadamente julgar, muito poucas foram as pessoas que me podem ter desiludido. E as poucas que o fizeram, nunca foram do meu círculo mais próximo, afinal, das que amei, com quem vivi, com quem aprendi.

E não me arrependo, nem me surpreendo, mas confirmo. Nada mais garantido tem sido, do que este acertar nos que fui conhecendo. E nos que ontem, hoje e provavelmente amanhã, vão enchendo os meus dias, tantas vezes sem o saberem.

Com cada pessoa podemos sempre aprender, não dessa forma mais visível, mas da maneira subtil, que nos transformam em mais ricas e melhores pessoas também. Há quem esteja longe e me encha tanto os dias. Quem há tanto tempo não me surge nos dias e fez e faz parte de mim. Quem o fazendo, nem pode alguma vez medir a dimensão da importância em que se tornou.

Aprendi que a distância não existe, na materialização de um pensamento de enorme satisfação. Só a saudade, essa repetida ânsia de confirmar a felicidade de os ter conhecido, diminui a euforia de os ter conhecido. Aos filhos, em primeiro, desde o dia um de me terem sido apresentados...tornados possíveis por uma experiência de que não me arrependo nada, com a mãe deles.

E a tantos amigos, e a todas as mulheres por quem um dia me apaixonei. E a vida continua a ser uma paixão. Nas coisas mais simples e na confirmação, repito, não na surpresa, ou talvez também nela, a gratidão deve um dia ser sentida e gritada assim.

Um dia pode ser, ou parecer igual a tantos outros, excepto o de o nascimento de um filho e a cada um deles, uma nova etapa e nova aventura. Um dia pode assim parecer, mas o engano é total, quando olhamos para trás e percebemos que na esmagadora igualdade dos dias, houve-os que nos tornaram a vida bem melhor. E já me aconteceu tantas vezes e por isso...não me arrependo. Há quem fale em erros, eu prefiro experiências, por vezes difíceis, mas seguramente fundamentais.

O que verdadeiramente me satisfaz é ter este pensamento que a surpresa é substituída pela confirmação, afinal. Como me poderia surpreender com pessoas fantásticas, se elas já tudo tinham em si para me fazerem sentir grato? Apenas não me tinha sido evidente.

Aprendi que não se aprende com livros, cultura, conhecimento, experiência. Apenas. Mas com a possibilidade de nos abrirmos a que nos entre na vida gente que faz toda a diferença, o fez e fará. Foi assim no passado. Continua a ser, porque esta aventura não termina aqui.

O dia de aniversário de uma filha confirma, apenas, que é necessário deixar testemunho, de quanto vale a pena. E tantos outros dias e momentos também. Por uma vez, falarmos de nós e deixarmos prova de que as pessoas é que fazem a diferença e confirmam o valor da vida, faz todo este sentido. O sentido da vida está nessas pessoas, de nenhuma me arrependendo, de todas me sentindo grato e a cada dia me preenchendo mais.

Grato, pois.

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