A lavagem da imagem do chefe

Em tempos de eleições ou pré-eleições, vivem-se os piores disparates, inventam-se verdades, muito á moda da propaganda usada pelas ditaduras. Um circo de vergonha. Uma palhaçada. Nada a propósito, Ribeiro e Castro demarcou-se desse circo onde ele, de verdade, não se enquadrava, demonstrando que para se ser útil, efectivamente, se deve ser o mais livre que se conseguir, ainda que a custo pessoal. Uma personalidade com espinha dorsal. E isto, a propósito de uma outra, que a não tem.

Fui dos primeiros a acompanhar a candidatura (a primeira) de Passos a líder do PSD. Nessa altura, ele concorria contra Manuela Ferreira Leite. Apoiantes de Ferreira Leite solicitaram o meu apoio e convidaram-me à AR para esse fim. Apostei em Passos nesse ano. Tinha-o ouvido a falar de temas fraturantes e, na altura, pelo menos, polémicos, como a legalização do aborto, a discussão dos casamentos homossexuais, a liberalização ou não das drogas. Mostrava um espírito aberto, moderno, uma atitude irreverente e parecia ter algumas ideias pela quais se iria bater. Seria uma lufada de ar fresco que o PSD bem necessitava, contra essa antiquada, conservadora e insuportável atitude que muitos, demasiados PSD's demonstravam (não digo já social-democratas, porque não o eram já). A reunião com militantes aconteceu numa das secções do PSD de Lisboa. O presidente dessa secção, um oportunista do pior, um dos que se têm servido da política, onde mentiras e atitudes o denunciaram até à denúncia e o (quase) descrédito, uma dessas figurinhas "à Relvas" e à "Sócrates" que nos têm envergonhado a todos. Passos...verificou-se ser um "flop". Não lhe reconheço hoje uma ideia. Uma visão, boa ou má, para qualquer coisa ou mesmo má. Mas atitudes, decisões...nunca vi tanto desastre num líder do PSD! Um menino. Teria todo o prazer em dizer-lho pessoalmente, se houvesse oportunidade e o mínimo de paciência para tal, e não fosse um simples desperdício de tempo. A desculpa, esfarrapada, de que teve de se comprometer com a orientação europeia...é a pior, se alguém a inventar. A Irlanda, país sem nada de recursos, nem minimamente comparável a Portugal em recursos humanos, ou naturais, fez o caminho que os homens de coragem e de inteligência fazem. Mas o seu caminho! Começando por não admitir certas imposições dos burros do FMI e da UE, como o aumento de impostos irracional que só aumenta a desigualdade, aniquila a única classe com capacidade para reerguer um país, a classe média. Mas a Irlanda possui um outro recurso: pertence ao legado do mundo britânco, séculos atrás país de bárbaros e incultos, e hoje referência do oposto. Um caminho que nenhum homem foi capaz de impulsionar para Portugal (excepto alguns monarcas de há muito. Tudo para dizer o que devia ser evidente para quem pensa e observa bem, livre de preconceitos, livre de pensar: Se Passos fosse uma pessoa excepcional (com "c" e a negação do AO 90 devia ter já acontecido, mais uma prova da falta de verticalidade, coragem e atitude, a prova de que o PSD não tem líder, efectivamente! O Partido de Sá Carneiro teve líderes, mesmo os que fizeram asneira, mas este é apenas um menino) nunca se teria rodeado de um Relvas (um indivíduo tal e qual como o Sócrates, sem qualquer formação para os cargos que ocupou, e apenas com a esperteza brejeira e reles com que Sócrates nos estafou), um Marco António, e enfim...outros mais que até estão na minha lista de amigos por aqui. Teve a sorte de alguns serem homens de valor, mas ainda assim com essa triste senda de terem feito parte de um Governo que não fez pior, mas nada de melhor fez por Portugal. Sei que muitos insistem na defesa da "camisola", porque sim. Mas eu nunca o farei, em algum lugar, Partido ou empresa. Seria o meu pior contributo. Passos deveria ter aberto o Partido a receber ideias e contributos válidos de gente capacitada, mas fez o oposto, fechou-o mais. Rodeou-se de vices que nada parecem ter na cabeça e nada até hoje demonstraram. Depois de Passos, porque o haverá...uma campanha hercúlea caberá a quem se seguir e não invejo esses trabalhos a alguém. Como João Jardim, deixará um deserto onde será precisa muita cabeça que agora não se vê. Dizem os seus apoiantes "sim-sim" que o país está melhor. Até revolta ouvir ou ler tais coisas. Só esteve pior com Soares, e em nenhum outro momento. Os indicadores...até eles pouco verídicos, nada dizem de um país desenvolvido, onde a Educação, a Saúde, a Segurança Social, o Emprego, a Classe Média, o Investimento de valor e de futuro (porque o dinheiro não é mesmo todo igual), a Ciência e a Tecnologia...são hoje uma sombra do que tinham começado a ser, são problemas e não casos de sucesso, são tudo áreas onde se destruiu, porque só se fez burrice e disparate, porque NÃO HÁ LÍDER E NÃO HÁ INTELIGÊNCIA. As minhas desculpas..pela urticária que este "menino" me provoca...

Hoje, verifico a razão que as razões de Ferreira Leite deu na altura, há anos, contra Sócrates e os motivos que a levaram a impedir Passos de ser o líder. Durou pouco, porque parece que os interesses dos grupos de interesses falam mais alto. Os interesses de quem colocou Passos onde não devia.

Várias vezes vi acertarem as minhas visões sobre homens e decisões políticas e as previsões que fiz e escrevi. Fi-lo com Sócrates, tinha-o feito com Santana e, antes, com Durão. Também com Soares, com Soares Carneiro, com Sampaio. De nada me serviu, mas muito pior, de nada serviu ao país, eu ter acertado. E a confirmação do que fui dizendo e escrevendo, tenho-a tido aos poucos, mas certeiras e seguras. Mas outra vezes, como com Cavaco, com Guterres, com Eanes, me enganei, pela positiva ou pela negativa.

Com Passos e com Costa, não me enganarei, a sua mediocridade é gritante e preocupante para Portugal. 

Dar-se-ão mesmo conta do que andam a fazer à Saúde? Que me interessam as mentiras de idiotas estatísticas, mesmo internacionais, se infelizmente quando necessitei, constatei repetida e insistentemente a desgraça que é o nosso SNS? Se somos África, então está bem, concordo, estamos muito bem. 

Dão-se conta do que andam a fazer à Educação? Onde está uma visão para uma área tão fundamental? O Ensino para capacitar para o mundo do trabalho (e onde está o mundo do trabalho se se paga a um Engenheiro o Ordenado Mínimo Nacional)? E as novas descobertas no mundo das neuro-ciências que desmentem esta orientação de Crato, de nada servem? Crato, uma desilusão mais.

E que pensa fazer Pires de Lima? E porque Poiares Maduro tudo justifica, um homem da sua inteligência e formação? 

Onde está o investimento de Futuro, onde Portugal se poderá enquadrar num mundo onde uma Coreia do Sul dá lições de sucesso e modernismo, liderando a cada dia? Portugal terá futuro apenas com grupos de distribuição de arroz e massa, ou de empresas em oligopólio que se vangloriam de sucessos lá fora, e cá dentro abusam da posição dominante, roubando literalmente portugueses sem capacidade económica e ainda os ameaçando com processos por incumprimento?

Portugal terá futuro, crescimento, aproveitamento da classe média, com a sua formação, a sua natural tendência para criar, inovar, investir, com a inflação de todos os bens relativamente ao que em todos, sem excepção, os países europeus fazem?

Este é o fruto do "trabalho" de um homem dito excepcional? 

Não é por demais evidente a falta de capacidade deste indivíduo que tomou o PSD a soldo de interesses de quem lá o colocou? Até o amordaçar de todas as opiniões divergentes se tem vindo a tentar. É admissível? Tolerável?  Algum grande homem se contenta com isto, ou, pelo contrário, se orgulha se ter contribuído para construir um país onde fervilham ideias e iniciativas livres e enérgicas, onde surgem até ideias para o mundo, onde a modernidade não assusta, mas antes o conservadorismo é calado? Só os fracos e inseguros, os que nada têm de seu na cabeça, temem ideias divergentes das suas. É o caso de Passos Coelho, era o de Sócrates, de Santana, de Durão, de Cavaco, de Soares, de Sampaio, de António Costa. Mas é, em concreto e para o que agora pretendem fazer com a lavagem da imagem do chefe, não líder, o caso de Passos Coelho. 

Se Costa é uma preocupação, pela desgraça anunciada, Passos é a certeza do vazio de novas e emergentes ideias, iniciativas e investimentos. Livres, sem ligações ao Poder e aos seus grupos fechados. Nenhum dos dois é uma boa aposta, uma aposta sofrível mesmo, para Portugal.

Onde ficamos, então? Pois...


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