O que nos pode chegar do berço da civilização europeia?

O Syriza vai ganhar amanhã, numa profunda reviravolta política, numa Democracia europeia. Ou talvez não. Ganhar, provavelmente sim. Mas Tsipra irá conseguir mudar alguma coisa na política germânica da Europa, que, aliás, tem conduzido a União a um pré-caos político e a um desastre social a confirmar, uma falhanço económico já confirmado?

Tsipras quer o perdão de metade da dívida grega. Bruxelas já vai dizendo que não. Relevante? Como atitude, provocação, ou seriamente assumida, sim, é relevante. E de resto? Porquê metade da dívida? E que solução isso traria à Grécia? E se Bruxelas resistir, aliás Merkel? E...porque Merkel tem de se meter em tudo e decidir quem morre e quem fica? Merkel consegue mesmo persistir neste papel de Kaiser (César em alemão?) que aponta o polegar para cima ou para baixo, consoante o destino que pretende para o gladiador escravizado em causa?

Tanto acho que Bruxelas não tem razão, não pelo dever de um país cumprir com uma dívida contraída, mas pelo valor que atingiram as dívidas soberanas, por parte da responsabilidade na sua existência, e pela cega insistência numa austeridade sem qualquer, repito, amigos, Qualquer justificação. Já me cansei de explicar o absurdo de tanta coisa, desde o contrair de dívidas nos montantes em que os países as contraíram, Alemanha incluída, até ao agiotismo permitido num espaço europeu que há muito perdeu o seu sentido de justiça social. Não. Não se trata de uma simpatia de meia-idade com o extremismo tipo-siryza. Mas de algo bem mais profundo e mesmo científico. A austeridade veio na sequência de um conjunto de decisões erradas, nomeadamente do absurdo do relançamento do investimento público, tal como Hollande pretende, ainda, e Costa quer perseguir. Essa mania de colocar o Estado no papel de dinamizador de economias nacionais, trouxe vários países à calamitosa situação sem saída. E daí à austeridade foi apenas mais um passo, já previsto no conjunto de acções que os agiotas hiper milionários, construtores-conspiradores da enorme e suicidária desigualdade (de rendimentos e de patrimónios) têm vindo a preparar. No mesmo barco estão financeiros, como politicos ao serviço do mesmo sistema, e isso, nada tem a ver com áreas políticas. Da "esquerda" à direita, quem ganhou com o crime das inconsoláveis dívidas soberanas, e com a posterior austeridade, não tem mais do que o mesmo interesse: fazer parte do super exclusivo grupo que enriquece, desde há vinte anos, ou mesmo mais, com o empobrecimento em democracias que deixaram de ser soberanas. Disseram-no Stieglitz, Krugman e agora Piketty. Nenhum tem alguma a ver, ideologicamente com os outros. E todos, e muitos mais, confirmam: as dívidas, as austeridades e até a mediocridade políticas servem o mesmo interesse, conspirador.

Neste contexto, surgiu um Syriza, como seria impossível não ter surgido. Muitos se regozijam agora, como tenho visto membros de Partidos portugueses, conservadores fazerem-no.

Mas, o lado, as intenções e opções do Syriza, levam a Grécia a algum lado? Temo que não, e o receio nem é pelo disparate que os gregos se preparam para fazer. É apenas por se vir a confirmar inútil. Ainda que a Grécia ganhe a batalha da sua dívida. Nem assim irá a algum lado. As crises económicas e sociais nos países europeus têm de encontrar soluções a iniciarem-se por algum lado. E, mesmo que o ponto por onde alguém quiser começar, se verifique errado, tudo me parece demasiado pouco e ainda pior, a solução de um país democrático poder passar por um Partido com aspirações anti-democráticas ou, no mínimo, muito coladas a posições de países de regime totalitário, ou movimentos extremistas e violentos, não augura nada, se não de muito mau. Pelo menos, iníquo.

Não sou contra algum radicalização da política, quando o "correcto" já deu provas de não funcionar. Mas pelo menos que seja um extremar democrático e não um extremismo de extremistas, grande diferença nos resultado, estou convicto.

Por isso, a coisa grega não me parece que vá passar de mais do que um número de circo político inconsequente. Mais um. Se estivéssemos a assistir a uma reforma de Regime para que fosse assegurado o poder por alguém de uma inspiração política sensata e equilibrada, já algo se poderia ter como esperançoso. Mas ainda não será desta. Nem por vir do país berço da civilização europeia, ou, sintomaticamente, aliás por mais indício de decadência europeia, ou confirmação, como tudo nos tem sido gradualmente configurado.

Le Pen em França e Tsipras na Grécia? E na Alemanha uma Merkel a estrebuchar?

Do leste da europa nada de novo parece vir. Infelizmente, nem do centro, norte, sul ou oeste...

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