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A mostrar mensagens de 2015

A luz que é preciso ver

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Ao fundo, aproximava-se uma nuvem que não era bem-vinda, porque vinha carregada de tudo o que não era esperado, nem desejado. Mas não se sabia. O dia começara havia pouco e num céu que queria ficar azul, havia esse anúncio que não se adivinhava. Normalmente, não dava qualquer importância a uma simples nuvem pressagiante, pois presságios, adivinhações ou determinismos não eram da minha esfera de preferências.
E o dia foi andando e não foi andando bem. Sempre recebia essa luz, pouco a pouco, uma e outra vez, e a queria receber e nem ela a conseguia ou sabia receber bem. Foi-se consumindo o dia, porque todos se têm de gastar. Uma fatalidade, por vezes abraçada, por vezes detestada. Num dia branco, sem ocorrência que se quisesse memorizar, querer-se-ia que continuasse branco, até que a negra noite o apagasse de vez.
Foi música e leitura, poucas. Foram pensamentos parvos e ansiedade e tudo continuava à espera de correr bem, antes que a dança acabasse, antes que se apagassem a luz e a sala…

A prova social e a falácia

Viver em sociedade é um caso de estudo. Desde há muito. Mas há algumas falhas fundamentais, nos estudos sociológicos, muito vincados à disciplina da investigação. Um problema da Ciência, que a ela mesma nunca quer reconhecer. O simples facto de muito investigador se dedicar a um mesmo assunto, ou a assuntos próximos, perverte o raciocínio e principalmente os resultados, feridos de demasiada estatística. 
Em sociedade vivemos todos, mesmo que os nossos dias se limitem a acordar e adormecer numa povoação remota, numa habitação isolada, apenas com a família e o trabalho nos campos adjacentes. Uma família é também uma organização social, ou a sua célula mais elementar.
E viver em sociedade pressupõe, ou deveria, um comportamento colaborativo, teoricamente existente. Ele existe, quando entramos num transporte público, e há mais pessoas a entrar às quais não podemos ser indiferentes, ou pelo facto de todos os lugares estarem ocupados e nos termos de cingir a ficar de pé, mesmo sem contarmo…

O mundo perfeito somos nós

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Num mundo perfeito, abraçaria a neve e com ela faria bolas cintilantes e flocos em estrela para tas oferecer, assopraria as nuvens que se quisessem tornar cinzentas não as deixando pairar sobre ti, escorraçaria o frio para que o mundo fosse um abraço quente e te envolvesse.

Num lugar único, ergueria uma cidade onde sentisses tudo perfeito à tua volta, a música te deixasse dançar entregue à alegria e ao êxtase, o tempo não fosse medido em dias ou horas mas em momentos
perfeitos, que se encaixassem em teu redor, à medida do que tu quisesses.



Num abraço forte, iria proteger-te e nunca mais te queria vir sair dele triste ou indefesa. Num beijo, te daria um mundo novo que quisesses provar e nele te envenenasses para sempre. Num momento de paixão te prometeria tudo a teus pés. A fazermos amor...

...te levaria à Lua mil vezes, só para ter o prazer de voltar e te levar de novo, uma, outra e uma vez mais.

Se o mundo fosse perfeito, não existiríamos nele. Porque somos gente e gente normal e nes…

Uma fracção apenas

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Temos momentos e tantos momentos. Aquele em que tentamos gerir o ruído à nossa volta, da pressa automática e nervosa de tudo. Aquele em que não queremos ouvir nada do que nos parecem querer dizer, sem o querer, por quase gritarem num locar público, as suas vidas, as suas opiniões, desaforos, ou até as suas declarações de amor. Não é nosso, nem para nós e não queremos saber.

Só queríamos ter um espaço de silêncio para pensar, ou tentar inclusive a impossível ausência de pensamento.

Temos momentos em que o silêncio que até procurávamos nos é tão pesado, que tudo daríamos por um bocado de ruído dos outros. Temos momentos musicais. Temos momentos de assombro por alguém. Momentos de emoção e comoção. De auto-comiseração, sempre julgado ilícito por alguém. De altruísmo, puro ou maculado. De egoísmo saudável, ou condenável.

E temos tudo, em momentos, estanques ou confusos e entrelaçados. "I am a strange loop", escreveu Douglas Hofstadter. E somos todos, a vida toda.



Há sempre uma l…

Alvorada algo fria

Está a chegar o frio. Há quem diga que pensamos melhor com o frio. Confesso que eu...sinto frio. Mas talvez exista uma razão para que se diga tal coisa. Talvez o calor ambiental nos puxe fisicamente, nos leva a actividades no exterior das nossas casas. O frio, pelo contrário, deixa-nos em casa, e em actividades no interior, da casa e de nós. São conversas mais demoradas com os nossos, são as memórias que elas trazem, são as nossas leituras, os filmes e tudo o que, também nos leva a, talvez, pensar mais.

O frio logo pela manhã ainda a aguardar o despontar do Sol, é provavelmente revitalizante, se sairmos à rua, para um pequeno passeio. Um revisão de momentos vividos, bons e maus, um esquema mental qual folha de cálculo na cabeça, para alguns planos para tempos próximos. Como a formiga, talvez, a preparar outro frio, mais intenso, outro calor humano, mais compensador.

O Sol já começa o seu dia connosco, deixando outros no início da noite, levando-nos a mais um dia que ainda mal descorti…

Opiniões e ideias

O que é uma ideia e o que é uma opinião? Todos sabemos, provavelmente. Uns, até terão melhores palavras, melhor forma de explicitar o que uma e outra coisa são do que eu. Mas esta é a minha ideia, sobre as ideias e sobra as opiniões que temos, sobre acontecimentos, sobre projectos, planos e, claro, ideias.

Um ideia sobre alguma coisa, um objecto, um acontecimento, uma pessoa, muitas pessoas...é uma criação nossa, mental, e ainda vivida com o que ela nos transmitir fisicamente, visto que nas ideias, as emoções também estão presentes. Esta uma forma demasiado simplista e redutora, para intencionalmente simplificar, sem entrar numa das áreas de Conhecimento que mais aprecio e me fascina, a Filosofia.

Uma ideia existe, sem ter de se sujeitar a uma comprovação, ou mesmo a uma comunicação da mesma a outros. Não é por a termos apenas para nós, sem a escrevermos, o que tem, aliás, muitas limitações inerentes à nossa capacidade de materialização de ideias e da sua explicitarão, que a ideia dei…

A verdade e a sensação de felicidade

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Dan Gilbert, psicólogo de Harvard é conhecido pelas suas pesquisas sobre a nossa percepção de Felicidade.

Gilbert chegou à conclusão que não temos mesmo a noção do que temos como Felicidade, do que nos faz felizes. Surpreendente. Se perguntarmos a alguém porque se sente feliz, normalmente a pergunta apanha a pessoa desprevenida. E normalmente, diz Gilbert, a resposta é uma recriação, muito pouco correspondente com a realidade.

O nosso cérebro é o único capaz de criar imagens e sensações e quase adivinhar o nosso estado de espírito perante um acontecimento que ainda é futuro. Somos capazes de "sentir" um toque, num tecido, ou um sabor de uma comida que ainda não provámos, um odor que nem ainda cheirámos. Não parece assim tão surpreendente, mas é. E esta interpretação da felicidade é, segundo Gilbert, mais uma criação mental do que, com frequência, uma percepção ou uma noção real.

Provavelmente, Gilbert não inclui a sensação de felicidade perante sentimentos forte, excepto se …

Mãos

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Olhava as mãos como frequentemente fazia, como numa espécie de aquecimento, antes de começar a procurar as palavras, com que queria preencher espaços no papel. E, mais uma vez, não entendia, tinha de estudar este assunto. A transmissão de uma ideia, começava onde? Na percepção do mundo, provavelmente, muito antes de vir a saber sequer se alguma ideia lhe surgiria, se algum recanto novo de mundo podia fazer surgir, com a palavras. Reais ou não. Bem, reais são todas, o que traduzem é que pode não ser. Isso já pensava ter esclarecido.
Mas este processo... uma, duas, milhares de impressões, conscientes, ou subtis, inconscientes, e algo novo se geraria, ou a confirmação, repetição de algo já demasiado conhecido. Aquela janela ali, aquela luz filtrada, ajudariam. Era uma luz serena, redonda e doce, silenciosa, sem atropelos e ruídos obstaculizantes. Era a sua luz preferida, para pensar, ler e escrever. E, olhando as mãos magras, dedos esguios, pensava poder teclar melhor, com mais destreza…

Prepararmos-nos mentalmente, mas...

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Cortisol e epinefrina. Hormonas que intervêm em resposta ao stress. Que também têm um papel na regulação da glicose e de funções alimentares, desempenhando, por isso um papel na nossa dieta alimentar. 
O cortisol é produzido nas glândulas supra-renais e o colesterol está na sua base bioquímica. E em situações de stress, o cortisol, que é considerado tóxico, a nível cerebral, dá-nos uma sensação de nevoeiro mental, de confusão, por um efeito ainda em estudo, mas provavelmente associado ao constrangimento dos vasos sanguíneos o que, aliás, nos faz responder ao stress, pelo desconforto e de um ritmo cardíaco mais elevado, descontrolado também. A nível mental, a sensação de falta de controlo racional e emocional, provoca-nos a necessidade de uma reacção contrária, para bloquear o stress. 

O nível de produção de cortisol, tóxico em excesso é importante na defesa, na prevenção de situações stressanets e na preparação do nosso sistema de alertas, em conjunto com outras hormonas.O stresse exces…

Dias. Há dias...

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Uma vez por outra, cai-nos a Lua em cima. Não é não esperar, é não querer mesmo. Mas não há como fugir dela a tempo e ...quando nos damos conta, lá fomos esmagados pelos nossos melhores sonhos e pelos mais temidos pesadelos. E depois?

Fôramos de pedra e faria alguma diferença, algum efeito? Somos de carne e muitos neurónios e estes malandros pregam-nos com cada uma...

Pois é. Se arranjarmos uma caixa para arrumar todos os nossos erros e disparates, todos os nossos excessos mais odiados, e com eles, a cobrir tudo antes de fechar a dita caixinha, os nossos mais pesados remorsos, talvez a caixa se verifique ser maior do que todo o nosso mundo e mais longa ou complicada de deslindar, se a abríssemos, que uma vida inteira. Por sinal, talvez tenhamos todos uma caixa de Pandora privada e que preferiríamos esconder no sótão mais remoto que encontrássemos. Mas Pandora é sagaz e foi inventada para nos retirar a serenidade. Salta-se-lhe a ela, e a nós, a tampa...

Nessa caixa, que guardaríamos, b…

Daqui à Lua

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Daqui à Lua, não é um saltinho.

Ir à Lua é uma expressão interessante. E algo mágico pode esconder. Normalmente, significa que há algo que nos faz sentir completamente fora de nós, uma outra expressão carente de explicação. Um aspecto intrigante nestas expressões é precisamente o facto de elas pretenderem resumir uma ideia de algo forte, muito intenso, ou muito difícil de explicar e serem assim usadas, tendo como resultado dificultarem ainda mais a explicação. Que fica, então, ainda menos clara e, até, algo misteriosa. O fascínio em certas expressões está em algo de mágico e de impossível. Uma das maiores dificuldades da linguagem, como tais expressões bem exemplificam, é a quase impossibilidade de se conseguirmos exprimir uma ideia, um sentimento, uma sensação, um momento de intensidade emocional ou de prazer muito absorvente ou transcendental.



Ir à Lua, ser levado à Lua, levar à Lua. Porque a Lua foi um mistério durante muitos séculos. Porque era em si mesma, tão visível e tão inexp…

Gratidão

Passados uns bons anos, desde o começo de uma aventura fantástica, que é viver...com a única forma de o fazer que conheço, intensa e apaixonadamente, dou por mim a avaliar, reavaliar e nem sempre concluir. Porque nem tudo tem resposta, e nem interessa que tenha. Mas tanta coisa tem valido a pena e assim parece continuar.

Não me arrependo. Do que quis fazer comigo, do que fui tentando ser. Mas, fundamentalmente, não me arrependo de ir juntando à minha aventura, tanta gente fantástica que só não me surpreende, porque, verdadeiramente sempre acreditei na natureza humana e, com muito mais propriedade, em todos os que fui conhecendo.

Numa viagem que se reinicia repetidamente, confirmo o que percebi nas pessoas, nas minhas pessoas.  Os filhos...parece trivial, mas não é. São uma confirmação de quanto vale a pena sermos apenas apaixonados pela vida, o que os coloca no centro de tudo isto, na maior razão de todas, pela vontade reconfirmada de ir persistindo e dando humildemente de mim o melho…

A mente social

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Quando estudamos a evolução humana, normalmente pelas ferramentas das ciências sociais, há aparentemente um aspecto que deixamos para trás. O do conhecimento do próprio cérebro, que ainda começa a ser desvendado.

Até 1950, antes de Roger P. Sperry da Universidade da Califórnia, a ciência assumia que um cérebro inteiro, com dois hemisférios tinha um mais avançado do que o outro. Incrível, não? Aos dias de hoje, a quem não parece isto inacreditável? Antes de Sperry ter apresentado os resultados de testes efectuados em pacientes com epilepsia, a quem tinha sido removido o corpo caloso, que une os dois hemisférios cerebrais, o cérebro era assim visto: Paul Broca nos anos de 1860 e Carl Wernicke tinham descoberto que o hemisfério esquerdo tinha a capacidade da linguagem.

Coloquemo-nos no lugar destes dois investigadores neurologistas. Não é a linguagem um dos aspectos que mais nos distancia dos animais? Não haverá quem não concorde. Nestas premissas, reside uma das vantagens, e igualmente…

A tentar ler Mário Cláudio

A tentar ler...

Nos silêncios se revelam mais palavras do que no uso delas? Não sei se alguém, alguma vez o disse. Mas nos momentos raros de silêncio, a corrente selvagem dos pensamentos pode conduzir-nos a algum lugar, dentre tantos sem definição qualquer.

A vontade de fazer algo de novo, escrevendo, que se adia, perante as notícias que se ignoram, as companhias de que nos ausentamos, por nada mais do que procurar o vazio recuperado da ausência de palavras, actos e compromissos que se não pretendem, de que não nos queremos ausentar, por nada mais do que vermos todo um mundo cheio de tanta sensação que não se consegue explicar, ou não se quer, cabalmente. O mundo está louco todos os dias, e nos mesmos lugares de exercício de loucura premeditada, uma, duas, milhares de histórias de bom senso e de amor podem estar em simultaneidade. O mundo que se lê, na Síria, como na Venezuela, na Rússia, como no Brasil, em fragmentos de misérias, grandes e pequenas, por toda a Europa das Civilizações…

Da Natureza da Realidade

A História é uma das matérias de registo, além da estatística e das ciências, pelo percurso da sua evolução. Mas a mãe da memória da Humanidade e até dos ambientes e dos meios naturais é a História. Essa mãe, matriarca da Memória, é porventura a parente pobre, paradoxalmente dos percursos muitas vezes felizes e bem sucedidos da nossa evolução como espécie, outras tantas, infelizes, demolidores do que antes fora construído e testemunha da novos ciclos de atraso evolutivo.
É pela História que podemos tomar conhecimento do mundo que nos antecedeu, é a ela que, noutros momentos, ou alguns de nós depositam a maior indiferença. Eventualmente, a História devia ser um repositório de verdades, boas e más. Frequentemente ela é usada para favor um favor aos amantes da mentira.
E a verdade, como sabemos, dificilmente é uma. E na História se misturam, intencionalmente, essa dificuldade de relatar uma verdade, ou usar a mesma dificuldade de a identificar, para transmitir uma herança de mentiras. E nã…