31.10.14

Passos e o jornalismo

Já li vários comentários de jornalistas que se indignaram com as palavras de Passos Coelho, que os apelidou de preguiçosos e patéticos. Compreendo os jornalistas. Embora até concorde com Passos, em relação a alguns deles, os famosos vendidos ao clube de esquerda, preguiçosos não na investigação jornalística, mas no simples exercício mental. Ao contrário de Soares o raivoso e triste pseudo-democrata, penso que a defesa cerrada de um clube, sem interrogações pessoais, denota muita preguiça mental e muita, demasiada, ignorância sobre o que hoje acontece no mundo.

Mas obviamente que Passos se tornou mais patético do que já era, ao afirmar o mesmo sobre os jornalistas. 

No entanto, preocupa-me bem mais um outro aspecto desta novela, que os jornalistas normalmente adoram alimentar. Não sendo exclusiva deles esta atitude, pois quase sempre uma classe se defende desta forma, quando acha que se deve sentir deontologicamente ofendida. O que é outra forma de ridículo. Dou de barato a existência de uma classe, neste caso de jornalistas. Mas acho muito pouco inteligente que alguém se sinta mais da "classe" do que de si mesmo. Quero dizer, a classe não é homogéneas, como alguma outra também não o é. O que torna ridícula uma atitude que se está a generalizar.

Preocupa-me muito mais outra essência. A da mediocridade de tudo isto, a da leveza e pouca profundidade destes sentimentos. Bem mais importante do que o sentimento de jornalistas, sejam eles dez ou dez mil ofendidos, é o que sente o povo português, esse sim, enquanto cidadão, que devia ser participativo, é alvo primordial das acções de alguém que até é Primeiro-ministro. 

Trata-se de um PM que foi "gestor" (se ao menos ele fizesse ideia do que isso é...) de uma empresa, como tantas, a prestar serviços fantasma, mas paga pelo Estado, por nós, com dinheiro real. Trata-se de alguém que, como Durão Barroso, sempre se prestou a mordomo de Merkel, essa idiota que só faz asneiras, mas por ser chanceler de um país mais rico, muitos adoram reverenciar. Um sim-sim de um país de gente cega, que nada entende de uma Visão europeia, pela forma distorcida e arrevesada como se tem visto e lido opiniões, como donos de uma opinião incontestável sobre o que a mesma Europa, com mais 26 países para além deles, sobre o que interessa não ao seu futuro apenas, mas a esse e ao de todos os outros. Por isso insisto no epíteto de asinina para dita senhora. Como se atreve? E como se atreve o nosso PM à mesma interpretação? Como se atreve a fazer pagar, empobrecendo, sem reversibilidade possível, em útil tempo de vida, um povo que nada tem a ver (NADA) com os desvarios de loucos do PSD e do PS? Maus políticos e péssimos gestores. E vem aí pior...Costa já anda a prometer asneiras de novo: restituição (sem fundos para tal) dos cortes nos vencimentos, na totalidade, num só ano. Mais despesa de investimento, claro, pois sem isso o PS não sabe viver.

O que amigos meus, infelizmente muito sectários, defendem é que não havia outro caminho, que não esta austeridade, e é totalmente falso. Rigor, não austeridade. E se ela é necessária, sempre o seria em específicos sectores. Exemplo: Portugal não tem recursos para despesas superiores a 70 mil milhões de euros e ainda anda acima dos 80 mil milhões. O que fez Passos sobre isto? ZERO. 

De reformas, que agora muito bem entidades suspeitas nos apelidam de muito reformadores...o que foi estrutural? Quase nada. Daí o perigo de um Costa maçónico no Poder. Das duas uma: ou lhe acontece o mesmo que a Hollande (como eu escrevi que iria acontecer) ou nos rebenta de novo com as contas e teremos o quarto resgate pela mão do mesmo Partido, sempre o PS.

O que me preocupa é este entretenimento do nosso Primeiro-ministro com o duelo de palavras muito ao gosto do PS e de um certo jornalismo, e não a preocupação com o que fez, e fez muito mal, e nos deixou não melhor, como diz, mas pior do que estávamos. Ao contrário do que diz Passos, e o actual PSD de interesses e grupelhos (bem igual ao PS, mas amigos meus não são capazes de ver isto, com a mesma doença da "camisola" que infesta o PS) o país não está melhor. Em nada. Portugal está sem capacidade para nada. E uma crise como a que aí vem, com a recessão alemã e francesa, e esperemos que não com a Guerra de novo... vai asfixiar Portugal até ao limite.

Conheço empresas que outrora podiam ser uma promessa, mas onde o aproveitamento da crise levou a que despedissem pessoas altamente competentes, para ficarem elas, agora, à beira do fim. Fim que ainda nem identificam. Dou-lhes, a essas, no máximo, dois anos de vida. Uma pena. E algumas conheço de dentro. E por aí há muitas mais. A teoria (que também defende algum amigo meu...) é a mesma que afundou os EUA: aumentar os vencimentos dos gestores e reduzir os dos colaboradores, com a pressão do desemprego, sim: reduzir. E, depois, despedir. Gente bem mais capaz do que os gestores em causa. Falo do que conheço. Muitos de nós conhecem mais exemplos destes. E isto veio com esta crise, e com a bela austeridade, que por cá, Europa, e por lá EUA, tem servido o interesse do  enriquecimento dos do topo e o empobrecimento dos demais. O fosso da desigualdade aumentou. Pela mão de Passos, de Merkel, de Barroso, do FMI, da Troika. E não me venham com histórias. Não há fuga disto e é bem real. E nunca perdoarei a esta gente menor, sem qualquer visão de futuro, ou alguma réstia de humanismo e boa gestão, no presente.

Isto sim é assunto e não as palavras parvas de um PM sem estofo para tal. Ou uns comentários, de facto idiotas de algum jornalismo vendido.

30.10.14

A Energia da Europa

A União Europeia fundou-se no princípio de livre circulação de mercadorias (e pessoas) e na cooperação económica geral entre os Estado Membros. Desde a ideia inicial e a fundação, que partiu da CEE e das outras comunidades da altura, como a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, houve uma crescente complexidade de regulamentações, de crescente burocratizarão do espaço europeu, mas muitas vertentes ligadas à actividade económica se mantiveram com poucas, ou não muito significativas alterações.

Um espaço económico da dimensão da Europa, o maior mercado do mundo, o maior exportador mundial, no conjunto dos países da UE (onde a Alemanha foi até há pouco o maior país exportador mundial, recentemente ultrapassado pela China), outrora a zona mais importante de produção mundial, não se percebe porque não avançaram mais as políticas de coordenação energética, no sentido de mitigar a dependência do exterior, que é a maior em todo o mundo.

Dentro em pouco, um a dois anos, no caso de Angola, ou cerca de cinco a dez anos no caso do Brasil, os países do Atlântico crescerão em importância, face ao médio Oriente, na produção de petróleo. Só este facto, acrescido ainda da quase independência dos EUA, com o petróleo, gás natural e gás de schale (de xisto), a geopolítica da energia será profundamente alterada. Não se sabe bem que consequências advirão em termos de preços para a Europa.


Mas na Europa, as políticas de preços e impostos dos produtos petrolíferos são muito díspares, tal como a dependência de cada país face à energia. Há países grandes produtores de energia nuclear, exportadores, como a França e a Bélgica, e outros onde a transformação do panorama energético se tem vindo a alterar radicalmente, com as energias alternativas, que ainda estão no limiar das suas possibilidades. Outros, mais a Norte, ou a Espanha aqui ao lado, têm uma grande capacidade de produção de energia hidroelétrica, a par de eólica e solar (Espanha).

Entende-se que, sendo as capacidades de cada país tão distintas, e as inerentes dependências de outros, a coordenação da política energética não seja um tema fácil. Mas sabe-se, por outro lado, que a nossa dependência generalizada de petróleo e de países que nos ameaçam a paz, e se radicalizam de forma crescente e preocupante, nos deve levar a reflectir em novas estratégias para a Energia na Europa.

Há ainda, ou principalmente, os interesses, poderosos, e muito próximos da política, em todos os países, das empresas ligadas ao sector. Mas a continuidade desta situação, com as alterações eminentes nos mercados mundiais da energia, não nos augura dias melhores, mas provavelmente mais dependência, mais disparidades entre países, e falamos de um factor de competitividade de importância crucial. Para além de afectar profundamente a vida, o poder de compra, o orçamento familiar, dos cidadãos nos diversos países.

Penso que a Energia será um dos sectores a necessitar de mais atenção dos Estados europeus da UE, e infelizmente tenho observado o acanhamento, provavelmente intencional, com que este tema tem sido abordado a nível europeu, com, por exemplo, metas muito tímidas para as interligações energéticas, e as medidas sobre o ambiente e emissão de gases com efeito de estufa. Tal como as metas para introdução de alternativas no sector de produção energética na Europa. Prazos e metas muito tímidas que nos trarão problemas e adiarão as soluções para demasiado tarde.

Só as metas sobre a emissão de gases com efeito de estufa já são ridículas, como tantas outras nesta Europa de muito interesses e pouca acção. Acção no interesse dos cidadãos, em primeiro lugar e, claro, dos agentes económicos.

O sector da Energia é para mim mais um exemplo da intolerância da Europa e a confirmação da mediocridade dos nosso políticos, que apenas se preocupam em defender interesses comezinhos de influentes empresas e empresários amigos, e os seus próprios. Pelo cidadão, pela Europa, vejo muito pouco a ser feito. E tudo, com demasiado tempo de implementação, excessiva burocracia e muito pouca dedicação a um Projecto europeu, afinal.

Uma Europa sem "energia", letárgica, e com tremendos problemas de produção e consumo energético. Veremos o que nos traz esta nova Comissão.

Um adeus sem saudade

Deixou-nos à pressa, mas, no momento, até nos sentimos lisonjeados, ainda que um tanto órfãos, por passarmos a ter um "português na Europa". Sabíamos muito pouco das suas ideias, na altura, embora desconfiássemos do vazio. Chegámos a pensar que, uma vez num lugar de tal destaque, não sabíamos se de impacte real, talvez pudéssemos ver algum benefício da sua nova função.

Durão Barroso foi um desses políticos que passaram por diversas funções e, como a comida sem sal, ficamos sem saber se nos faz bem, se é mesmo essencial, ou se apenas é um desprazer para os sentidos. De cada vez que falava, a expectativa inicial se gorava, a sensação de peixe sem sal aumentava. Se perdêssemos uns minutos, preciosos para coisas verdadeiramente importantes, a reflectir no que dizia, e, mais, no que podia estar a fazer, a sensação de vazio era acentuada. Era uma reflexão sobre o mais normal, sem rasgo algum, dos políticos dos últimos anos. Uma mediocridade que se alcandorara a grandes voos, mas eram voos apenas de reconhecimento, sem qualquer acção.

Lendo Sousa Tavares, tive de concordar totalmente com a sua análise sobre Barroso. Nada fez, ou nada parece ter feito, com a excepção da reverência em que é mestre a um ou dois países, dominadores (maus e medíocres) da Europa. Serviu, talvez, bem a Alemanha e a França. Não serviu a Europa. Deixou-nos com o maior desemprego de sempre neste velho espaço que é a Europa. Os jovens, os mais afectados. Mas os mais velhos, sem qualquer regresso ao mundo do trabalho. A Europa da Crise tornou-se mais desigual, muito mais injusta e descontroladamente corrupta. Não apenas por cá, país que ama a corrupção e faz dela um modo de vida, onde políticos condenados se arrogam a discursos de pudor e de espanto pela sua situação. A mim, parece-me impossível que um criminoso não chegue a ter a noção do crime praticado. Mas virem os seus advogados, que logo perdem a legitimidade da seriedade, para sempre, defender gente menor e evidentemente corrupta, já condenada, falar em processos de intenção contra políticos...quando, afinal, muitos mais deviam ser investigados, porque se trata de nos lesar, a nós, que devíamos ser o centro, numa Democracia madura e saudável. Ora, este é um assunto também europeu. Gente desta foi recebida por outros tantos, já nem sabemos se sérios e íntegros, quando defenderam austeridade para alguns, sabendo-se hoje que ela, austeridade tem sido também um processo no intrincado sistema que a corrupção constrói.

Barroso esteve no centro de tudo isto. Impossível não saber. Impossível não saber que a Austeridade, com as cores preta, amarela e vermelha, são parte de um processo de interesses financeiros, que ligo directamente a redes de influências e alta corrupção. Basta atentar no valor percentual da dívida alemã e o da portuguesa, e na disparidade de juros a cobrar a uns e outros. Mas é muito mais complexo que isso. É fácil encontrar indícios deste esquema conspiratório, mas quase impossível provar. No final, surgem sempre uns senhores muito elegantes, e educados, a cobrar o que lhes é devido, e todos a acharmos isto, um processo normal. Pois, Barroso esteve por lá, bem no centro.

Durão Barroso, foi líder do meu Partido, onde ainda me encontro, por não ver algum mais próximo da social-democracia que defendo para desenvolver este desgraçado país que é o meu. Foi um líder sem ideias. Não lhe conheço uma. Foi em fuga para a Europa, ambicioso e vaidoso, sem mérito para tal. Mas não tem toda a culpa. Era político num país amorfo, onde as pessoas julgam participar na Democracia por um voto, de anos a anos. E depois...ficam a assistir. A assistir a tudo se desmentir e desiludir. Mas não intervêm. Chamam-nos estóicos e civilizados, eu chamo palermas e preguiçosos. Ineptos sociais, que nos deixamos levar um oceano entre duas costas agrestes: a mediocridade e a corrupção à luz do dia. Reverenciamos os "grandes". Adoramos faze-lo. E também o fizemos a Barroso. Fazemos a tudo que tem, no mínimo um título colado com cola fraca, na lapela de Director. Já é qualquer coisa, ou muita coisa, dependa da extensão da vénia a que estamos dispostos.

Durão Barroso foi um bom mordomo da Alemanha, cuja política direccionada para a Europa, vai matar esta mesma. Completamente. Não se constrói um espaço social, cultural e económico comum, provocando a pobreza de alguns, para permitir, como efeito directo e direccionado, a riqueza de outros. Não há espaço comum com várias chinas ou ásias dentro de uma Europa.

Que se fez pela política energética comum, tão fundamental e urgente, com a dependência europeia do exterior que é evidente? E pelas telecomunicações. Somos, europeus, a chacota mundial. Quando uma Coreia do Sul, só para dar um exemplo, define 2015 como o ano para introduzir a 5ª geração de serviço móvel, a Europa responde, dizendo que irá ser muito rápida que o fará...até 2020....e nem isso fará, pois nem a 4ª foi efectivamente implantada. Mas os europeus do centro, adoram dizer...dizer e nada fazer. Alemães...como os conheço! E como enganam tanta gente. Passam por ser muito evoluídos tecnologicamente...mas quem sabe das coisas, entende bem. Estão sempre, mas sempre, efectivamente sempre, atrás do Japão, dos EUA e, agora, em alguns aspectos, atrás da Rússia!

Pois Barroso andou de sorriso em sorriso, de discurso estúpido em discurso ridículo, a fazer vénias. Vénias portuguesas demais para o meu gosto. Claro que Passos Coelho é igual. Escola igual...

Adoramos reverenciar. Prestar "respeitos" aos doutores, aos "estrangeiros", a tudo o que parece ter bom aspecto. Cheguei a ouvir isto mesmo sobre dois políticos ridículos, medíocres mas perigosos para Portugal: Sócrates e Passos Coelho. Nada inocentes, como gostam de se apresentar, mas isso é outro tema...

Barroso é um bom fruto desta reverenciação portuguesa aos "fortes e poderosos". Nunca "os" teve no sítio. Apetece dizer que...já não há Homens na política. Mas uns idiotas de salamaleques, sem conteúdo algum.

Assim foi o último Presidente da Comissão Europeia. Dez anos perdidos. Mas dez anos ganhos para a Alemanha, a sua Finança e as suas empresas. Para mais ninguém. Ninguém. Até os finlandeses constatarão como foram enganados, iniciando como estão a sua própria crise. Claro que são crises diferentes, de povos "superiores", gente nobre, não embrutecida como nós. Ultrapassarão tudo com juros a metade dos nossos. E tudo o mais mais barato, energia, telecomunicações, etc. Por cá, a reverência continua, e nada se fez, como Barroso também, quanto a mudanças estruturais genuínas. A despesa do Estado diminuiu. De facto. Mas à custa de despesas de Investimento. O resto da redução corresponde a 0,3% do PIB. As de investimento, a mais de 6%. Significa que, quando vier o PS, e infelizmente, e graças ao trabalho do Governo de Passos, desta estúpida austeridade, destas políticas de burros e de tanta mentira, o PS virá...e quando vier, sobe as despesas de investimento, e como as outras não reduziram de forma estrutural e mais ou menos definitiva...nova desgraça nos visitará. O PS não sabe governar sem ser assim, com demagogia e para votos. Apenas assim. Governa com a propaganda. Nada de conteúdo efectivo ou de mudança sólida para o desenvolvimento. Durante o Governo de Sócrates, recebemos a maior fatia de verbas europeias de sempre e nada crescemos. Nada!

Ora, o cessante Presidente Barroso, vaidoso no seu sorriso bonacheirão, esteve no centro de tudo isto e muito murro na mesa podia ter dado, para mudar tanto disto: da corrupção às políticas comuns sobre energia, sobre telecomunicações (pois...mas são mercados que a Alemanha não domina, nada percebe...), sobre Emprego, sobre criação de riqueza na Europa, crescimento económico num espaço a definhar, (pela ordem inversa, economia e emprego, claro), sobre equilíbrio e justiça fiscal, sobre diminuição de desigualdades. Nada.

Barroso é ...nada.
Adeus!

23.10.14

Diversos...e pouca paciência

Como eu adoraria não pensar mais na política portuguesa e europeia. Ou escrever sobre isto. Mas parece-me sempre impossível ficar passivo perante os disparates, exageros, inverdades e o prosseguimento deste caminho de suicídio colectivo.

Comentários soltos:

  1. Durão Barroso fez o auto-elogio na despedida. Por cá, houve quem se regozijasse pela sua actuação nestes dez anos, ou apenas por termos tido um português na Europa. Por mim, não. Acho que Barroso é um político medíocre, um vaidoso sem razão para tal. Para mim, ainda há outro aspecto, que aos portugueses em geral não agrada. Não defendo um português apenas por essa condição. Mal comparado, faço o mesmo com os produtos made in Portugal. Defendo que a qualidade, que nunca é absoluta, tem, apesar disso, uma qualidade perceptível intrínseca, que merece defesa. O resto não. O mesmo com as pessoas. E é uma análise difícil, subjectiva e sujeita a erros grosseiros. No caso, Barroso, é um político muito fraco, se se pode chamar de político, apenas por ter vivido da vida política.
  2. Orçamento de Estado 2015. Defendem uns que é imprescindível, ou que é o "melhor que se consegue". O próprio Governo assim o diz. Não conheço em detalhe, apenas pelo que leio pela Comunicação Social. Parece-me que nos trará mais um ano muito difícil, talvez bem pior ainda do que 2014. Desnecessariamente. O que é urgente é tentar equilibrar a desigualdade, de salários e poder de compra, a desigualdade social. É um pensamento social-democrata e não comunista! (antes que se metam a inventar, alguns amigos meus...). Nada neste país melhorará com a destruição da classe média, a sua aproximação à classe mais pobre e o empobrecimento acentuado e crescente das duas. Se algum político, economista idiota pensa fazer crescer um país por via de grandes empresas, ou investimento estrangeiro...infelizmente está cego e o futuro confirmará o que digo, da forma mais brutal. Brutal, para alguns. Ora, o OE 2015, parece ser mesmo mais uma "chaga" e não como dizia o Governo nos primeiros dias de comentários sobre o mesmo, que seria de inversão da situação, de melhoria das condições de vida dos portugueses (sim, dos banqueiros e dos -maus- gestores das -más- grandes empresas, que já nem portuguesas são).
  3. O PS desmente-se todos os dias. Costa não chega às eleições como o Salvador da Pátria. Mas irá tudo fazer para tal. O PSD dará uma ajuda e já começou a faze-lo. Talvez os portugueses ainda vão "em conversas", em palavras sem significado ou até puras mentiras, como a do défice que Sócrates inventou (aí...foi de engenheiro!!!) ser o mais baixo e que recentemente se confirmou ter sido o mais elevado de sempre (com a excepção da Primeira República...). Costa será, se eleito (e será, com o dobro dos votos do PSD, com esta a continuar no disparate em que anda, agora foi Machete...um "outrora" grande senhor do PSD, como tantos...que nos deixaram como estamos, dos dois Partidos. Vem daí o meu imenso "respeito" pelos nossos "grandes senhores"). Assim sendo, seria mais simples fundirem-se os dois Partidos. Há por aí gente de qualidade, inteligência, íntegra e de verticalidade para fazer surgir- mas não a tempo, infelizmente- outras forças partidárias. Por vezes parece que toda a Europa precisa disto.
  4. Pela Europa, o disparate continua. A nova Comissão Europeia surgiu num clima de desconfiança de dando sinais de imensa fragilidade. Nada bom augúrio para o momento mais difícil da Europa. O momento que se segue. Ou vai em frente e se torna mais coesa, menos desigual, ouve mais os cidadãos, é menos perdulária, menos burocrática, se dedica aos temas relevantes que são um calvário europeu, como a crescente pobreza, desigualdade também crescente, imposição de austeridades que levam à depressão e miséria que não se sabe se é recuperável, aglutina pelouros para se tornar mais forte, eventualmente a europa fiscal, a europa financeira, e talvez a política...ou as ameaças externas não a deixarão sobreviver (e as internas, de que assinalo a Merkel como a maior de todas e os governos de meninos incompetentes, sem visão e de gestão avulso: Portugal, Espanha, França, Reino Unido...)

22.10.14

Raízes culturais europeias

É comum ouvirmos dizer das raízes cristãs da Europa. Um dos aspectos comuns, em todas as diferenças que distinguem os povos e culturas da Europa. Não é falso. E não é totalmente verdade.

Antes do Cristianismo já havia Europa. Mas algum cristianismo pretendeu introduzir uma falsa realidade, dando a ideia de que antes dos Cristãos, os povos eram menos civilizados, menos organizados e estavam constantemente em guerras, não evoluíam socialmente. Eram "bárbaros". Este termo, usado para indicar pejorativamente, um povo não civilizado, não evoluído no sentido das modernas sociedades, é de origem grega e tinha exactamente o significado de "quem não é grego, é bárbaro. Era um sentido pejorativo, mas de acepção diferente da que mais tarde foi usada pelos cristão, sem qualquer razão. Os gregos sentiam-se efectivamente superiores, uma civilização incomparavelmente mais organizada. Mas é positivo olharmos para essa antiga civilização, considerada o berço da humanidade civilizada, e atentarmos em que não era cristã, e foi-o bem mais tarde do que o Império Romano do Ocidente e Oriente.

A tese do cristianismo como factor comum, mas mais, como factor de desenvolvimento social e cultural cai completamente por terra se pensarmos que foram os Romanos, Constantino, um não cristão, nunca convertido, um bárbaro, aos olhos posteriores, que fez da religião de Cristo o que ela hoje é, à dimensão do mundo da época. Constantino assimilou e impôs o cristianismo no seu Império. Mas antes do cristianismo, já a organização social romana e grega eram o que foram durante mais uns bons séculos. Se adicionarmos factos conhecidos, uns mais recentemente do que outros, descobriremos a barbárie cristã na sua pujança e violência mais impactante. Um exemplo seria a destruição de Alexandria, da sua Biblioteca, pelo movimento de cristãos, totalmente comparável ao que hoje observamos na barbárie do Estado Islâmico...ou então que acham da ideia desse movimento, de matar a sangue frio Hipátia, a grande filósofa da Antiguidade, uma mulher brilhante, que muito antes de tantos outros descobriu que a Terra não era o cento do Universo, entre tantas descobertas mais, no campo científico e no campo filosófico. Pois Hipátia foi assassinada ...arrancando-se-lhe a pele...pelos cristãos.

Não. Parte do que hoje é Europa tem a ver com o cristianismo, mas definitivamente não aceito o movimento cristão como fundador de uma cultura e civilização europeias. E dou-vos mais exemplos, pela negativa. Quererão os cristãos, os inteligentes, que fundam a sua fé em princípios sólidos e não em rituais ridículos, que a sua religião seja o mais forte movimento de fundação da Europa, sabendo das práticas, iniciadas na Idade Média, de auto-flagelação, que até hoje perdura dentro do Opus Dei, com o silício, e que duraram como base de apego à fé e prova de obediência a um credo, uns largos séculos...? Durante séculos os cristãos defendiam que a vida não podia ser feliz e que a felicidade era coisa demoníaca. Ainda há resquícios desta crença, obscura, que renego e me horroriza, pelos dias de hoje, na resignação cristã, junto do nosso mundo mais inculto e desinformado. Bem sei que os budistas também têm uma máxima de que "toda a vida é sofrimento", mas não está provada qualquer superioridade budista, seja religiosa ou filosófica. Por mim, bem pelo contrário. Se somos esquecidos, o cristianismo tem como marca indelével a sua matriz revolucionária, de Jesus ele mesmo, com a rejeição de práticas e cultos, que incluíam o de quase todas as religiões na altura já conhecidas pelos fundadores da religião cristã. Sejam no judaísmo, sejam em outras crenças de menos aceitação e menos praticantes, entretanto desaparecidas.

As raízes culturais e civilizacionais da Europa também se fundam em cultos tribais e em algumas civilizações que, precisamente o cristianismo, com o tempo, foi tentando denegrir e baixar para um plano de inferioridade intelectual, conceptual e filosófico. Como os Celtas, uma das civilizações com mais impacte pela europa ocidental. Mas também os gregos, os fenícios, os cartagineses e os árabes! E tantos outros, provavelmente os Hunos e os Germanos, que se consideram hoje mais violentes, menos dados, ou nada, a questões culturais.

Os romanos, a dada altura, deixaram-se fascinar pelos livros e pela cultura, importando o conceito da Grécia, abrindo bibliotecas públicas e divulgando o Livro pelo Império, e a mensagem que neles se transmitia. Foi assim que chegou aos dias de hoje um dos livros mais marcantes da mudança cultural do Ocidente, De Rerum Natura de Lucrécio. Um livro tantas vezes considerado herege, escrito alguns séculos antes de Cristo e, assim, impossível de ser considerado como livro "negro" a entrar do "index", por uma religião quase 3 séculos posterior...Ilógico. Mas eram assim as coisas, pelos tempos da Congregação para a Doutrina da Fé, mais conhecida durante a época negra do catolicismo, como Tribunal do Santo Ofício, ou simplesmente como Inquisição. A mesma Congregação que hoje existe na Cúria romana, de que foi Prefeito o Cardeal Ratzinger, Bento XVI.

As raízes culturais da Europa remontam a um tempo muito anterior ao Cristianismo e hoje parece-me essencial redescobrir o que temos em comum. O que temos, povos europeus, em comum que não seja apenas um continente e, agora, umas muito burocráticas e pouco eficientes instituições perdulárias, marcadas por mordomias inaceitáveis numa Europa a empobrecer gradualmente.

As diversas línguas têm pólos de origem e evolução comuns, por exemplo. Línguas latinas, línguas germânicas, indo-europeias, etc. As bases alimentares foram ficando cada vez mais comuns aos diversos povos por acção das Descobertas de portugueses e espanhóis, e mais tarde pela tomada pela força de possessões destes dois países pelos abutres ingleses, franceses e holandeses, que foram recolher os despojos dos pioneiros. As tradições militares também trazem algo de comum aos países europeus. E, claro, os grandes movimentos intelectuais, que conduziram a movimentos políticos marcantes, como o Iluminismo, o Racionalismo e outros. A própria cisão da Igreja com Lutero, tendo constituído isso mesmo, uma cisão, foi um cimento aglutinador de povos do Norte da Europa, e um inicio de desenvolvimento social e cultural, muito assimétrico com o que no Sul se passava (ou nada se passava, precisamente). A simples ideia de se fazer uma Cisão, com uma Igreja poderosa, uma revolução cultural e religiosa importante, é em si um movimento historicamente marcante e corajoso. Talvez nunca possível em povos de mentalidade latina, como não aconteceu, de facto. A ideia de que as "revoluções não estão previstas na Lei, mas se devem fazer, quando se devem fazer..." ideia iniciada precisamente há quinhentos anos, é uma marca europeia, distintiva do resto do mundo. Por essa altura, povo algum se rebelava, muito menos por motivos religiosos.

Em muitos outros acontecimentos, muito factos de cisão ou de união se devem procurar as raízes que hoje a Europa parece não se importar de perder, fruto de uma globalização que só privilegiou ricos e muito ricos, e que tornou mais dura e pobre a vida dos já mais pobres. Condições agravadas com o crescimento da Desigualdade, outrora marca europeia- a tendência para a maior igualdade de rendimentos e posição social- acentuada com a crise e a estupidez das políticas de Austeridade.



18.10.14

Lixo

Todo o nosso corpo consome nutrientes, água e energia. E também produz. E produz lixo, em cada canto do nosso corpo. No cérebro também.

O cérebro consome 25% de toda a energia que temos como reserva, e pesa apenas 2% de toda a massa corporal.

http://www.ted.com/talks/jeff_iliff_one_more_reason_to_get_a_good_night_s_sleep?utm_source=newsletter_weekly_2014-10-18&utm_campaign=newsletter_weekly&utm_medium=email&utm_content=talk_of_the_week_button#t-553079

O cérebro funciona a partir de uma química especial, desenvolvida com a evolução humana, para o seu próprio funcionamento, que nos permite armazenar não apenas os pensamentos por nós gerados, mas muito, imensamente mais: o que herdámos culturalmente (os memes que nos foram transmitidos, desde gerações de progenitores que desconhecemos, até aos conhecidos deles, que com eles interagiram. Somos efectivamente um animal social. Somos feitos do que por nós fizemos, e do que todos os que conhecemos e não conhecemos, antes de nós e ao longo da nossa vida, nos passaram. Os memes), o que vamos experienciando ao longo da vida, por contactos feitos e por pensamentos e ideias concretas, mais ou menos, por nós gerados. Todo o funcionamento do cérebro tem uma expressão física e uma expressão química.

Durante a noite o nosso cérebro precisa de "se limpar", expulsando nutrientes (química) que não foram utilizados, ou sub-produtos do que foi gerado em cada uma das suas células. Tal como todo o nosso corpo. Se não dormirmos, o cérebro não entra nesse processo e pode acumular, mais tempo do que o necessário, um quase-lixo, sub-produtos, que podem ser-nos prejudiciais. E não se faz a reorganização de tudo o que o dia deu ao nosso cérebro. Nem das ideias, vivências, já desnecessárias.

Isto quer ainda dizer, que precisamos de deitar fora, literalmente pensamentos "em excesso". Num processo natural, fazem-lo, mas a maioria das vezes somos tentados a guardar grande parte do que já nem nos útil, menos ainda favorável.

Posso enganar-me, dado esta ser uma interpretação livre, e meramente pessoal, mas é um pouco o que  fazemos quando nos agarramos a muitos hábitos, rotinas e tradições. Parte, são mecanismos quase automáticos, meio-pensamentos, trabalho do inconsciente e muito pouco do consciente. Parte, no entanto, pelo que tenho observado pela vida, são "ideias" que forçamos. O "que tem de ser, porque sempre assim foi" e as tradições a que nos agarramos. Por isso sou bem mais favorável a uma espécie de purga mental pessoal, refazendo ideias, aceitando novas, tentando não me agarrar a "ideias feitas", porque me assusta essa falta de estratégia mental. E, sobretudo, desagrada. Em muitos temas. Por exemplo, os complexos com temas sexuais que fomos herdando. Não tenho, por mim e para mim, e para aceitar noutros, nada contra ideias como ter relações sem sentimentos, amizades coloridas, e o seu oposto, mais universalmente aceites, como relações tradicionais, como fortes sentimentos envolvidos. A mente aberta facilita-me num aspecto que me esforço por cumprir diária a quotidianamente. A tolerância perante ideias que não tenho como rígidas, ou que as tenho como flexíveis, porque dependentes de partilhas com alguém não necessariamente comungando das mesmas expectativas e pensamentos do que eu.

Mas se o tema do sexo, sendo mais polémico me apraz mais abordar, outros tantos se podem repescar como bons exemplos. Exemplos da criação de ideias que a um tempo farão parte das nossas vidas, sendo-nos úteis e dando-nos prazer, a aos que connosco convivem, como a outro tempo já nos devemos desfazer delas. Como os sentimentos, uma complexidade da mente, gerada em pensamentos, mas muito mais em actividade do inconsciente, do sistema 1 do nosso cérebro.

O lixo de que nos desfazemos todos os dias, não é, por isso, apenas físico. Deve-o ser também mental. E é-o. Efectivamente, reciclamos, ideias, pensamentos soltos, ou mais estruturados. Memórias, essas ficam. A diferença entre o lixo bioquímico que o cérebro rejeita, e para que o processo ocorra normal e saudavelmente, ele necessita de descanso, de noites bem dormidas (sem as quais podem ocorrer fenómenos de acumulação indesejada do que podemos dizer serem alguns produtos tóxicos, e os processos mentais, é que o lixo destes não é definitivamente rejeitado, é reciclado. A gestão dessa reciclagem é a parte que nos define, como possuidores de mentes mais limpas, mais disponíveis, mentes mais "intoxicadas", ou mentes demasiado "ocupadas" com temas, ideias e pensamentos anacrónicos. Acontece muito...por aí. É só nos pormos a observar. E nem sempre pelas más razões. Por exemplo, para auto-protecção, por insegurança, devida talvez a pouca evolução no sentido de pensamentos novos, gerados num processo de recriação, de criação pura, mais incerto, ou inseguro, por falta de padrões de comparação, podemos socorrer-nos de ideias "feitas", de bengalas e apoios, fugindo à aceitação do que é inovador. Deixando a mente bem mais fechada, rejeitando o menos conhecido, ou o desconhecido, perdendo, eventualmente oportunidades fantásticas, por processos decisórios redondos, circulares.

Mente aberta significa risco, mas também um processo de reciclagem mental bem mais ousado, uma aventura para a mente em si, e para nós donos dela. Mente aberta pode significar experiências muito gratificante, ou, evidentemente, caminhos novos de alto risco. Mas como tanta coisa, só sabemos, ousando...(daí eu não apreciar a segurança do habitual, estafado processo de cópia e colagem, herdado sem nos interrogarmos. Prefiro sempre arriscar)

La bella musica romantica

A música romântica, no sentido sentimental (chamo-lhe música romântica, mas quem ouvir isto vai essencialmente ouvir uma beleza grandiosa, que o génio humano elaborou de forma magistral...é preciso sentar-se ouvir com muita, muita atenção, principalmente a Chaconne da 1004 de Bach e o Rachmaninov), não no artístico, tem, para mim, significados diferentes, consoante o compositor.

Gosto imenso de Chopin, mas as sua música é, em boa parte, de um romantismo doce, mas triste. Nostálgico. Nada saudável para se ouvir em momentos de tristeza, ou de saudade.




Gosto de Schubert, mas inspira-me alguma coisa do que ele foi, com uma vida tormentosa, apesar de tudo menos do que um Schumann, vítima de assédios suicidas, de desesperos sem solução, de amores não correspondidos. Sente-se muito na sua música.


Tudo isto é excelente. Em qualquer momento, claro que sim. Mas o nosso estado de espírito não é igual a todo o instante. E mesmo quando se trata de apreciar, em momentos de muito boa disposição, a arte por ela mesma, ainda prefiro (não relego para segundo plano um Chopin, um Schubert, um Beethoven, one of my favorites), gosto muito deste "tipo" de romântico, com força, com energia dirigida, vontade e sentimento profundo na mesma. É, para mim, um romantismo musical alegre e positivo. Não esquecendo este Bach, adaptado a piano, de uma Partida BWV 1004, lindíssima no seu original também, que adoro (faz-me parar tudo o que esteja a fazer, tudo! a beleza desta música toca bem cá dentro, e por dúzias de vezes que a oiça, o prazer é o mesmo, prazer absoluto), e que também se pode inserir numa escolha romântica:




Mas este Rachmaninov, Op.19! uma das minhas composições preferidas, sem comparações, estas coisas tão superiores a nós não se comparam. Desfrutam-se e agradecem-se a quem teve a capacidade de as compor. Isto sim, gente superior!




E se houvesse uma Terceira Grande Guerra na Europa?

Hoje homenageiam-se os mortos da Primeira Guerra Mundial. Lembrou-me alguns textos que li, em que se põe a hipótese remota, mas talvez mais próxima de uma Terceira Guerra deflagrar na Europa.

O cenário político actual é diferente do que conduziu à Primeira e ao que levou à Segunda Guerra, mas talvez as condições não sejam propriamente de paz e estabilidade. Em vários países europeus, há ameaças a esta paz, com discursos chauvinistas, nacionalistas e algo violentos, como os de Le Pen e da sua filha. Cada vez mais próximos do Poder. 

Se um dia em França, Le Pen e os seus nacionalistas chegam ao Poder, que pensamos que pode acontecer? Se na Alemanha se alterar muito o equilíbrio de Poder, voltando um pouco à esquerda, em contraponto com a extrema-direita francesa (para usar a nomenclatura que muita gente gosta e eu considero irrelevante, porque falsa e anacrónica), poderá haver ameaça à Paz, novamente?

E não esqueçamos a Rússia ainda comunista, do louco Putin. Um ditador com sede de guerras e de mostrar superioridade militar e racial. 

Talvez, muito provavelmente, as tensões políticas não sejam suficientes para ameaçar a Paz. Mas pode surgir outro factor, de novo a energia. Porque a Europa é ainda muito dependente de energias fósseis que não produz. E o arrastar desta crise económica lembra-me as razões que conduziram à Segunda Guerra. 

A Alemanha parece poder entrar em recessão. Se acontecer, e não for rápida uma recuperação, com um Le Pen a crescer, com uma extrema-direita alemã a crescer também, e uma Rússia que possui energia a ameaçar a Europa, com o pretexto, sempre foram os pretextos as causas das Guerras, do médio oriente, a Síria, o Iraque… os países árabes em geral.

Nas duas Grandes Guerras houve indícios fortes do que podia acontecer, mas não houve vontade firme de evitar. Pelo contrário, julgou-se que as diferenças se resolveriam pela Guerra. 

Hoje, penso que a diferença essencial pode ser esta: já não se pensa que uma Guerra pode solucionar diferenças, políticas, económicas e tensões actualmente a crescerem. Mas os actores políticos podem mudar, como mudaram principalmente na Segunda Guerra.

E, uma vez mais, nestes momentos de tensão, com uma escalada militar em potencial, os pequenos países não têm qualquer papel. É mesmo dos momentos de tensão entre países em que o peso de países pequenos nada conta. Excepto se se tratarem de países, como Suíça e Luxemburgo, detém uma capacidade bancária e financeira desproporcional às suas dimensões, e que lhes trazem poder sobre grandes países vizinhos. E uma guerra exige um esforço financeiro anormal. Mas, paradoxalmente, quase nunca se iniciou uma guerra nos momentos de maior capacidade financeira, mas ao contrário, efectivamente.As condições em que a França se encontra, com tendência a agravarem-se e a Alemanha estará a entrar...

A Rússia, que parece não ter problemas, é um país dividido internamente, governado ditatorialmente com pulso de ferro, mascarado de democracia, onde os desequilíbrios sociais podem conduzir a mais tensão e divisão, e uma guerra, num país socialmente tão atrasado, pode ser um factor de união. Disso temos tido alguns indícios a propósito da Ucrânia.

Descurar as possibilidades, que nos parecem remotas, como pareceram aos do tempo das duas Grandes Guerras, de uma Terceira Guerra, nada ajudará para a sua prevenção. Trabalhar em termos de Europa, para a evitar e assim melhorarem as condições sociais dos vários países europeus, poderá ser um caminho mais inteligente. Uma hipótese de guerra nunca deve ser descurada. Os extremismos e as tensões estão aí, a ameaçar-nos.

As consequências, para países como Portugal, que sofreram um retrocesso económico e social de quarenta anos, podem ser devastadoras, em caso de conflito.

Economistas?

António Costa quer reunir com Economistas para discutir as soluções para o país. Evidencia várias coisas, ao anunciar esta "novidade". Primeiro, que nem ideia tem sobre o que fazer. Fácil foi mandar argumentos para o ar, mas nunca os fundamentar. Segundo, que irá repetir a eterna receita dos anteriores governantes: consultar economistas (nada tenho contra a classe, sendo eu próprio sempre interessado em temas sobre economia). Terceiro, que assim nos demonstra que, como outros, considera ser a Economia o motor de um país (oiço um coro imenso...mas o homem está doido? Claro, sem economia...e associam economia a dinheiro e a gestão deste a...economistas. Enfim, perda de tempo por-me a explicar. Quarto, que assim procedendo, não considerará que a Economia deve servir a Sociedade, donde devia consultar sociólogos, antropólogos, psicólogos e historiadores. Riam...depois da receita se tornar, de novo, patética, com economistas a afiar as unhas para que a sua opinião faça manchete num jornal, e tudo...ir por água abaixo, por não ter acertado em nada, logo vemos o disparate de Costa. Mas eu já o sabia disparatado).

Costa quer voltar, pois, às receitas do costume. Acerto aqui, desaperto ali, esbanja aqui, aperta do outro lado.

A pergunta que Portugal deve fazer-se a si mesmo: todos nós, os que se interessam por Portugal, é: porque Portugal falhou e ainda não acertou?

Razões variadas, sabemos. Históricas. Apostas erradas. Etc. Mas porquê? Um dos eternos problemas portugueses foi a imitação de modelos importados. Sempre. Outro problema foi a comparação com Espanha. Dimensões disparatadamente distintas! Ao fazermos uma comparação com Espanha, esquecemos uma premissa básica, para quem adora economia: não há países pequenos de sucesso, com preços baixos, baixos salários e fraco poder de compra. Todos são, e estão na Europa, países ricos, caros e onde se ganha bem. O caminho do "café a 65 cêntimos" é um caminho errado. Muito errado.

Portugal falhou por apostas erradas, claro. Desde a Monarquia que nem apostava alguma coisa, excepto a sua riqueza pessoal e desprezava o país no seu todo. Portugal era o seu quintal, e mais miserável e inculto, melhor. Mais fácil controlar, menos reivindicativo. A Monarquia coincidiu com todas as grandes revoluções europeias, e com os grandes movimentos filosóficos, que assustavam todos os nossos monarcas. Depois veio o monarca de Coimbra, perdão de Santa Comba. Provinciano, cheio de medos e metido consigo mesmo, era retrógrado até a sétima casa. Um aborto intelectual, um homem sem qualquer visão. Um sacristão mediano. Mais tarde, o tempo dos oportunistas. depois de Sá Carneiro, nem um se preocupou genuinamente com Portugal.

Com tal cenário de "individualidades", a quem adoramos idolatrar, e fazer vénia a doutores....como podíamos acertar? Há alguma individualidade desde há mais de cem anos que se destaque pela inteligência brilhante, sentido de Estado, honestidade, desapego, integridade, humildade política? E que se passa, quando o contrário se passa? É como tudo...a nossa vaidade ensurdece-nos, não nos permite ouvir os outros. Na vida, como na política. E os disparates e decisões perniciosas, não vieram sozinhos.

Vieram com o interesse real, agora mais transparente, por cá e por todo o lado (nos EUA cada semana há mais evidências e publicações sobre os interesses privados que pervertem o Estado e vice-versa, pela Europa, mas hábeis na dissimulação, ou com sistemas políticos mais trabalhados nesses sentido, nomeadamente por advogados e legisladores, em sede de interesse próprio...também) há muitas evidências, do interesse de sectores financeiros na geração de crises, na sua manutenção. E na criação de Desigualdade, com regiões a enriquecerem, e outras a forçosamente empobrecerem. E classes sociais.

Se no passado os interesses e a sua força não eram tão evidentes, nem tão capacitados nesta geração de pobreza, logo na manutenção de uma sociedade na sombra e à margem do desenvolvimento, na actualidade essa força é esmagadora.

Dou um exemplo que nada tem a ver com o assunto, mas é singular na percepção do controlo de todo um mercado à escala mundial, para um fim determinado. Quanto vale um diamante? Muito, certo? Errado. Muito...pouco! Quem gerou o interesse a apetência foi um conjunto de indivíduos, conduzidos por uma família, De Beers, de origem holandesa, que emigrou para a África do Sul e percebeu a dada altura que se controlasse a produção (limpeza, lapidação etc) dos diamantes, apenas colocando no mercado as quantidades que permitissem controlar o seu preço...ganharia muito dinheiro. Há quem acuse esta família de homicídios por causa deste fabuloso negócio. Com o Ouro não se passa algo de muito diferente. Inflação artificial de preços. A prova: quando os russos aperfeiçoaram o fabrico de diamantes sintéticos, a De Beers viu-se na obrigação de passar a colocar à venda diamantes com a sua marca, coisa que nunca acontecera. Para pretender dizer que os deles são naturais...mas nem um especialista parece conseguir hoje distinguir uns e outros.

Ora, se isto se passa num mercado apesar de tudo residual, imagine-se no enorme mercado das Dívidas Soberanas.

Porque Portugal nunca se desenvolveu e se aproximou dos seus amigos europeus? Razões distintas em distintas épocas, mas sempre com um factor comum: um povo ignorante e desinteressado na sua própria nação, do seu futuro.

Economistas para quê? Que soluções vêm aí que já não tenhamos visto?

15.10.14

Sobre o amor...

Sinceramente, sobre o amor que há a dizer? O Esteves Cardoso ( antes dele Alain de Boutin já tinha escrito um excelente ensaio, mas prefiro usar produto nacional, segundo o douto conselho do nosso douto Presidente) já disse tudo por nós (falhou uma coisinha, mas sem importância de maior, para a maioria dos "maiores" de nós). E nós todos já dissemos, uns aos outros (não exageremos), mais de uma vez, ou com impressionante frequência.


Esteves Cardoso disse, num texto que já todos lemos, e alguns viram mas acharam lamechas ler sobre amor, que já não amor como dantes. Que não tem paciência para os "amores modernos". Mais ou menos isto.

E depois disto, que mais se podia dizer? Que amor e paixão são a mesma coisa em fases diferentes? Ninguém vai nesta. Que se pode amar, sem ser amado? (o meu pai dizia, belo gozão que era...que isso era o mesmo que "limpar o cu, sem ter...opsss). Não serve para nada, mas acontece. Acontece? Que amar, agora plagiando Esteves Cardoso, mas ainda mais os praticantes desta nova fé, nada tem a ver com amar a posição social, a profissão, ou mesmo o salário mensal do outro, o/a amado/a. Nada tem a ver com planificar a vida com alguém que nos dê, o que não conseguimos por nós. Nada. Mas podia jurar que me chegou ao conhecimento (e fiz que nada sabia, nem sequer tinha ouvido. claro) que pode haver gente capaz de tal atrocidade, ou proeza, depende da perspectiva (PMEC, ou AMEC: Pro-Miguel Esteves Cardoso, ou Anti-Miguel Esteves Cardoso, nomenclatura que se torna útil neste contexto. E texto).

Conhecemos todos AMEC's e PMEC's. Alguns de nós escolhemos um dos grupos como meros simpatizantes. Outros, mesmo militantes. Os PMEC's são uns parvos duns românticos, gente de antão, que nasceu fora de tempo. Tarde demais. Uns clássicos em época moderna. Até há os que ouvem música com duzentos e mais anos, imaginem. Mas ser PMEC é bem mais complicado, traz problemas e torna a vida dura. Trata-se de acreditar.

Os AMEC's, por seu lado, são seguramente mais felizes. Não têm nada de se preocupar com dizer que amam, ainda que o digam amiúde. Mas todos, os PMEC não, todos os outros AMEC's sabem ser coisa ligeira, como a gripe. Vem e vai. Não fica. É bom, suave e não tem carga de sofrimento. Pelo menos não é crónico, talvez nem agudo.

Os PMEC's, estão tramados. Nasceram para acreditar. No amor, imaginem. Coisa mais fora de sei lá o quê. E há os HPMEC- versão High, forte, tipo "amor de perdição" que continuam a amar, mesmo sem serem amados, e ...como um comboio desgovernado que sabe ir dar a uma linha cortada...lá ao fundo, ainda não vê o fim, mas ele está lá, digo...não está. Coitados. Coitadas.

Por isso é tramadinho falar do Amor. E depois de MEC, muito pior. Duro. Porque falar, escrever, tem esse problema, faz pensar. Um prego de uma martelada só, mas que entra lentamente.

E não é que, para os crentes, nessa antiga religião pré-histórica, de seita hoje quase secreta, o que dizia o MEC é mesmo verdade? Amor por interesse, por ser prático e dar jeito, um ou mais? Que é isso? Mas há-o...ui ui. Ou não. Por não o ser. Dizem os crentes. Riem-se os cépticos. Hoje há crentes e cépticos para tudo, ou perto disso. Pela UE, esta era fácil. Pela religião, esta é polémica. Pela utilidade dos guarda-chuvas, esta é irrelevante. Pela eficácia das dietas, esta é mais complexa. Pelo uso de cuecas, esta é higiénica. E pelo amor...nesta só vão uma parte de todos nós. É esta que divide o  mundo em dois (e a Coca-cola e a Pepsi, claro).

Se o amor existe, como é que se ama, sem a existência do "objecto do amor"? Tema de filosofia, ou de farmácia? Se o amor existe, porque uns de nós o entregamos num altar de um não-crente? Tema para masoquistas? Se o amor existe e faz o maior sentido, porque o maltratamos tanto? Este não me inspira comentário.

Pode ele, o amor PMEC, existir e nos fazer jurar, que nem loucos irrealistas que se não o damos e vivemos com alguém, mas ninguém o leva de nós? Tema de psiquiatria, provavelmente. Ou se o MEC desse consultas...

Mas há quem jure o viver ou ter vivido. Acredito. Não me ponho em nenhum dos grupos, já perceberam. Sou do contra. Como acredito, poder não ser verdade, ou seja poder não acreditar. Acredito, neste caso, que não vou acreditar. Disseram-me, não sou de intrigas, que há quem o jure e hoje nem sabe o que andou a fazer. Perdeu-se, ou, pelo contrário, encontrou-se depois, de ter percebido que se tinha perdido, em vão.

É no que dá amar. Uma carga de trabalhos. O MEC nem sabe no que anda metido. E os PMEC. Os outros sempre se hão-de rir de tudo isto. Mas nunca se gabar. Nunca souberam mesmo. Não lhes digam...

14.10.14

A entrar num caminho sem saída

Espero que a chuva de hoje tenha lavado algumas mentes. Não as dos políticos, desses acho que poucos esperam alguma coisa. Mas dos que o podem ser. Em todo o caso, alternativas a tempo de próximas eleições também não existem. Ou seja, estamos a entrar num caminho sem qualquer saída, pelo menos por alguns anos. Podem ser tantos, quantos os de uma legislatura. Ou menos se as tempestades se agravarem. Por enquanto, porém, estas são graves, mas apenas naturais, alteradas pela surdez e estupidez humana, a tantos avisos sobre profundas e catastróficas alterações climáticas (poderá também haver pouco a fazer, neste âmbito, mas deve ser sempre feito).

Ao fim destes anos de Troika e Austeridade, que o Governo quis imprimir um pouco por excesso, não fora já excessiva e despropositada em si mesmo esta ideia peregrina de fazer um povo inteiro, já pobre, empobrecer mais, mas permitindo a ricos, com a ideia, nada peregrina, porque muito intencional, manterem ou aumentarem a sua riqueza (no que contesto alguns comentadores que tenho lido e me escuso a nomear, de que os ricos também sofreram com a crise, quando os dados apontam o contrário, e tudo se confirmará, por cá e lá fora, nos EUA também, como assim sendo), chegámos ao momento de interpretação e análise, reflexão mais ou menos fundamentada (faltam muitos dados, referentes a rent-seekers de sempre, os amigos, grandes players do costume) sobre tudo o que sofremos e de que serviu.

Mas este momento também coincide com a súbita mudança de rumo do PS (o Partido mais inútil e pernicioso da Democracia, não pelo princípio, pela ideologia, obviamente, mas pelo que tem feito a este país, no que o PSD se tem esforçado muito e conseguido imitar muito bem, com favores e influências muito bem servidas dos recursos do Estado), na habitual tentativa, provavelmente triunfante, uma vez mais, de chegar ao Poder, sem projecto, visão, mas principalmente sem verticalidade, honestidade, integridade. Não fizeram, nenhum dos dois Partidos, qualquer renovação e querem assim continuar. Não culpo os que tomaram o poder nos mesmos. Culpo todos os outros, que se ausentaram de concorrer com ideias novas e, principalmente, cara lavada, sem folhas sujas de casos e casos comprometedores, sem qualquer filiação em sociedades secretas e livres, como homens e cidadãos. Pode ser-se livre e pertencer-se a um Partido. Mas não como estes se têm organizado. Não é permitido e gente livre que pense por si próprio, mas também os que podiam ser alternativas, criando equipas novas, de folha limpa e sentido de serviço ao país, não se têm apresentado. Eu próprio me confesso um destes.

Este momento, para Portugal, quando nos preparamos para saber de mais um Orçamento inútil, mas necessário para que o Estado funcione, embora nos vá, muito provavelmente, agravar a vida (ao contrário do que diz Marques Mendes, que proximamente terá de confessar o engano...) e em que o PS só pensa em por as unhas de fora, convencido (apenas) de ganhar eleições, mas seguramente convicto (só se forem muito burros...) que nada irão alterar, estamos perante uma tradição...para coisa alguma. Ficaremos na mesma, porque nada se fez, em termos cívicos, enquanto corporativamente, nos entretivemos com os nossos quintais pessoais.

Estamos entre um PSD medíocre e um PS perigoso. Entre um PSD machado de escândalos e um PS com eles já conhecidos e confirmados. Entre um PSD que não soube, ou não quis, renovar o regime, e um PS que não o quer fazer, agarrado aos velhos e perigosos políticos que mais prejudicaram este país. Estamos entre medíocres e profissionais da simulação. Entre a realidade dura e rejeitada e o passado a que não queremos voltar. Estamos entre a espada e a parede. Claramente.

Não quisemos intervir civicamente. Não aproveitámos estes anos, previsivelmente de baixa política e mediocridade, para forçarmos estas forças políticas a mudarem de uma vez. Não entendo o rejubilo do PS com a votação de simpatizantes, e a confirmação de muitos comentadores com esse processo. Para colocarem na liderança dos socialistas um homem enredado em interesses e influências obscuras? Mas com amigos, às claras, que queremos ver pelas costas, subversivos demagogos, perversos para uma Democracia que não consegue evoluir?

Atente-se no abraço de Soares a Isaltino. Felizes...um abraço de um ex-Presidente, totalmente subversivo, a um condenado pela Justiça? Para quê? Aludir que mais "erros" judiciais (no momento em que nos parece a Justiça a finalmente funcionar e não se deixar corromper por políticos, como o fez com Sócrates e amigos, e outros do PSD ainda por julgar e condenar. E os que nem investigados foram, mas todos sabemos bem o que são- relembro que apenas à Justiça compete provar o dolo. A um cidadão, não. Embora agora se tenha introduzido, muito convenientemente, uma "pequena" alteração na Lei, que permite meter na cadeia quem seja tido por injuriador...muito conveniente) se podem vir a cometer, como a Vara and Friends? Muito oportuno para o velho rato, do Rato. Mas há mais gente inteligente por aí, e ele não parece dar-se conta...

A agitação, o frenesim de Soares é muito mau sinal. Quarenta anos de Democracia moderna deviam deixar um ex-Presidente octogenário confiar nos políticos subsequentes. Não devia ser normal ver-se este activismo marxista, tão fora de época, ou...talvez sim. Estará preocupado em deixar os amiguinhos bem, após tantos anos a fazer-lhes mal e a barrar-lhes a ascensão no Partido. Soares nunca foi inocente em nada. Nunca bem intencionado. Foi sempre um dos que melhor se aproveitou do Regime e dele viveu. Sempre um oportunista, mas perigoso, pelos tentáculos que foi deixando. Há quem o tenha como um intocável, quem lhe chame "pai da Democracia". Felizmente para ele, e ele sabe-o muito bem, nem que Cunhal fosse vivo, o desmascararia, pelo risco de se revestir de telhados de vidro, ele próprio. Soares não suportava a sombra e superioridade de Cunhal. E afastou-se por isso mesmo, no que foi inteligente, mas ajudado por inteligências externas. Enfim, História para um dia ser contada, por quem viveu muito intensamente esses dias.

Para mim, o maior problema que vivemos nesta circunstância é esta dramática falta de alternativa entre mau-cheiro e mau-odor. Entre mediocridade e falta de estratégia, e perigo e falta de estratégia.

E não temos saída para os próximos anos. O que torna este Orçamento de Estado praticamente indiferente, sem grande importância, perante o pior. Iremos ter mais uns cinco anos de crise, não diminuída, embora camuflada, à boa maneira socialista, para depois descobrirmos que ficámos pior.

Não sei de que se vangloriam os próprios socialistas que depois de Costa, levarão com uma factura muito mais pesada, sem forma de a pagarem. Pagaremos nós, pois. Não sei que esperam os eleitores que "tencionam" votar em Costa para castigar Coelho. Também não quero mais Coelho no PSD. Claramente. Trapalhadas, austeridade que em grande parte não só não serviu interesses de Portugal, como até nos prejudicou, dificultando a recuperação (como? IRC baixa e IRS não? Isto é contribuir para uma justiça social e económica, ou é descaradamente favorecer quem não merece, as empresas empresários precisamente. Uns que andam há anos demais a roubar o Estado. Que somos nós! Outros que roubam os próprios colaboradores, de quem vivem e nunca os valorizam, mas que, ao invés, os despedem, após terem usufruído dos talentos e dedicação dos mesmos. Outros ainda, e todos em geral, bem vistas as coisa, que auferem sempre demasiado, face a este diminuto mercado, às suas ridículas qualificações e comprovada incompetência, como pouco a pouco vamos confirmando, mas que há muito se sabe para quem anda no sector privado há uns anixos...). Além de trapalhadas, insucesso em tantas políticas, ao que se soma a perda de confiança em vários Ministros e no próprio Primeiro-ministro. E ainda o mesmo controlo do aparelho partidário por gente sem qualidade. Um triste cenário.

Mas que esperam as pessoas ao substituírem Coelho por Costa? Mais competência? Seguramente na gestão da carteira de amigos e interesses. E no retomar do controlo da Justiça...e Comunicação Social. A esta altura, os planos já estarão a ser elaborados no Largo do Rato.

Lamento, mas já não vamos a tempo de uma saída.


Tenho a nítida sensação de que a partir de um dado momento, talvez seja este (da discussão do orçamento para 2015, da nova definição do PS, num regresso ao Partido dos interesses e dos velhos subversivos, da continuidade estúpida da linha do PSD) já não valerá mais a pena comentar a política nacional. Por uns anos. Entraremos nos anos cinzentos da moderna "idade média" portuguesa. Cinco ou mais anos futuros para esquecer, antes mesmo de entrarmos neles.

12.10.14

Europa e Estados Membros

Marcelo Rebelo de Sousa expôs muito bem parte dos problemas da Europa actual. Também Luis Amado. Mas a meu ver faltou falar de um grande problema europeu: profunda desigualdade entre Estados Membros e dentro de cada um deles. 

Mas Rebelo de Sousa referiu alguns aspectos, sobre alguns Estados (mas havia mais a referir) de grande importância, pela negativa, na recuperação da Europa, que nem chegou a ser construída ainda.

Antes disso, uma referência e uma dúvida: não estou certo da importância de um Governo europeu, um Governo económico como designaram os intervenientes neste encontro da Plataforma para o Crescimento Sustentável. Entendo, do ponto de vista económico e fiscal. Mas não estou muito convicto ainda. É um processo complexo, onde apenas teoricamente podemos vislumbrar alguma eficácia, ou muita, por paralelos despropositados que se fazem com os Estados Unidos. 

Marcelo Rebelo de Sousa referiu então, os problemas políticos marcantes e preocupantes em diversos países. Estrategicamente, omitiu Portugal. Na Grécia a esquerda eclipsou-se, segundo ele, pelo enfraquecimento do Pasoc. Ou talvez tenha ganho influência a extrema esquerda. Em Espanha, a esquerda está despedaçada, o que não admira face às suas governações desastrosas. Estranha-se é que em Portugal não tenha sucedido o mesmo, ou talvez não pois o PSD não tem governado melhor. A indefinição portuguesa e a incerteza dos eleitores será tanto ou mais grave do que o virtual desaparecimento de forças políticas nos outros países. Em França, a direita não sabe o que faz, com  Sarkozy, desastroso e duvidoso a pretender regressar ao activo, não se entende com que projecto. E os socialistas franceses são o desastre habitual. Esbanjadores e demagógicos como os nossos. E sem visão, ideias ou rumo, muito menos sentido de Estado, humildade e valores credíveis. No Reino Unido, Cameron tem-se revelado um menino, como o outro que por cá temos. Fez um referendo desastroso, mas legítimo do ponto de vista dos escoceses e safou-se no último momento. Promete um referendo a prazo sobre a Europa e ninguém entende o que é isso de prometer um referendo para daqui a cinco anos. Quando ele já não estiver lá.

Mas ainda há a Alemanha. A Holanda. A Bélgica, a Finlândia. Onde populistas e extremistas ganham influência, perigosamente. E mesmo os dos tradicionais Partido dizem disparates e não demonstram algum sentido europeu, de solidariedade, de entendimento de um princípio de equilíbrio básico entre países: combater a desigualdade. 



Pergunto-me o que acontecerá se um dia houver um Governo europeu. Se não terá esta como uma das preocupações mais importantes.

E pergunto...se é possível com Estados Membros neste estado, nesta debilidade, incerteza e mediocridade, conseguirem reerguer a Europa. 

Uma Europa com os valores que sempre a distinguiram. O contrário do que Merkel tem dito (Europa com 7% da população mundial e 50% de custos sociais, que uma pessoa amiga diz e muito bem serem investimento social e não custos). Uma Europa que encontre os valores comuns a todos os seus membros. Valores culturais, sociais e civilizacionais. Se se pensa a Europa com um espaço apenas económico, pensa-se em termos do passado. Luis Amado considera que a crise da Europa é a crise do Euro. Não concordo. É bem mais do que isso. É cultural e social. Desemprego inaceitável, num espaço que se gaba de ser dinâmico e ter futuro. Desigualdade nas remunerações e no poder de compra, num espaço que outrora se gabava do sua cultura social distintiva. Era uma marca europeia. Já não é.

"Tem de haver saída"...mas há?

O que se repete na cabeça de muitos portugueses, dos ainda optimistas, dos convictos optimistas, é provavelmente uma frase, sobre as nossas possibilidades de recuperação como país: "tem de haver saída" para "isto". E o "isto" é a crise, económica, social, financeira, e muito, muito política.

Estamos fartos de um Governo que nos deu cabo das vidas, mesmo conscientes de que alguma austeridade, ou muita, não sei quantificar, mas acho que poucos saberão, ou talvez mais rigor do que austeridade, seria necessária. Estamos fartos, ultimamente, de um Governo que nos pretendeu passar uma imagem de rigor, de independência dos habituais interesses de empresas privadas e sociedades de advogados (como pode um país dizer-se livre se em grande parte é refém, internamente de...meros advogados? Que só não serão "meros advogados" se dermos importância às suas fortunas), e agora nos dá a imagem de que suspeitávamos, de incompetência. Temos a Justiça, para a qual os Juízes já nos tinham dado uma bela imagem de compromisso com políticos e empresários, Justiça de que se fala demais, não fora o país tão dependente de processos que nunca acabam, próprio do Terceiro Mundo. Não se ouve falar de Justiça nos países do Norte, como aqui, por alguma razão. O que só levará a dar valor a uma profissão que vale como outra qualquer. Mas que se sobrevaloriza.

Temos a Educação, onde um Ministro que era uma promessa de fractura com complexos anteriores, desilude por incapacidade de gestão e controlo do seu próprio Ministério.

Teremos mais Ministros a desiludir nos próximos meses?

Claro que temos um Primeiro-ministo que não "enche" o cargo. Que não se lhe entende uma Visão, uma Mensagem, uma Solução. Um Menino. Precisamos de gente madura, com ideias, inteligência, tolerância, honestidade, defesa de valores. Temos este PM que está totalmente comprometido, não com o que recebeu ou não recebeu como Deputado, ou "gestor" (até me rio...) da Tecnoforma. O problema é a Tecnoforma. E muitas como ela. Vivem do Estado, ganham com o Estado e nada fazem. Absolutamente nada. De útil. Empresas fantasma. E, claro, é muito grave termos um PM que por lá andou e se intitula de gestor. Não é nada melhor do que o anterior Sócrates mentiroso e gestor de influências, que nunca foi engenheiro de coisa alguma, que nunca foi nada mais que (mau) político e vive de milhões que nunca foram investigados. Para mim, são iguais. Porque os políticos não meteram na cabeça que não estão nas suas funções por eles, mas por nós. Quero dizer...eles sabem, mas também sabem manipular Comunicação Social, empresários, e estes a eles, Justiça e Povo, que não se esforça por se informar melhor, mesmo com a tendenciosa informação existente, nem se empenha em participar criticamente, sem amor a camisolas (gastas), na vida política e social, diariamente.

Portugal é, ainda, tendo sido sempre, um país refém de interesses, de poucos. É refém, também, desta gente pequenina. Que se protege e não permite críticas a entrada nos ambientes partidários de quem pensa por si e não se resigna a sim-sim...

Agora teremos o Costa. Teremos um PS refém. De um passado muito mau e cinzento. Marxista e anacrónico. Um PS demagógico de novo. Votaram os militantes e simpatizantes em quem não deviam, pela sede sem fim de ganhar o Poder, por acharem que Costa grita mais alto, dizendo barbaridades, idiotices. Mas muito irresponsáveis. Costa parece querer passar, de novo, como Soares, como Sócrates, a ideia de que a Europa pagará, ou nós amuamos. Mas Costa terá a Merkel como resposta. E Merkel dir-lhe-á...vá mandar cantar o cego e não venha para cá chorar. Se quer esbanjar, arranje forma e saia do clube. Costa é um bluff e um político perigoso. Alguém, como muitos, do PS e PSD, que percebeu a força, ainda, de uma Maçonaria, para estar sempre na crista da onda política. Hoje em dia não se é maçónico por convicção, mas por interesse. Interesse oculto e perigoso do tipo Amigo-ajuda-amigo.

Portugal precisa de saída. Desta crise. Desta gente perniciosa e medíocre. Rui Rio diz que não faz golpes palacianos. Que pena, talvez. Costa fez. Para nosso grande mal. Seria preciso um desses golpes, no PSD talvez. Para nosso bem.

Desta forma, neste vício de ciclo, não teremos saída, nem após os mais cinco anos previsíveis de crise. Que comecem a pensar os de mais de cinquenta...que já não verão dias melhores, com emprego e sustentabilidade. Cinco anos, provavelmente ampliados para nove, ou mais, com Costa a fazer asneira.


8.10.14

Carácter e processo de Decisão

."A tomada de decisão humana segue três processos básicos. Primeiro, percebemos a situação. Segundo, usamos o poder da razão para calcular se tomar esta ou aquela acção é do nosso interesse de longo prazo. Terceiro, usamos a força de vontade para executar a decisão" (in "O animal social" de David Brooks)

Nestes processos, sofremos a influência, como já se sabe, do Consciente e do Inconsciente. E a nossa experiência, o nosso meio, a cultura pessoal (refiro-me à herança cultural familiar e a "memes" culturais herdados de fora do meio familiar e também do seu interior), as necessidades do momento...e mais factores podem influenciar a decisão. Mas pode haver decisão e nunca haver execução de uma acção.

A percepção, o primeiro passo, não é um mero meio de interiorização. É um processo de raciocínio e que exige habilidade. Há pessoas que percebem, que têm mais habilidade, melhor do que outras, e desenvolveram com o tempo essa capacidade decisiva. As pessoas com bom carácter desenvolveram uma capacidade distinta das que o têm "mau", ou pior, perante a maioria das situações. Um exemplo clássico: alunos que entram na sala sem respeito pelo professor, aos gritos e sem a noção do momento de início de uma aula, menos ainda com a noção de deferência para o professor. Outros, porém, sabem dever essa deferência, e não entram numa sala em alvoroço, muito menos insultarão um professor, ou o desrespeitarão. Os dois tipos de carácter, podem ficar irritados, ou sentir-se contrariados, mas uns reagirão no momento, sem a noção do lugar e da pessoa a quem devem consideração, outros podem manifestar-se, mas apenas depois da aula. Que diferença leva a comportamentos tão distintos? O que os determina? O Inconsciente, que se formou com bases culturais distintas, comunicando com o Consciente e fazendo agir consoante uma ou outra forma. Começa, este processo, na percepção, inteligente, ou menos consciente.



Há milhões de inter-relações que formam o carácter. E a sociedade tem um papel determinante. Um carácter não se forma sozinho. Mais uma vez Aristóteles: "adquirimos as virtudes por primeiro as exercermos" e "só somos felizes na Polis".

Mas há que notar que nem todos empreendemos as acções, e muitos nem as decidem. Por mais estranho, muitos de nós temos a boa percepção de uma pessoa, ou de um acontecimento, de um lugar, ou circunstância. Mas ou nem tomamos uma decisão no sentido de uma acção, ou a tomamos, mas não executamos.

Confesso uma manir minha, uma espécie de processo mental, ou um processo preferencial: só devemos, ou só podemos (dar a nós mesmos o prémio de...) tomar boas decisões. Nunca devemos decidir, apenas com a ideia de que é melhor decidir, ainda que mal, do que nada decidir. Tivémos um político, recente, que infelizmente tinha esta mania, que me provocava alergias...era, segundo ele, sempre melhor decidir, ainda que mal. Absurdo!

Com isto, justifico que, embora eu prefira sempre actuar, assumir e ir em frente, e grande parte da minha experiência pessoal assim o confirma, e sofro consequências, mas ao menos sei que segui caminho, e não fiquei com a dúvida, nascida de uma insegurança que não aprecio e rejeito, de não saber o que sucederia, se tivesse tomado o caminho da acção.

Mas justifico, e legitimo, por mim, que muitas vezes não se deve decidir mesmo. O problema é mesmo saber quando. E como. E daí a enorme importância do primeiro passo: perceber e avaliar. Essencial.

Sugiro um pequeno exercício de reflexão: de onde nos vem a expressão "não tem carácter"? E há outras associadas...


Um novo Paradigma para a Democracia (III) - Educação

Portugal já foi um dia considerado a "primeira aldeia global", numa obra muito bem estruturada e escrita por Martin Page. Esta globalização à portuguesa, foi efectivamente pioneira, e quase com cem anos de avançai em relação a Espanha, e muitos mais, se pensarmos no Reino Unido, Holanda e França. Depois...Portugal foi adormecendo.

Por essa época, que ainda durou muitas gerações, Portugal dominava uma tecnologia, a navegação de alto mar e logo curso. Dominava ainda o comércio de novos produtos, que fez divulgar e expandir pela Europa. Por esses dias, Portugal tinha os maiores banqueiro da Europa, a quem a maiores casas reais pediam crédito. Eram de origem judaica, pois...mas portugueses.

Perdendo o domínio de uma tecnologia, relevante para outros, à escala global, perde-se uma hegemonia e uma liderança, que traz consigo visibilidade, respeito internacional e riqueza. Passou essa época, como antes outros a haviam vivido, os Fenícios, os Gregos, os Árabes, e passou o tempo de glória.

Mas países e culturas como a Inglaterra, que se desenvolveu imenso após o reinado de Isabel I, e mais tarde revolucionou o mundo industrial e do trabalho com a Revolução Industrial, precisamente, têm conseguido manter-se numa liderança, ou próxima dela, durante muitos mais tempo, já vão quase três séculos. Pergunta-se porquê. Uma parte da resposta é dada pela sociedade que criou uma cultura ela mesma, e a fez impor por todo o mundo. Também essas sociedades, inglesa, francesa, holandesa, alemã (ou de várias regiões do que hoje é a Alemanha), sempre o souberam fazer. Tornaram relevantes as artes, os domínios culturais, e científicos. Portugal passou a dada altura a viver de uma glória passada, porventura, sem dar atenção à difusão de conhecimentos pelo seu povo, mas antes mantendo a cultura e o conhecimento, o prazer pelo pensamento mesmo, no privilégio de grupos restritos. Pelo menos em parte, esta é uma triste verdade, para o país mais antigo da Europa.

Já nem refiro as recentes anedotas de membros de um Partido Comunista que, à mesma luza das ideias de 1975, pretendem reescrever a História. Sempre foi assim com os comunistas, por todo o mundo. Apagar o passado, e inventar uma nove história, onde os seus mitos gloriosos imperem.

Que fizeram de substancialmente diferente os países do Norte, mencionados? Entenderam, para o que provavelmente muito contribui a nova visão luterana e anti-católica, centralizadora, e de pensamento único, do Vaticano, que quanto mais informado e culto um povo fosse, mais ganharia toda uma sociedade. Um novo paradigma, que nasceu há quinhentos anos, mas nunca chegou ao Sul da Europa, e teve como inspiração...dois países do Sul. O Império Romano, e a Grécia antiga. Mas alargaram imenso a escala.

Este é ainda hoje o grande obstáculo de Portugal a um desenvolvimento sustentado e sem retorno aos negros tempos...diria de inspiração medieval, anos cinzentos de Salazar e que perduram, mesmo considerando os grandes avanços na Educação, até hoje. Ainda hoje somos o país mais martirizado com a ignorância e o analfabetismo, ou a iletracia.

Não sendo o mais urgente dos assuntos, num pais com tremendas carência de poder de compra, de desemprego, de acesso à saúde de qualidade, de acesso a transportes, de custos extremamente elevados e de trabalho mais mal remunerado de toda a Europa, é o tema mais importante de todos: mudar a Educação e não permitir retorno à idade negra, ao obscurantismo do passado. Para tal, também é fundamental uma cultura de verdade, que realmente não existe. Os manuais escolares transformaram e rescreveram a História, à luz de uma Esquerda que, dizendo-se dona da cultura, é apenas totalitária e obscura, facciosa e perigosa.

A Educação tem imensos problemas e há pelo menos quarenta anos que se tenta reformar...o que chega a parecer "irreformável". Mas não é. Agostinho da Silva, com limitações ideológicas ou sem elas, tinha uma pensamento vanguardista, a que nunca se deu atenção. Para provocar as hostes dizia, por exemplo, que se uma criança quer dançar, por que se lhe quer ensinar matemática ou português?
Estas ideias, não as teve e tem só ele. Ken Robison, tem alertado para a mesma necessidade: não ver o mundo pelo prisma redutor da tecnologia e ciência, mas ter um horizonte mais amplo, onde as humanidades e as artes terão de ter outra relevância. E essa impotência já é visível.

Mas não se deve governar contra os profissionais do sector respectivo. É o que se tem feito, vezes demais, na Educação, na Saúde e em noutros sectores. Também é extremamente negativa a acção dos sindicatos, no caso particular da Educação, onde a sombra comunista da Fenprof tem sido uma das mais perversas entidades, a contribuir para a degradação do Ensino e desprestígio dos professores.

Na Educação, a meu ver, há problemas em todos os vértices, no prisma que a constitui: ministério incompetente, há demasiado tempo, com os pseudo-especialiatas que mais parecem viver num curral de asininos, professores (alguns e não assim tão poucos, a quem ainda reconheço que o desgaste e frustração pode ter afectado a qualidade como pedagogos, mas outros, nunca deveriam estar a ensinar...(e lembro-me, da minha experiência que de todos os que tive, conseguirei salientar menos de cinco..com mérito e qualidade), pais e encarregados de educação e alunos. Todo o ambiente de uma escola está nos antípodas do que deveria ser. E depois, os programas, as disciplinas. Francês? Música onde nunca se aprende ...música? Educação visual que não ensina ninguém a desenhar, pintar ou simplesmente ter gosto pelas artes gráficas? Inglês que ao fim de cinco ou mais anos não consegue por alunos a falar e escrever, a ler a língua? Que se passa com estas disciplinas e com o resultado menos que miserável obtido ao fim de anos de escolaridade? Educação física ainda tão longe do que por todo o mundo desenvolvido se faz, com competição escolar séria e efectiva?

E um objectivo geral: passar o prazer pelo Saber aos alunos, mais, muito mais, do que a preocupação com as notas e classificações?

A Educação é o tema central de qualquer Governo que queira mesmo fazer um corte com o passado e mudar a sociedade no sentido do desenvolvimento.

O potencial artístico dos jovens é desprezado e até considerado uma coisa menor, dispensável. Mas estranhamente, num país onde a Economia e os seus agentes mais obscuros dominam, em sítio algum, excepto quem vá para a área específica, os alunos recebem fundamentos, mesmo rudimentos, de economia... Portugal terá no futuro o mesmo tipo de gente na gestão, nas actividades comerciais, com um fosso enorme a separar-nos de uma Espanha, e de todos os países europeus. Ainda hoje o que se aprende de Marketing em, por exemplo, cursos de Engenharia..é absolutamente ridículo. Considera-se ainda o Marketing, uma fantasia, uma espécie de área filosófica da gestão? São imensas as áreas a repensar na Educação, em Portugal, mas sempre deverão ser pensadas à luz de um futuro diferente, de uma sociedade onde tudo se sustenta numa Economia bem mais pujante, mas em que esta não é a rainha da sociedade, mas antes lhe serve de base. Apenas. O resto, vem sempre por forma natural. A sociedade do futuro num país que quase tem de se reinventar, deve ser mais igual, mais justa e mais "cívica". As actividades financeiras devem-na servir e nunca o contrário.

Mas fundamental é conseguir separar eficientemente os interesses políticos dos económicos, onde a promiscuidade e corrupção activa ou passiva é por demais evidente e é o maior custo que Portugal suporta.

A Educação deve ser repensada, mas com a participação dos interessados, e não como até hoje, colocando tudo nas mãos de uns ditos especialistas, como os que pretenderam reformar a música, numa comissão sem um só músico, ou como Sócrates (deve ser ironia do nome...) pretendeu eclipsar a disciplina mais importante de todo o Ensino: Filosofia. Se não se ensina a pensar...e não se transmite esse prazer e prática aos nossos jovens...

6.10.14

Desigualdade: o maior obstáculo ao desenvolvimento

Portugal era há uns anos um país com um equilíbrio social mais coeso do que os Estados Unidos. A desigualdade, na remuneração de cada indivíduo, na sociedade americana sempre das piores a nível mundial, exceptuando países onde o desenvolvimento ainda é uma miragem, como a esmagadora maioria dos países africanos e muitos da Ásia e América do Sul (quase todos).

Na Europa, o Reino Unido era e continua a ser o país com maior desigualdade. A Noruega o que menos desigualdade tem entre os que ganham mais e os que ganham menos. Pelo mundo, juntam-se nos lugares cimeiros, com menos desigualdade, a Austrália, o Canadá, a Áustria, o Luxemburgo.

A análise dos factores que conduzem a esta desigualdade não é linear, nem pode ser conduzida da mesma forma em todos os países. Mas o resultado é o mesmo: um número ínfimo de pessoas, num país, detém quase toda a riqueza do mesmo. Na China, são menos de 01,% a deter mais de 90% da riqueza produzida por lá. Nos EUA esses 0,1% detém mais de 80%, quase 90%, também. Com a crise, quando se esperava acontecessem correcções desta situação, por via da falência de grandes empresa, perda de pode económico de um número muito pequeno de muito ricas pessoas...aconteceu o contrário (eu tinha escrito isto em 2008, porque não via sinais alguns da mudança das regras, e, pelo contrário via restringir-se o grupo de pessoas com acesso aos meios que o Estado disponibiliza ou facilita.



Porquê a Desigualdade, o maior problema, exceptuando a Corrupção?

(Índice Gini e outros: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_income_equality)

Porque a desigualdade tende a eliminar a classe média, a classe com mais formação e capacidade de regeneração de negócios, de ideias, de movimentos financeiros, mesmo que de menor valor do que os das grandes empresas, mas no somatório, com  impacte mais significativo. Porque a desigualdade retira poder económico, de compra e de investimento a quase toda a sociedade, restrigindo-o a um número muito pequeno, e sem interesse real em criar valor, mas apenas em movimentos financeiros especulativos, de ganho rápido, e com facilidades artificialmente criadas pelo poder político, gerando, assim, mais distorção no mercado e mais injustiça, na redução da competição natural do mercado e na criação de redes de corrupção e tráfico de influências. Os bens financeiro gerados pela corrupção não são em geral reinvestido na economia interna.

Porque a desigualdade distorce a sociedade toda, em todos os sectores, incluindo a educação, a cultura, a tecnologia, a investigação científica, e o mais básico e essencial: acesso à saúde e segurança social justa, sem atitudes persecutórias contra indefesos.

A desigualdade e a corrupção são os maiores obstáculos ao desenvolvimento de um país. Ainda que não pareça, se alguém se puser a pensar (argumentar, pensando pouco, talvez...) que há países ricos onde impera muita desigualdade.

Pois. Mas o mundo mudou e mais mudará. As necessidades das pessoas, mudam com ele. E uma coisa é o actual nível de PIB e produção de riqueza de um país, associado à sua dimensão, ao actual domínio de tecnologias decisivas para uma economia mais global e um poder hegemónico, outra coisa é o futuro que um país terá, numa base tão desequilibrada, socialmente. E mesmo assim...se olharmos para os EUA e compararmos com o Canadá, e mesmo com a Noruega, a hegemonia é bem diferente, a visibilidade mundial, talvez a produção geral de riqueza, mas os índices de desenvolvimento, a distribuição de riqueza, os indicadores de felicidade humana, as perspectivas de futuro...são bem distintas e nunca comparáveis.

Nos EUA os indicadores dizem-nos que, por exemplo, o acesso ao Ensino Superior é cada vez mais desigual, mas que os mais ricos (filhos dos mais ricos) que podem ter acesso às melhores universidades, estão longe de ser os melhores alunos, ou mais intelectualmente capazes, mas bem ao contrário. São dados oficiais. Em Portugal não há dados...claro. Mas se os houvesse...

Se dentro de uns anos a sociedade americana ficar mais dependente da importação de cérebros, do que alguma foi....não nos espantemos, pois para isso caminham os EUA. E caminha Portugal e ...a Europa.

Dentro de poucos anos, muito poucos, os sinais de decadência da cultura europeia serão gritantes. É um processo acelerado, mais mesmo do que o da degradação climática que é também real. Ou o das migrações de países em desertificação e em guerra civil permanente.

É um cenário negativo, catastrofista, mas é visível. São cada vez mais as famílias de classe média sem recursos e com imensas dificuldades para cumprirem com despesas correntes e fixas. Cada vez com menos possibilidades de sustentarem o ensino dos filhos. É bem real. A par com sinais e notícias sobre o crescente enriquecimento dos mais ricos.

As consequências serão calamitosas, mais no espaço europeu, onde as tradições da providência estatal e das contribuições que a Segurança Social têm permitido são bem diferentes das do continente americano.

O Governador do Banco de Portugal afirmou que Portugal precisa de melhores gestores nas suas empresas, e que o crescimento económico é essencial. Mas que ninguém se iluda com um crescimento que pode até ser pontual, mas nunca sustentado, sem a procura do reequilibro, nunca verdadeiramente existente, em termos de remunerações. Não haverá recuperação do poder de compra e muitos serviços essenciais terão de reduzir custos, ou não terão forma de se cumprirem.

É pelo combate a duas forças negativas na sociedade que temos de começar, ou recuperar: desigualdade e corrupção.

4.10.14

Cultura e Civilização europeias

Versar sobre este tema é um risco enorme. Definir cultura europeia, implica fazer uma diferenciação em relação a outras culturas, ou civilizações, japonesa, árabe (se identificarmos uma apenas...), chinesa, etc. Uma tarefa muito arriscada. Por simplificação, muitos intelectuais identificam a cultura e civilização europeias, num dos seus "parâmetros" mais comuns: o cristianismo. Mas é muito redutor. E contraditório. Se aceitarmos o cristianismo como pilar comum da Europa e da sua cultura, devemos  relegar para um plano menor o multiculturalismo europeu, que carrega consigo, também, a pluralidade religiosa. E, então, teremos de aceitar o princípio democrático, que a meu ver não se aplicas tudo, de que ganha a maioria. O mesmo é dizer, ignoramos outras culturas, mesmo opostas ao cristianismo como fonte inspiradora de uma civilização. Também, ao aceitarmos o cristianismo como pilar fundamental, teremos de confirmar que antes de Cristo...não consideramos existente uma cultura comum a vários espaços e países europeus. Opção difícil e contestável.

Por isso me parece muito difícil a definição de uma cultura e identidade europeias, verificável em cada e em todos os países aceites como parte deste grande espaço Europa. Mas já me parece mais acessível a ideia de que há origens e factores comuns que levam a tal "cultura", mesmo que não se a consiga definir bem. Os povos que foram lutando e conquistando a Europa, em diversas épocas, foram impondo as suas tradições. Foram milhares de anos de movimentos pan-europeus, de muitos povos, e nem todos provenientes da Europa. Foram guerras e imposições culturais, costumes e rotinas diárias, formas de vida. O resultado é uma Europa com muitos factores raciais e de tradições comuns. Talvez não tão pan-europeias, quanto parece.

Orhan Pamuk, na recepção do prémio Helena Vaz da Silva, interveio elogiando as raízes e as faces da cultura europeia, mas criticou dizendo que esta dita cultura não passa apenas por preservação de um património construído, arquitectónico. Claro que não. Queria fazer uma crítica a tudo o resto que a muitos europeus não é aceitável? Aceita um alemão, um sueco, as influências de Portugal na sua cultura? E Portugal, aceita de quem? Queria Pamuk, um dos mais notáveis escritores mundiais, com uma escrita de uma sensibilidade excepcional, de um humanismo único e com intenções reais de demonstrar que o seu país, a Turquia, está nas raízes desta Europa, e é uma ponte entre Ásia e Europa, de importância a não menosprezar. Pamuk quereria alertar para uma decadência visível, de perda de identidade, de imposições culturais centro-europeias, via economia e finanças, via uma inglória globalização e uma venda dessa mesma cultura a um sector financeiro demolidor?

Se pensarmos...uns segundos, apenas, não iremos ver esta Europa o contraditório a todo o Humanismo que levou séculos e muito sangue a ser uma referência mundial? Não estamos a vender a Europa, a sua cultura, a nossa civilização, melhor ou pior do que outras, mas a nossa, a um consumismo que nos traz problemas insolúveis e doenças inexplicáveis? Individuais e colectivas?

Chegaremos ao nunca esperado absurdo de vermos a orgulhosa superioridade cultural europeia, refém e subalternizada por culturas de que em tempos escarneceram os conquistadores europeus.

Pamuk é uma referência em pensamento sobre a cultura, pelo que tem feito de esforço na identificação do seu país. É uma referência nas letras mundiais. Não deve ser menosprezado o seu pensamento. O autor de "O Museu da Inocência", mas mais ainda de "O meu nome é Vermelho", "Neve", é um prazer e uma aprendizagem.

A civilização europeia, com base numa cultura mais ou menos aceite como comum a esta grande Europa, precisa de outros cuidados, fundada em tantos intelectuais, da música, das artes plásticas, das letras, da filosofia, das ciências, mas agora refém de gente menor como os nossos actuais políticos, com a pragmática e cega Merkel na liderança. É esta gente que acelera um processo gradual de alguma decadência, iniciado no tempo da grande cisão cristã, mas continuado por outras áreas do pensamento e cultura, com Lutero, há quinhentos anos. Noutras áreas do pensamento europeu, as transformações ideológicas, políticas e sociais, originadas em países onde o pensamento ainda era respeitado, nunca em Portugal, onde só a ascensão social e as falsas riquezas espúrias têm caracterizado esta sociedade, os movimentos originados nem sempre foram seguidos por todo o lado. Razão para que se duvide de uma autêntica cultura europeia...

Mas a civilização é mais abrangente e essa depende de muitos mais factores, como formas de vida, como regimes políticos, como relações com outros povos fora do nosso espaço.

Raciocínio redutivo e sistemas emergentes: tentar compreender o mundo, e quem nele vive

Ao longo da História, temos tentado compreender o mundo através do raciocínio Redutivo. O tipo de raciocínio próprio da ciência, nos seus primórdios, pelo menos. Dissecando um todo nas suas partes, tentando entender o todo, pela compreensão das partes. Mas é um raciocínio limitado, redutor em si mesmo. Traz consigo uma dificuldade, de entender o complexo, o ser humano, uma realidade dinâmica, uma sociedade.

Os sistemas emergentes surgem quando elementos diferentes se juntam e formam alguma coisa maior do que a soma das partes. As partes e peças de um sistema, ao interagirem produzem, emerge, algo inteiramente novo. Um exemplo simples: os sons e as sílabas juntam-se e produzem algo, uma história, emocionalmente poderosa, irredutível às suas componentes.



O cérebro é um sistema emergente. Um neurónio por si só não nos dá a imagem de um objecto, mas a acção de milhões deles, que criam uma coisa, nova e impossível de se prever pela soma das acções de cada um deles.

Um carácter humano é um sistema emergente complexo. Da análise do que leva alguém a ser de uma determinada forma, a agir de certa maneira, não se adivinha o que será o resultado. Dizemos...ser imprevisível. E é-o, de facto. Somos. Nem sempre, nem em tudo. Mas todos temos as maiores surpresas sobre os outros, mesmo tendo assumida convicção de conhecermos alguém.

Para percebermos melhor. Numa família os filhos, em princípio, terão sido educados da mesma forma, com os mesmos valores, ou ausência deles. E todos temos provas do resultado contraditório desta assumpção. Porque estamos a analisar sistemas emergentes, e não um apenas, mas diversos em interacção. Vem daí muita imprevisibilidade. Muitos factores transformam e modelam o carácter e a personalidade de cada filho de uma família. O proteccionismo excessivo de um deles, face aos outros. Por razões diversas, que não são o que contam, mas o facto, em si, de as haver e assim se dar um empurrão num sentido distinto, a um filho, divergente do dos outros. Por um deles sentir uma necessidade acrescida de reconhecimento, por julgar ter sentido uma preferência por outro irmão, ainda que nem real, ou mesmo o sendo, mas que determinará a tal necessidade e um desajustamento no desenvolvimento, que pode tornar-se patológico. Por na escola se passar um pouco o mesmo. Por se depositar num filho uma responsabilidade que nos irmãos não se fez recair. Por ter surgido a dada altura um trauma nunca resolvido, de uma discussão fracturante entre os pais, um acidente marcante, com a família ou com o próprio, ou com um irmão. Uma vivência sem limites à intimidade dos filhos e pais. Uma fase de dificuldades muito relevantes da vida da família, sentida mais por um do que por outros irmãos, por estarem em fases distintas de desenvolvimento. Por haver distinta transmissão de cultura familiar, desigual entre irmãos.

Todas estas situações alternativas, podem determinar distintos carácteres, tornando um ou mais filhos distintos dos outros, para sempre. Podem determinar comportamentos anormalmente sensíveis, ou patológicos. A análise, por se tratarem de sistemas emergentes, é muito complexa ou impossível e, normalmente, nunca se assumem estas diferenças educativas e orientativas, pela negativa, com menos atenção e critério, ou pela positiva, com excesso de zelo, desproporcional entre irmãos, criados no mesmo ambiente.

A tarefa de um psicólogo, numa descoberta de comportamentos anormais, ou desviantes, é complexa, ou pode tornar-se impossível.

O nosso mundo está pleno de comportamentos impossíveis de se compreender. Surpreendentes e preocupantes, que podem atingir terceiras pessoas. A qualidade e intensidade da manipulação, de quem é proprietário de um comportamento para ou assumidamente patológico, depende também de intenções, de tendências, de propensões. Do que se valoriza numa vida. Se o valor do dinheiro ganha a tudo o mais, o refinamento do comportamento desviante, pode ser complexo, rebuscado, inteligente e maquiavélico. Pessoas nascem, desenvolvem-se, com anomalias relevantes no carácter e nunca lhes é diagnosticado um comportamento desta natureza. Vão-se, deixando um mar de vítimas, saindo sempre por cima, por dificuldade humana de compreensão destes sistemas que nos criam e nos fazem o que somos.

No sentido positivo, o processo é o mesmo, mas sem, provavelmente, traumas marcantes num dado momento do desenvolvimento.