30.6.14

Refundação, talvez...

Há momentos em que estamos demasiado saturados dos temas diários, com que nos assolam os fins de tarde e anoitecer. O desencanto, desalento, a que um descrédito generalizado nos trouxe. A desilusão, que entrou pelas nossa falsa calma e serenidade.

Tem sido assim com a nossa política, com uns de nós mais do que com outros.

Houve tempos em que acreditámos em pessoas. E em ideias. Nem sei se mais em ideias, ideais, visões da sociedade, esperanças de futuro para todos nós, para os mais próximos e para os que nos são alheios. Tivémos heróis. Tivémos grupos onde escolhemos inserir-nos.

Depois...

Veio a mediocridade governativa, a que se associou a das oposições. E veio a crescente apatia popular, não nesse sentido marcadamente ideológico, e datado. Mas no sentido universal, em povo somos todos e em que todos nos deixámos alhear das decisões que nos diziam e dizem respeito.

Veio, ainda, nos tempos mais recentes, o refugo político da mediocridade anterior. É o que, a meu ver, nos governa. Esclareço, desde já, que a minha perspectiva de 'governo' numa Democracia parlamentar, supostamente democracia, e supostamente parlamentar (passo a explicar adiante), é que não governa apenas o Governo, mas as oposições que o deixam ou não exercer o seu programa (que nos últimos anos nunca se percorre sequer, muito menos, se cumpre: não se executa, portanto), e (novo esclarecimento: sou frontalmente contra pensamentos únicos, ideias tacitamente aceites e concordâncias por interesse próprio. Ou seja, é muito natural em Democracia, que as oposições não pretendam a execução do programa do governo que obviamente não integram. Excluindo o contra, apenas porque sim.

Mas o ponto é outro, neste momento.

Observemos os dois Partidos maiores. O PSD que ostensivamente desvirtuou o seu património inicial. Nada contra o liberalismo, ou tendências próximas, ou outros protótipos a caminho de. Mas contra, sim, num país em que a classe média se foi esfumando, as classes abaixo lutam para não morrer à míngua. E os mais ricos enriqueceram com a crise, supostamente quando não há dinheiro que chegue para todos.

O PS, em luta fratricida pretende ser uma alternativa ao Governo, usando para tal da tão estafada estratégia de 'colar' muito à direita o actual PSD. Não que alguma vezes não apeteça cair nessa tentação. Mas em substância, passa-se que os dois Partidos se têm aproximado, numa suposta e mal esclarecida Social-democracia. Ora, nem o PS é autenticamente Social-democrata (o que Soares se tem esfalfado para demonstrar com teorias com odor a maoismo serôdio), nem o PSD Liberal. Ou nem um nem outro deviam ser o que os nossos olhos parecem detectar. Os dois, em fundamento, têm é feito um péssimo serviço a esta Democracia, que de tão nova, ainda nem tem um povo maduro que a sustente, nem uma classe política que nos mereça consideração (com boas excepções, claro), e que passe a linha ténue mas letal da mediocridade.

Como se resolve isto, sem o recurso a uma convulsão generalizada e, talvez, 'sangrenta' (metaforicamente)?

Por mim, e por mais que pense (e por mais que evite escrever sobre política, ou até pensar sobre isto) só vejo um caminho, dentro de cada um destes Partidos. Uma atitude à Sá Carneiro, de 'partir a loiça', e fazer levantar-se um movimento, que leve a cada um deles, PS e PSD, um novo regresso à sua genuinidade: quem deve ser Social-democrata, que o seja! Quem é socialista, que assuma. E que regressem a estes dois Partidos, a sua mais autêntica ideologia, com as necessárias adequações aos dias que correm.

Porque o que se tem feito está quase nos antípodas do que devíamos ter feito, há que pensar de novo!

Quem acredita em regresso ao crescimento económico com base nas exportações? Com a continuada asfixia do mercado interno? Quem acredita na competitividade internacional das nossas empresas, com juros bem mais altos do que têm ao dispor as empresas alemãs? E custos de energia, nível de impostos como os temos, que atingem e matam qualquer devaneio de investimento, de pessoas e empresas? Quem acredita que pode existir uma Europa com ricos e muito pobres, que se eternizam nessas condições?

Penso estar cada vez mais a chegar o momento de dentro do PSD e do PS, novas ideias se aproximarem do Poder, de se fazer um regresso a uma sensata ideologia original, de se encontrarem lideres de qualidade, que nos libertem deste sequestro de mediocridade!

28.6.14

The Human Center for the Unknow

1. "(...) A cada momento a mente humana pode absorver milhões de fragmentos de informação. No entanto, a estimativa mais generosa aponta para que uma pessoa possa ter conhecimento consciente de não mais de quarenta" (Brooks, D.,  O Animal Social, D. Quixote, Lisboa, 2012
Um odor, a intensidade desse odor, a duração do mesmo, uma forma, o tipo de forma, a cor, a intensidade dessa cor, a opacidade, a saturação, o recorte da forma, a dimensão...num total de quarenta fragmentos, apenas. Mas, nessa fracção de tempo, passaram milhões de informações para o nosso cérebro, foram processadas, comparadas com o banco de memória, traduzidas em termos da situação que se apresente e dadas 'instruções' ao nosso corpo, que se podem, ou não manifestar, numa reacção visível a outros, por exemplo.

Mas, todos esses milhões de dados lidos através do nosso sistema sensorial, não chegou ao nosso conhecimento consciente. Intrigante, não? Estranho! Mas é exactamente assim.

2. As hormonas. Essas ainda quase desconhecidas. Oxitocina, Vasopressina. Duas pouco conhecidas, mas com alguns efeitos já muito bem estudados. Entre outras.

Oxitocina é a hormona responsável pelo estímulo de produção do leite materno nos mamíferos em geral. Pode-se induzir essa produção pela injecção desta hormona. Pode-se gerar um instinto maternal com essa injecção. Normalmente em mamíferos de criação, como ovelhas ou vacas. Noutra situação, a sua ausência levará à rejeição de um filhote, um cordeiro, um bezerro, pela ausência desta hormona. No ser humano, as hormonas também nos controlam, mas parte do controlo é elaborado pela mente humana, capaz de contrariar efeitos primários de substâncias bioquímicas, como destas e doutras. Outra curiosidade dos efeitos destas são, e não de menosprezar, a tendência para a infelidade, ou a fidelidade, associada ao número de receptores neuronais, para estas duas hormonas e outras, mas estas essencialmente, sendo que quando em quantidade reduzida, o indivíduo 'sofre' de infedilidade 'compulsiva'. Evidentemente, mais uma vez, a mente humana tem capacidade de contrariar o efeito, principalmente se a inteligência emocional e social do mesmo estiver trabalhada e desenvolvida.

Mas também na atracção sexual estas hormonas fazem sentir o seu 'poder', libertando-se em maior extensão quando há estímulo no sentido de uma atracção, que começa com uma 'simples' mas decisiva empatia. E mais...durante o acto sexual, aumenta a produção destas duas hormonas, e no orgasmo...ainda mais! A elas e outras pode associar-se o sentimento de elevado prazer sexual nesses momentos. Mas não se ficam por aqui. Numa simples atracção empática, mesmo sem qualquer sentido carnal, sexual, elas nos podem 'comandar'. E...surprise! Mesmo à distância, entre pessoas qe nem se conhecem fisicamente!!!

É preciso, claro, uma predisposição, Ou melhor, pode, neste caso, entrar em cena, também, o inconsciente, em efeito cumulativo com o consciente ('antigamente' designados também de 'racional e irracional', hoje designações consideradas desajustadas). Uma predisposição psicológica é papel do nosso controlo, consciente, ou mesmo em trabalho conjunto com o inconsciente. Este, é fruto de muito do que não temos noção a cada instante. Mas produto de informações, impressões, experiências, que ali se armazenam (a capacidade do inconsciente é bem superior à do consciente, termos de estruturas cerebrais e de quantidade de informação recolhida e processada). O inconsciente tem, pois um papel decisivo, nas nossas...decisões. E 'predisposições'!

Agora, façam o exercício mental elaborado de juntar os efeitos cumulativos das nossas hormonas e de toda carga de poder sobre nós e...as NOSSAS DECISÕES, que o inconsciente tem. Sim, poder que se reflecte em quase tudo. Numa decisão profissional, empresarial ou não, Numa decisão política, ou sentimental!

Hormonas e Inconsciente dominam em mais de 95% as nossas tendências e as nossas decisões. Onde "pára" a consciência, a parte diminuta de que tomamos consciência do que estamos a fazer, a pensar e sentir?

Na franja mental do que somos. Ou seja, somos, o que NÃO SABEMOS QUE SOMOS!

Não. Não vale a pena tentarmos controlar o processo, não conseguimos. Admiram-se então como sentimos o que sentimos por alguém, ainda que nem conhecido num momento, apenas por um telefonema, um texto que se lê, uma mensagem, uma descrição mesmo, feita por terceiros? E depois dizemos...'não entendo o que se está a passar, é um impulso', etc. Não entendemos, nem iremos entender. Mas se "falássemos" com o inconsciente e controlássemos a produção hormonal, já entenderíamos. Parte das empatias, primeira etapa de processos de relacionamento humano, podem começar por controlo do inconsciente, e de acção de hormonas.

E lá está. Uma explicação, que não nos fará ficarmos mais conscientes, nem entendermos mais do que antes julgávamos saber. Muitas empatias e até paixões inexplicáveis caminham por trilhos desconhecidos da nossa consciência. Decisões políticas, profissionais, antipatias, inimizades, raivas que crescem...e grandes...amores!

O racional humano nunca existiu, amigos! (ainda que em tudo há uma franja, ínfima, de racional e consciente, de predisposições também, mas que não é decisiva...nas nossas decisões).

No inconsciente se armazenam dados nossos e memórias passadas, mesmo geneticamente. Socialmente também.

É disto que somos feitos. E, assim, se perdem e ganham pessoas pela vida fora!

A nossa mente é o centro humano para o (nosso) desconhecido.



24.6.14

Sentido!

Sentido. Propósito.
Pensamos, ouvimos e lemos que isto acabou. Que a crise que empobreceu talvez irreversivelmente, milhões por esta Europa e pelos Estados Unidos, já passou. Que agora iremos ter uma nova vida, ou a última fase dela, com um tal de novo "ajustamento". Limparam-nos a casa, pretendem dizer-nos. E agora é que vai ser! Um "vai ser" que nunca mais desperta, que tarda em chegar e..que nunca virá. Mas o que foi, tem sido e ainda será tudo isto da Crise? Apenas de Dívidas Soberanas? De países desajustados, agora metidos no seu lugar pelos "ajustadores"?

Jacques Barzun. um insigne historiador e pensador de origem francesa, octogenário, autor de uma obra memorável sobre a Decadência Ocidental, querendo dizer da transformação do mundo que conhecemos, deslocado geo-politicamente, talvez, para Oriente. Geo-economicamente, pela certa. Geo-culturalmente, talvez ainda não... Barzun pôs muita coisa a claro, mas muitos se esqueceram de o ler. Um erro de Merkel, uma distracção de Passos Coelho, Sócrates, Soares, Cunhal, Sampaio, Cavaco...Bush, Blair...? Tanta gente distraída?

Indiferentemente, o Mundo está a mudar. Dizem "mudou". Mas ainda não mudou. A China, uma promessa deste ainda jovem século XXI, já não o será muito provavelmente. Porque, muito provavelmente, o Sentido das coisas está mesmo a mudar. A tecnologia, a engenharia, a ciência pura e dura, a economia racional (terá sido algum dia?), já estão lá atrás. Para Portugal dos distraídos, ainda não. Ainda se insistem em cargas horárias excessivas e desfasadas de matemática (preparar os jovens portugueses para esta aurora de tecnologias, esta terra prometida de ciências e tecnologias..).

O Maná, a terra fértil do hemisfério cerebral esquerdo.

A Arte. A Emoção. Sentido. Propósito. Felicidade. Prazer. Sexo. Lazer. Cultura. Criação. Turismo.

As terras férteis do Futuro. Que já começou. Mas ainda se insistem em escrupulosos planos de negócios, apresentações ao sistema financeiro corrupto e incompetente, ainda milionário e poderoso, rigor económico...ainda que o mercado esteja a mudar, tenha mudado, e, sempre com rigor, com mais ricos e inspirados planos de negócio e de marketing, o Sentido...fará todo o sentido. Sentido é o que querem agora as pessoas ter, no que vivem, sentem, nas suas vidas.

Mais vida, com mais sentido. A saúde, a preocupação por ela, continuará a marcar os dias. Mas os dias da sensibilidade, da criação, da arte, com muito propósito, Significativo, um novo Sentido de Realização Pessoal, irão marcar o Futuro, já aí!

Após estes tempos de devastadora corrupção, da tomada do Poder político pelo Poder Financeiro, das mentiras sobre virtudes da Austeridade cega, um novo Humanismo se procura. Ainda não encontrado.

Provavelmente também se procura uma nova teoria política, uma Ideologia, consentânea com esta grande Era Conceptual em que já estamos e quase nem percebemos ter-se iniciado.

O Hemisfério direito do nosso cérebro tem agora toda a plateia com os olhos nele!

Uma nova Felicidade pode estar a arranjar-se, aperaltar-se para se nos apresentar. Um Sentido novo.

Estamos todos despertos?