Sobre o amor...

Sinceramente, sobre o amor que há a dizer? O Esteves Cardoso ( antes dele Alain de Boutin já tinha escrito um excelente ensaio, mas prefiro usar produto nacional, segundo o douto conselho do nosso douto Presidente) já disse tudo por nós (falhou uma coisinha, mas sem importância de maior, para a maioria dos "maiores" de nós). E nós todos já dissemos, uns aos outros (não exageremos), mais de uma vez, ou com impressionante frequência.


Esteves Cardoso disse, num texto que já todos lemos, e alguns viram mas acharam lamechas ler sobre amor, que já não amor como dantes. Que não tem paciência para os "amores modernos". Mais ou menos isto.

E depois disto, que mais se podia dizer? Que amor e paixão são a mesma coisa em fases diferentes? Ninguém vai nesta. Que se pode amar, sem ser amado? (o meu pai dizia, belo gozão que era...que isso era o mesmo que "limpar o cu, sem ter...opsss). Não serve para nada, mas acontece. Acontece? Que amar, agora plagiando Esteves Cardoso, mas ainda mais os praticantes desta nova fé, nada tem a ver com amar a posição social, a profissão, ou mesmo o salário mensal do outro, o/a amado/a. Nada tem a ver com planificar a vida com alguém que nos dê, o que não conseguimos por nós. Nada. Mas podia jurar que me chegou ao conhecimento (e fiz que nada sabia, nem sequer tinha ouvido. claro) que pode haver gente capaz de tal atrocidade, ou proeza, depende da perspectiva (PMEC, ou AMEC: Pro-Miguel Esteves Cardoso, ou Anti-Miguel Esteves Cardoso, nomenclatura que se torna útil neste contexto. E texto).

Conhecemos todos AMEC's e PMEC's. Alguns de nós escolhemos um dos grupos como meros simpatizantes. Outros, mesmo militantes. Os PMEC's são uns parvos duns românticos, gente de antão, que nasceu fora de tempo. Tarde demais. Uns clássicos em época moderna. Até há os que ouvem música com duzentos e mais anos, imaginem. Mas ser PMEC é bem mais complicado, traz problemas e torna a vida dura. Trata-se de acreditar.

Os AMEC's, por seu lado, são seguramente mais felizes. Não têm nada de se preocupar com dizer que amam, ainda que o digam amiúde. Mas todos, os PMEC não, todos os outros AMEC's sabem ser coisa ligeira, como a gripe. Vem e vai. Não fica. É bom, suave e não tem carga de sofrimento. Pelo menos não é crónico, talvez nem agudo.

Os PMEC's, estão tramados. Nasceram para acreditar. No amor, imaginem. Coisa mais fora de sei lá o quê. E há os HPMEC- versão High, forte, tipo "amor de perdição" que continuam a amar, mesmo sem serem amados, e ...como um comboio desgovernado que sabe ir dar a uma linha cortada...lá ao fundo, ainda não vê o fim, mas ele está lá, digo...não está. Coitados. Coitadas.

Por isso é tramadinho falar do Amor. E depois de MEC, muito pior. Duro. Porque falar, escrever, tem esse problema, faz pensar. Um prego de uma martelada só, mas que entra lentamente.

E não é que, para os crentes, nessa antiga religião pré-histórica, de seita hoje quase secreta, o que dizia o MEC é mesmo verdade? Amor por interesse, por ser prático e dar jeito, um ou mais? Que é isso? Mas há-o...ui ui. Ou não. Por não o ser. Dizem os crentes. Riem-se os cépticos. Hoje há crentes e cépticos para tudo, ou perto disso. Pela UE, esta era fácil. Pela religião, esta é polémica. Pela utilidade dos guarda-chuvas, esta é irrelevante. Pela eficácia das dietas, esta é mais complexa. Pelo uso de cuecas, esta é higiénica. E pelo amor...nesta só vão uma parte de todos nós. É esta que divide o  mundo em dois (e a Coca-cola e a Pepsi, claro).

Se o amor existe, como é que se ama, sem a existência do "objecto do amor"? Tema de filosofia, ou de farmácia? Se o amor existe, porque uns de nós o entregamos num altar de um não-crente? Tema para masoquistas? Se o amor existe e faz o maior sentido, porque o maltratamos tanto? Este não me inspira comentário.

Pode ele, o amor PMEC, existir e nos fazer jurar, que nem loucos irrealistas que se não o damos e vivemos com alguém, mas ninguém o leva de nós? Tema de psiquiatria, provavelmente. Ou se o MEC desse consultas...

Mas há quem jure o viver ou ter vivido. Acredito. Não me ponho em nenhum dos grupos, já perceberam. Sou do contra. Como acredito, poder não ser verdade, ou seja poder não acreditar. Acredito, neste caso, que não vou acreditar. Disseram-me, não sou de intrigas, que há quem o jure e hoje nem sabe o que andou a fazer. Perdeu-se, ou, pelo contrário, encontrou-se depois, de ter percebido que se tinha perdido, em vão.

É no que dá amar. Uma carga de trabalhos. O MEC nem sabe no que anda metido. E os PMEC. Os outros sempre se hão-de rir de tudo isto. Mas nunca se gabar. Nunca souberam mesmo. Não lhes digam...

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