Passos e o jornalismo

Já li vários comentários de jornalistas que se indignaram com as palavras de Passos Coelho, que os apelidou de preguiçosos e patéticos. Compreendo os jornalistas. Embora até concorde com Passos, em relação a alguns deles, os famosos vendidos ao clube de esquerda, preguiçosos não na investigação jornalística, mas no simples exercício mental. Ao contrário de Soares o raivoso e triste pseudo-democrata, penso que a defesa cerrada de um clube, sem interrogações pessoais, denota muita preguiça mental e muita, demasiada, ignorância sobre o que hoje acontece no mundo.

Mas obviamente que Passos se tornou mais patético do que já era, ao afirmar o mesmo sobre os jornalistas. 

No entanto, preocupa-me bem mais um outro aspecto desta novela, que os jornalistas normalmente adoram alimentar. Não sendo exclusiva deles esta atitude, pois quase sempre uma classe se defende desta forma, quando acha que se deve sentir deontologicamente ofendida. O que é outra forma de ridículo. Dou de barato a existência de uma classe, neste caso de jornalistas. Mas acho muito pouco inteligente que alguém se sinta mais da "classe" do que de si mesmo. Quero dizer, a classe não é homogéneas, como alguma outra também não o é. O que torna ridícula uma atitude que se está a generalizar.

Preocupa-me muito mais outra essência. A da mediocridade de tudo isto, a da leveza e pouca profundidade destes sentimentos. Bem mais importante do que o sentimento de jornalistas, sejam eles dez ou dez mil ofendidos, é o que sente o povo português, esse sim, enquanto cidadão, que devia ser participativo, é alvo primordial das acções de alguém que até é Primeiro-ministro. 

Trata-se de um PM que foi "gestor" (se ao menos ele fizesse ideia do que isso é...) de uma empresa, como tantas, a prestar serviços fantasma, mas paga pelo Estado, por nós, com dinheiro real. Trata-se de alguém que, como Durão Barroso, sempre se prestou a mordomo de Merkel, essa idiota que só faz asneiras, mas por ser chanceler de um país mais rico, muitos adoram reverenciar. Um sim-sim de um país de gente cega, que nada entende de uma Visão europeia, pela forma distorcida e arrevesada como se tem visto e lido opiniões, como donos de uma opinião incontestável sobre o que a mesma Europa, com mais 26 países para além deles, sobre o que interessa não ao seu futuro apenas, mas a esse e ao de todos os outros. Por isso insisto no epíteto de asinina para dita senhora. Como se atreve? E como se atreve o nosso PM à mesma interpretação? Como se atreve a fazer pagar, empobrecendo, sem reversibilidade possível, em útil tempo de vida, um povo que nada tem a ver (NADA) com os desvarios de loucos do PSD e do PS? Maus políticos e péssimos gestores. E vem aí pior...Costa já anda a prometer asneiras de novo: restituição (sem fundos para tal) dos cortes nos vencimentos, na totalidade, num só ano. Mais despesa de investimento, claro, pois sem isso o PS não sabe viver.

O que amigos meus, infelizmente muito sectários, defendem é que não havia outro caminho, que não esta austeridade, e é totalmente falso. Rigor, não austeridade. E se ela é necessária, sempre o seria em específicos sectores. Exemplo: Portugal não tem recursos para despesas superiores a 70 mil milhões de euros e ainda anda acima dos 80 mil milhões. O que fez Passos sobre isto? ZERO. 

De reformas, que agora muito bem entidades suspeitas nos apelidam de muito reformadores...o que foi estrutural? Quase nada. Daí o perigo de um Costa maçónico no Poder. Das duas uma: ou lhe acontece o mesmo que a Hollande (como eu escrevi que iria acontecer) ou nos rebenta de novo com as contas e teremos o quarto resgate pela mão do mesmo Partido, sempre o PS.

O que me preocupa é este entretenimento do nosso Primeiro-ministro com o duelo de palavras muito ao gosto do PS e de um certo jornalismo, e não a preocupação com o que fez, e fez muito mal, e nos deixou não melhor, como diz, mas pior do que estávamos. Ao contrário do que diz Passos, e o actual PSD de interesses e grupelhos (bem igual ao PS, mas amigos meus não são capazes de ver isto, com a mesma doença da "camisola" que infesta o PS) o país não está melhor. Em nada. Portugal está sem capacidade para nada. E uma crise como a que aí vem, com a recessão alemã e francesa, e esperemos que não com a Guerra de novo... vai asfixiar Portugal até ao limite.

Conheço empresas que outrora podiam ser uma promessa, mas onde o aproveitamento da crise levou a que despedissem pessoas altamente competentes, para ficarem elas, agora, à beira do fim. Fim que ainda nem identificam. Dou-lhes, a essas, no máximo, dois anos de vida. Uma pena. E algumas conheço de dentro. E por aí há muitas mais. A teoria (que também defende algum amigo meu...) é a mesma que afundou os EUA: aumentar os vencimentos dos gestores e reduzir os dos colaboradores, com a pressão do desemprego, sim: reduzir. E, depois, despedir. Gente bem mais capaz do que os gestores em causa. Falo do que conheço. Muitos de nós conhecem mais exemplos destes. E isto veio com esta crise, e com a bela austeridade, que por cá, Europa, e por lá EUA, tem servido o interesse do  enriquecimento dos do topo e o empobrecimento dos demais. O fosso da desigualdade aumentou. Pela mão de Passos, de Merkel, de Barroso, do FMI, da Troika. E não me venham com histórias. Não há fuga disto e é bem real. E nunca perdoarei a esta gente menor, sem qualquer visão de futuro, ou alguma réstia de humanismo e boa gestão, no presente.

Isto sim é assunto e não as palavras parvas de um PM sem estofo para tal. Ou uns comentários, de facto idiotas de algum jornalismo vendido.

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