Economistas?

António Costa quer reunir com Economistas para discutir as soluções para o país. Evidencia várias coisas, ao anunciar esta "novidade". Primeiro, que nem ideia tem sobre o que fazer. Fácil foi mandar argumentos para o ar, mas nunca os fundamentar. Segundo, que irá repetir a eterna receita dos anteriores governantes: consultar economistas (nada tenho contra a classe, sendo eu próprio sempre interessado em temas sobre economia). Terceiro, que assim nos demonstra que, como outros, considera ser a Economia o motor de um país (oiço um coro imenso...mas o homem está doido? Claro, sem economia...e associam economia a dinheiro e a gestão deste a...economistas. Enfim, perda de tempo por-me a explicar. Quarto, que assim procedendo, não considerará que a Economia deve servir a Sociedade, donde devia consultar sociólogos, antropólogos, psicólogos e historiadores. Riam...depois da receita se tornar, de novo, patética, com economistas a afiar as unhas para que a sua opinião faça manchete num jornal, e tudo...ir por água abaixo, por não ter acertado em nada, logo vemos o disparate de Costa. Mas eu já o sabia disparatado).

Costa quer voltar, pois, às receitas do costume. Acerto aqui, desaperto ali, esbanja aqui, aperta do outro lado.

A pergunta que Portugal deve fazer-se a si mesmo: todos nós, os que se interessam por Portugal, é: porque Portugal falhou e ainda não acertou?

Razões variadas, sabemos. Históricas. Apostas erradas. Etc. Mas porquê? Um dos eternos problemas portugueses foi a imitação de modelos importados. Sempre. Outro problema foi a comparação com Espanha. Dimensões disparatadamente distintas! Ao fazermos uma comparação com Espanha, esquecemos uma premissa básica, para quem adora economia: não há países pequenos de sucesso, com preços baixos, baixos salários e fraco poder de compra. Todos são, e estão na Europa, países ricos, caros e onde se ganha bem. O caminho do "café a 65 cêntimos" é um caminho errado. Muito errado.

Portugal falhou por apostas erradas, claro. Desde a Monarquia que nem apostava alguma coisa, excepto a sua riqueza pessoal e desprezava o país no seu todo. Portugal era o seu quintal, e mais miserável e inculto, melhor. Mais fácil controlar, menos reivindicativo. A Monarquia coincidiu com todas as grandes revoluções europeias, e com os grandes movimentos filosóficos, que assustavam todos os nossos monarcas. Depois veio o monarca de Coimbra, perdão de Santa Comba. Provinciano, cheio de medos e metido consigo mesmo, era retrógrado até a sétima casa. Um aborto intelectual, um homem sem qualquer visão. Um sacristão mediano. Mais tarde, o tempo dos oportunistas. depois de Sá Carneiro, nem um se preocupou genuinamente com Portugal.

Com tal cenário de "individualidades", a quem adoramos idolatrar, e fazer vénia a doutores....como podíamos acertar? Há alguma individualidade desde há mais de cem anos que se destaque pela inteligência brilhante, sentido de Estado, honestidade, desapego, integridade, humildade política? E que se passa, quando o contrário se passa? É como tudo...a nossa vaidade ensurdece-nos, não nos permite ouvir os outros. Na vida, como na política. E os disparates e decisões perniciosas, não vieram sozinhos.

Vieram com o interesse real, agora mais transparente, por cá e por todo o lado (nos EUA cada semana há mais evidências e publicações sobre os interesses privados que pervertem o Estado e vice-versa, pela Europa, mas hábeis na dissimulação, ou com sistemas políticos mais trabalhados nesses sentido, nomeadamente por advogados e legisladores, em sede de interesse próprio...também) há muitas evidências, do interesse de sectores financeiros na geração de crises, na sua manutenção. E na criação de Desigualdade, com regiões a enriquecerem, e outras a forçosamente empobrecerem. E classes sociais.

Se no passado os interesses e a sua força não eram tão evidentes, nem tão capacitados nesta geração de pobreza, logo na manutenção de uma sociedade na sombra e à margem do desenvolvimento, na actualidade essa força é esmagadora.

Dou um exemplo que nada tem a ver com o assunto, mas é singular na percepção do controlo de todo um mercado à escala mundial, para um fim determinado. Quanto vale um diamante? Muito, certo? Errado. Muito...pouco! Quem gerou o interesse a apetência foi um conjunto de indivíduos, conduzidos por uma família, De Beers, de origem holandesa, que emigrou para a África do Sul e percebeu a dada altura que se controlasse a produção (limpeza, lapidação etc) dos diamantes, apenas colocando no mercado as quantidades que permitissem controlar o seu preço...ganharia muito dinheiro. Há quem acuse esta família de homicídios por causa deste fabuloso negócio. Com o Ouro não se passa algo de muito diferente. Inflação artificial de preços. A prova: quando os russos aperfeiçoaram o fabrico de diamantes sintéticos, a De Beers viu-se na obrigação de passar a colocar à venda diamantes com a sua marca, coisa que nunca acontecera. Para pretender dizer que os deles são naturais...mas nem um especialista parece conseguir hoje distinguir uns e outros.

Ora, se isto se passa num mercado apesar de tudo residual, imagine-se no enorme mercado das Dívidas Soberanas.

Porque Portugal nunca se desenvolveu e se aproximou dos seus amigos europeus? Razões distintas em distintas épocas, mas sempre com um factor comum: um povo ignorante e desinteressado na sua própria nação, do seu futuro.

Economistas para quê? Que soluções vêm aí que já não tenhamos visto?

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