29.7.13

Genial

Um jovem chinês, Zhao Bowen, um prodígio adolescente ainda, faz parte de um projecto que pretende descobrir o que faz com que certas pessoas sejam tão inteligentes. Como ele próprio. 

As ciências da mente fascinam-me. Sempre me intrigaram e atraíram. Volta e meia, leio algumas coisas sobre estes temas. Como consegue o nosso cérebro guardar memórias de décadas? Como consegue fazer deduções, tantas vezes com tão pouca matéria prima, tão poucos elementos? Como armazena memórias de aromas, de sabores, de sensações físicas, de experiências sensoriais? E de sentimentos? E compara tudo, com padrões e memórias armazenados.

Descobrir a razão pela qual algumas pessoas têm uma inteligência muito caia o normal, ou são mesmo geniais, pode, em si mesmo, não ser o mais importante projecto das neurociências, excepto se isso contribuir para revelar o que actualmente nem se imagina. Como a influencia do meio, uma ominarão única de genes dos progenitores, as escolhas elaboradas durante o desenvolvimento do cérebro, nos primeiros anos de vida, a exposição a um conjunto favorável e irrepetível de condições e circunstâncias.

Um projecto destes terá, porém outros méritos. Pode permitir outras descobertas, sobre o cérebro e o seu papel no todo que é um ser humano. O seu papel social, porventura.

Porque alguns de nós são mais aptos em dadas matérias? Gardner, um dos meus psicólogos de eleição, teorizou sobre as diversas formas de inteligência, diversas aptidões em indivíduos distintos, ou a combinação única num dado indivíduo, dessas materializações da inteligência.

Uma das mais fascinantes formas da inteligência conduz a realizações e sucessos, de quem a possui mais desenvolvida, mais aguçada. Inteligência social, de forma genérica. O sucesso profissional ou sentimental destas pessoas é reconhecível por quase todos nós. Há quem tenha desde muito cedo uma imensa capacidade para lidar com outras pessoas, usando de uma empatia invulgar, desembaraçando-se com grande facilidade em situações delicadas de cariz interpessoal. Algumas pessoas são incapazes de verter os seus sentimentos sobre s outros, criando laços, estabelecendo amizades ou relacoes sentimentais como se tal fosse a coisa is natural do mundo. Exprimir sentimentos por palavras, de forma sentida, sincera e frontal não é assim to comum. Não me refiro apenas a sentimentos amorosos, mas a manifestações de amizade, a expressões de reconhecimento. 

Essas expressões ou manifestações sentimentais, podem, é certo, materializar-se não apenas pelas palavras, mas o valor da palavra não deve ser minorado. É saudável para quem as exprime, é gratificante para quem as recebe.

Porque, então, alguns de nós nos manifestamos com mais sucesso nessas formas de inteligência, do que outros?

Claro que o projecto referido se centrara bem mais as capacidades abstractivas da inteligência do ue nestas formas, erradamente consideradas inferiores. A capacidade matemática, ou da compreensão das ciências puras e ditas superiores, pouco ou nada acessíveis à esmagadora maioria das pessoas estará no âmago da investigação de Zhao Bowen, mas o que for descoberto, se for, pode desvendar, como noutras investigações, a importância maior das inteligências "práticas" e não apenas das formas mais relacionadas com o que equivocamente se julga serem as superiores capacidades do nosso cérebro. 


11.7.13

Demagogia, hipocrisia e a Actual Crise governativa


Há dois lados e duas (muitas mais, mas duas, pelo menos) perspectivas gerais, neste momento, que jogam o futuro da nossa Democracia.
A perspectiva, ou melhor, a visão, segundo os políticos. E a visão, que não tem contado, mas que um dia se pode definitivamente impor, pela necessidade e urgência, a o povo português (que são muitos ‘povos’, digo, visões, claro, mas que em termos gerais, em termos de uma generalizada insatisfação sobre a classe política, eu arrisco-me a considerar mais ou menos homogénea).

Os políticos. Continuam a persistir numa lógica de Poder, de alternância no Poder, de eventual pertença ou de tradicional oposição a ele. De acordo com esta lógica, hoje cada dia mais, a caminhar para um real e fatal desajustamento da realidade, há dentro desta visão, formas distintas, ou incorporações mais ou menos diversas. No fundo, porém, há uma mesma lógica: fazer parte do Poder político, ou ser-se oposição a ele, sem efectivamente o ser, sem transpor alguma barreira sem retorno.

Neste momento, vejamos de que lado, e como se corporizam os políticos, e as suas facções. Os Partidos actualmente no Governo, querem lá permanecer. Os que estão fora, querem voltar a lá estar. As razões, em tempo de crise e de muitos insucessos, vá-se lá saber quais são, vá-se lá entender. Sabendo (nós e não ‘eles’) que a probabilidade de sucesso no Poder é ínfima e o custo é enorme (excepto se continuarmos a não os saber responsabilizar, sendo esta a razão maior por todos quererem para lá ir… fora distinta a atitude dos eleitores e talvez de lá quisessem fugir…).

O Presidente da República não sancionou a proposta do PSD e CDS, de remodelação governamental e contrapôs um acordo governativo entre os três Partidos do ‘arco (não da velha, mas) governação. O PSD e o CDS disseram logo irem estudar o assunto e ver a sua viabilidade e a sua realização. O PS, embriagado com as sondagens, cego pela sede de Poder, nem pensa e logo rejeita. Admito que o PS pense poder governar de forma distinta, contrapor soluções a esta injusta e absurda austeridade que nos impuseram. Mas admito também o seu oposto: que têm perfeita consciência de nada de diferente poderem fazer, na eventualidade de esta solução do PR não ser aceite e não avançar, e se terem de realizar eleições ainda este ano. Se acreditam que podem fazer melhor e diferente, sem cortar mais custos ao Estado, que passem por cortes em funcionários, em pensões e em reformas, ou mesmo outros custos sociais, talvez então o perigo de se tornarem Governo seja maior e a calamidade se torne irreversível. Porque, na verdade não o conseguem fazer.

Uma conta simples, que o PS tem de conhecer, mas escamoteia, tal a sede de Poder: a nossa dividida tem de ser reduzida dos actuais cerca de 80 mil milhões (era de mais de 90 mil milhões quando Sócrates saiu e de 70 mil milhões quando ela lá chegou…) para uns mais sustentáveis 70 mil milhões. Tudo o que for mais do que isto, é insustentabilidade de Portugal, com autonomia financeira e económica. Que ninguém duvide. O que Portugal produz, não permite que se ultrapasse a barreia dos 70, acima indicada. E os cortes neste momento ‘em cima da mesa’ ainda só são de 4,7 mil milhões. Donde… como se pode facilmente perceber, os cortes no Estado ainda não acabaram. Mas o PS…propõe, à exaustão, mais investimento público, mais custos no Estado Social (incomportáveis) e regresso a uma estrutura do Estado totalmente insuportável. Tudo a bem da Demagogia.

António Costa, entre outros, insiste na necessidade de eleições. Os portugueses, em resposta, deviam cuidar de que o PS não regressasse tão cedo ao Poder, pelo menos isolado, ou sem controlo bem mais apertado, do que no passado. Se virmos o próprio Costa, o que fez na Câmara de Lisboa é um escândalo. Tem até hoje escondido o maior défice de que há memória em Portugal, tal como os Açores. Mas nestas coisas, os políticos sabem bem calar-se, em prol de um estranho e perigoso compromisso de secretismo e quase ‘irmandade’. Talvez a mão da Maçonaria esteja a funcionar, bem mais do que diz Henrique Monteiro, mas suspeito que nunca o iremos saber…

Os portugueses deviam, nesta fase exigir. Com conhecimento, com fundamento, mas exigir. Antes de mais responsabilidade. Dos que governam, mas nem um pouco menos, dos que se lhes opõem, visto poderem ser um dia, também, Poder. Talvez a maior exigência devesse, porém, ser a de Transparência. Sobre a capacidade da Banca em efectivamente Mandar em Portugal. Sobre o mesmo, no que toca a grandes empresas, como EDP, PT, GALP, etc. A corrupção vem da falta de transparência. Tal como a nossa estranheza, perante o que nos vêm a dizer membros destacados do PS.

Porquê esta fome de Poder, se o que lhes acontecerá será inevitavelmente queimarem-se?

Sabemos todos muito bem, o que esta austeridade imposta nos tem custado e ainda nos irá custar. Sabemos bem as asneiras que este Governo tem feito. Que nos levou a um desemprego insustentável, num país onde a Economia talvez não veja muito melhores dias nos próximos dez anos. O desemprego poderá manter-se acima de 15% por um prazo de mais de sete a dez anos. E que significa isso para tanta gente, muita com excelente formação, da classe média, que não mais voltará ao mercado de emprego e cuja idade anda, em termos muito representativos pelos 45-55 anos?

Que pretende o PS? Que acha que consegue Cavaco Silva? Que pensa ainda poder fazer a coligação? Porque pedem tanto eleições os ‘famosos’ do PS? O interesse do Partido está acima do do país? Acham mesmo, MESMO (!!!) que sabem, podem e os deixam fazer diferente?

É este o impasse, e não o da mera (e já grave) crise de governação. E o impasse, uma vez mais, embora não pareça, vem sempre do mesmo problema. E dos mesmos erros.

Primeiro, o PS desbaratou as finanças de Portugal. Não foi só o PS, ou não o foi sozinho, outros governos, do PSD o haviam feito, ainda que em menor escala. E mentiram de tal modo que ainda hoje há inquebrantáveis defensores do clube, cegos por essa ideia de que nas veias de cada um há sangue bom ou sangue mau (sendo o bom, o de um socialista, claro).

Primeiro, também (a ordem é, como se sabe, indiferente), os amigos corruptos do PSD e do CDS andaram a comer do Estado, a delapidar-nos, a favor de empresas suas e de amigos (também o fizeram os amigos do PS). Poucos escaparão, mas todos se escapuliram.

Do Estado, vivem e têm desde há muito, desde Salazar e com mais ênfase e gravidade, muitas empresas e quase todos os grandes grupos portugueses e até alguns internacionais. Tudo com a ignorância dos portugueses, que, cegos, aina acreditam no Pai Natal, e quase tudo têm sancionado. Ainda hoje há quem defenda as energias alternativas…(eu também, pelo primas do Ambiente, mas nunca, NUNCA, pelo do acréscimo insuportável no custo da nossa factura eléctrica, que continua).

O Estado até para o insuportável e aberrante insultuoso Acordo Ortográfico serviu, para contentar um dos lobbies nacionais. Um, como tantos outros: Construção civil, Farmácias, Medicina privada (e pública), energias (já referido), agricultura, telecomunicações, sociedades de advogados, certificações ambientais…

Portugal o país maior dos interesses e redes de influência. Que continua, e até mesmo agora, em situação tão grave, com esta coligação governamental e com a oposição, se continua a fazer sentir.

O problema, sempre por resolver é este: Corrupção, redes de influência, interesses corporativos, sociedades secretas, interesses partidários pouco ou nada claros.

A crise política pode agravar tudo isto, e acelerar a situação de calamidade, mas a sua resolução não resolverá o Problema de fundo.

Se não fazem os actuais agentes polítcos (todos, de que não excluo os sindicatos, agora também opinitivos sobre a política e a política parlamentar e geral…, e os Partidos da Assembleia, mesmo os mais pequenos, igualmente responsáveis) o que se espera deles, quem o terá de fazer?

Uma das soluções, pequena e não suficiente para ultrapassar a crise, não a da governação, mas a financeira, social e económica, parece-me ser, ainda, a substituição das actuais lideranças partidárias, nos três Partidos, PSD, PS e CDS.

Porque, todos sabemos que Portugal tem de continuar!

2.7.13

A Difícil Decisão

Portugal encontra-se uma vez mais num momento muito difícil. Portugal e a sua pouco credível e e pouco democrática Democracia.

Há dois anos mudou o Governo, pondo fim a uma das piores épocas da nossa História, com a saída de um Governo liderado por um mentiroso e suspeito de corrupção em mil e um casos. Um Governo de irresponsáveis, de gente agarrada ao Poder e a interesses pessoais.

Nesse momento pouca esperança havia para que Portugal viesse a entrar num período de inversão nas condições de vida dos portugueses, embora algumas promessas tivessem sido feitas pelo Partido vencedor nas eleições que derrotaram o PS, o PSD. Promessas todas, ou quase, impossíveis de serem concretizadas, mas ainda assim acenadas aos portugueses. Logo depois se veio a confirmar que um só caminho nos era permitido, pelos que nos propuseram um Programa, aceite com demasiada facilidade pelo PSD e CDS. A Irlanda, pouco antes havia rejeitado algumas das imposições de uma mesma Troika, que a nós nos quis e continua a querer mais pobres, mais submissos, tornando-nos num país euro-asiático dentro da UE. Um europeu de segunda ou terceira (já que de segunda terão se ser espanhóis e italianos). O Governo nunca assim viu as coisas.

Desde há muitos anos, ou desde sempre na era democrática de Portugal, temos vindo a sofrer da mediocridade que nos governa (desgoverna, aliás). Nos últimos anos, porém, desde o famigerado Sócrates, que nunca mostrou ser sequer um democrata, e muito menos um político sério, tendo usado o Poder em causa própria, à vista de todos, até aos actuais políticos deste Governo, o problema é sempre o mesmo.

Não SABER FAZER e persistir no erro. Se em política o Não Saber Fazer e inaceitável, em Democracia é ainda mais grave e irresponsável e em tempo de crise, diria que até se devia entrar pelo foro criminal. Porque o problema é que tudo o que é feito nos atingir e ter de ser pago pelos governados. Em Democracia a mediocridade não é aceitável e em tempo de Crise, é ainda mais grave e muito mais consequente.

O caminho que nos foi imposto pela Troika é, para além de injusto e incorrecto, completamente irresponsável e não leva a saída alguma. Não é caminho! Nunca o será, nem aqui, nem noutro lado qualquer. O facto de Passos Coelho ter teimado nele, fez dele um caso perdido, mas um problema para todos nós. O facto do PS ter tentado e continuar a destacar-se de uma solução que ele próprio propôs e assinou e, pior, mas mais subtil, não ter outro caminho que não o mesmo, pois um dia Governo, terá de fazer o mesmo, vírgula por vírgula (eventualmente mascarando algumas medidas, como o fez Hollande em França e agora terá de recuar...e enfrentar um resgate), faz de Seguro outro irresponsável, porventura mais gravoso do que Sócrates, pois o tempo das experiências esgota-se.

Neste imenso imbróglio, em que nos colocou Sócrates com a sua irresponsabilidade louca, e aumentado por outra irresponsabilidade (eventualmente vendida a interesses desconhecidos), do PSD e do CDS, o problema da Decisão, sobre o que fazer a seguir não é do Primeiro Ministro, não é do líder da Oposição (que parece um escoteiro num mundo cheio de problemas graves e de gente séria a suportar tudo isto), não é sequer do Presidente da República.

A Decisão é de todos nós. Ou agora, ou mais tarde, mas quanto mais ela for adiada, mais custos teremos todos.