29.12.13

Um Novo Ano é sempre Novo!

Faltam apenas dois dias para terminar este ano difícil, o mais duro, para mim, o mais doloroso, desde que me recordo, para mim e para os meus mais queridos. E para os meus amigos, provavelmente. Sabemos todos porquê, em geral. Mas cada um de nós, provavelmente juntou ao já difícil, umas quantas mais complicações, dificuldades, ou problemas e tristezas de muito difícil ultrapassagem. Não me vou lamentar, em privado já o fiz em excesso. E, se sempre me considerei um optimista, desenvolto e liberto de acidez ou de estados depressivos, tenho apenas de confessar que esta fase da minha vida tem sido muito dura. Aligeiraram-me as preocupações e inseguranças, as agruras profundas, algumas pessoas que se mantiveram fiéis, por amizade umas, por amor, outras. Mas, ao terminar o ano de todas as dificuldades e tristezas, desilusões e descrenças num optimismo que me era natural...não quero apenas falar de mim. Sou apenas mais um.

2013 foi um ano de tal ordem odiado, indesejado e temido, que a poucas horas do término ainda se espera alguma notícia má. É o Ano Ruim até ao Fim! Da política, da economia, da sociedade, das famílias...este Ano foi o das depressões e desilusões. Pouca coisa terá ficado igual, para alguém. E por mais que agora se venha abrir aos braços a 'um fim de crise' pouco credível (e não quero comentar política!), sabemos que o ano que se avizinha só poderá ser melhor para quem já esteve bem em 2013. E que, contas feitas, a situação de cada um será sempre pior do que no ano que finda, e do que nos anteriores anos, num recuo de mais de vinte provavelmente. Estaremos mais pobres, com mais dificuldades, e com mais incerteza e insegurança. Mais problemas, profissionais e pessoais, uns derivados dos outros, que em nada auspiciam o famoso 'Feliz Ano Novo' gritado, sussurrado, ou beijado a quem nos estiver próximo às doze badaladas de dia 31 de Dezembro.

No entando, um ano a terminar é sempre uma volta mais na nossas vidas, um fim de ciclo e o inicio de outro, e bem lá no fundo de cada um de nós, ainda há sempre uma ténue esperança...que de facto o Novo Ano venha a ser melhor. Não pode ser de outra forma.

É esse o meu mais profundo e sentido desejo. Para todos. Para os meus queridos. Para os que amo, e que faço questão de o dizer, serão amados até ao fim dos dias. Para os que me são mesmo amigos e até sinto ter alguns que ainda nem conheço fisicamente, mas que o são desinteressada e desapaixonada mente, libertos de peias e de intenções, Amigos que se amam como tal. Eles sabem quem são. Sempre o sentiram da minha parte, e por isso são poucos, mas incondicionais. Comovo-me ao lembrar-me da imensa amizade, nem sempre por mim alimentada como mereciam, nem sempre com a disposição que lhes devia dar, a disponibilidade minha que lhes é merecida. Mas também penso saberem porquê e me entenderem um pouco. Comovo-me com os sentimentos fortes que em momentos difíceis e marcantes nos deixam sem sabermos exprimir o adequado e o justo. O meu círculo de familiares mais amados sabem, no entanto, que sem eles eu nada seria.

Espera-se de cada português um esforço derradeiro. Um esgotante esforço de resistência e, sobretudo, uma capacidade em acreditarem. Sirvam-se de alguma crença religiosa, ou apenas das suas humanas forças.

Espera-se dos meus mais chegados a mesma força indestrutível de acreditarem. Em si mesmos. E em mim. Todos sabem que se estivesse nos meus meios, o mundo lhes daria com o sorriso de quem tem prazer em Dar e Fazer Feliz. Mas para tal...

Espera-se que eu mesmo supere. Que me supere, uma vez mais. Que, assim, descobertas forças e criatividade em recônditos da minha resistência e da minha pouca inteligência, cansada e tantas vezes estéril...possa fazer de 2014, desse já pouco credível ANO NOVO, um novo e definitivo ciclo de mudança. Quem ficou para trás por opção já não entra comigo em 2014. Felizmente são poucos, ou apenas um, outrora um amigo que pensava não ser aquilo em que se transformou, mas alguém que enchia momentos de prazer perdurável, como perdurável esperava ser a sua amizade. Substitui-se a amizade por uma traição à mesma. Para sempre.

Não me sinto bem em perder pessoas pelo meu caminho, já bastando as que se vão por motivos naturais ou pela degradação física que a vida nos presenteia. Não me sinto bem a escrever sobre estes temas. Mas um dia, uma vez apenas, num ano todo, acho que me compete ser honesto com a minha inteligência reduzida ou redutora. A mesma que não me deixou ver os erros que devia ter evitado.

Entrarei em 2014 com a pujança toda que conseguir arranjar e num assomo de muita fé nos meus queridos amigos e amados, quero terminar o ano que ainda nem se inaugurou, levando-lhes orgulho em me terem como amigo, como amado (homem, pai, irmão, familiar).

Quero entrar no Ano Novo, com a serena determinação de conseguir mudanças para mim e para outros, que comigo vivem ou convivem, contrariando os maus augúrios!

Desejo o mesmo a todos Vós!

DESEJO A TODOS UM ANO NOVO FORTE E MUITO FELIZ, DE COMBATE À DESILUSÃO E DE TRANSFORMAÇÃO, UMA VEZ MAIS, DAS NOSSAS VIDAS PARA MELHOR!

BOM ANO!!!

19.10.13

O Maior Sentimento do Mundo (II)


“ Na nossa sociedade, Marcus, os homens que mais admiramos são os que constroem pontes, arranha-céus e impérios. Mas na realidade , os mais nobres e mais admiráveis são os que conseguem construir o amor. Na verdade, não há empresa maior nem mais difícil”

(in “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, de Jöel Dicker).

Diria o mesmo, digo. E mais. Os amor e a amizade. E, não, não há dois tipos de pessoas no mundo, as que sim e as que não, tal como em tantos outros temas.

Há as que genuinamente tentam. As que genuinamente pensam que tentam. As que querem (fazer essa contrução do amor) e não sabem como. As que nem querem, claro, também. As que pensam saber o que é o amor e que o construíram, ou constroem, e nem lá perto andam, ou andaram. Ou andaram perto de saber e conseguir, mas iludidas pelos sinais, pelos tiques (ou clichés) da sociedade, as ideias feitas, as imagens ilusórias, também não conseguiram. E há muitos outros grupos e pessoas, com certeza. Não há avaliação ou bitola sobre esta grande obra do humano. Pode haver é quem não se consiga identificar com a construção do outro, talvez ...o critério mais válido, mas ainda assim... um Amor, de construção a dois, terá de ser conjugação das vontades, certo, mas também do evidente reconhecimento recíproco. Tudo...fácil em papel, normalmente inviável de se ter certezas, na realidade.

E construir o Amor, não é, ainda, Manter. Saber, querer e poder manter o amor que se construiu. Saber, ter a “arte” de o conseguir manter igual ou fazer crescer. E, com alguma frequência, um ou dois, deixam-no ou fazem-no ...mingar. Percebendo tarde de mais o valor do que tinham, e iludindo-se com a possibilidade de o voltar a ter.

É por tudo isto que o Amor “não é para todos” (nem a Amizade). Nem todos o sabem, nem todos o querem, ou até, alguns, dele têm medo.

Mas, para além de qualquer um de nós, do que sabemos, do pensamos saber, do que pensamos querer...ele aí está e estará. Existe.

Para nosso mal, só vive no presente e pode ter vida no futuro. Do passado, podemos ficar com a aprendizagem, normalmente este sendo o sentimento de que se aprende e apreende as lições mais claras e definitivas e, no entanto, difíceis de serem perceptíveis à grande maioria de nós. Do passado também fica que...o passado pode ser recuperável. Mas apenas se o Amor, o Medo e a Insegurança não coexistirem. 

(e ainda se deve levar em conta todo o 'caldeirão de sentimentos coexistentes num dado momento das nossas vidas, como insatisfações pessoais, revoltas, depressões, traumas vários, devido a algo sucedido antes nas nossas vidas, ou no momento, com alguém muito querido, entre muitos mais factores de perturbação que nos rasteiram em momento decisivo).

Tenho para mim, num processo infelizmente interminável de aprendizagem, que sobre o Amor se deve dizer que uma vez percebendo que o tivemos “na mão”, é furtuito e irremediável, “deixá-lo cair à rua”. Naquela lógica de que o que hoje se vive, se pode viver pela última vez, e desbaratar este valor...pode ser a maior perda e o maior erro. Para quem perceber e para si mesmo, concordar, está bem de ver...


16.10.13

O Maior sentimento do Mundo. O maior e o pior.


Eu não pensava escrever algum dia em discurso directo. Num breve e pouco proficiente curso de escrita criativa, cujo ónus a mim apenas respeita, não me foi ensinado o discurso na primeira pessoa, de uma situação, ou de um sentimento, vivido pelo autor do texto, que fosse um sentimento envolvente, aliás, um sentimento que nos retira toda ou quase, a possibilidade de uma análise objectiva. Lembro-me, porém do livro de José Cardoso Pires sobre a sua experiência de quase-morte e passagem para o outro lado, e regresso à vida, infelizmente por pouco tempo. Foi, seguramente, uma experiência, e o texto confirma-o, única, intensa e extremamente difícil de contextualizar, e de passar em testemunho descrito. Pelo próprio.

Mas hoje, como nos últimos tempos, Morfeu recusa-se a chamar-me para o seu abraço aconchegante, que nos leva, ao seu colo, por viagens insuspeitas e normalmente sem testemunho confirmável. Morfeu tem-me abandonado. 

Um exercício de vivência pessoal, em forma de letras, para testar a que ponto a falta de distanciamento, que aos escritores se aconselha, pode perturbar o mesmo.

A minha formação familiar não se pautou pela educação das sensibilidades, pelas sensibilidades e muito menos pela transmissão de sentimentos, por palavra viva e em discurso directo. Menos ainda que se advogasse a sensatez de escrever sobre uma experiência intensa, perturbadora, em dois sentidos inversos, na euforia e na depressão, para que me torne mais claro. A minha formação, que os meus amados pais me passaram não se compadecia muito de, palavras minhas, lamechices. Mas a vida levou-me por outros caminhos, até outras pessoas e, pouco a pouco a expressão dos sentimentos foi para mim um mundo novo, assumido e verbalizado.

É de amor que vos venho falar. Esse sentimento tão nobre, quanto mortal. Tão efervescente, quanto desmoralizador, um veneno para a mente. Os venenos, como todos sabemos, são-nos bons ou muito maus, sendo a dose e o momento que determinam a letalidade, ou a tonicidade. O Amor é um tónico. Sem dúvida. Todos o sabemos, ou julgamos saber. Nem todos, porém, sabemos mesmo o seu significado e nem um de nós provavelmente o saberá definir. Enamoramento, paixão, amor...ódio, no reverso, ali mesmo ao dobrar da esquina. O fármaco que nos salva a vida ou o veneno que no-la tira.

De amor se diz habitar no coração. Mas no coração corre sangue. O sentimento vem de cima, onde habita também o ódio, portas meias com a outra face da moeda que manda mais em nós...

De um ápice se passa de...

Um estrépito que nos sobe pelo peito, nos aquece, o tremor, o estômago que mal se aguenta, os intestinos...os calores e os tremores de frio, um tampão para as palavras que têm de ser ditas, a voz que se embaça, a garganta que aperta, a relatividade dos tempos, tão lento antes de chegar, tão rápido quando estamos com o nosso amor... a paixão que nos queima, os momentos loucos que nunca chegam, e tão leves e diáfanos se vão, os corpos que se querem, os beijos que nunca são demais, o fogo, as lágrimas de felicidade, a promessa da eternidade, os exageros, os excessos, a segurança, a serenidade, a paz, a coragem, o mundo que deixa de existir, mas que faz todo o sentido que exista. Para sempre!

Num dia, a eternidade, as juras, as certezas. No outro...

Um peso que não nos deixa, o vazio esmagador, o silêncio que nos ensurdece, a incompreensão, a injustiça, a impossibilidade do abandono, o choro, o medo, o frio, o gelo, a perda de apetite, a desistência de tudo, a apatia, a inépcia, as lágrimas que persistem, os exageros, os excessos, o mundo que deixa de existir, mas que não faz sentido que exista mesmo. Para sempre...

O Amor é o maior sentimento do mundo. Não há corpo que o albergue todo. Quando está e...quando desaparece. Tanto nos enchemos de euforia, como do peso da tristeza e dor.

O Amor que nos domina, e nos faz ter medo dele.

13.10.13

O Roubo do Presente, por José Gil

Transcrevo um texto do filósofo José Gil, de suma importância, com a devida vénia

 (pena ter desactivado o Facebook por razões pessoais)


"Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos otempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.
O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.
O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.
O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias borderline enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).
O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.
Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.
Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.
Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."

Por palavras bem menos doutas e muito menos eloquentes, sem a autoridade intelectual de José Gil, tenho vindo a dizer isto, privada e publicamente. Continuo a advogar a queda do actual Governo, como primeiro passa da nossa, ainda possível, salvação. Provavelmente, a saída do Euro, não sei se da UE, que se tem vindo a mostrar inimiga e não solidária, pretendendo africanizar Portugal, entrando pela ofensa, já, às nossas instituições como ainda hoje ouvi, e concordo, Jorge Sampaio dizer. E...talvez a Revolução não aconteça, não se justifique...ou o povo não a saiba fazer.

4.10.13

Os Partidos desta Democracia

Há uma coisa que tenho de reconhecer a António Costa, aliás, mais do que uma: O mérito na campanha que fez e na votação que obteve. Mas muito mais importante, o mérito que ainda mostra, na sua qualidade como político, quando dá ouvidos (veremos na governação da Câmara), a quem lhe manifestou durante a campanha a vontade enorme de mudança. Dizia ele na Quadratura do círculo que se as pessoas não exprimem mais vontade de mudança é pela incerteza da alternativa (a este sistema partidário, a este sistema político dependente dos actuais Partidos). Não lhe reconheço a qualidade autarca, pelos desproporcionado gastos na sua gestão, que ao ...contrário do que diz não foram nada contidos e sim bem camuflados (empresas camarárias, desorçamentação, contratos pr ajuste directo, favorecimento de amigos socialistas e outros...). Há nele uma grande diferença entre o que diz e o que faz. E já nem comento o disparate, pueril, do comentário feito na noite de eleições, quando disse que ele conseguiu em Lisboa o que o Governo não conseguiu no país. Sim, o Governo no país só tem conseguido duas coisas: desgraçar ainda mais do que Sócrates conseguiu, todo o tecido económico e as economias pessoais e familiares, e fazer um imenso favor a todo o sistema bancário e sociedades de advogados...hoje bem mais fortes, poderosos e ricos. E conseguiu ainda, ao contrário de Costa, o desprestígio do PSD, se bem que isto para o país é o menos.
Ouvido Costa, e tantos outros, ouvindo Filipe do PCP na AR e na TV...sobre os Partidos, como pedras basilares da Democracia, e observando o país, tão ansioso de mudanças, e com uma classe política que mais se torna impermeável, que não consegue nem quer ouvir nem ter colaboração de tanta gente válida, que , por exemplo, por aqui se lê, de por aí se sabe...mais confiante fico de que não têm razão. E um dia...terão uma surpresa, olhando-se ao espelho e vendo o inútil, cego, surdo, arrogante e tão pouco inteligente que lá está diante dele. Quando me lembro dos meninos que lideram estruturas partidárias locais, como o líder do PSD em Oeiras....tão altivos a falar com as pessoas, e tão incapazes de dar ouvidos e apenas querer saber o que pensam pessoas bem mais válidas do que eles...vem-me de novo à ideia, esta ideia dos medíocres que temos nos tais Partidos basilares. E é por ainda serem tão incontornáveis na Democracia, com tanta gente de 'aparelho' e tão medíocre, que não deixa lugar a mais ninguém...que mais sinto recear por uma Democracia, afnal, com pés de barro. E sem pernas para andar. O que vi, por breves momentos, na candidatura de Moita Flores, nas pessoas que o apoiavam, foi confrangedor. Que mediocridade!
Hoje, são os Partidos as organizações onde assentam as instituições da Democracia (pouca democracia devido a eles). Mas são e não se dão conta, a maior ameaça a este país ainda democrático, à Democracia. Já tenho poucas dúvidas.

17.9.13

"It was the happiest moment of my life, though I didn't know it"

Há referências, lidas, que por vezes me escapam. Em tempos, há uns anitos, li um livro fantástico, sobre o tempo, a análise do tempo, numa perspectiva psicológica, The Time Paradox, Philip Zimbardo. Acho até que nem o terminei na altura. Não acho...é o diacho do livro, nesta fase conturbada em que os meus livros se debatem por um lugar nas estantes, ou pelo seu lugar legítimo, e não com uma vizinhança 'estantística' indesejada. Se me tivessem visto a (des) arrumar os livros nesta minha última mudança de casa, logo lhes dariam razão, aos meus livros, na devida proporção em que se atirariam a mim clamando por uma melhor justiça na atribuição de espaços...enfim. O coitado que hoje queria relembrar e talvez reconduzir ao seu justo jazigo não quer dar sinal de vida, nesta caótica vertical acomodação. Mas posso fazer o esforço de memória, que outras memórias hoje vividas, (ou vivências memorizadas?) me permitem.


Orhan Pamuk, um dos meus muito apreciados Mestres das letras, Turcas da Turquia (não da toalha), dizia o que ali em cima apus, num dos mais belos livros de amor e de nostalgia dolorosa que li: It was the happiest moment of my life, though I didn't know it (Pamuk, The Museum of Innocence) , referência a um grande amor vivido anos antes, alguns bons anos antes, algum bom amor antes... com uma jovem, com diferença muito significativa de idade, pelo protagonista do romance. Há passagens que parece sentirmos a dor daquele homem... a dor de um amor afinal não realizado. E as não realizações...a mim...

Bem. The Time Paradox ensinou-me uma coisa. Que não há propriamente (quer dizer, haver há...) vida tramada, vida difícil, a vida é dura, etc...Mas que o tempo é que é lixadinho da breca. Sujeito difícil e muito relutante. Tão relutante que nunca (mesmo) volta atrás, com o que já feito foi, e o que nunca feito foi e devia tê-lo sido, talvez.

Repasso uma ou duas passagens que transcrevi na altura, do Zimbardo, pérolas...

"Those who compare the age in which their lot has fallen with a golden age which exists only in imagination, may talk of degeneracy and decay; but no man who is correctly informed as to the past, will be disposed to take a morose or desponding view of the present".

"As we look further into the future, we are forced to do more in th present. Cell phones ring incessantly; emails pile up in pour in-boxes; Tv shows, movies, and books all cry for our attention. Many people in modern societies report feeling a time crunch, a sense of being continually hurried and pressed for time".

Mas as análises sobre esta 'urgência do tempo', ou sobre a importância de acontecimentos marcantes nas nossas vidas, que num momento são os Mais Importantes, e noutro são relativamente, apenas...Fica sempre por fazer. A análise cientificamente rigorosa, talvez só se possa fazer no leito de morte, ou quando nos recusamos, precisamente, a avançar na nossa vida, preferindo forçar a 'paragem' do tempo, em detrimento de agarrar com coragem o momento seguinte. Ele, há-o sempre, não se duvide. O que ele traz, é que é surpresa. Surpresa, sim, mas pode ser apenas uma coisa boa, que é o desejado, ou a pior de todas. Mas surpresa, no sentido de nunca vivida antes (pois...).

Os chineses dizem, há uns quantos milénios (mas tudo são milénios naquela terra, excepto a fábrica que monta os Apple...): a água que passa no rio num dado momento é a primeira da que vai passar, mas a última da que passou. Esta parece-me dar mais sentido real à urgência que o Tempo coloca nas nossas vidas. Hoje...falei, ou ouvi falar de Tempo, por...algum tempo e adorei o tempo em que ouvi. Era tempo ou já havia passado assim que se deu por ele? Não sabemos. Nunca se sabe. Esse o grande mistério desta variável constante e constantemente em urgência, nas nossas vidas.

Mas...aos menos crentes, deixo de novo a frase de Pamuk, digna de alguma reflexão. Temos todos a noção da necessidade de aproveitar o melhor possível o Tempo, deixado ao nosso dispor, mas nem sempre o fazemos e todos, acho, nos queixamos disso. No que o Tempo é...inexorável e implacável!

Leiam-na com tempo...mas não tardem muito a compreendê-la. Ao terminarem...já passou (ou não).

15.9.13

Quando o ser humano se supera

Há coisas que são maiores do que nós

São bem mais grandiosas do que o ser o próprio ser humano que as originou, que as criou. Quando Beethoven criou o 5º concerto para piano e orquestra, “Emperador”, que só a designação é bem sinal da imensa dimensão, muito para além do humano, provavelmente teria ideia da sua grandiosidade que, hoje, mais de dois séculos passados ainda nos dá um prazer único e nos faz sentir tão pequenos. Pelo menos para apreciadores, mas será inegável, mesmo para quem não conheça, uma vez que ao vivo possa presenciar uma actuação, como a que ouço enquanto escrevo, de Claudio Arrau, com Colin Davis como Maestro, à frente da Staatskapelle Dresden. O segundo andamento, a propósito era a música que eu punha quando a minha filha mais velha ainda estava na barriga da mãe…E ainda hoje me comovo às lágrimas, entre a minha sensação de pequenez e a recordação desses tempos em que muitos sonhos bons me assolavam e me faziam fantasiar uma vida grande e de realizações. Foram-se os sonhos, esses, ficou Beethoven e a ideia da superação do humano a si mesmo.


A realização artística está toda ela tão cheia e enriquecida de superações do ser humano à pessoa em si. Os que me conhecem sabem bem que não sou nem um pouco de crenças, divindades e outras menorizações, do meu estrito ponto de vista, das pessoas a alguma coisa superior. Excepto à obra dos Homens, em concreto, que se lhes torna superior.

Mas não só a vida e a obra artística está plena deste fenómeno tão humano e tão acima de humano. Os sentimentos. O amor. A amizade. E bem que reste um dia apenas a memória doce de grandes e únicos momentos de um amor que se nos prende dentro do peito e agarra a vontade de respirar…esses são sentimentos que nos provam a bela capacidade de nos revelarmos acima de nós mesmos. Infelizmente, o Amor, só faz sentido quando vivo, a memória pode ser opressora. Mas é prova de superação humana, estou bem certo. Não o digo por considerar o Amor algo altruísta, como fica bem dizer, e por todo o lado se lê, quando acho bem ao contrário que é o sentimento mais egoísta de todos. Mas não sou dos que acham que o egoísmo é apenas coisa negativa, e amar alguém é uma grande prova disso. Faz bem, a quem dá e a quem recebe. E vem do egoísmo dos dois. Ao dar…terá o seu momento altruísta, mas porque provém de uma necessidade muito humana de se sentir querido por alguém, a quem queremos mais do que a tudo o mais. Algo complexo, pois. Como difícil de se conseguir ‘ver’ e mais, de o saber guardar.

Outras obras humanas, ainda, são, para mim, prova dessa superação, desse transcendental grandioso. Essas, podem sim, talvez, ser bem mais altruístas. E, relembro a quem algum dia me leu, que não partilho da divisão do mundo em dois, em todas as coisas, pelo menos. O bom e o mau, o egoísmo e o altruísmo, a direita e a esquerda políticas, os homens e as mulheres. Ao longo de milénios a Obra do ser Humano foi tornando este mundo bem mais rico e subtil do que essa dualidade redutora.

Agora, por altura do tal segundo andamento do 5º concerto de Beethoven, vem bem a jeito tratar do que aqui me trouxe (mas foi bem mais do que isto, que não pretendo explorar…).
Preocuparmo-nos com um país. Não um qualquer, mas o nosso, que foi berço dos nossos dias, sejam gloriosos ou infelizes. Preocupar e Cuidar. Por estes dias, assisti a um ‘curso de Verão’ da TIAC, a Associação Cívica que trata da Transparência e Integridade em Portugal, e foi como uma viagem pelos maiores horrores deste famigerado país. Pretendo ir dando conta das misérias, da maldade, da incúria, da corrupção intencional que grassa por Portugal.

Mas agora quero apenas deixar claro que por um lado fica bem evidente que não uma só força política que escape a este ‘fenómeno’, à falta de outro epiteto melhor. Não há mesmo. E, se se perguntarem porque não acontece nada, porque continua tudo assim, porque, se assim é, não são condenadas pessoas, ou que se não condenadas ou sequer investigadas, certamente é por não serem afinal corruptas, deixo-vos apenas com esta ideia e esta verdade: grande parte da nossa legislação tem sido preparada com a intenção, se não única, principal, de contornar e esconder a corrupção. Que é política e pública, mas também empresarial e privada.

A legalidade é o grande refúgio da corrupção!

A corrupção é responsável pela maior despesa de todo o Estado português (público e privado)
O ser humano, tem hoje, o ser humano português, a grande responsabilidade de se superar e traçar o maior combate destas gerações: denunciar toda e qualquer forma de corrupção. O que implica, desde já, ser capaz de ver muito para além do evidente, do visível, da organização política das nossas simpatias.

Continuemos com Beethoven a tentar levar-nos para fora de nós mesmos e limpar-nos de dias e sentimentos negativos!

12.8.13

O Milagre

Há sempre um dia.

Um dia acontece. Não queremos, não programamos, mas dão-nos ou fazem que nos surja uma nova realidade, que dias e dias e noites mal dormidas, não nos trazem a explicação mais convincente. E lá vamos procurar um novo poiso, que nem sabemos se capaz será. Mas é como diz alguém que "primeiro estranha-se, depois entranha-se"

Nesses dias, um acaso leva-nos até ao 'milagre'. Não. Não passei a ser crente, novamente, como refluxo de uma idade que vai avançando. Isso houve um momento em que 'virando a omelete' a visão das coisas, a visão de quase tudo, ganhou outra fundamentação. Agora, terminada essa pueril e fútil crença, contamos connosco, e chega e está muito bem.

O 'Milagre' é o nome porque é dada a nova casinha que vim habitar, no site em que ela se apresentava a si mesma, um de uma imobiliária inovadora. O prédio, esse, de provecta idade, faria fugir o mais crente dos intrépidos crentes.

O andar... vejam um pouco...



Pois! É assim que agora acordo. Vou logo a pensar num café despertador nesta varanda, a mesma de onde vos escrevo (se é que escrevo para alguém). 

Quero dizer: tenho o local ideal (não duvidem) para qualquer inspiração literária, qualquer pretensão plástica que queira tomar forma numa tela, qualquer algomerado ordenado, ou não, de palavras num papel, seja num computador, mas as artes da escrita não chegam pelas paisagens apenas. 

Mas local tenho. Ai isso, tenho.


Pensei que seria legítimo pensar que...com uma panorâmica destas, um dia me sentarei sobre ela, com ela, ou para ela (panorâmica) e as palavras irão surgir como dizia Kipling "como uma pequena gota de tinta que ao cair numa folha, fazem com que milhares de pessoas, talvez milhões pensem".

Eu, por mim apenas, por enquanto, só penso. E espero. Talvez elas surjam com esta esticar da visão à minha frente. Bem sei que não, tudo é fruto de trabalho, de construção, de elaboração persistente e cuidada, mas...lá local, com isso posso já contar.

Que acham?

Há sempre um dia. E nem que por um dia seja, há algo de novo na frente ocidental.

Um bom dia quente para todos! 




29.7.13

Genial

Um jovem chinês, Zhao Bowen, um prodígio adolescente ainda, faz parte de um projecto que pretende descobrir o que faz com que certas pessoas sejam tão inteligentes. Como ele próprio. 

As ciências da mente fascinam-me. Sempre me intrigaram e atraíram. Volta e meia, leio algumas coisas sobre estes temas. Como consegue o nosso cérebro guardar memórias de décadas? Como consegue fazer deduções, tantas vezes com tão pouca matéria prima, tão poucos elementos? Como armazena memórias de aromas, de sabores, de sensações físicas, de experiências sensoriais? E de sentimentos? E compara tudo, com padrões e memórias armazenados.

Descobrir a razão pela qual algumas pessoas têm uma inteligência muito caia o normal, ou são mesmo geniais, pode, em si mesmo, não ser o mais importante projecto das neurociências, excepto se isso contribuir para revelar o que actualmente nem se imagina. Como a influencia do meio, uma ominarão única de genes dos progenitores, as escolhas elaboradas durante o desenvolvimento do cérebro, nos primeiros anos de vida, a exposição a um conjunto favorável e irrepetível de condições e circunstâncias.

Um projecto destes terá, porém outros méritos. Pode permitir outras descobertas, sobre o cérebro e o seu papel no todo que é um ser humano. O seu papel social, porventura.

Porque alguns de nós são mais aptos em dadas matérias? Gardner, um dos meus psicólogos de eleição, teorizou sobre as diversas formas de inteligência, diversas aptidões em indivíduos distintos, ou a combinação única num dado indivíduo, dessas materializações da inteligência.

Uma das mais fascinantes formas da inteligência conduz a realizações e sucessos, de quem a possui mais desenvolvida, mais aguçada. Inteligência social, de forma genérica. O sucesso profissional ou sentimental destas pessoas é reconhecível por quase todos nós. Há quem tenha desde muito cedo uma imensa capacidade para lidar com outras pessoas, usando de uma empatia invulgar, desembaraçando-se com grande facilidade em situações delicadas de cariz interpessoal. Algumas pessoas são incapazes de verter os seus sentimentos sobre s outros, criando laços, estabelecendo amizades ou relacoes sentimentais como se tal fosse a coisa is natural do mundo. Exprimir sentimentos por palavras, de forma sentida, sincera e frontal não é assim to comum. Não me refiro apenas a sentimentos amorosos, mas a manifestações de amizade, a expressões de reconhecimento. 

Essas expressões ou manifestações sentimentais, podem, é certo, materializar-se não apenas pelas palavras, mas o valor da palavra não deve ser minorado. É saudável para quem as exprime, é gratificante para quem as recebe.

Porque, então, alguns de nós nos manifestamos com mais sucesso nessas formas de inteligência, do que outros?

Claro que o projecto referido se centrara bem mais as capacidades abstractivas da inteligência do ue nestas formas, erradamente consideradas inferiores. A capacidade matemática, ou da compreensão das ciências puras e ditas superiores, pouco ou nada acessíveis à esmagadora maioria das pessoas estará no âmago da investigação de Zhao Bowen, mas o que for descoberto, se for, pode desvendar, como noutras investigações, a importância maior das inteligências "práticas" e não apenas das formas mais relacionadas com o que equivocamente se julga serem as superiores capacidades do nosso cérebro. 


11.7.13

Demagogia, hipocrisia e a Actual Crise governativa


Há dois lados e duas (muitas mais, mas duas, pelo menos) perspectivas gerais, neste momento, que jogam o futuro da nossa Democracia.
A perspectiva, ou melhor, a visão, segundo os políticos. E a visão, que não tem contado, mas que um dia se pode definitivamente impor, pela necessidade e urgência, a o povo português (que são muitos ‘povos’, digo, visões, claro, mas que em termos gerais, em termos de uma generalizada insatisfação sobre a classe política, eu arrisco-me a considerar mais ou menos homogénea).

Os políticos. Continuam a persistir numa lógica de Poder, de alternância no Poder, de eventual pertença ou de tradicional oposição a ele. De acordo com esta lógica, hoje cada dia mais, a caminhar para um real e fatal desajustamento da realidade, há dentro desta visão, formas distintas, ou incorporações mais ou menos diversas. No fundo, porém, há uma mesma lógica: fazer parte do Poder político, ou ser-se oposição a ele, sem efectivamente o ser, sem transpor alguma barreira sem retorno.

Neste momento, vejamos de que lado, e como se corporizam os políticos, e as suas facções. Os Partidos actualmente no Governo, querem lá permanecer. Os que estão fora, querem voltar a lá estar. As razões, em tempo de crise e de muitos insucessos, vá-se lá saber quais são, vá-se lá entender. Sabendo (nós e não ‘eles’) que a probabilidade de sucesso no Poder é ínfima e o custo é enorme (excepto se continuarmos a não os saber responsabilizar, sendo esta a razão maior por todos quererem para lá ir… fora distinta a atitude dos eleitores e talvez de lá quisessem fugir…).

O Presidente da República não sancionou a proposta do PSD e CDS, de remodelação governamental e contrapôs um acordo governativo entre os três Partidos do ‘arco (não da velha, mas) governação. O PSD e o CDS disseram logo irem estudar o assunto e ver a sua viabilidade e a sua realização. O PS, embriagado com as sondagens, cego pela sede de Poder, nem pensa e logo rejeita. Admito que o PS pense poder governar de forma distinta, contrapor soluções a esta injusta e absurda austeridade que nos impuseram. Mas admito também o seu oposto: que têm perfeita consciência de nada de diferente poderem fazer, na eventualidade de esta solução do PR não ser aceite e não avançar, e se terem de realizar eleições ainda este ano. Se acreditam que podem fazer melhor e diferente, sem cortar mais custos ao Estado, que passem por cortes em funcionários, em pensões e em reformas, ou mesmo outros custos sociais, talvez então o perigo de se tornarem Governo seja maior e a calamidade se torne irreversível. Porque, na verdade não o conseguem fazer.

Uma conta simples, que o PS tem de conhecer, mas escamoteia, tal a sede de Poder: a nossa dividida tem de ser reduzida dos actuais cerca de 80 mil milhões (era de mais de 90 mil milhões quando Sócrates saiu e de 70 mil milhões quando ela lá chegou…) para uns mais sustentáveis 70 mil milhões. Tudo o que for mais do que isto, é insustentabilidade de Portugal, com autonomia financeira e económica. Que ninguém duvide. O que Portugal produz, não permite que se ultrapasse a barreia dos 70, acima indicada. E os cortes neste momento ‘em cima da mesa’ ainda só são de 4,7 mil milhões. Donde… como se pode facilmente perceber, os cortes no Estado ainda não acabaram. Mas o PS…propõe, à exaustão, mais investimento público, mais custos no Estado Social (incomportáveis) e regresso a uma estrutura do Estado totalmente insuportável. Tudo a bem da Demagogia.

António Costa, entre outros, insiste na necessidade de eleições. Os portugueses, em resposta, deviam cuidar de que o PS não regressasse tão cedo ao Poder, pelo menos isolado, ou sem controlo bem mais apertado, do que no passado. Se virmos o próprio Costa, o que fez na Câmara de Lisboa é um escândalo. Tem até hoje escondido o maior défice de que há memória em Portugal, tal como os Açores. Mas nestas coisas, os políticos sabem bem calar-se, em prol de um estranho e perigoso compromisso de secretismo e quase ‘irmandade’. Talvez a mão da Maçonaria esteja a funcionar, bem mais do que diz Henrique Monteiro, mas suspeito que nunca o iremos saber…

Os portugueses deviam, nesta fase exigir. Com conhecimento, com fundamento, mas exigir. Antes de mais responsabilidade. Dos que governam, mas nem um pouco menos, dos que se lhes opõem, visto poderem ser um dia, também, Poder. Talvez a maior exigência devesse, porém, ser a de Transparência. Sobre a capacidade da Banca em efectivamente Mandar em Portugal. Sobre o mesmo, no que toca a grandes empresas, como EDP, PT, GALP, etc. A corrupção vem da falta de transparência. Tal como a nossa estranheza, perante o que nos vêm a dizer membros destacados do PS.

Porquê esta fome de Poder, se o que lhes acontecerá será inevitavelmente queimarem-se?

Sabemos todos muito bem, o que esta austeridade imposta nos tem custado e ainda nos irá custar. Sabemos bem as asneiras que este Governo tem feito. Que nos levou a um desemprego insustentável, num país onde a Economia talvez não veja muito melhores dias nos próximos dez anos. O desemprego poderá manter-se acima de 15% por um prazo de mais de sete a dez anos. E que significa isso para tanta gente, muita com excelente formação, da classe média, que não mais voltará ao mercado de emprego e cuja idade anda, em termos muito representativos pelos 45-55 anos?

Que pretende o PS? Que acha que consegue Cavaco Silva? Que pensa ainda poder fazer a coligação? Porque pedem tanto eleições os ‘famosos’ do PS? O interesse do Partido está acima do do país? Acham mesmo, MESMO (!!!) que sabem, podem e os deixam fazer diferente?

É este o impasse, e não o da mera (e já grave) crise de governação. E o impasse, uma vez mais, embora não pareça, vem sempre do mesmo problema. E dos mesmos erros.

Primeiro, o PS desbaratou as finanças de Portugal. Não foi só o PS, ou não o foi sozinho, outros governos, do PSD o haviam feito, ainda que em menor escala. E mentiram de tal modo que ainda hoje há inquebrantáveis defensores do clube, cegos por essa ideia de que nas veias de cada um há sangue bom ou sangue mau (sendo o bom, o de um socialista, claro).

Primeiro, também (a ordem é, como se sabe, indiferente), os amigos corruptos do PSD e do CDS andaram a comer do Estado, a delapidar-nos, a favor de empresas suas e de amigos (também o fizeram os amigos do PS). Poucos escaparão, mas todos se escapuliram.

Do Estado, vivem e têm desde há muito, desde Salazar e com mais ênfase e gravidade, muitas empresas e quase todos os grandes grupos portugueses e até alguns internacionais. Tudo com a ignorância dos portugueses, que, cegos, aina acreditam no Pai Natal, e quase tudo têm sancionado. Ainda hoje há quem defenda as energias alternativas…(eu também, pelo primas do Ambiente, mas nunca, NUNCA, pelo do acréscimo insuportável no custo da nossa factura eléctrica, que continua).

O Estado até para o insuportável e aberrante insultuoso Acordo Ortográfico serviu, para contentar um dos lobbies nacionais. Um, como tantos outros: Construção civil, Farmácias, Medicina privada (e pública), energias (já referido), agricultura, telecomunicações, sociedades de advogados, certificações ambientais…

Portugal o país maior dos interesses e redes de influência. Que continua, e até mesmo agora, em situação tão grave, com esta coligação governamental e com a oposição, se continua a fazer sentir.

O problema, sempre por resolver é este: Corrupção, redes de influência, interesses corporativos, sociedades secretas, interesses partidários pouco ou nada claros.

A crise política pode agravar tudo isto, e acelerar a situação de calamidade, mas a sua resolução não resolverá o Problema de fundo.

Se não fazem os actuais agentes polítcos (todos, de que não excluo os sindicatos, agora também opinitivos sobre a política e a política parlamentar e geral…, e os Partidos da Assembleia, mesmo os mais pequenos, igualmente responsáveis) o que se espera deles, quem o terá de fazer?

Uma das soluções, pequena e não suficiente para ultrapassar a crise, não a da governação, mas a financeira, social e económica, parece-me ser, ainda, a substituição das actuais lideranças partidárias, nos três Partidos, PSD, PS e CDS.

Porque, todos sabemos que Portugal tem de continuar!

2.7.13

A Difícil Decisão

Portugal encontra-se uma vez mais num momento muito difícil. Portugal e a sua pouco credível e e pouco democrática Democracia.

Há dois anos mudou o Governo, pondo fim a uma das piores épocas da nossa História, com a saída de um Governo liderado por um mentiroso e suspeito de corrupção em mil e um casos. Um Governo de irresponsáveis, de gente agarrada ao Poder e a interesses pessoais.

Nesse momento pouca esperança havia para que Portugal viesse a entrar num período de inversão nas condições de vida dos portugueses, embora algumas promessas tivessem sido feitas pelo Partido vencedor nas eleições que derrotaram o PS, o PSD. Promessas todas, ou quase, impossíveis de serem concretizadas, mas ainda assim acenadas aos portugueses. Logo depois se veio a confirmar que um só caminho nos era permitido, pelos que nos propuseram um Programa, aceite com demasiada facilidade pelo PSD e CDS. A Irlanda, pouco antes havia rejeitado algumas das imposições de uma mesma Troika, que a nós nos quis e continua a querer mais pobres, mais submissos, tornando-nos num país euro-asiático dentro da UE. Um europeu de segunda ou terceira (já que de segunda terão se ser espanhóis e italianos). O Governo nunca assim viu as coisas.

Desde há muitos anos, ou desde sempre na era democrática de Portugal, temos vindo a sofrer da mediocridade que nos governa (desgoverna, aliás). Nos últimos anos, porém, desde o famigerado Sócrates, que nunca mostrou ser sequer um democrata, e muito menos um político sério, tendo usado o Poder em causa própria, à vista de todos, até aos actuais políticos deste Governo, o problema é sempre o mesmo.

Não SABER FAZER e persistir no erro. Se em política o Não Saber Fazer e inaceitável, em Democracia é ainda mais grave e irresponsável e em tempo de crise, diria que até se devia entrar pelo foro criminal. Porque o problema é que tudo o que é feito nos atingir e ter de ser pago pelos governados. Em Democracia a mediocridade não é aceitável e em tempo de Crise, é ainda mais grave e muito mais consequente.

O caminho que nos foi imposto pela Troika é, para além de injusto e incorrecto, completamente irresponsável e não leva a saída alguma. Não é caminho! Nunca o será, nem aqui, nem noutro lado qualquer. O facto de Passos Coelho ter teimado nele, fez dele um caso perdido, mas um problema para todos nós. O facto do PS ter tentado e continuar a destacar-se de uma solução que ele próprio propôs e assinou e, pior, mas mais subtil, não ter outro caminho que não o mesmo, pois um dia Governo, terá de fazer o mesmo, vírgula por vírgula (eventualmente mascarando algumas medidas, como o fez Hollande em França e agora terá de recuar...e enfrentar um resgate), faz de Seguro outro irresponsável, porventura mais gravoso do que Sócrates, pois o tempo das experiências esgota-se.

Neste imenso imbróglio, em que nos colocou Sócrates com a sua irresponsabilidade louca, e aumentado por outra irresponsabilidade (eventualmente vendida a interesses desconhecidos), do PSD e do CDS, o problema da Decisão, sobre o que fazer a seguir não é do Primeiro Ministro, não é do líder da Oposição (que parece um escoteiro num mundo cheio de problemas graves e de gente séria a suportar tudo isto), não é sequer do Presidente da República.

A Decisão é de todos nós. Ou agora, ou mais tarde, mas quanto mais ela for adiada, mais custos teremos todos.




19.6.13

O Exemplo do Ouriço e a Condição de ser Raposa

"A Raposa sabe muitas coisas, mas o Ouriço sabe uma coisa importante". Não sei se esta é a mais fidedigna tradução da frase atribuída a Arquíloco, poeta grego da mesma Antiguidade agora menosprezada pelos 'centro-europeus'. A Grécia que nos deu o início da nossa cultura, escrita e prazer pelo pensamento. O prazer simples e imenso de se ser Humano. Essa mesma Grécia agora vilipendiada,  desprezada ou ofendida, tratada como um 'resíduo' da Europa, em urgência de reciclagem.

A Raposa, pela interpretação de muitos os que se têm dedicado a tentar perceber esta analogia, está para a vida como muitos de nós, vivendo em várias frentes, usando de recursos variados, de 'artimanhas' (se atendermos à ideia parva, pueril, que temos de uma raposa) várias, de ardis ou de artes, ou ainda melhor, segundo Howard Gardner, teórico da Múltiplas Inteligência, usando de recursos intelectuais múltiplos, para, numa lógica mais de sobrevivência, porventura, do que de vivência efectiva e determinada e decidida, se manter tanto quanto puder, no controlo das situações. A Raposa, que somos, pode até parecer mais eficiente, mais apetrechada, e mais consequente, intelectualmente superior, do que o defensivo Ouriço, outros de nós.

Mas o Ouriço sabe uma coisa, na sua atitude tida como defensiva, que à Raposa, causa imensos problemas, e a impede de atingir o seu objectivo. Essa simples forma de ser, essa determinada, ainda que passiva, ou não, se é o seu melhor (e único recurso), faz com que por ele passem todas as Raposas e, afinal, a sobrevivência fica com ele, Ouriço simples e aparentemente menos apetrechado.

Os conhecimentos actuais sobre o nosso cérebro, segundo alguns neurocientistas ainda muito na pré-história da ciência, permitem-nos saber que os dois hemisférios cerebrais têm formas distintas de funcionar e de nos fazer funcionar a nós. O lado esquerdo é sequencial, esquemático e analisador. O direito dá-nos a visão geral de conjunto, uma imagem instantânea do que vemos, uma ideia, erradamente superficial, mas um reconhecimento do mundo, distinto, mas igualmente revelador, e determinante.

O lado esquerdo será a 'Raposa', o direito o Ouriço. Múltiplas análises são 'apanágio' do nosso hemisfério esquerdo, e a síntese é o terreno, a praia, do hemisfério direito. A nossa interpretação do mundo, dos acontecimentos, é, como facilmente se imagina, uma boa mistura da actividade dos dois hemisférios cerebrais. Mas pode haver um desenvolvimento desigual de um em ralação ao outro, podemos ser todos influenciados por esse funcionalismo desigual, e até há quem distinga os sexos, pelo desequilíbrio, entre homens e mulheres, por essa via. Mas estas são interpretações empíricas e provavelmente especulativas até.

O nosso lado esquerdo (não político, esse...duvido que exista...) relaciona-se com a linguagem, com a escrita, que na maioria das línguas se constrói da esquerda para a direita, e, tal como os movimentos (se levantamos o braço direito a 'ordem' veio do lado esquerdo do cérebro, se ao contrário, for o esquerdo que levantamos, a instrução vem do hemisfério direito. Por aqui podem entreter-se os téoricos e os defensores das 'esquerdas e direitas nas políticas...). Nos idiomas e escritas em que os textos de elaboram da direita para a esquerda, as coisas serão mais complexas, pois as instruções cerebrais vêm do lado oposto ao dos idiomas de origem 'ocidental', tal como o hebraico e o árabe. Mas a elaboração sequencial das palavras virá do mesmo lado do cérebro de onde vêm para o caso de escritas esquerda-direita.

Interessante esta análise...

Há muitas formas de analisar e interpretar o nosso mundo por estas 'dualidade-em conjunção'. A interpretação da matemática, por exemplo, é mais uma tarefa do hemisfério esquerdo, do que do direito. Tal como a escrita. O nosso 'lado Raposa' é o lado analítico, e durante demasiado tempo foi tido como o 'racional' o lado da autêntica inteligência. O lado direito responde mais a uma análise do todo, a interpretação de uma imagem, de um rosto (a simples percepção do estado de 'alma', do estado emocional de uma pessoa, e a sua compreensão), de uma pintura, de um objecto (identificar uma jarra e distingui-la de um livro ou de um automóvel, é uma função do lado direito do cérebro, e uma percepção instantânea, por sua vez associada a um 'banco de dados' cerebrais, um histórico, um resultado de experiências vividas). Talvez erradamente, mas ainda assim razão de sobra para uma reflexão, o lado direito foi muitas vezes associado ao lado feminino da humanidade, na sua capacidade de percepção imediata do todo, talvez, exagerando, no que pode significar o 'sexto sentido' das mulheres'. As mais actuais descobertas da importância da parte emocional da nossa intelectualidade, podem ainda associar-se ao lado direito, mais do que ao esquerdo, do nosso complexo e fantástico cérebro. Mas ainda são conjecturas, talvez, grande parte destas análises....

Muitas pessoas continuam ao dia de hoje a defender uma (pseudo) racionalidade com base nas capacidades de análise das partes atribuídas ao nosso hemisfério esquerdo. E defendem-no como vantagem e genuína superioridade, o que é uma infeliz interpretação dos humanos, das suas capacidades e potencialidades, através do qual se fazem erros grosseiros e muito graves. Com base nisso se elaboram programas e exames na Educação, avaliações psicológicas, avaliações profissionais. E análises e avaliações interpessoais. Pena é estarmos ainda na idade média das neurociências, segundo alguns, ou talvez no Barroco.

A exigência que se coloca a outras pessoas, a título pessoal, amistoso ou sentimental, peca, frequentemente pelo mesmo princípio e erro grosseiro.

Quanto erros se cometeram durante a história da Humanidade, pelas erradas análises efectuadas? Quantas análises mal efectuadas sobre as pessoas que conhecemos?

E quanta falta de capacidade de entendermos tanta gente de valor, considerada de valor menor, ou mesmo personagens inscritas na História, que foram mal entendidas? E sobre os valores defendidos por tanta e tanta gente?

Tanta gente já defendeu valores de Liberdade de emancipação das pessoas, de respeito pelos outros e pela Diferença e afinal ainda hoje se tem de lutar, e ingloriamente, pelos mesmos valores.

Hoje, vejo o Mundo, se não com mais injustiça e desigualdade, com os mesmos problemas sobre esses valores, que já foram alvo de Lutas e Revoluções, mas talvez se viva um tempo de menos energia e capacidade, de menos sentido de necessidade e urgência que outrora outros viveram.

Há três anos alguns amigos estavam confiantes de que a crise financeira iria inevitavelmente desembocar em mais justiça, menos corrupção e mais igualdade. As análises e elaborações mentais, hoje conhecidos em maior profundidade as características e capacidades do Cérebro Humano, deviam ter-nos conduzido a espaços sociais mais justos, a discernimentos mais visionários, a um ...Mundo Melhor.

E vejo...o contrário!

Que se entendam Raposas e Ouriços, por uma Vez!

(e ainda falta a outra 'bicharada' toda que nem sei bem onde se encaixa...)