25.9.12

A Mudança não é para já


Com o anúncio, de cara fechada, como quem anuncia algo que sabe ir estragar a vida aos outros, Passos Coelho veio há  cerca de duas semana fazer despertar a participação cívica que ele mesmo julgara adormecida de forma eterna. Gaspar, no início da semana seguinte, veio confirmar e piorar as coisas. Levantou-se o povo. O povo. Não o PS dos actuais imbecis e dos ladrões de há muito pouco tempo. Não o PCP que defende regimes ditatoriais, como a China, a Rússia, a Coreia do Norte e um tresloucado assassino na Síria. Não o Bloco de Esquerda, que alguns ainda querem que lhes seja a consciência política de reserva, o reduto final da sua revolta, desencanto profundo e grito de mudança, e ainda é pior do que o PCP, pela tremenda hipocrisia e muito disfarçada tendência totalitária. O mesmo BE que defende o regime da Coreia do Norte como coisa humana e desejável. Mantenho, como nota à margem, que PCP e BE deviam um dia ser impedidos de concorrer em eleições democráticas, a manterem estas posições (e outras como nunca terem votado a favor de um só Orçamento de Estado, de um único programa de Governo, de seja quem for, visto não ter sido deles). E que se devem retratar e destacar de todos os regimes totalitários e criminosos que por esse mundo pululam. Mas isto era uma nota de rodapé. O povo levantou-se, num movimento que, espero, nunca mais se retraia, nunca mais se deixe adormecer. Os políticos têm de aprender a humildade. A sua atitude tem de ser, de uma vez, a de serviço público, integral. São eleitos, logo são mandatados. Não propriamente para mandar, mas para executar, o que o povo sanciona das suas propostas. Isto já o era verdade com Sócrates, o totalitário maior do PS, que muitos cegos ainda não conseguiram perceber. Problema deles. E é-o, sem excepção, para todos os Partidos, como os dois que fazem esta actual coligação. Espero bem que os movimentos, na rua, na internet, nas casas de cada um de nós, nos círculos de amigos, em privado ou em público, que agora parecem ter querido tomar as rédeas da Democracia, não regressem mais 'aos seus quartéis'. A Democracia tem os seus representantes, é certo. Mas esses são apenas isso. Não mandantes, mas representantes. Do Povo. Passos Coelho parece ter pretendido um início de Liberalismo, rejeitado 'já no adro da Igreja' por uma maioria significativa dos portugueses. Ou muito me engano, ou se de facto era essa a sua agenda política, algumas coisas se notarão nos próximos tempos, e algumas consequências advirão. Se pretendia favorecer empresas grandes, como as EDP's e Galp's, deste país, de que estamos mais do que fartos, pelo poder que têm nas nossas vidas, no nosso alto custo de vida, espero bem que seja travada qualquer intenção actual ou futura de o fazer. Aos portugueses interessa muito pouco a internacionalização das EDP's, mas muito mais o que isso nos custa todos os dias, com as famosas 'rendas', com as PPP vergonhosas do PS, etc. Interessa-nos que o custo de vida melhore, que baixe, que o futuro possa existir, com trabalho e dinheiro para a família e filhos. Já estaremos, muitos, a desistir da ideia de um dia regressarmos às viagens ao estrangeiro...para já. Mas fome, não queremos. E favorecer as grandes empresas, é fome certa para todos nós. Estamos fartos de merdas como Mexias, e Bavas! E, evidentemente, não permitiremos que mais alguma eleição de ladrões mentirosos como Sócrates, ou Liberais selvagens mentirosos que se aproveitam (como Sócrates o fez também) de um Partido (já de si muito contaminado com estupidez estilo 'Relvas', ou Pedro 'Beicinho' do PS) para fazer um caminho que não queremos. Não tenho nada em especial contra Liberais, porque em princípio são democratas. Nem contra socialistas, pela mesma razão. E a escolha de cada um fica com cada um, em Democracia. Mas não me parece que num país onde a esmagadora maioria dos gestores se preocupam em ter os mais altos vencimentos do Mundo, desprezar os seus quadros de elevada qualidade, e descapitalizar as suas empresas, mais preocupados em mostrar o enorme poder de compra (que, a propósito, ainda o mantêm ao dia de hoje, ilicitamente) uma agenda liberal, ou uma outra estatizante, tipo PS de Soares, nos interesse. Qualquer uma delas tem demasiados custos, incomportáveis para um país pobre. Do que por aí há, de inspiração ideológica, económica e social, parece que ainda o que se mantiver próximo de Social-Democracia (que alguns também pretenderam ser a agenda de Sócrates, enganando-se, e ainda não conseguindo ver a agenda meramente pessoal do bandido) estará mais equilibrado, mais justo socialmente para um país como Portugal. Mas é preciso que o seja, e para tal ainda há muito caminho e muita confusão em muita cabeça. Confusões tipo: privatização da CGD, das águas...mais ou menos empresas no Estado...mais ou menos participação do Estado na Educação e na Saúde, ou na Cultura... Eu, por mim, não necessito de uma CGD no Estado, e isso não me dá absolutamente nada. Até pela promiscuidade que representa um Banco do Estado a concorrer no mercado financeiro, accionista de bancos seus concorrentes, poleiro de políticos em vagas sucessivas, não concorrente na Bolsa como os outros com que concorre comercialmente, e que em muito pouco contribui para a Economia. Muito menos do que os outros, privados. Já um canal de TV do Estado, a administração das águas e do saneamento, embora em serviços inseridos nas Câmaras (em número bem menor do que o actual), e não em empresas públicas, essas outras também uns belos poleiros para galos sem mérito, de vários Partidos... Há muito que deve ser repensado nesta sociedade em deriva. Estamos em deriva, em minha opinião, sim. Há que saber o que deve ser o papel do Estado, sem esquecer no que esse papel é importante para muitas pessoas de muito, muito fracos recursos. E sem esquecer que esse papel não deve ser cliente de políticos e Partidos, ou de empresários muito pouco escrupulosos. A promiscuidade empresas-estado tem de terminar. Por aí passam a retirada do poder das grandes empresas outrora do Estado, e dos conluios de empresas privadas com o mesmo (Banca, sector energético, sector de transportes, energias alternativas...).

Não me parece que Passos Coelho possa ser futuro num PSD mais limpo e mais genuinamente social-democrata. Também não me parece que Seguro, com a sua inteligência de (ia a dizer formiga, mas essa fábula entomológica já ficou marcada recentemente) sei lá...qualquer coisa muito pequenina, seja também do interesse do País. E, quer um, quer outro, se não servem ao País, não podem servir aos respectivos Partidos. Mas esse processo fica com os respectivos, é claro. Certo de que o seu sancionamento nos cabe a todos, ou não. O tempo de um arrogante ditatorial como Sócrates já lá vai.

Por mim, salvo erro de leitura grosseiro da minha parte, julgo que este Governo tem agora de continuar, escassas ou inexistente que são as alternativas. Mas agora, espero eu, bem sob a nossa alçada e vigilância, como Povo mais interessado no seu próprio destino. E também me parece que, passada esta fase de irremediáveis soluções políticas e partidárias, os dois maiores Partidos têm de mudar. Serem mais democráticos e mais humildes. Saberem encontrar líderes com mais inteligência e sagacidade, mais cultura social, mais sensibilidade e sem algum interesse pessoal, ou reféns de uma carreira vazia na política que nos prejudique e os favoreça de forma ilícita ou mesmo ilegal.

Serão, talvez, os três anos com mais ansiedade por nós vivida, com mais insegurança como povo e como País, mas com mais relevância na nossa participação activa, na nossa fiscalização sucessiva directa das acções de todos os políticos ainda em desempenho de funções.

Depois, depois sim, tem de vir a Mudança!

14.9.12

A Raiva e a Esperança



Vim há muitos anos da Madeira. Há mais anos do que muitos jovens quadros que agora se indignam e com razão, têm de vida. Mas não sou, nem conto ser dos que defendem a idade com um privilégio de conhecimento ou experiência (há imensa gente bem mais idosa que tem metade da experiência de muitos com um terço da sua idade). Quando vim, para estudar, há uns 32 anos, acreditava num futuro, que passaria pela minha formação, feita a esforço meu e da minha família. Ou de parte dela. O meu avô era um comerciante muito conhecido na minha terra, assim como a minha família, mas o meu pai, funcionário do então Serviço Meteorológico era quem me pagava a Faculdade. Um ano antes de ter vindo para Lisboa, para Agronomia, estive no Porto, a tentar seguir o sonho de um dia ser cientista, na área da Física, a minha paixão da altura. Tendo vivido o 25 de Abril de 1974, com 14 anos, e saído nas manifestações do 1º de Maio desse ano e anos seguintes, ao lado de um professor que foi o líder na minha região da UDP durante uns bons anos, mas nunca tendo sido simpatizante do Comunismo, fui sempre acompanhando a vida política e social de Portugal. Assim, ao sonho de eu próprio vir a ser melhor, melhor do que aqueles que me queriam melhor do que eles porque em mim apostaram, os meus queridos pais e avós, juntava o sonho de vir a viver num país onde à História antiga se juntaria um dia a prosperidade e onde deixaria de ver miséria e desilusão.

Durante todos estes anos, os 32 em que iniciei a minha vida independente, fora da casa de família a aprender por mim mesmo a organização dos meus dias e da minha vida, e os 38 desde 1974, tenho, como todos, ou uma grande maioria dos portugueses, os que sempre souberam manter-se independentes e livres como pessoas, não os que se deixaram levar pela organizações partidárias e de tal modo se encarneiraram que ficaram incapazes de ver a realidade, mesmo bem à sua frente, tenho, dizia, renovado a esperança e enfraquecido a confiança. No futuro do meu país.

Vivi os anos de Cavaco Silva após o desgoverno interesseiro de Soares, quando os interesses pessoais da família Soares se sobrepunham a tudo o resto, e os dos amigos e apaniguados da tenebrosa Maçonaria, também com essa mesma esperança. De vir a trabalhar num país como via outros lá fora. Terminado o meu curso, tive a grande sorte de entrar numa grande multinacional da química, alemã, que foi a minha imensa escola profissional desde sempre. Quando por cá encerraram actividades, de que nada transpirou para os jornais, ingressei numa empresa portuguesa, uma das maiores no sector em que operava, hoje falida pelo que sei, e o meu vencimento subiu ainda mais do que era, e já o era bem acima da média para quem tinha a minha idade. O projecto não resultou e fui dar comigo numa empresa saída do grupo Quimigal, que havia sido vendida pelo Governo de Cavaco, num dos exemplos de grandes erros do que actualmente é Presidente da República. Mas erros todos fazem...

Os anos de Guterres, os primeiros da forte ilusão socialista foram os do início do fim do sonho português, para mim. Na altura já eu o dizia a quem tinha paciência para me ouvir. A política, que eu vinha acompanhando desde 74, era para mim uma segunda paixão, nunca totalmente assumida, e nunca até hoje tornada carreira, e eu empolgava-me na defesa de ideais e de estratégias. Durante os anos em que andei nessa grande empresa alemã, vivi momentos de autêntico privilégio, conhecendo muitos países e gentes, que me ensinaram quase tanto (ou mais?) do que os meus livros (esta sim sempre a minha paixão e colecção de estimação). Com tudo o que via, ouvia e vivia ia criando a imagem do que ansiava para mim, para os meus e para o meu país. E o sonho assim continuava...

Dessa empresa, a terceira, passei por opção minha a uma outra multinacional, onde já não auferia o que noutros tempos me dava uma qualidade de vida acima da média e o acesso à cultura e à minha constante formação pessoal, que nunca deixei de ir estruturando. Sempre fiz o meu próprio esforço pessoal de evolução, de conhecimentos, multiplicando-me por diversas áreas e actividades, lendo, pintando, fazendo fotografia...e sempre participando, como cidadão anónimo, escrevendo por todo o lado, e nas tertúlias com amigos ou família, no que eu acreditava ser a forma de silenciosamente se ir contribuindo para este Portugal. Para o meu país do Sol e do Mar!

Vieram os tempos desvairados e irresponsáveis de Durão Barroso e de Santana Lopes, e de Jorge Sampaio, esse ‘dandy’ enganador. Quando Sampaio demitiu Santana, cometeu o primeiro grande crime da Democracia, com intenção clara, que muitos não conseguiram ver, de levar o PS e o inenarrável Sócrates ao Poder. Santana não nos levaria a lugar nenhum onde quiséssemos estar, é certo. Mas substitui-lo por um homem que tudo inventou, tudo falsificou e tudo fez para seu enriquecimento pessoal e da sua família, usando o Estado a seu bel-prazer, usando os recursos que não tínhamos, endividando o país como nunca desde a sua Fundação acontecera...e tentando manipular toda uma sociedade, com o beneplácito de jornais amigos, ou jornais onde Soares andara anos a colocar amigos, mais os Serviços Secretos e os Juízes manipulados...foi demais! O PS usou durante esses anos o país a seu bel-prazer, usou e abusou. Fez do país o seu quintal. E falou alto, como se dono da razão. Hoje ainda os oiço por aí, convictos de uma razão que nunca tivera, cegos por uma lógica de clube, que não são capazes de destrinçar da lógica política, dos Partidos, onde por mais disciplina partidária que se pretenda e defenda, se deve manter uma margem e uma réstia de liberdade e pensamento próprio e independente, e nunca se entregar a um indivíduo que tudo inventou, incluindo os cursos que nunca fez, nenhum, a formação que nunca teve e o título que exigia que o tratassem, que nunca teve direito a usar. Já Portugal estava numa crise profunda e bem evidente, com grande parte da actividade económica a parar, com retenção de verbas da UE pelo Governo, para mascarar quanto podia um défice enorme, de mais de 6%, mas sempre propagadeado como de 3 %...uma retenção de subsídios, que me custou o emprego em 2008, por paralisação do sector em que a minha empresa operava. Eu viajava por todo o país, conhecendo os problemas que muitos hoje falam, e não apenas no meu sector. No sector das energias renováveis, por exemplo, onde uma mentira descomunal dava créditos a esse bandido do Sócrates, no sector dos combustíveis dito ‘limpos’, os bio-qualquer coisa...

Esses foram anos de muita resistência, de muita persistência, de muita paciência para aguentar com toda a mentira montada pelo PS e por Sócrates e Pedro Silva Pereira...e mais uns quantos. Anos em que se viveu, nesses sim, por culpa de um Governo de loucos irresponsáveis, a maior ilusão da nossa história, e que ainda hoje iludem tanta gente, principalmente os mais idosos, sedentos de uma lógica clubística, cegos ao interesse nacional, privilegiando um Partido que não merece. Um Partido que enganou os mesmos que, quando este maldito programa da Troika começou, em 2011, se revoltaram logo contra tudo e todo e qualquer sacrifício, pessoal, pois só lhes interessa o pessoal, mesmo que constantemente falem do colectivo. Ouvi e tenho ouvido de tudo. Que os jovens são os mais desfavorecidos, que os reformados são os mais miseráveis...(ainda ontem me cruzei com um, que foi meu professor na Universidade, e que foi consultor da UE, e deve auferir uns largos milhares de Reforma...comparados com os Zero que eu aufiro, desempregado aos 52 anos).

Tenho ouvido de tudo, com o mesmo espírito e atitude. Acreditando que um dia as coisa mudam. Privadamente, tenho por vezes umas explosões de desilusão de raiva. Pouco a pouco se foi formando, porém outra ideia. A de que estou cansado de que me ofendam e a outros como eu, muitos e muitos bem pior do que eu. Eu ainda sou um desempregado privilegiado. Muitos, umas largas dezenas de milhar, são uns autênticos desprezados, esquecidos por todos, de quem nunca se fala, por quem ninguém se interessa.

Esses, desempregados que contribuíram bem mais, durante muitos anos, para o Estado e para as suas própria reformas, que as terão miseráveis (porque a geração de Soares e Sampaio, Cavaco e Vitor Ramalho e outros só pretenderam assegurar para si mesmos as reformas por inteiro, sabendo bem da falência futura do sistema e encolhendo os ombros, olhando para o lado, sentindo-se pais da nação, do alto da sua estupidez e desonestidade) são muitos deles os quadros mais bem formados do País. Vivem do que amigos e família lhes conseguem arranjar. E desses, ninguém fala, ainda hoje.

Mas quando em 2011, Sócrates desapareceu da vida pública, e se refugiou em França, com rendimentos milionários, que o PS e a Maçonaria instalados no Poder Judicial nunca permitirão que se lhes toque, e, como se esperava o Governo mudou de cores, esperava-se também que mudasse de atitude, de forma de actuar, de postura e de honestidade. Aos poucos se foram sabendo podres e vergonhas de todo o lado, e não apenas do anterior Governo, que já sabemos de mentirosos e corruptos, mas também das ligações maçónicas, secretas, com agendas ocultas e perversas, de muitos membros do PSD. E de muitos negócios, igualmente mafiosos e criminosos de pessoas ligadas aos Partidos deste Governo. Se isso não fora já o suficiente, e de sobra para desejarmos leva-los a serem julgados, ainda nos vieram tirar o que já não podíamos dar. E dar a quem? A um Estado que nada fez por nós, nada fez por merecer?

Revoltante, desilusão acrescida, outra ainda, é continuar a ouvir falar de nacionalizações, da defesa de empresas do Estado, do ‘sector empresarial do Estado’, quando nunca houve uma só onde os seus administradores e directores não tivessem outro objectivo que o de se ‘amanharem’ com os recursos e dinheiros públicos, que não fosse usarem de uma arrogância imerecida, para mostrarem uma superioridade que não têm, e determinarem nas nossas vidas mais uns quantos buracos negros nas finanças de cada família e do país em geral. Defenderem mais empresas para o Estado, quando foram essas que contribuíram mais para nos trazer até onde estamos? Defenderem mais formas de promiscuidade entre o Estado e os privados, mais corrupção e mais compadrio?

O Governo anterior ofendeu-me como português, com os roubos e mentiras e com a imposição de um Acordo Ortográfico que é um favor às editoras que dominam o nosso mercado de livros, escolares, principalmente. Um Acordo que terá de retroceder e ser revogado, nem que para tal corra sangue pelas ruas. Um Governo não tem o direito de nos dizer como devemos escrever e se, para alguns isso é irrelevante, para mim que adoro o conhecimento e a cultura, a evolução pessoal e a liberdade de cada um, é causa maior!

Mas o Governo actual não ofende menos, nem desilude menos. Há claramente uma agenda liberal por trás de gente que se esconde num Partido outrora de inspiração social-democrata. E isso é inaceitável, porque é um logro e uma mentira. Quem escolhe um PSD não escolhe uma política liberal, pelo menos a generalidade das pessoas. António Borges, antes considerado uma promessa para horas de maiores problemas e necessidades extremas, é hoje uma enorme desilusão, e uma ofensa maior, quando defende salários mais baixos no geral.

Oiço um pouco de Passos Coelho, na TV, apenas um pouco porque já aguento com mais estupidez e incompetência, e agora mentira também - já não me bastara o filho da ...do Sócrates! – e, como se ele percebesse do que fala, as suas palavras, entre tanto disparate, são as de que temos de ter preços mais baixos...tentando justificar, assim, salários mais baixos. Se algum dia ele tivesse sido um homem do Marketing, dos Negócios e tivesse tido o privilégio, como eu, de trabalhar num ambiente internacional, perceberia que o nosso caminho é o inverso do que defende: de preços mais altos do que a Espanha, de salários bem mais altos. Porque somos um mercado diminuto, de dez milhões de desgraçados, e um país de serviços, e não industrial como Espanha. A nosso comparação nunca podia ter sido, e tem-no, a Espanha, mas sim a Suíça, com as diferenças devidas, não pela cultura e desenvolvimento pessoa e social, que muito contam e determinam, mas pela periferia que somos na Europa. Periferia que se resolve, com o Mar...! E com o facto de sermos de Serviços, há muitos anos, e não de Indústria (talvez infelizmente).

Então, passados todos estes anos, e tudo o que atrás descrevi e opinei, e mais, muito mais que não cabe aqui agora, por razões práticas, cheguei finalmente, infelizmente não sozinho, a definitiva e viral desilusão: não há ninguém, no Poder que se conhece, nas organizações que sabemos, capaz, de momento, de tomar conta deste Portugal, de lhe dar uma volta, de conseguir justificar o sacrifício já feito (e recordo que não é do ano passado e deste ano apenas, mas de todos os 38 da Democracia, e muito mais, dos 48 da Ditadura!), para que possamos voltar a acreditar Num Futuro!

Não sei se irei à Manifestação do próximo Sábado dia 15, em Lisboa. A vontade era de ir, mas não me vejo aos 52 anos a gritar, sei lá o quê, que não sei o que há para gritar. Não sei mesmo. Deixei de saber. Ou talvez saiba: sei que o Regime já não interessa! Que nada do que vejo me interessa e, estou convicto, do que o geral dos portugueses vêem, nos interessa. A Assembleia da República não tem qualquer interesse. De um lado, dois Partidos, comprometidos como todos os demais, com a corrupção, o interesse partidário e pessoal, as redes de influências, as organizações pró-maçónicas or pró-Opus Dei, ou pró-igreja católica, o que é o mesmo perigo e mesma m...*. O lado dos Partidos do actual Governo. Incompetentes, igualmente mentirosos e desonestos, como os do ‘outro lado’. Desse outro lado, os Partidos grandemente responsáveis por esta trapalhada toda, por esta imensa calamidade, por esta pré-bancarrota (que ainda a pode ser...): PS, PCP e BE. Um, porque o foi responsável, primeiro, no Governo. Os outros, porque andam há anos demais a minar a Democracia, a desprotegê-la, a invenená-la, a armadilha-la, sempre com o fito secreto de um dia nos darem mais uma ditadura, como a da Coreia do Norte, que dizem defender, ou da Síria que publicamente apoiaram, ou mesmo da Rússia e da China, que sempre defenderam e adoram.

O Governo, tal como é, com esta gente idiota e incompetente, desorientada, com um Relva à imagem e cópia de um Sócrates, com um infantil Passos Coelho e um teórico insensível Gaspar...não interessa mais, e não imagina sequer, como irá descalçar a bota que nos quis impingir, e como o poderemos suportar sem...

O Presidente da República, também comprometido com um passado nem sempre transparente e com erros acumulados, talvez não tão perdoáveis, quanto poderíamos, que continua inactivo, silencioso, e impávido, mas obviamente sem forma alguma de dar uma real volta a esta desgraça e descrédito total.

Nenhum Partido nos merece o mínimo de credibilidade, ou respeito. Por isso, nenhum crédito. E uma Democracia alicerçada em Partidos, representativa, como pode continuar, num caos destes?

Percorri anos de grande euforia, profissional, de grande esperança de sonhos enormes, mas não de sonhos de enriquecimento pessoal, mas de viver bem e melhorar-me a cada ano, a cada dia, com os prazeres e egoísmos atrás mencionados, nas minhas horas, lendo e escrevendo, e...acreditando. Percorri anos a bater-me pelo interesse que todos tínhamos em participar na vida do País e em confiarmos um pouco em alguém. Convicto das más intenções e mentiras de um PS, sempre fui, por me saber democrata, respeitando todos os que pensam e falam diferente de mim. E sempre lutei pela minha independência e liberdade intelectual, nunca me vendendo a líderes ou organizações.

Dou por mim, já sem saber se me é possível, aos 52, com vontade de deixar tudo para trás, e continuando a lutar pelo contrário, pela permanência por cá, com três filhos e uma uma mulher que amo. Dou por mim, desiludido, com a própria Democracia, nunca tendo deixado alguma margem a qualquer forma de totalitarismo ou autocracia.

Hoje, mais do que nunca, acredito que só uma enorme convulsão e transfiguração social e política, uma Revolução mesmo, dariam a Portugal, possivelmente, um novo rumo, desde que renegados e investigados e eventualmente julgados todos os que nos deram esta calamidade. Mesmo que hoje alguns já tenham oitenta anos...

Tenho apenas uma ténue esperança, no dia de hoje. Que se esteja a iniciar um genuíno movimento social, talvez já no próximo Sábado 15, que faça Portugal despertar. Que sejam rejeitados estes programas e estas medidas da Troika, do Governo, e igualmente rejeitadas qualquer solução ou proposta vinda de quem anteriormente nos governou e deixou assim falidos. Como há muito perdi a ingenuidade, sei que haverá aproveitamentos, se não foi deles a iniciativa, sobre as manifestações de dia 15, por parte do PCP, do BE e do PS. Mas a nenhum deles deve ser permitida a orientação, seja para o que for, ou a liderança, ou qualquer influência. Se qualquer manipulação houver, da parte de algum Partido político, os movimentos sociais perdem interesse e perdem credibilidade. Porque uns são do ‘arco da governação’, outros não são democráticos e defendem ditaduras.

Hoje, por hoje, mantenho essa diminuta esperança...

E guardo em mim uma imensa RAIVA, contida, de momento.