24.7.12

Crónica de uma Morte Anunciada

Concordo com Soromenho Marques. Há pelo menos quatro ou cinco anos que venho a dizer dos perigos e das falsidades da suposta grandiosidade da Espanha. Tudo falso e com pés de barro. Desde, no mínimo 2007, que digo isto. Entre amigos, sempre fui uma voz solitária. E sobre Portugal, disse a mesma coisa. Por conhecimento profundo, da realidade regional de cada um dos dois países. Chamaram-me derrotista, pessimista (nunca o fui, peco por optimista, aliás), e libertário. Infelizmente a história veio a dar-me razão. Escrevi-o no meu blogue e noutros sítios. Era doido, eu. E ainda o sou, pelos vistos. Agora, ter razão, é o que menos conta, é irrelevante. A Catalunha sempre se ufanou de ser riquíssima, tal como o País Basco e até, pasme-se a Galiza. Dito pelos próprios, das respectivas regiões e por muitos, muitos espanhóis. Valência modernizou-se, encantando todos os que a visitam. Mas hoje as suas dívidas, por si só são mais do que Portugal precisaria para resolver os seus problemas... deram muitos passos maiores do que as pernas. Mas fossem lá dizer-lhes isso... nunca ninguém diga a um espanhol que não tem razão. Já experimentaram? Espanha é o maior e o melhor, mais preparado, mais profissional...mas tudo, do mundo. Mas apenas para Espanhóis, e alguns portugueses com falta de vista. Entretanto, construíram por todo o lado. Investiram em tudo. O Santander tornou-se um dos maiores bancos da Europa. Diz a propagando do mesmo, em Portugal ser o mais sólido banco por cá. Nunca me surpreendeu esta capacidade de espanhóis para a mentira. Nunca tiveram a doença das vacas loucas, nem a tristeza dos citrinos, nem a febre aftosa, a peste suína...isso eram problemas dos outros. Eles, apenas têm, desde há muito, o 'dinheiro negro' o 'leite negro' e sei lá mais o quê, 'negro', num país que é o que tem pessoas mais inteligentes e profissionais do Mundo. Esta história da dívida, por exemplo, é outra mentira. A dívida pública é uma coisa, mas a total é a segunda maior do mundo, atrás dos EUA. E nunca o admitem. Espanha padece do que é, tal como nós, países de fachada com um imenso fosso entre ricos e pobres. A Espanha acresce um desprezo visceral por todos os outros (com excepção, pelo que vi, dos EUA). Mas agora é de facto a cegueira de uma Europa do Norte e Centro que, como diz Soromenho Marques, vai acelerar uma decadência já existente há muito na Europa. E esta é uma decadência e queda abrupta, com um enorme empurrão do egoísmo de Alemanha, Holanda, Finlândia, etc. Há uns quinze anos eu dizia a um Alemão de uma multinacional, a maior da química no mundo, onde trabalhei, que um dia a Europa pararia se os mais ricos não entendessem que a 'homogeneidade', a justiça,  de vencimentos e condições de vida não fossem revistos e tornados mais horizontais. Um dia, os ricos exportadores não teriam outra solução se não permitir os 'do sul' serem mais ricos e com mais poder de compra. Quase me chamou de doido e ignorante... Esse dia está a chegar, mas com a enorme diferença de que 'eles' os que acham que ainda mandam nisto tudo na UE (e mandam até que tudo se incendeie...espero que não, ainda) ainda não viram ou entenderam isso. Pode já ser tarde, e o resultado será este recuou de mais de trinta anos que nos obrigam a fazer.

12.7.12

Adoro o meu país!

Adoro este país. Um país com mais de oito séculos de história. Um país onde a Justiça é corrupta e parcial, favorecendo políticos e empresas e empresários com poder. Um país que adopta um Acordo Ortográfico (AO) que é uma verdadeira aberração e sobre o qual os actuais políticos fecham os olhos, ou fazem de conta que tudo está bem. Um país que, por via de AO, escolhe falar mal e escrever pior e, pela mesma via, ignora os que da Língua entendem, os seus especialistas, e os que a adoram e querem proteger, contra essa anormalidade ofensiva que é falar português do Brasil! Um país onde todos os dias surgem buracos financeiros, mas que rejeita renegociar as vergonhosas Parcerias Público-privadas, e extinguir todas as Entidades Reguladoras, criadas com o fim único de dar Tachos a amigos e familiares. Um país que criou uma plêiade de Universidades privadas, com o mesmo intuito das entidades reguladoras, onde abundam os ignorantes corruptos, que se passeiam em automóveis de luxo, a custo de paizinhos idiotas que sabem o que fazem ao meter os filhos em tais antros de ignorância e manipulação. Um país onde os professores se preocupam mais consigo e a sua carreira e não perdem nem um segundo a defender a Língua que aprenderam, mas adoptam tácita, estranha e passivamente o merdoso AO. Mas que se sentem ofendidos quando alguém, a quem eles não admitirão nunca que possa ter mais conhecimentos e cultura (e inteligência) do que eles, possa criticar o mau ensino, de que eles são primeiros responsáveis. Um país que tem um Ministério da Educação que melhor seria se fosse extinto. Um país que diz ser necessário efectuar e motivar um regresso à agricultura, mas logo depois lhe retira todo o apoio e o relega para último plano. Um país que nos últimos anos cresceu em desenvolvimento tecnológico e investigação científica e agora retira os apoios que tal permitiram. E o mesmo faz à Educação, seguindo indicações da estúpida e ignorante 'Troika', que mais não faz do que nos tornar um 'Marrocos na Europa' para que as suas multinacionais possam assim desnivelar melhor os custos salariais. E assim compromete o futuro dos nossos filhos, que terão pior Educação que a nossa. Um país que andou anos a proteger elites imerecedoras e corruptas: transportes públicos, médicos, farmacêuticos, pilotos da TAP, EDP's, GAPL's, Portugal Telecom, TMN, ZON, Serviços Municipalizados de águas e Saneamento diversos, empresas municipais... Um país onde a verdade vale menos do que um cêntimo. Um país onde é possível um bandido como Sócrates ser Primeiro-ministro. E permite o enriquecimento de Sócrates, de Dias Loureiro, de tantos e tantos que usaram a política para fins pessoais e sobre os quais o Povo NADA FAZ. Um país onde os processos de investigação que podem levar Sócrates à prisão (e os seus familiares e amigos), tal como Duarte Lima, Dias Loureiro, e mais umas dezenas de políticos do PS e do PSD, mas também do PCP e do BE e do CDS, e nunca nem uma investigação segue, ou um processo se inicia, ou conclui, com a ajuda inestimável de um suspeito, muito suspeito Presidente do Supremo Tribunal e do Procurador Geral da República...Um país onde se penhoram bens a cidadãos normais, sem escape possível, por dívidas de 20 euros, mas se perdoam milhões a Duarte Lima e a outros tantos (do PSD e do PS, pois e dos outros todos...). Um país onde a Polícia usa de violência gratuita e injustificável, talvez TODOS os DIAS, e mete na prisão, nas esquadras, jovens inocentes, mas perdoa 'tubarões' das empresas e da política. Um país onde as Forças Armadas conseguem sempre o que querem mantendo mordomias inqualificáveis, e nada nos dando em troca das mesmas, senão descanso, lazer e zero de ocupação e trabalho útil. Um país onde os jornais podem batalhar todos os dias por uma causa dita nobre, como a denúncia dos múltiplos casos de Sócrates, de Duarte Lima, de Relvas e tantos outros, mas que nunca os Tribunais farão alguma coisa acontecer. E onde os mesmos jornais não são isentos nem imparciais.

Adoro o meu país. Mas se me perguntarem porquê, prefiro dizer que sou burro e não sei dizer porquê!

6.7.12

Enganar-se a si e a outros. Optar pela sombra


A difícil arte de se enganar e enganar os outros. Bem, não tão difícil, afinal. Mas exótica? Ou também não, por muito vulgarizada. É a arte de se ser crente. Ter uma 'fé', como dizem, pretensiosamente distinguido-se dos que optaram por viver de olhos e sentidos todos abertos e, bem mais saudável, para si e para os outros, ser Livre. Leio aqui e ali, comentários sobre as 'oraçõezinhas', as meditações (orientalismos, budismos...e coisas mais) e apetece-me dizer umas coisitas, poucas. Se cada religioso se manifesta, eu dou a mim mesmo o igual direito de me exprimir, sobre o mesmo tema, mas questionando-os. Se uma religião se diz de si mesma como 'iluminada', esclarecida, liberta (imagine-se, uma libertação enclausurada em conceitos, preconceitos, tradições, normas, regras, disciplinas, e outras burrices que o humano adorou inventar para se castigar, na falta de castigos suficientes pela vida fora. O meu pai dizia que se 'compra um FORD, para pagarmos os pecados que fazemos na vida'. As religiões gostam de se auto infligir FORD's de vária ordem), então não conheço forma de egoísmo mais evoluída, digo, estruturada e violenta. Se alguém que é crente é um elucidado, iluminado, devia poder 'contagiar', essa Luz Superior, aos outros, crentes mas não praticantes, ou mesmo não crentes de todo. Mas o argumento que surge é o de ...para estarmos nesse estado de 'transe', de repositório da Luz Divina, é preciso sermos, primeiro, Crentes sem dúvidas, ou seja, aceitarmos o Dogma (claro, um dogma ou se aceita, ou não o é ahahah), e seguirmos 'as regras', para uns, as de Cristo (que não elaborou nem uma, pois contra regras era ele mesmo), para outros (muito superiores, acham-se e outros acham isso deles) os budistas, os xintaoístas, os não sei quê, desses produtos da estupidez humana inventada há centenas ou milhares de anos (por acaso num tempo em que o conhecimento humano, ainda hoje na infância do Conhecimento, era bem mais incipiente e infantil, eivado e inspirado de medos, pânicos e ignorância). Regras e 'princípios' que nos fazem 'merecer', ou o Reino dos Céus (lembra-me aquela lenga-lenga...o céu tem nuvens, as nuvens são brancas, branco é o leite, o leite vem da vaca, a vaca tem cornos...ele chamou-me ...), ou a Luz (cuidado com a cegueira que as luzes muito intensas podem provocar!). Uma coisa que dizem ser seu apanágio, dizem-no todas as religiões sem excepção (as dos Partidos políticos também, lembremo-nos!) é o Altruísmo. Mas já não se vê réstia dele quando se trata de 'contagiar' com Luz e Reino dos Céus, o irmão, o amigo mais próximo...etc. Mas quanto a contagiar o mundo com guerras, mortes, condenações terrenas e divinas...UI! Está o mundo (religioso) cheio! Ainda ao dia de hoje. Experimentassem, se possível fosse, os religiosos, um dia, um simples e singular dia a libertação de não serem crentes em ser divino, deus e outros disparates infantis...por um só dia, e logo veriam o que é, de Facto! ser-se livre. E contar apenas, para a sua vida e a dos seus queridos, consigo mesmo e com os meios que se conseguem ou a vida nos dá. E nunca, mas nunca, imaginar que o que 'aqui' não se consegue, obtém-se no 'alto', no além, ou no diacho que os carregue. Mas isso não acontecerá, e viverão até que as suas células deixem de metabolizar, a acreditar em fadas e divindades, cheios da cegueira que as suas dificuldades lhes conferem. Uma parte da Mente Humana assim se perde, para mal de todos nós...