23.5.12




Ver e Ouvir, até ao fim. E depois vir aqui http://ilcao.cedilha.net/, onde se deve ler bem, reflectir e assinar a Iniciativa Legislativa. O Acordo Ortográfico tem se ser parado, anulado e esquecido para sempre! E tudo o que se fez para o adoptar, tem de recuar. Mas este programa não é apenas sobre isso, mas sobre o que há tantos anos defendo. No ensino deve-se ensinar e aprender. Um professor tem de ser conhecedor, culto. De nada lhe servem as teorias pedagógicas se não Souber. E depois de Saber, deve saber transmitir conhecimento. E ensinar a pensar, sem estúpidas teorias do facilitismo que entre outras coisas criaram estudantes com preguiça da Memória. Até levar um garfo à boca para comer é um exercício de memória. Saber exige Memória, e muita. Mas o professor melhor, o que marca um aluno para o resto da vida é o que conseguir transmitir o Prazer pelo Saber e Conhecimento. Que o faz saber procurar ser Melhor e nunca parar de evoluir. Numa escola, saber criar nos alunos o prazer e a curiosidade pelo Saber é a grande arte e o Sucesso. Tal como a Finlândia, que muitos apelam ao exemplo, o faz. Conheci algumas pessoas que diziam adorar Lobo Antunes ou Saramago e nunca o leram, ou leram com literacia. Nunca os entenderam, e por isso os colocaram em lugar cimeiro sem a mínima razão. Não há praticamente uma história nos seus livros, mas podem ser apreciados por outras qualidades, concordo. Conheço quem se doutorou e é um profundo ignorante. Hoje há muitos diplomas e acumulação de formações e graduações, mas nem por isso há mais saber! Nem por sombras. Escreve-se pior e...pense-se nisto: se se escolheram tantos medíocres e os elegemos, foi porque o saber e o conhecimento, a capacidade de discernimento que daí advém, recuou. E isso levou a que se deixasse aprovar um aborto e um insulto chamado Acordo Ortográfico. Que terá sempre a minha oposição. E não é necessário, nem este, nem qualquer outro Acordo. A maioria das pessoas não sabem, por exemplo, que em Portugal se retiraram as consoantes mudas, que dizem, mentindo, não se usarem na expressão oral, mas no Brasil mantiveram-se todas as que existiam. Com a enorme diferença que é no Brasil nunca ter havido um uso consistente e coerente das mesmas e de outras formas da Língua Portuguesa, fazendo do Brasil o pior sítio do mundo para a nossa Língua. Onde se fala e escreve o pior Português de todos. Obriguemos a anular este horrível e estúpido, antítese de inteligência que é, Acordo Ortográfico. Divulguem, por favor. Para vosso bem!
Olhos nos Olhos - 21 de maio > Programas > TVI24
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21.5.12


Fiquei animado e optimista quando Sócrates perdeu as Legislativas de 2011. Fugido à Justiça, porque não consegue explicar como nem tendo qualquer formação superior, nem outra remuneração significativa na sua vida, que não a de deputado e membro de mais de um Governo, conseguiu enriquecer ao nível a que atinge a sua fortuna, ele foi a causa de muitas, da grande maioria das nossas extravagâncias irresponsáveis e das mentiras e atentados contra a Democracia. Fiquei animado e optimista, porque pensava que Passos Coelha teria ...no sítio para fazer frente a muita gente, muito interesse e muita estupidez, cá dentro e 'lá na Europa'.

Depois, vieram medidas parecidas com as de Sócrates e as habituais do PS: tachos para amigos, Ministros arrogantes que ameaçam jornalistas e telefonam para órgãos de comunicação social, tal como Sócrates fez, vezes sem conta e eu condenei sempre. Mais, a mesma atitude autista de não ouvir as pessoas, para quem deviam governar. Vieram os impostos sufocantes e irremediavelmente condenatórios de quem hoje tem mais de cinquenta anos e não mais voltará ao mercado de trabalho por conta de outrém, mas não consegue, ainda que se empenhe ao máximo, ser 'empreendedor'. E muitos desses têm três ou dezenas de vezes mais competências do que este ou o anterior Primeiro Ministro, ou o Presidente da República que foi apenas Professor, nunca profissional da Economia activa, como agente dela, e é apenas Presidente, a quem nada se exige, excepto sensatez, de que poucas mostras tem dado, aliás. Vieram ainda as pseudo-teorias neo-libererais, que por si só nada têm de pior do que as socialistas ou as social-democratas, como as querem diabolizar todos os que até hoje foram medíocres na acção política e governativa, mas que na verdade nem o podem ser, pois uma das suas bases, canónicas, é o empreendedorismo, que está por muito tempo de pernas e braços amputados, com o que pacote de impostos imposto pela Troika e por todos aceite, que devia ter sido liminarmente recusado.

O resultado está a ver-se, dia a dia. Acumulam-se os desempregados mais válidos do país, e outros procuram, às dezenas de milhar, empregos em países decentes que lhes pagam o que os nossos gestores egoístas e narcísicos nunca lhes quiseram pagar. Portugal vai assim perder por décadas os melhores profissionais, num êxodo sem explicação e que me deixa estupefacto!

O país continua, porém, silencioso demais. A agonia das famílias, onde um dos seus membros, ou todos não sabem que futuro podem ter, quando o podem ter e para quem o irão ter, pois para si mesmos já não será, cresce dia a dia.

Quem acreditou, como eu, que a derrota do corrupto e mentiroso Sócrates podia constituir uma oportunidade fica, um pouco mais a cada dia, ou desiludido, ou confuso. E a descrença em tudo o que é política, cimeira, Europa, União Europeia, com os seus snobs Merkel, Durão Barroso, Sarkozy, agora outro peneirento francês, que acha ir mudar o mundo com birras, de nome interessante um 'francês da holanda', e mais uns tantos...é uma descrença provavelmente irremidiável. Ora eu pergunto: se estamos à espera, a cada cimeira e a cada semana, de uma notícia de esperança que nos permita pensar irmos ainda ter um emprego e uma reforma... se é com esta gente em quem já não cremos, será como e com quem?

Se as decisões que nos condicionam todos os dias, e pelo meio as notícias dos que deviam já estar na prisão e ainda por aí se passeiam, mais os que conseguiram ludibriar a Justiça e a Judiciária, ou a compraram, e até de cá fugiram, mais o crescente clima de insegurança nas ruas, a indisciplina nas escolas e a desilusão com todos ou quase, os nossos governantes, dentro de casa, se estas decisões não irão ser revertidas, se o caminho para mais de dois milhões de pessoas, directamente afectadas pelo desemprego dos mais próximos, ou o destino próximo dos outros seis a oito milhões, totalizando assim o país em si mesmo, é o de afundamento progressivo...quem pode um dia mudar alguma coisa, quem nos fará crer em algo e como podemos ainda viver, antes de morrermos?

Enganamo-nos todos um pouco a cada notícia de pseudo-novidade ou inversão das coisas. Um dia é a vitória desse idiotinha do Hollande. Outro é que a Merkel vai ceder e libertar apoios e recursos, aliviando os países em profunda e ridícula, por excessiva e sem esperança, austeridade. Outro dia é uma medidazita de insiginficâncias do Governo, para os que mantêm a esperança de virem a ser empresários, roubadas que lhes foram as outras esperanças, de trabalharem para alguém. Portugal desperdiça, de forma crescente, segura e constante, os seus quadros mais valiosos. Gente que se fez a si, e com a base educativa que o Estado ou a sua Família um dia lhe disponibilizaram.

Portugal ao contrário de uma Alemanha no pós-guerra, não verá esta classe média hoje sem emprego, criar empresas, inovar e tornar o país mais exportador e mais esperançado.

A mesma mediocridade que alimenta a manutenção do mais estupidificante Acordo Ortográfico de sempre, que faz por ignorar a vergonha e o insulto que ele constitui, não pode dar esperança de mudança, noutras áreas, de solução mais próxima, talvez não tão fácil, mas com riscos de perpetuação bem menores. A crise passa, nem que mais tempo leve, do que queríamos, o Acordo Ortográfico (que as nossas editoras e jornais já fazem questão de seguir, na boa senda da ignorância e estupidez) fica, se não total e frontalmente denunciado e revogado. E falaremos português de latrina ...

Tive essa efémera esperança quando o Mentiroso foi corrido. Mas com esta subserviência dos actuais governantes, este sufoco financeiro, uma Justiça que se está nas tintas para o descrédito em que caiu, preocupada que está em gerir a sua vidinha, muito bem paga aliás e que esconde a corrupção que se desconfia grassar em toda ela... a esperança morre um pouco mais a cada amanhecer.

15.5.12

Viajar hoje no Futuro

Estava a ver uma breve reportagem na Sic, hoje mesmo, há minutos apenas. Um pai, Engenheiro reformado, partiu em viagem com o seu filho. Foram a Madrid? Pensaram que mereciam mais e foram a São Petersburgo? Nada disso. Meteram-se num Renault 4L e percorreram África. Mais de quarenta mil quilómetros de companhia e convívio entre um pai e um filho. Terão muito para contar, por certo. Para escrever, claro. E podem até publicar um livro da sua longa e arriscada aventura. Mas, muito mais do que isso, terão muito para pensar, cada um e para partilhar ainda os dois, apenas os dois. Todas as viagens que fazemos têm alguma história. Algumas, ou muitas, têm um ambiente de paixão, de amor vivido em lugares fantástico, com a pessoa por quem estamos apaixonados. Há viagens, houve e podem haver ainda muitas, que nos marcam por alguma bem especial. Essa pessoa querida que está connosco, ou que não está mas não nos abandona o pensamento, e absorve muito do tempo e das coisas que vemos e experimentamos. Algum acontecimento marcante. Positivo, surpreendente, ou negativo.



Mas uma viagem destas, de facto... reveste-se de um carácter muito especial. De um romantismo único. Qual de nós não daria muito para no fim da vida, talvez já depois de termos ficado sozinhos, por morte prematura da nossa/nosso companheiro (marido, mulher, companheiro/a, etc.) poder fazer uma viagem destas com um filho, ou uma filha?

Quando hoje sentimos o amor especial pelos filhos e uma proximidade especial com algum deles, por eles, ou por nós... esta Imagem, de uma imensa e esgotante viagem com a companhia diária dessa filha/o, não é um dos melhores prémios de fim de vida?

Nem todos teremos esta sorte, deste pai e deste filho...

Mas a sorte, também se pode preparar, algumas vezes.