19.4.12

Hipocrisia




A Igreja não concorda e não aceita a eliminação de feriados religiosos. Mas ninguém diz à Igreja que não existem feriados 'religiosos' numa sociedade laica? E que a Igreja não tem qualquer espécie de poder sobre qualquer dia, que, se não for Feriado, é dia útil e de trabalho normal? Não concordo com a eliminação de Feriados, mas também não gosto de Feriados. Não valorizo comemorações, nem 'efemérides', mas eles não existem por mim, nem por pessoas como eu. Aprecio História, uma das minhas paixões nas leituras, pela importância o seu conhecimento e o entendimento do que somos como humanos e como seres sociais. Valorizo, ainda assim, um pouco mais algum Feriado como o de 5 de Outubro, o qual devia comemorar o dia da nossa Independência, dia do Tratado de Zamora (5 de Outubro de 1143), mas por interposição dos interesses maçónicos, inimigos da Monarquia (claro...pois em Monarquia os seus interesses e tráfico de influências estariam em causa) esqueceu-se esse dia, e comemora-se a República. Não contesto se não pela falta à Verdade histórica. Mas não sou monárquico e considero a monarquia uma palhaçada sem consequências, que não o dispêndio de recursos. Os Feriados, para mim 'pecam' ou 'sofrem' do mesmo mal de outras 'tradições'. Cansam pela sua inutilidade e pela memória fraca do colectivo. E as tradições são boas, se o forem para identificar um povo e uma cultura, que se sente bem com isso, e é sua vontade mantê-las. Mais nada. Defender tradições, como touradas, como cerimónias, como Feriados, apenas porque sim...é pobreza intelectual a mais para o meu gosto. Se as coisas fazem sentido, ainda bem. Se não...não interessam. É nesta acepção que os Feriados se inserem: se fazem sentido ao geral da sociedade, ao nosso povo, devem manter-se, por ser sua vontade comemorar uma determinada data, ou acontecimento. E nunca, mas nunca, permitir que uma Igreja, ou um Governo se metam nesse caminho. Neste sentido, todo este processo é totalmente ilícito. Por parte do Governo actual, por eliminar Feriados que parecem fazer sentido aos portugueses. E por parte da Igreja que nada é em termos da nossa vida ou da nossa vida civil. Mesmo os mais religiosos deviam sentir-se ultrajados com estas arrogâncias de uma Igreja que tem um passado longo de abusos sobre as vidas de todos. Mas mais ridículo do que esta anedótica posição do pessoal das saias pretas e das hipocrisias...é pretender que a eliminação de Feriados contribui para a Produtividade e não ter feito ainda quase nada em termos de redução do peso e dos custos de um Estado, que tem uma força laboral de pouco mais de 20%, mas que consome mais de 50% dos recursos produzidos anualmente pelo país todo! É disso que continuo, ansiosamente à espera...(sentado, já se viu).

Hipocrisia de uma Igreja que há dois mil anos engana centenas de milhões de pessoa, e outra, talvez mais grave, de um Governo que dizia vir para Mudar Portugal, no que de Verdade isso implicava, e no que de Modernidade acarretava, e progressismo, e...de que ainda quase nada vi!

Aplaudi a chegada deste Governo, com a mesma esperança da maioria que nele votou. Estou a ganhar mais em desilusão, cada dia, do que em Esperança...

Estará Passos Coelho convicto, ainda, do caminho que segue? O adiamento da nossa recuperação, quantas pessoas mais colocará em dificuldades extremas? De miséria total? Gente com formação, ou com menos formação, de meia idade, sem emprego, e sem possibilidade de voltar a ter, considerados 'menores' na sociedade, sem os meios necessários para que criem emprego próprio, ou uma empresa. Serão centenas de milhar, dentro de meses, que não podem viver sob o suporte das famílias, e nem do Estado que os rejeita.

Esta austeridade leva-nos onde, se depois dela não se vê, nem se adivinha como vem a recuperação e para quem? E se não acontece a mudança, ou vem demasiado tarde para centenas de milhares de pessoas, de que serviu tudo isto? E se, depois disto tudo, o Estado continua igual, consumindo os mesmos 50% do PIB que hoje consome, não deixando recursos para que muita gente de valor possa mudar, melhorar a vida, e contribuir socialmente para um país mais rico?

Esta gente não vê, Governo com este seguidismo decadente, imposto por idiotas da União Europeia e do FMI, Oposição dominada por uma Maçonaria decadente, arrogante e abusadora, ilícita e corrupta, sindicatos sem espinha dorsal, com extremismos desproporcionados, irrealistas, que estamos a morrer lentamente, mas provavelmente sem retorno? O aumento de impostos foi a pior medida que podia ter sido tomada, mas em conjunto com outras de repressão social, de afundamento rápido para quem perde o seu emprego...é uma calamidade social de proporções gigantescas, que só por si, já deviam ter dado lugar a uma forte contestação social, a uma revolta de proporções inimagináveis. Estamos a morrer, gente! E a Europa que devia ser amiga é agora o nosso cangalheiro! Ou não?

9.4.12

Europa...a quem interessas?

Acordo dia após dia a pensar...na utilidade actual e futura de uma União Europeia. Sempre fui um entusiasta da Europa, e nunca me assustou a ideia do Federalismo, ou da perda de soberanias. Mas tudo tem de servir o mesmo fim, e um fim apenas: a melhoria da vida em cada um dos países da UE, e não em alguns apenas. Hoje, ao ouvir e ler de todo o lado, o atraso na recuperação económica, a perda de qualidade de vida de todos os países do Sul, e no que nos toca, o adiar do regresso ao crescimento e aproximação aos países ricos,  lendo ainda mais, sobre a decadência generalizada da Europa Ocidental, interrogo-me sobre o que foi feito do Sonho Europeu, e quem hoje o rejeita ou despreza e quais de nós já não teremos direito a ele...até morrermos. E não me parece ser pessimista concluir que a minha geração não verá dias melhores, que seguramente os mais velhos já tinham garantido para si mesmos apenas, e que os mais novos provavelmente nunca os verão, ou terão se aceitar, como custo de cidadãos europeus de segunda, o facto de serem subalternos de alemães e nórdicos. Serve, pois esta Europa a quem e para quê?

O que pesa mais? A Mac ou o AO 90?

Fecho da Maternidade Alfredo da Costa, ou não. Penso que será sempre uma decisão técnica, embora alguns 'esquerdas' facciosos, pretendam que não. A mulher de Louçã trabalha na MAC, ou trabalhou...daí a 'iniciativa de denúncia' do que Louçã não sabe, mas diz saber, mesmo que o Governo ainda não saiba, pois a decisão é do Centro Hospitalar do Centro de Lisboa. Mas para mim, o mais infame é pretender politizar tudo e atribuir responsabilidades, se for má decisão, pois até pode ser uma excelente decisão fechar o edifício da MAC. E politizar como sendo uma decisão de gente má, de gente de direita, que é má por natureza. Lembro que a decisão de estudar o fecho da MAC tem vários anos e foi de Correia de Campos, ministro socialista. E lembro que a MAC é um pardieiro, onde se remendaram, por diversas vezes, os 'buracos e as más condições', como, vendo a reportagem tendenciosa da Tvi, com olhos de ver, se notava a estreiteza dos corredores, das portas de acesso aos blocos...da exiguidade dos quartos. A equipa? Pode ser de excelência, não sou especialista. Mas as equipas excelentes precisam de edifícios históricos, ou de edifícios com condições humanas e técnicas adequadas? Há uns anos, uns cinco ou seis, o pessoal desta mesma MAC pretendia o seu encerramento, quando inventou um 'caso de um pó amarelo' que lhes provocava asfixias e alergias...nunca comprovadas. Mas o mais 'nojento' é o aproveitamento político. Tendo sido esta iniciativa, a de por em causa o funcionamento da MAC ali, naquele edifício, uma iniciativa de Sócrates e Correia de Campos. É só consultarem-se os jornais de há três e quatro anos. Interessante, mas não surpreendente, este alarido, que um povo 'indignado' pretende fazer, mas não o faz pela sua própria língua, assaltada e ofendida por um Acordo Ortográfico de 1990, ilegal e burro! Que não pode obviamente avançar.