30.3.12

A Democracia muito doente?

A Democracia, a 'nossa filha' que se emancipou cedo demais? A Democracia está mal, talvez doente. Cedo se emancipou foi tomada posse, controlo, dela por entidades, gente e 'diabos' políticos sem a capacidade, cultura, formação pessoal e cívica com estatura à altura de tamanha responsabilidade. De há uns bons anos para cá, talvez uns vinte, ou mesmo trinta (no caso português, lamento ser a minha opinião, mas desde que ela existe por cá) fomos vendo umas medíocridades tomarem conta do poder, com a pouca informação e formação social e política de um povo que esteve demasiado tempo subjugado por uma ditadura pessoal retrógrada e anacrónica, a ver passar as carruagens de com cavalos à frente e cavalgaduras atrás. O poder democrático, em Portugal nunca esteve o tempo suficiente em boas e limpas mãos. Nunca, verdadeiramente. Teve momentos melhores e outros muito piores, a nossa infeliz Democracia. Mas, em minha opinião, nunca definitivamente nas mãos de gente capaz que não se aproveitasse dela, como é comum dizer-se, e bem. E hoje, olhamos a Europa e vemos cenários muito idênticos. Espanha, França, Reino Unido, Alemanha... casos e casos de má gestão pública, de corrupção, de redes de interesses em proveito próprio. E, o que me choca mais, mesmo em tempo de líderes fortes e mais reconhecidos, houve todo esse jogo de aproveitamentos para benefício próprio. Esse 'jogo', com o nossa complacência, acabou por ser pago por nós. E está ainda a sê-lo, por muito mais anos. O que se passou na política, teve ou inicio nas empresas privadas, ou reflexos nelas, sendo que saber o que surgiu primeiro, se a galinha se o ovo, é já bem irrelevante. Chocam-se os socialistas quando se menciona Sócrates, por cá, volta e meia. Mas não se deviam chocar e a sua incapacidade de ver esse problema, põe eles criado e por eles trazido à nossa política e Democracia é uma, ou, arrrisco, é a pior mancha no percurso do seu Partido. Mas eles não foram os únicos a criar um problema ao país e a este povo complacente e sereno (demais). O PSD teve vários medíocres e nunca também até hoje fez a expiação desses tempos e dessas escolhas. E...depois vemos, e em Espanha também o vemos, bem sei, os Partidos anti-democracia, os grandes inimigos da Democracia, a par com pseudo-neo-nazis e fascistas, mas com mais força e reconhecimento público, por legitimados eleitoralmente, os Partifos da área comunista, a fazer e provocar, uma parte ou quase toda a convulsão social, como se fossem eles parte ou a solução toda. Não o são e esse é um perigo. Como sempre, em qualquer época, a separação do trigo do joio, é fundamental. Mas estas solução, europeias, que poderão salvar a actual situação, digo, este 'Regime', com Euro e tudo, vão levar a condenar milhões de Europeus, e umas boas centenas de milhar de portugueses, se não mesmo mais de um milhão, a nunca mais terem uma vida digna, condigna e normal. A terem um final de vida miserável e triste, abandonados e não reconhecidos por ninguém,. E ainda verão a sociedade e os seus mais próximos a condenarem-nos, como incapazes, ainda que se tenham tornado nos agentes do crescimento que hoje vemos pela Europa, e os mais bem formados académica e profissionalmente, mesmo comparando com os seus pais e filhos. As gerações de quarenta e cinquenta anos...os pobres do nosso futuro próximo! E a que se assiste? A algumas manifestações, umas pacíficas, demais, porventura, por cá, outras mais violentas, 'por lá'. E aos aproveitamentos do costume. Por uns condenados, por outros aproveitados, todos os que tomam uma atitude, não serão suficientemente compreendidos. Mas a Democracia, por cá e por lá, prosseguirá algum caminho ainda, doente e sem respeito pelos seus 'progenitores' ou tutores, que somos todos nós. Ou devíamos ser, e não o somos de facto! E esse é o nosso maior problema. Juntamente com o acreditar que pelos 'nossos representantes eleitos' a 'coisa' se resolverá. E todos os dias vemos que não. E todos os dias, nos deixamos ficar. E condenamos a 'violência', do conforto dos nossos sofás, nada fazendo. Mas, de certeza, deixando os medíocres e mal intencionados, para não usar de outro jargão,fazerem por nós, mesmo qua façam mais ainda ...por eles mesmos!

13.3.12

Da serenidade da minha sala, do sol que nos engana





Quando Chopin entrou pelo silêncio da minha sala, estava-se num zero quase absoluto de tranquilidade e ambiente inspirador. A música do Mestre do piano não perturbava nada, mas acendia a vontade de escrever de contar, de descrever esta tarde de sol que me entrava pela janela. Não havia o zero absoluto dos sons, porque lá fora empoleirados nos pinheiros próximo da janela, alguns pássaros rejubilavam com esta Primavera temporã, um cão protestava seguramente por se encontrar preso numa varanda, e pela provocação que lhe faziam outros cães e pessoas passantes pela rua pricimpal, perto da minha. Esta sala, este ambiente de paz e serenidade, com a luz fantástica que me entra pela janela ao lado da secretária, de onde escrevo, faria as maravilhas de um bom escritor, um de verdade, trabalhador com afinco e inspirado de belas frases, desses que usam bem mais cérebro do que nós os normais mortais, que nos deliciam com a imaginação e criatividade e a quem parece nunca faltar assunto ou tema para um conto, uma novela ou romance. Ou apenas um artigo de jornal. 

Numa tarde destas, entre umas costas que me doem e não me permitem um andar vertical, mas qual navio com a carga em desequilíbrio, ou para quem se recorda, do antigo 'Guiné' que andou pelos mares com uma chaminé inclinada por um qualquer acidente nunca corrigido, e uma vontade de um novo recomeço da minha vida, com uma actividade sobrevivente em tempo de crise nacional agravada, a real vontade é a de encontrar um tema, um centro e uma fonte de inspiração para uma escrita de fundo. 




Este sol...esta luz que só nós temos, branca e serena, que nos engana com a calma que nos transmite, e nos engana no cerne mesmo da crise que nos leva os euros e as energias, mas insiste em nos deixar as depressões. Esta janela ao meu lado que ao tempo em que me chama para ir andar ao sol, de lado, como um automóvel com a suspensão danificada, me diz que me deixe deliciar enquanto me for permitido, com esta serenidade enganadora.

É daqui que escrevo, e simultaneamente me ocorrem todas as boas nostalgias dos bons momentos de tempos recentes, e todas as preocupações que tanta asneira, fruto deste tempo de mediocridades sociais e políticas, me traz, involuntariamente, mas com persistência. 

Mas este sol português, parte modesta desse mesmo sol universal que por estes dias se entretém em explosões excessivas, juntando à crise financeira e social, à seca intensa, ao desemprego e à falta de perspectivas e ausência de futuro, mais um motivo de imprevisíveis acontecimentos, deixa-nos uns dias melhores, se os vivermos cada um à sua vez, sem precipitações e sem entrarmos na ponte antes de a ela chegarmos.

Um engano doce e quente...


Alexandre Bazenga Fernandes
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