27.1.12

A vesícula e a Apple



Andava eu às voltas com a minha estreia nas cirurgias, com uma vesícula incompatível comigo, coisa breve, até ligeira, mas estranha ou avessa, de meter algum nervosismo a leigos e estreantes, e a Apple apresentava os seus resultados do último trimestre de 2011, e anuais, recordes na sua história e invejáveis, no contexto empresarial mundial, em crise ou fora dela. Mais. Apresentava algumas novas versões de dois programas e um totalmente novo e, não apenas isso, inovador. O iBooks 2, que permite mais conteúdos multimédia, de forma muito fácil e intuitiva, como é marca da empresa. O iTunes U, entrando pela porta grande nas edições escolares universitárias, com a maioria das grandes Universidades mundiais (Portugal: Instituto Politécnico de Leiria, pelo que vi até ao momento, apenas) a aderirem, com PodCasts, com vídeos e com muitos textos e manuais académicos. Antes, havia já apresentado o iTunes Match, que permitirá sincronizar e consolidar a música que se tem no iTunes, através do iCloud, ainda só disponível nos USA e alguns países onde o mercado da marca é mais significativo. Mas a novidade mais interessante, mais curiosa e talvez mais revolucionária é o novo iBooks Author, que permitirá a qualquer um de nós escrever e editar livros (textos, multimédia, livros de culinária, contos para as nossas crianças, e dos outros, e difundi-los através do iBookstore. Parece pouco, mas não é. Estes programas, atenção 'tristes defensores de Bill Gates& Company, ou das empresas milionárias que nos exploram as carteiras com software caríssimo, são...Gratuitos. Em troca, a Apple apenas permite a publicação desses textos na sua iBookstore, mas isso será o menos, ou até o mais, pois já se percebeu que em muito pouco tempo, um ano talvez, esta será a maior livraria do mundo, à semelhança da sua loja de música, iTunes. Estas são as medidas, os produtos e as posturas que levam a que a Apple, até ver, será imbatível e INCOMPARÁVEL. Incomparavelmente superior a todas as Microsofts que por aí existam. Escrever, publicar será agora democratizado, e não mais, atenção Portugal, país de cunhas, interesses, influências, sectarismos e outros provincianas atitudes que tantas gente criativa tem deixado ao esquecimento, não mais alguém criativa ficará à mercê da eterna estupidez das editoras (exemplos da estupidez? J.K Rowling, Stieg Larsson, para só dar dois, não portugueses, esses morrem antes de nascer, como sempre, que não conseguiram publicar à primeira, nem à segunda e nem à terceira...sendo agora os maiores fenómenos da literatura, se Sempre! Mas há mais exemplos de talentos perdidos e ignorados: na música, na pintura, nas ciências... mundo   este, que sempre assim foi. E que com mais 'Apple's bem pode mudar!

Até a vesícula que se foi, ou o que cá ficou, se sente melhor!

22.1.12

Álvaro...Compromisso e um país que já não se aguenta!


Deixei passar uns dias, antes de comentar este Acordo, apelidado e único e exemplar, pelo Governo e de Retrocesso, ou outros adjectivos, todos desajustados, por parte da CGTP e alguns membros do PS, e toda a esquerda comunista em bloco. Para mim não foi nem uma, nem a outra. Quero dizer, nem foi um avanço, embora possa permitir alguns avanços em matéria laboral, dentro de anos (principalmente após o falecimento de gestores sem escrúpulos, mas ufanos de virtude alguma e...seus filhinhos-família, com as cabecinhas cheias de esterco de baixa qualidade, mas a proa cheia de manias e trejeitos, que botam em olhadas snobs e fúteis, sobre quem com eles se cruza, tantas vezes gente com muito mais valor pessoal e social, se não profissional, do que esses idiotazitos que mais destroem empresas e vidas de pessoas que alguma coisa chegam a construir: empresários portugueses. Nem que desapareça a maioria deles, ou sejam atirados às calendas gregas, este país não irá mudar. Muito menos com um Compromisso, destes como lhe chamou Álvaro Santos Pereira). Pode este Compromisso vir a tornar-se um estímulo ou uma base para uma vida profissional, laboral e empresarial diferente e mais moderna. Talvez possa. Em algumas matérias avançou-se em relação às Leis laborais obtusas e pró-soviéticas, que já nem a Rússia as tem, mas carrega um peso com ele, de que não escapará. Foi obtido à custa de cedências do lado laboral e de quase nenhuma do lado patronal. Num país com as leis laborais fechadas como tínhamos, pode parecer um avança, não fora os ditos empresários inescrupulosos, ou mesmo abjectos, que temos a rodos. Eles, aliás, mais do que ninguém, são tantas vezes culpados de ainda termos tantos complexos de esquerda por este desgraçado país. Álvaro Santos Pereira tem sido o móbil de ataque ao Governo quase desde o início. Até há pouco parecia-me injusto este ataque constante a este ministro em particular. Li algumas das suas ideias e pareceram-me modernas e evolutivas. Outras, mais liberais do que a mim me agradam, nem tanto. Para mim, o maior problema deste ministro tem sido a orgânica do seu ministério. Demasiado grande e pesado e muito cheio de vícios do passado, quando o Ministério da Economia estava moldado para satisfazer os lobies próprios e habituais da governação socialista e servir a sua clientela do costume (uma das grandes causas desta Dívida difícil de se pagar). Um Ministério muito difícil de gerir e ainda pior, de ser reformado e configurado para uma Economia mais moderna e competitiva.

Hoje, pelos dias que correm, começo a ter mais dúvidas sobre este ministro. Mas também continuo a pensar que, com tanta reforma ou medida reformista a estudar e por em prática é ainda cedo para ajuizar do Ministro, como o é da sua equipa gigantesca.

Mas o Compromisso, ou acordo de consertação conseguido, padece de alguns problemas, um a que já me referi, o dos maus, péssimos e desprezáveis gestores incompetentes, e abusadores (das pessoas, dos fundos do Estado, da qualidade técnica e seriedade dos seus quadros- a tal ponto que cada dia mais se referem as pessoas à inutilidade de se ter conhecimentos superiores e formação diferenciada e de nível e qualidade internacionais). Os ‘patrões’ como diz Sousa Tavares e bem o diz, no Expresso deste fim de semana, é transportam consigo, ainda que não assumido o estigma da fraca competitividade, parcialmente culpável ao Estado (e aos monopólios e oligopólios como a PT, o sector energético, as prepotências da Banca, e todo o sector empresarial do Estado, ou que outrora já o foi). Outra vertente de que enferma a nossa Economia e Sociedade, é o da produtividade, a qual é afectada negativamente , fundamentalmente, pela reduzida formação da nossa força laboral, pelos imensos exemplos de maus funcionários, protegidos por leis anacrónicas (face por exemplo ao nosso principal concorrente nos mercados diversos, a Espanha) . A terceira vertente da nossa muito fraca capacidade de regeneração e recuperação económica, que deve e tem de ser o motor que nos puxa do fundo do poço em que estamos, catapultando para um crescimento consolidado, é o Estado. Todo o Estado. O excesso de Estado e o mau Estado. As incompetências nomeadas para lugares de destaque e suposta liderança, agora substituídas por novas incompetências. Este cancro que são as nomeações de cariz partidário, que se soma às substituições que deviam ser feitas e não são, mais os muitos milhares de despedimentos que se impõem num Estado incompetente, demasiado caro e arrogante, que nos trama a vida todos e dias e, mais ainda, quando precisamos mudar de vida e puxar por nós mesmos, nessa ‘catapulta’ que nunca surge... Um Estado demasiado presente e interveniente, e de má forma, em tudo e com todos. E Caro. Demasiado caro e abusivo. E, ainda assim, necessário em tantas coisas, como a Regulação e a distribuição de recursos e Justiça, que tão mal fez e nem quer saber.

Por tudo isto, tenho dúvidas sobre a capacidade de mudança de uma Economia e de um país agarrado a tanta estupidez e provincianismo. Um país onde um Presidente da República diz disparates sobre a suas reformas e as pessoas, que nada têm a ver com as mesmas, se indignam com coisas destas (sem terem contribuído para as ditas). Ou onde um empresário exemplar como Soares dos Santos parece não dever ter direito a decidir sobre o seu próprio dinheiro. Um país e uma Europa que não entendem que circulação de dinheiros era permitir que se levasse dinheiro para qualquer outro país, pois o dinheiro, lícito, claro, e as decisões sobre o mesma a cada um devia dizer respeito. Onde as pessoas se indignam com o que os outros têm, mas não se preocupam o suficiente com os que não lhes permitem mudar de vida e um dia sonharem ter o que hoje invejam a esses outros. Um país de invejas infantis. Um país onde um Primeiro ministro se devia dar bem mais ao respeito do que dá, e inibir-se de justificar o injustificável, como as nomeações de mais incompetentes para o lugar de outros, talvez ainda piores que pretendeu sanear. Um país onde se deviam ter referencias, como o Presidente da República, o Primeiro Ministro, o Presidente do Supremo Tribunal, o Procurador Geral, o Presidente da Assembleia da República, estes de agora e os outros, anteriores. Mas eles parecerem fazer, todos os dias, porque não os consigamos respeitar, e muito menos referenciar.

Um país...que cansa. Cada dia, mais!

18.1.12

A procura de um Mundo Novo





1789 foi um ano violento, sangrento. Um ano de Horror. Mas uma parte do Mundo mudou nesse ano. Nem tudo foi bom e foi à custa de muito sangue e injustiça. Mas passou. E, depois, nada mais foi o mesmo. Isso não acontece pela Europa e pelo Mundo desde...1789, precisamente. Nem duas Guerras Mundiais mudaram tanto, tanta coisa, no mundo 'ocidental'. Sente-se que o mundo actual precisava de uma mudança forte, tipo arrasar conceitos e instituições e começar de novo. Não se sente, porém, que em algum lado exista essa força anímica que conduza a uma 'refundação' de muita, muita coisa. Mais do que Obamas, Sarkozys, Merkels, Sócrates, Passos Coelhos, Rajoys, e outros tristes que por aí andam, era preciso fazer surgir essa alternativa, não a 3ª via de Blair, um fiasco e uma mentira grosseira, mas uma varridela nesta mediocridade e nestes interesses instalados. Houve quem, à sua maneira, tivesse feito coisas 'de novo', nas suas actividades específicas (Jobs, os fundadores do FB, do Google, etc.) Mas foram produtos, ou serviços, apenas. As sociedades precisam de Muito Mais. De uma Política Nova e de uma vassoura para levar à sua frente Murdoch's e quejandos!