Crónica de uma Morte Anunciada

Concordo com Soromenho Marques. Há pelo menos quatro ou cinco anos que venho a dizer dos perigos e das falsidades da suposta grandiosidade da Espanha. Tudo falso e com pés de barro. Desde, no mínimo 2007, que digo isto. Entre amigos, sempre fui uma voz solitária. E sobre Portugal, disse a mesma coisa. Por conhecimento profundo, da realidade regional de cada um dos dois países. Chamaram-me derrotista, pessimista (nunca o fui, peco por optimista, aliás), e libertário. Infelizmente a história veio a dar-me razão. Escrevi-o no meu blogue e noutros sítios. Era doido, eu. E ainda o sou, pelos vistos. Agora, ter razão, é o que menos conta, é irrelevante. A Catalunha sempre se ufanou de ser riquíssima, tal como o País Basco e até, pasme-se a Galiza. Dito pelos próprios, das respectivas regiões e por muitos, muitos espanhóis. Valência modernizou-se, encantando todos os que a visitam. Mas hoje as suas dívidas, por si só são mais do que Portugal precisaria para resolver os seus problemas... deram muitos passos maiores do que as pernas. Mas fossem lá dizer-lhes isso... nunca ninguém diga a um espanhol que não tem razão. Já experimentaram? Espanha é o maior e o melhor, mais preparado, mais profissional...mas tudo, do mundo. Mas apenas para Espanhóis, e alguns portugueses com falta de vista. Entretanto, construíram por todo o lado. Investiram em tudo. O Santander tornou-se um dos maiores bancos da Europa. Diz a propagando do mesmo, em Portugal ser o mais sólido banco por cá. Nunca me surpreendeu esta capacidade de espanhóis para a mentira. Nunca tiveram a doença das vacas loucas, nem a tristeza dos citrinos, nem a febre aftosa, a peste suína...isso eram problemas dos outros. Eles, apenas têm, desde há muito, o 'dinheiro negro' o 'leite negro' e sei lá mais o quê, 'negro', num país que é o que tem pessoas mais inteligentes e profissionais do Mundo. Esta história da dívida, por exemplo, é outra mentira. A dívida pública é uma coisa, mas a total é a segunda maior do mundo, atrás dos EUA. E nunca o admitem. Espanha padece do que é, tal como nós, países de fachada com um imenso fosso entre ricos e pobres. A Espanha acresce um desprezo visceral por todos os outros (com excepção, pelo que vi, dos EUA). Mas agora é de facto a cegueira de uma Europa do Norte e Centro que, como diz Soromenho Marques, vai acelerar uma decadência já existente há muito na Europa. E esta é uma decadência e queda abrupta, com um enorme empurrão do egoísmo de Alemanha, Holanda, Finlândia, etc. Há uns quinze anos eu dizia a um Alemão de uma multinacional, a maior da química no mundo, onde trabalhei, que um dia a Europa pararia se os mais ricos não entendessem que a 'homogeneidade', a justiça,  de vencimentos e condições de vida não fossem revistos e tornados mais horizontais. Um dia, os ricos exportadores não teriam outra solução se não permitir os 'do sul' serem mais ricos e com mais poder de compra. Quase me chamou de doido e ignorante... Esse dia está a chegar, mas com a enorme diferença de que 'eles' os que acham que ainda mandam nisto tudo na UE (e mandam até que tudo se incendeie...espero que não, ainda) ainda não viram ou entenderam isso. Pode já ser tarde, e o resultado será este recuou de mais de trinta anos que nos obrigam a fazer.

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