Fiquei animado e optimista quando Sócrates perdeu as Legislativas de 2011. Fugido à Justiça, porque não consegue explicar como nem tendo qualquer formação superior, nem outra remuneração significativa na sua vida, que não a de deputado e membro de mais de um Governo, conseguiu enriquecer ao nível a que atinge a sua fortuna, ele foi a causa de muitas, da grande maioria das nossas extravagâncias irresponsáveis e das mentiras e atentados contra a Democracia. Fiquei animado e optimista, porque pensava que Passos Coelha teria ...no sítio para fazer frente a muita gente, muito interesse e muita estupidez, cá dentro e 'lá na Europa'.

Depois, vieram medidas parecidas com as de Sócrates e as habituais do PS: tachos para amigos, Ministros arrogantes que ameaçam jornalistas e telefonam para órgãos de comunicação social, tal como Sócrates fez, vezes sem conta e eu condenei sempre. Mais, a mesma atitude autista de não ouvir as pessoas, para quem deviam governar. Vieram os impostos sufocantes e irremediavelmente condenatórios de quem hoje tem mais de cinquenta anos e não mais voltará ao mercado de trabalho por conta de outrém, mas não consegue, ainda que se empenhe ao máximo, ser 'empreendedor'. E muitos desses têm três ou dezenas de vezes mais competências do que este ou o anterior Primeiro Ministro, ou o Presidente da República que foi apenas Professor, nunca profissional da Economia activa, como agente dela, e é apenas Presidente, a quem nada se exige, excepto sensatez, de que poucas mostras tem dado, aliás. Vieram ainda as pseudo-teorias neo-libererais, que por si só nada têm de pior do que as socialistas ou as social-democratas, como as querem diabolizar todos os que até hoje foram medíocres na acção política e governativa, mas que na verdade nem o podem ser, pois uma das suas bases, canónicas, é o empreendedorismo, que está por muito tempo de pernas e braços amputados, com o que pacote de impostos imposto pela Troika e por todos aceite, que devia ter sido liminarmente recusado.

O resultado está a ver-se, dia a dia. Acumulam-se os desempregados mais válidos do país, e outros procuram, às dezenas de milhar, empregos em países decentes que lhes pagam o que os nossos gestores egoístas e narcísicos nunca lhes quiseram pagar. Portugal vai assim perder por décadas os melhores profissionais, num êxodo sem explicação e que me deixa estupefacto!

O país continua, porém, silencioso demais. A agonia das famílias, onde um dos seus membros, ou todos não sabem que futuro podem ter, quando o podem ter e para quem o irão ter, pois para si mesmos já não será, cresce dia a dia.

Quem acreditou, como eu, que a derrota do corrupto e mentiroso Sócrates podia constituir uma oportunidade fica, um pouco mais a cada dia, ou desiludido, ou confuso. E a descrença em tudo o que é política, cimeira, Europa, União Europeia, com os seus snobs Merkel, Durão Barroso, Sarkozy, agora outro peneirento francês, que acha ir mudar o mundo com birras, de nome interessante um 'francês da holanda', e mais uns tantos...é uma descrença provavelmente irremidiável. Ora eu pergunto: se estamos à espera, a cada cimeira e a cada semana, de uma notícia de esperança que nos permita pensar irmos ainda ter um emprego e uma reforma... se é com esta gente em quem já não cremos, será como e com quem?

Se as decisões que nos condicionam todos os dias, e pelo meio as notícias dos que deviam já estar na prisão e ainda por aí se passeiam, mais os que conseguiram ludibriar a Justiça e a Judiciária, ou a compraram, e até de cá fugiram, mais o crescente clima de insegurança nas ruas, a indisciplina nas escolas e a desilusão com todos ou quase, os nossos governantes, dentro de casa, se estas decisões não irão ser revertidas, se o caminho para mais de dois milhões de pessoas, directamente afectadas pelo desemprego dos mais próximos, ou o destino próximo dos outros seis a oito milhões, totalizando assim o país em si mesmo, é o de afundamento progressivo...quem pode um dia mudar alguma coisa, quem nos fará crer em algo e como podemos ainda viver, antes de morrermos?

Enganamo-nos todos um pouco a cada notícia de pseudo-novidade ou inversão das coisas. Um dia é a vitória desse idiotinha do Hollande. Outro é que a Merkel vai ceder e libertar apoios e recursos, aliviando os países em profunda e ridícula, por excessiva e sem esperança, austeridade. Outro dia é uma medidazita de insiginficâncias do Governo, para os que mantêm a esperança de virem a ser empresários, roubadas que lhes foram as outras esperanças, de trabalharem para alguém. Portugal desperdiça, de forma crescente, segura e constante, os seus quadros mais valiosos. Gente que se fez a si, e com a base educativa que o Estado ou a sua Família um dia lhe disponibilizaram.

Portugal ao contrário de uma Alemanha no pós-guerra, não verá esta classe média hoje sem emprego, criar empresas, inovar e tornar o país mais exportador e mais esperançado.

A mesma mediocridade que alimenta a manutenção do mais estupidificante Acordo Ortográfico de sempre, que faz por ignorar a vergonha e o insulto que ele constitui, não pode dar esperança de mudança, noutras áreas, de solução mais próxima, talvez não tão fácil, mas com riscos de perpetuação bem menores. A crise passa, nem que mais tempo leve, do que queríamos, o Acordo Ortográfico (que as nossas editoras e jornais já fazem questão de seguir, na boa senda da ignorância e estupidez) fica, se não total e frontalmente denunciado e revogado. E falaremos português de latrina ...

Tive essa efémera esperança quando o Mentiroso foi corrido. Mas com esta subserviência dos actuais governantes, este sufoco financeiro, uma Justiça que se está nas tintas para o descrédito em que caiu, preocupada que está em gerir a sua vidinha, muito bem paga aliás e que esconde a corrupção que se desconfia grassar em toda ela... a esperança morre um pouco mais a cada amanhecer.

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