31.10.12

Votos contra, votos a favor. Todos mal.

Orçamento votado e aprovado na generalidade. Já sabíamos o resultado. E também que este OE2013 não nos ajudará a resolver os problemas actuais, de falta de liquidez, de escassas possibilidade de pagamento da Dívida, de redução do Défice, de melhoria da economia, de recuperação da vida dos portugueses na linha de aproximação da Europa mais rica (uma miragem...actualmente, quando antes era um object
ivo e, talvez, uma ilusão, mas não era uma utopia. Não era...).

Os votos, no final, dão um só resultado. As intenções, deixando de contar assim tanto. Mas, para futuras opções de todos nós, em futuras escolhas políticas, as intenções, no momento do voto, contam sobremaneira. O voto do deputado do CDS-Madeira, por exemplo. Pareceu-me bem justificado. Porque este OE não facilitará à Região o cumprimento do acordo feito com o Governo Central. O voto do PS, pode estar de acordo com o que têm vindo a dizer, com as atitudes concertadas em grupelhos da Maçonaria e impostos ao seu Secretário Geral. Também eu não acho que este OE nos vá ajudar e, pelo contrário, ir-nos-á piorar a vida e, consequentemente (este o aspecto da Teimosia da Troika e de Gaspar) do país e do Estado. Mas o tom, na mesma linha de mentira e de fuga às responsabilidades do anterior Governo PS, pelo a mim, retira-lhes a credibilidade como, segundo andam muito atarefados a dizer, empurrados pelos ventos das sondagens, alternativa. Alternativa? Os votos disciplinados da maioria, são-no igualmente tristes e, para mim, retiram-lhes da mesma forma a possibilidade de serem alternativa a si mesmos. Detesto 'carneiros', e bem mais na política. Não me parece que votar este OE, apenas porque precisamos de um Orçamento, seja uma solução. Mas sei que sem ele, também não as tínhamos. Teria esperado que dentro dos próprios Partidos, para já os únicos, quase, actores da nossa política, se tivesse levantado um movimento contra esta monumental catástrofe. Votaram contra uns, por amuo, por raiva e por clubismo burro e cego, mas muito, muito irresponsável. No que eu desejo, mas não confio, que um dia os portugueses entendam as razões que os movem (a mais baixa das vilanezas...). Votaram a favor outros, por não terem mais solução, e pelo mesmo clubismo cego. Não havia caminho nenhum...nem há. Só mesmo o terem impedido a apresentação DESTE Orçamento.

As consequências disto, viveremos nós, mas espero que as Sofram 'eles'! Uns e outros. Todos!





Votos contra, votos a favor. Todos mal. Porque o objecto do voto está errado.

9.10.12

A culpa é desta janela

Uma manhã acorda seca, ou mais seca, e quente, mas muito luminosa. Logo na seguinte, um tempo que promete chuva, e talvez se fique pela promessa. Ali, ao lado da janela, a minha janela preferida, rodeado de uma paz sonora que devia corresponder a essa outra de pensamentos, estava a lembrar-me de tempos e gentes já percorridos. Como o tempo, as vidas mudam, sem aviso, num amanhecer, ou num findar de um dia qualquer. Por vezes gostava mesmo que existisse esse deus, que leva a tanto coro de disparates e a tanto engano e mentira. Gostava que esse tal superior, por o ser, se o fosse, se tornasse um recurso de respostas que não tenho. E, como eu, milhões de pensamentos, mais crentes nessas coisas, devem por estes dias esperar o mesmo. Quando cá por baixo, no real e visível, ou no real invisível, já não se obtêm respostas, para nós e para outros, costuma-se procurar num tal de sobrenatural, de superior, dito supremo por muita gente. Deve ser um conforto, penso que enganador e ilusório, imaginar que por obra superior a vida pode mudar como as duas últimas manhãs tão distintas.

Mas não. Ali, do lado de fora da minha janela, a vida está como cá dentro, talvez mais activa, mais prática e menos ridícula. Os silêncios trazem uma magia. Levam-nos a dar saltos de tempo fantásticos, como inúteis, de dezenas de anos. Gentes que nos passaram, vidas que vivemos, tudo o que não regressa e tantas vezes nem era bom que voltasse. O que fizemos e o que queríamos ter feito, sem certezas do que melhor seria. O que nos fizeram, e o que nem sabemos se nos queriam ter feito.

Foram anos que matámos, por querer e não querer. Iriam morrer em todo o caso. Mas podiam ter tido outro fim.

Este mesmo mundo que dispõe do sortilégio de ter um Gardner, um Damásio, um Dawkins, um Sloterdijk, Scruton, Kahneman, Roth, David Grossman, Rushdie e tantos outros que nos enchem de vontade de os aprender, de ter mais tempo para o prazer que os seus saberes nos permitem, está enfermo e refém de um grupo restrito de perversa gente. As rádios dizem-nos das famílias que agora partilham a mesma casa, num país em que o sonho de ter ser proprietário era o maior de todos. Dizem-nos dos mais de trezentos mil sem emprego e sem um único euro de rendimento. Dizem-nos de todas as desgraças que irão piorar as vidas desses muitos e ainda fazê-los duplicar, engordar o número dos sem futuro.

Um mundo em que se assiste ao conhecimento mais profundo e avançado de sempre, ao fascínio que nos é oferecido o saber nunca existido, tem gente tão anacrónica e malfeitora, como o sabemos ter existido numa Idade Média, numa Antiguidade, ou mesmo há cem anos atrás. Há cinquenta ainda tínhamos ditaduras na Europa, e há cerca de setenta uma Guerra que se alastrou pelo Mundo.

Corremos com os ditadores, pelo menos com os que o eram de forma assumida, mas talvez tivéssemos ficado com os mais subtis, hoje tendo nós a dúvida sobre algumas formas que nos surgem em supostas democracias.

A memória que me entra com esta luz na janela, leva-me ao meu pai e ao que ele pensava, ao que ele pensaria em tempos destes. Como se iludiria, se deixaria enganar, como tantos de nós e como agora se angustiaria com estes homens que nem já esse epíteto nos merecem, que nos enganaram colectivamente. Mas sempre os povos se deixaram enganar pelas minorias. Uma das razões por que alerto com insistência saturante, contra os que as representam, representando também ideais e regimes que sempre deram em totalitarismo e estrangulamento das liberdades.

Quando o Mundo se prepara para saber que o cancro pode ter solução, como funciona, um pouco mais pelo menos, o nosso cérebro, assiste-se ao mesmo desfile de crápulas que não têm já terreno suficiente, e que se espraiam por tudo quanto é mundo, onde exista um povo que precisa de Dívida, que precisa de construir uma ponte, ou uma rotunda, ou um gigantesco aeroporto, ou paulatinamente vão colocando os seus em lugares decisores e decisivos da política mundial, apenas para continuar a fazer imperar a lei do dinheiro.

E o silencio que me traz a estes escritos, e me envolve diariamente é o mais indesejado, onde seria bem vindo o rebuliço da nossa colectiva revolta.

A nostalgia boa leva-me a momentos da minha casa de infância, hoje tornada estacionamento para empresas, numa cidade a mil quilómetros. À casa onde fiz crescer os sonhos grande que tive, de saber e de prazer, de um dia ser mais útil, de sentir ter feito alguma coisa de valor. Uma casa rodeada de árvores, de muitas árvores de fruta, desse espaço que foi a felicidade de três irmãos hoje afastados e desavindos. Sonhos que foram embalados em Beethoven, em Chopin, em Rachmaninov, envolvidos em papel de Eça, de Steinbeck, Hemingway, ou Camus, com um laço de Einstein e Churchill e Sá Carneiro, mas onde todos os outros também estavam. Sonhos de uma vida normal, que não levasse com a incerteza e insegurança aos cinquenta. Esses foram sonhos de luxo! Nada que se compare com os simples e saudáveis sonhos de milhões de humanos, hoje com a incerteza da vida que terão amanhã de manhã.

Vi alguma miséria próximo de quem me rodeava, tornada dura e real pelas vidas de empregadas domésticas dos meus avós, vivendo num ambiente de uma família de doze filhos, uma casa de pedra, onde não se podia andar erecto, sem pintura qualquer nas paredes, qual imagem assassina de uma descrição de Steinbeck. Mas era real. Vi alguma conturbação social nas ruas da minha cidade, em tempos de euforia e afirmação de formas de pensar e viver, e sonhar, nos momentos seguintes aos da nossa 'revolução de veludo'.

Hoje vejo um povo que se deixa levar, que não confia nem na verdade e nem desconfia das mentiras. Foram as mentiras de um anterior governo, de um pro-ditador que enriqueceu, bem à frente dos olhos de todos nós. São as mentiras dos actuais, servindo uma máquina ao que serve, por seu lado, um grupo de sanguessugas a soldo de uma organização poderosa e perigosa.

E é este silêncio assustador, de quem prefere fazer de conta que tudo um dia se resolverá.

Dizem-me os programas que para isso servem, que amanhã pode ser dia de sol.

Diz-me o meu sonho ainda resistente, que amanhã devia ser dia de sol. E de sangue.

2.10.12

Um Grito em uníssono que urge!

Parece que, por termos de usar de pragmatismo e realismo, do mais duro que todos os dias sentimos, e do ainda não real, por vir a caminho ainda, que temos ainda de viver com este Regime, estes Partidos, nos quais e dos quais já não confiamos (excepto os cegos que ainda defendem a todo o custo o seu Partido, como um clube de futebol ou uma tribo, tristes esses... pois rapidamente verão o engano em
que se metem, ou deixam ficar) em nenhum, pelas razões tantas vezes apresentadas, por mim e por milhares de tantos outros portugueses.

Parece que temos, então, de conseguir exigir-lhes uma renovação. Temos de exigir que PS e PSD se limpem! Se limpem, mesmo! Estão cheios de lixo, de gente sem nível, sem mérito, sem qualidade, sem inteligência e capacidade criativa. Temos de exigir aos Partidos em quem votámos que arredem das suas funções de destaque e decisão, os medíocres que por lá pululam, que os substituam por gente que consiga ver a essência da Democracia, onde o povo eleitor e não eleitos é a Autoridade (e não o 'pessoal' das 'autoridades' e órgãos institucionais, sejam eles quais forem: Assembleia da República, Governo, Presidência da República, Tribunais, Polícias...).

Por isso, em minha opinião, é fundamental darmos este grito gigantesco, como primeiro e essencial passo numa mudança que urge: QUEM MANDA NO NOSSO PAÍS SOMOS NÓS, ELEITORES E NÃO ELEITORES. Nós, o povo que paga sempre tudo. E quem paga, manda. Por mais dinheiro que nos enviem para cá, do FMI, do BCE ou de onde for, somos nós todos, contribuintes sem escape possível que teremos de o pagar e a juros bem altos. Somos pois, NÓS, que mandamos nisto. Pagamos, por falta de alternativa, também, os governantes e políticos eleitos para Administrar (não para Mandar, fique bem claro), as nossas pretensões e o tal dinheiro que nós pagamos, para que se pague, depois a instituições externas, agiotas ou não.

Assim sendo, dado o grito, que se tem de fazer sentir dentro e fora do país, e melhor que o seja em uníssono e pacificamente (mas se não puder ser... cá estaremos para fazer cumprir a NOSSA VONTADE, sem qualquer arrepio da mesma!), temos de obrigar os tais Partidos a que mudem. A forma, não é o mais relevante. Mas Relvas, Zorrinhos, Soares, Gaspar, Borges, Jerónimos, Louçãs (embora estes dois não contem por serem anti-democratas confessos, a meu ver, mas são-me irrelevantes, diga-se), Coelhos, Seguros, e muitos, muitos mais, não têm futuro entre nós, e têm um presente com horizonte próximo à vista. Que continue o Governo a governar, mas que se corrija, que se remodele, que emende mão das asneiras e experiências. Não sei se podemos aceitar um pouco mais que seja de austeridade, duvido. Mas sei que o caminho NÂO PODE continuar a ser esse. E temos de o dizer de dentro para fora. A Merkel não manda cá! E nós não queremos ser gregos, a gritar pelo incumprimento. Queremos pagar o que nos emprestaram. Queremos, porém escolher a forma de o conseguir. Com cortes substanciais no Estado e talvez muitos mais no Privado. Com uma colecta de impostos eficiente, que talvez nos resolvesse quase todos os problemas. Queremos saber que todos os sacrifícios são temporários e tentar perceber qual o seu horizonte temporal.

O nosso gigantesco e ensurdecedor grito colectivo tem de ser firme e único! Mas tem de ser por coisas concretas. Que os Partidos mudem e se renovem, façam congressos ou o que entenderem. Mas não podemos tolerar mais este circo de palhaços que nos ofendem. Se temos de aguentar com Coelho por algum tempo, por nos ser útil a estabilidade governativa e a credibilidade externa, faremos esse sacrifício. Mas que isso lhes seja tornado bem claro! É um sacrifício e não um desejo!

O nosso grito deve exigir pois, a mudança que tantos nos prometeram e logo perverteram. Por conveniência nossa, povo soberano, talvez deixemos o Governo em funções. Isto tem de ficar claro. Mas somos nós, eleitores ou mesmo os não eleitores (por razões diversas), mas igualmente portugueses com os seus direitos intocáveis como cidadãos, que iremos dizer a todos os políticos, de Portugal e de fora, o que queremos.

Governem como o deviam ter já feito. Administrem bem o que pagamos, ou pagaremos. Acabem com as excepções e com os privilégios insustentáveis.

O nosso grito tem de ser a Revolução, sem líder ou com líder, mas a Revolução pacífica e decisiva. A Revolução que 1974 deveria ter sido...

E esse grito urge...!

25.9.12

A Mudança não é para já


Com o anúncio, de cara fechada, como quem anuncia algo que sabe ir estragar a vida aos outros, Passos Coelho veio há  cerca de duas semana fazer despertar a participação cívica que ele mesmo julgara adormecida de forma eterna. Gaspar, no início da semana seguinte, veio confirmar e piorar as coisas. Levantou-se o povo. O povo. Não o PS dos actuais imbecis e dos ladrões de há muito pouco tempo. Não o PCP que defende regimes ditatoriais, como a China, a Rússia, a Coreia do Norte e um tresloucado assassino na Síria. Não o Bloco de Esquerda, que alguns ainda querem que lhes seja a consciência política de reserva, o reduto final da sua revolta, desencanto profundo e grito de mudança, e ainda é pior do que o PCP, pela tremenda hipocrisia e muito disfarçada tendência totalitária. O mesmo BE que defende o regime da Coreia do Norte como coisa humana e desejável. Mantenho, como nota à margem, que PCP e BE deviam um dia ser impedidos de concorrer em eleições democráticas, a manterem estas posições (e outras como nunca terem votado a favor de um só Orçamento de Estado, de um único programa de Governo, de seja quem for, visto não ter sido deles). E que se devem retratar e destacar de todos os regimes totalitários e criminosos que por esse mundo pululam. Mas isto era uma nota de rodapé. O povo levantou-se, num movimento que, espero, nunca mais se retraia, nunca mais se deixe adormecer. Os políticos têm de aprender a humildade. A sua atitude tem de ser, de uma vez, a de serviço público, integral. São eleitos, logo são mandatados. Não propriamente para mandar, mas para executar, o que o povo sanciona das suas propostas. Isto já o era verdade com Sócrates, o totalitário maior do PS, que muitos cegos ainda não conseguiram perceber. Problema deles. E é-o, sem excepção, para todos os Partidos, como os dois que fazem esta actual coligação. Espero bem que os movimentos, na rua, na internet, nas casas de cada um de nós, nos círculos de amigos, em privado ou em público, que agora parecem ter querido tomar as rédeas da Democracia, não regressem mais 'aos seus quartéis'. A Democracia tem os seus representantes, é certo. Mas esses são apenas isso. Não mandantes, mas representantes. Do Povo. Passos Coelho parece ter pretendido um início de Liberalismo, rejeitado 'já no adro da Igreja' por uma maioria significativa dos portugueses. Ou muito me engano, ou se de facto era essa a sua agenda política, algumas coisas se notarão nos próximos tempos, e algumas consequências advirão. Se pretendia favorecer empresas grandes, como as EDP's e Galp's, deste país, de que estamos mais do que fartos, pelo poder que têm nas nossas vidas, no nosso alto custo de vida, espero bem que seja travada qualquer intenção actual ou futura de o fazer. Aos portugueses interessa muito pouco a internacionalização das EDP's, mas muito mais o que isso nos custa todos os dias, com as famosas 'rendas', com as PPP vergonhosas do PS, etc. Interessa-nos que o custo de vida melhore, que baixe, que o futuro possa existir, com trabalho e dinheiro para a família e filhos. Já estaremos, muitos, a desistir da ideia de um dia regressarmos às viagens ao estrangeiro...para já. Mas fome, não queremos. E favorecer as grandes empresas, é fome certa para todos nós. Estamos fartos de merdas como Mexias, e Bavas! E, evidentemente, não permitiremos que mais alguma eleição de ladrões mentirosos como Sócrates, ou Liberais selvagens mentirosos que se aproveitam (como Sócrates o fez também) de um Partido (já de si muito contaminado com estupidez estilo 'Relvas', ou Pedro 'Beicinho' do PS) para fazer um caminho que não queremos. Não tenho nada em especial contra Liberais, porque em princípio são democratas. Nem contra socialistas, pela mesma razão. E a escolha de cada um fica com cada um, em Democracia. Mas não me parece que num país onde a esmagadora maioria dos gestores se preocupam em ter os mais altos vencimentos do Mundo, desprezar os seus quadros de elevada qualidade, e descapitalizar as suas empresas, mais preocupados em mostrar o enorme poder de compra (que, a propósito, ainda o mantêm ao dia de hoje, ilicitamente) uma agenda liberal, ou uma outra estatizante, tipo PS de Soares, nos interesse. Qualquer uma delas tem demasiados custos, incomportáveis para um país pobre. Do que por aí há, de inspiração ideológica, económica e social, parece que ainda o que se mantiver próximo de Social-Democracia (que alguns também pretenderam ser a agenda de Sócrates, enganando-se, e ainda não conseguindo ver a agenda meramente pessoal do bandido) estará mais equilibrado, mais justo socialmente para um país como Portugal. Mas é preciso que o seja, e para tal ainda há muito caminho e muita confusão em muita cabeça. Confusões tipo: privatização da CGD, das águas...mais ou menos empresas no Estado...mais ou menos participação do Estado na Educação e na Saúde, ou na Cultura... Eu, por mim, não necessito de uma CGD no Estado, e isso não me dá absolutamente nada. Até pela promiscuidade que representa um Banco do Estado a concorrer no mercado financeiro, accionista de bancos seus concorrentes, poleiro de políticos em vagas sucessivas, não concorrente na Bolsa como os outros com que concorre comercialmente, e que em muito pouco contribui para a Economia. Muito menos do que os outros, privados. Já um canal de TV do Estado, a administração das águas e do saneamento, embora em serviços inseridos nas Câmaras (em número bem menor do que o actual), e não em empresas públicas, essas outras também uns belos poleiros para galos sem mérito, de vários Partidos... Há muito que deve ser repensado nesta sociedade em deriva. Estamos em deriva, em minha opinião, sim. Há que saber o que deve ser o papel do Estado, sem esquecer no que esse papel é importante para muitas pessoas de muito, muito fracos recursos. E sem esquecer que esse papel não deve ser cliente de políticos e Partidos, ou de empresários muito pouco escrupulosos. A promiscuidade empresas-estado tem de terminar. Por aí passam a retirada do poder das grandes empresas outrora do Estado, e dos conluios de empresas privadas com o mesmo (Banca, sector energético, sector de transportes, energias alternativas...).

Não me parece que Passos Coelho possa ser futuro num PSD mais limpo e mais genuinamente social-democrata. Também não me parece que Seguro, com a sua inteligência de (ia a dizer formiga, mas essa fábula entomológica já ficou marcada recentemente) sei lá...qualquer coisa muito pequenina, seja também do interesse do País. E, quer um, quer outro, se não servem ao País, não podem servir aos respectivos Partidos. Mas esse processo fica com os respectivos, é claro. Certo de que o seu sancionamento nos cabe a todos, ou não. O tempo de um arrogante ditatorial como Sócrates já lá vai.

Por mim, salvo erro de leitura grosseiro da minha parte, julgo que este Governo tem agora de continuar, escassas ou inexistente que são as alternativas. Mas agora, espero eu, bem sob a nossa alçada e vigilância, como Povo mais interessado no seu próprio destino. E também me parece que, passada esta fase de irremediáveis soluções políticas e partidárias, os dois maiores Partidos têm de mudar. Serem mais democráticos e mais humildes. Saberem encontrar líderes com mais inteligência e sagacidade, mais cultura social, mais sensibilidade e sem algum interesse pessoal, ou reféns de uma carreira vazia na política que nos prejudique e os favoreça de forma ilícita ou mesmo ilegal.

Serão, talvez, os três anos com mais ansiedade por nós vivida, com mais insegurança como povo e como País, mas com mais relevância na nossa participação activa, na nossa fiscalização sucessiva directa das acções de todos os políticos ainda em desempenho de funções.

Depois, depois sim, tem de vir a Mudança!

14.9.12

A Raiva e a Esperança



Vim há muitos anos da Madeira. Há mais anos do que muitos jovens quadros que agora se indignam e com razão, têm de vida. Mas não sou, nem conto ser dos que defendem a idade com um privilégio de conhecimento ou experiência (há imensa gente bem mais idosa que tem metade da experiência de muitos com um terço da sua idade). Quando vim, para estudar, há uns 32 anos, acreditava num futuro, que passaria pela minha formação, feita a esforço meu e da minha família. Ou de parte dela. O meu avô era um comerciante muito conhecido na minha terra, assim como a minha família, mas o meu pai, funcionário do então Serviço Meteorológico era quem me pagava a Faculdade. Um ano antes de ter vindo para Lisboa, para Agronomia, estive no Porto, a tentar seguir o sonho de um dia ser cientista, na área da Física, a minha paixão da altura. Tendo vivido o 25 de Abril de 1974, com 14 anos, e saído nas manifestações do 1º de Maio desse ano e anos seguintes, ao lado de um professor que foi o líder na minha região da UDP durante uns bons anos, mas nunca tendo sido simpatizante do Comunismo, fui sempre acompanhando a vida política e social de Portugal. Assim, ao sonho de eu próprio vir a ser melhor, melhor do que aqueles que me queriam melhor do que eles porque em mim apostaram, os meus queridos pais e avós, juntava o sonho de vir a viver num país onde à História antiga se juntaria um dia a prosperidade e onde deixaria de ver miséria e desilusão.

Durante todos estes anos, os 32 em que iniciei a minha vida independente, fora da casa de família a aprender por mim mesmo a organização dos meus dias e da minha vida, e os 38 desde 1974, tenho, como todos, ou uma grande maioria dos portugueses, os que sempre souberam manter-se independentes e livres como pessoas, não os que se deixaram levar pela organizações partidárias e de tal modo se encarneiraram que ficaram incapazes de ver a realidade, mesmo bem à sua frente, tenho, dizia, renovado a esperança e enfraquecido a confiança. No futuro do meu país.

Vivi os anos de Cavaco Silva após o desgoverno interesseiro de Soares, quando os interesses pessoais da família Soares se sobrepunham a tudo o resto, e os dos amigos e apaniguados da tenebrosa Maçonaria, também com essa mesma esperança. De vir a trabalhar num país como via outros lá fora. Terminado o meu curso, tive a grande sorte de entrar numa grande multinacional da química, alemã, que foi a minha imensa escola profissional desde sempre. Quando por cá encerraram actividades, de que nada transpirou para os jornais, ingressei numa empresa portuguesa, uma das maiores no sector em que operava, hoje falida pelo que sei, e o meu vencimento subiu ainda mais do que era, e já o era bem acima da média para quem tinha a minha idade. O projecto não resultou e fui dar comigo numa empresa saída do grupo Quimigal, que havia sido vendida pelo Governo de Cavaco, num dos exemplos de grandes erros do que actualmente é Presidente da República. Mas erros todos fazem...

Os anos de Guterres, os primeiros da forte ilusão socialista foram os do início do fim do sonho português, para mim. Na altura já eu o dizia a quem tinha paciência para me ouvir. A política, que eu vinha acompanhando desde 74, era para mim uma segunda paixão, nunca totalmente assumida, e nunca até hoje tornada carreira, e eu empolgava-me na defesa de ideais e de estratégias. Durante os anos em que andei nessa grande empresa alemã, vivi momentos de autêntico privilégio, conhecendo muitos países e gentes, que me ensinaram quase tanto (ou mais?) do que os meus livros (esta sim sempre a minha paixão e colecção de estimação). Com tudo o que via, ouvia e vivia ia criando a imagem do que ansiava para mim, para os meus e para o meu país. E o sonho assim continuava...

Dessa empresa, a terceira, passei por opção minha a uma outra multinacional, onde já não auferia o que noutros tempos me dava uma qualidade de vida acima da média e o acesso à cultura e à minha constante formação pessoal, que nunca deixei de ir estruturando. Sempre fiz o meu próprio esforço pessoal de evolução, de conhecimentos, multiplicando-me por diversas áreas e actividades, lendo, pintando, fazendo fotografia...e sempre participando, como cidadão anónimo, escrevendo por todo o lado, e nas tertúlias com amigos ou família, no que eu acreditava ser a forma de silenciosamente se ir contribuindo para este Portugal. Para o meu país do Sol e do Mar!

Vieram os tempos desvairados e irresponsáveis de Durão Barroso e de Santana Lopes, e de Jorge Sampaio, esse ‘dandy’ enganador. Quando Sampaio demitiu Santana, cometeu o primeiro grande crime da Democracia, com intenção clara, que muitos não conseguiram ver, de levar o PS e o inenarrável Sócrates ao Poder. Santana não nos levaria a lugar nenhum onde quiséssemos estar, é certo. Mas substitui-lo por um homem que tudo inventou, tudo falsificou e tudo fez para seu enriquecimento pessoal e da sua família, usando o Estado a seu bel-prazer, usando os recursos que não tínhamos, endividando o país como nunca desde a sua Fundação acontecera...e tentando manipular toda uma sociedade, com o beneplácito de jornais amigos, ou jornais onde Soares andara anos a colocar amigos, mais os Serviços Secretos e os Juízes manipulados...foi demais! O PS usou durante esses anos o país a seu bel-prazer, usou e abusou. Fez do país o seu quintal. E falou alto, como se dono da razão. Hoje ainda os oiço por aí, convictos de uma razão que nunca tivera, cegos por uma lógica de clube, que não são capazes de destrinçar da lógica política, dos Partidos, onde por mais disciplina partidária que se pretenda e defenda, se deve manter uma margem e uma réstia de liberdade e pensamento próprio e independente, e nunca se entregar a um indivíduo que tudo inventou, incluindo os cursos que nunca fez, nenhum, a formação que nunca teve e o título que exigia que o tratassem, que nunca teve direito a usar. Já Portugal estava numa crise profunda e bem evidente, com grande parte da actividade económica a parar, com retenção de verbas da UE pelo Governo, para mascarar quanto podia um défice enorme, de mais de 6%, mas sempre propagadeado como de 3 %...uma retenção de subsídios, que me custou o emprego em 2008, por paralisação do sector em que a minha empresa operava. Eu viajava por todo o país, conhecendo os problemas que muitos hoje falam, e não apenas no meu sector. No sector das energias renováveis, por exemplo, onde uma mentira descomunal dava créditos a esse bandido do Sócrates, no sector dos combustíveis dito ‘limpos’, os bio-qualquer coisa...

Esses foram anos de muita resistência, de muita persistência, de muita paciência para aguentar com toda a mentira montada pelo PS e por Sócrates e Pedro Silva Pereira...e mais uns quantos. Anos em que se viveu, nesses sim, por culpa de um Governo de loucos irresponsáveis, a maior ilusão da nossa história, e que ainda hoje iludem tanta gente, principalmente os mais idosos, sedentos de uma lógica clubística, cegos ao interesse nacional, privilegiando um Partido que não merece. Um Partido que enganou os mesmos que, quando este maldito programa da Troika começou, em 2011, se revoltaram logo contra tudo e todo e qualquer sacrifício, pessoal, pois só lhes interessa o pessoal, mesmo que constantemente falem do colectivo. Ouvi e tenho ouvido de tudo. Que os jovens são os mais desfavorecidos, que os reformados são os mais miseráveis...(ainda ontem me cruzei com um, que foi meu professor na Universidade, e que foi consultor da UE, e deve auferir uns largos milhares de Reforma...comparados com os Zero que eu aufiro, desempregado aos 52 anos).

Tenho ouvido de tudo, com o mesmo espírito e atitude. Acreditando que um dia as coisa mudam. Privadamente, tenho por vezes umas explosões de desilusão de raiva. Pouco a pouco se foi formando, porém outra ideia. A de que estou cansado de que me ofendam e a outros como eu, muitos e muitos bem pior do que eu. Eu ainda sou um desempregado privilegiado. Muitos, umas largas dezenas de milhar, são uns autênticos desprezados, esquecidos por todos, de quem nunca se fala, por quem ninguém se interessa.

Esses, desempregados que contribuíram bem mais, durante muitos anos, para o Estado e para as suas própria reformas, que as terão miseráveis (porque a geração de Soares e Sampaio, Cavaco e Vitor Ramalho e outros só pretenderam assegurar para si mesmos as reformas por inteiro, sabendo bem da falência futura do sistema e encolhendo os ombros, olhando para o lado, sentindo-se pais da nação, do alto da sua estupidez e desonestidade) são muitos deles os quadros mais bem formados do País. Vivem do que amigos e família lhes conseguem arranjar. E desses, ninguém fala, ainda hoje.

Mas quando em 2011, Sócrates desapareceu da vida pública, e se refugiou em França, com rendimentos milionários, que o PS e a Maçonaria instalados no Poder Judicial nunca permitirão que se lhes toque, e, como se esperava o Governo mudou de cores, esperava-se também que mudasse de atitude, de forma de actuar, de postura e de honestidade. Aos poucos se foram sabendo podres e vergonhas de todo o lado, e não apenas do anterior Governo, que já sabemos de mentirosos e corruptos, mas também das ligações maçónicas, secretas, com agendas ocultas e perversas, de muitos membros do PSD. E de muitos negócios, igualmente mafiosos e criminosos de pessoas ligadas aos Partidos deste Governo. Se isso não fora já o suficiente, e de sobra para desejarmos leva-los a serem julgados, ainda nos vieram tirar o que já não podíamos dar. E dar a quem? A um Estado que nada fez por nós, nada fez por merecer?

Revoltante, desilusão acrescida, outra ainda, é continuar a ouvir falar de nacionalizações, da defesa de empresas do Estado, do ‘sector empresarial do Estado’, quando nunca houve uma só onde os seus administradores e directores não tivessem outro objectivo que o de se ‘amanharem’ com os recursos e dinheiros públicos, que não fosse usarem de uma arrogância imerecida, para mostrarem uma superioridade que não têm, e determinarem nas nossas vidas mais uns quantos buracos negros nas finanças de cada família e do país em geral. Defenderem mais empresas para o Estado, quando foram essas que contribuíram mais para nos trazer até onde estamos? Defenderem mais formas de promiscuidade entre o Estado e os privados, mais corrupção e mais compadrio?

O Governo anterior ofendeu-me como português, com os roubos e mentiras e com a imposição de um Acordo Ortográfico que é um favor às editoras que dominam o nosso mercado de livros, escolares, principalmente. Um Acordo que terá de retroceder e ser revogado, nem que para tal corra sangue pelas ruas. Um Governo não tem o direito de nos dizer como devemos escrever e se, para alguns isso é irrelevante, para mim que adoro o conhecimento e a cultura, a evolução pessoal e a liberdade de cada um, é causa maior!

Mas o Governo actual não ofende menos, nem desilude menos. Há claramente uma agenda liberal por trás de gente que se esconde num Partido outrora de inspiração social-democrata. E isso é inaceitável, porque é um logro e uma mentira. Quem escolhe um PSD não escolhe uma política liberal, pelo menos a generalidade das pessoas. António Borges, antes considerado uma promessa para horas de maiores problemas e necessidades extremas, é hoje uma enorme desilusão, e uma ofensa maior, quando defende salários mais baixos no geral.

Oiço um pouco de Passos Coelho, na TV, apenas um pouco porque já aguento com mais estupidez e incompetência, e agora mentira também - já não me bastara o filho da ...do Sócrates! – e, como se ele percebesse do que fala, as suas palavras, entre tanto disparate, são as de que temos de ter preços mais baixos...tentando justificar, assim, salários mais baixos. Se algum dia ele tivesse sido um homem do Marketing, dos Negócios e tivesse tido o privilégio, como eu, de trabalhar num ambiente internacional, perceberia que o nosso caminho é o inverso do que defende: de preços mais altos do que a Espanha, de salários bem mais altos. Porque somos um mercado diminuto, de dez milhões de desgraçados, e um país de serviços, e não industrial como Espanha. A nosso comparação nunca podia ter sido, e tem-no, a Espanha, mas sim a Suíça, com as diferenças devidas, não pela cultura e desenvolvimento pessoa e social, que muito contam e determinam, mas pela periferia que somos na Europa. Periferia que se resolve, com o Mar...! E com o facto de sermos de Serviços, há muitos anos, e não de Indústria (talvez infelizmente).

Então, passados todos estes anos, e tudo o que atrás descrevi e opinei, e mais, muito mais que não cabe aqui agora, por razões práticas, cheguei finalmente, infelizmente não sozinho, a definitiva e viral desilusão: não há ninguém, no Poder que se conhece, nas organizações que sabemos, capaz, de momento, de tomar conta deste Portugal, de lhe dar uma volta, de conseguir justificar o sacrifício já feito (e recordo que não é do ano passado e deste ano apenas, mas de todos os 38 da Democracia, e muito mais, dos 48 da Ditadura!), para que possamos voltar a acreditar Num Futuro!

Não sei se irei à Manifestação do próximo Sábado dia 15, em Lisboa. A vontade era de ir, mas não me vejo aos 52 anos a gritar, sei lá o quê, que não sei o que há para gritar. Não sei mesmo. Deixei de saber. Ou talvez saiba: sei que o Regime já não interessa! Que nada do que vejo me interessa e, estou convicto, do que o geral dos portugueses vêem, nos interessa. A Assembleia da República não tem qualquer interesse. De um lado, dois Partidos, comprometidos como todos os demais, com a corrupção, o interesse partidário e pessoal, as redes de influências, as organizações pró-maçónicas or pró-Opus Dei, ou pró-igreja católica, o que é o mesmo perigo e mesma m...*. O lado dos Partidos do actual Governo. Incompetentes, igualmente mentirosos e desonestos, como os do ‘outro lado’. Desse outro lado, os Partidos grandemente responsáveis por esta trapalhada toda, por esta imensa calamidade, por esta pré-bancarrota (que ainda a pode ser...): PS, PCP e BE. Um, porque o foi responsável, primeiro, no Governo. Os outros, porque andam há anos demais a minar a Democracia, a desprotegê-la, a invenená-la, a armadilha-la, sempre com o fito secreto de um dia nos darem mais uma ditadura, como a da Coreia do Norte, que dizem defender, ou da Síria que publicamente apoiaram, ou mesmo da Rússia e da China, que sempre defenderam e adoram.

O Governo, tal como é, com esta gente idiota e incompetente, desorientada, com um Relva à imagem e cópia de um Sócrates, com um infantil Passos Coelho e um teórico insensível Gaspar...não interessa mais, e não imagina sequer, como irá descalçar a bota que nos quis impingir, e como o poderemos suportar sem...

O Presidente da República, também comprometido com um passado nem sempre transparente e com erros acumulados, talvez não tão perdoáveis, quanto poderíamos, que continua inactivo, silencioso, e impávido, mas obviamente sem forma alguma de dar uma real volta a esta desgraça e descrédito total.

Nenhum Partido nos merece o mínimo de credibilidade, ou respeito. Por isso, nenhum crédito. E uma Democracia alicerçada em Partidos, representativa, como pode continuar, num caos destes?

Percorri anos de grande euforia, profissional, de grande esperança de sonhos enormes, mas não de sonhos de enriquecimento pessoal, mas de viver bem e melhorar-me a cada ano, a cada dia, com os prazeres e egoísmos atrás mencionados, nas minhas horas, lendo e escrevendo, e...acreditando. Percorri anos a bater-me pelo interesse que todos tínhamos em participar na vida do País e em confiarmos um pouco em alguém. Convicto das más intenções e mentiras de um PS, sempre fui, por me saber democrata, respeitando todos os que pensam e falam diferente de mim. E sempre lutei pela minha independência e liberdade intelectual, nunca me vendendo a líderes ou organizações.

Dou por mim, já sem saber se me é possível, aos 52, com vontade de deixar tudo para trás, e continuando a lutar pelo contrário, pela permanência por cá, com três filhos e uma uma mulher que amo. Dou por mim, desiludido, com a própria Democracia, nunca tendo deixado alguma margem a qualquer forma de totalitarismo ou autocracia.

Hoje, mais do que nunca, acredito que só uma enorme convulsão e transfiguração social e política, uma Revolução mesmo, dariam a Portugal, possivelmente, um novo rumo, desde que renegados e investigados e eventualmente julgados todos os que nos deram esta calamidade. Mesmo que hoje alguns já tenham oitenta anos...

Tenho apenas uma ténue esperança, no dia de hoje. Que se esteja a iniciar um genuíno movimento social, talvez já no próximo Sábado 15, que faça Portugal despertar. Que sejam rejeitados estes programas e estas medidas da Troika, do Governo, e igualmente rejeitadas qualquer solução ou proposta vinda de quem anteriormente nos governou e deixou assim falidos. Como há muito perdi a ingenuidade, sei que haverá aproveitamentos, se não foi deles a iniciativa, sobre as manifestações de dia 15, por parte do PCP, do BE e do PS. Mas a nenhum deles deve ser permitida a orientação, seja para o que for, ou a liderança, ou qualquer influência. Se qualquer manipulação houver, da parte de algum Partido político, os movimentos sociais perdem interesse e perdem credibilidade. Porque uns são do ‘arco da governação’, outros não são democráticos e defendem ditaduras.

Hoje, por hoje, mantenho essa diminuta esperança...

E guardo em mim uma imensa RAIVA, contida, de momento.








24.7.12

Crónica de uma Morte Anunciada

Concordo com Soromenho Marques. Há pelo menos quatro ou cinco anos que venho a dizer dos perigos e das falsidades da suposta grandiosidade da Espanha. Tudo falso e com pés de barro. Desde, no mínimo 2007, que digo isto. Entre amigos, sempre fui uma voz solitária. E sobre Portugal, disse a mesma coisa. Por conhecimento profundo, da realidade regional de cada um dos dois países. Chamaram-me derrotista, pessimista (nunca o fui, peco por optimista, aliás), e libertário. Infelizmente a história veio a dar-me razão. Escrevi-o no meu blogue e noutros sítios. Era doido, eu. E ainda o sou, pelos vistos. Agora, ter razão, é o que menos conta, é irrelevante. A Catalunha sempre se ufanou de ser riquíssima, tal como o País Basco e até, pasme-se a Galiza. Dito pelos próprios, das respectivas regiões e por muitos, muitos espanhóis. Valência modernizou-se, encantando todos os que a visitam. Mas hoje as suas dívidas, por si só são mais do que Portugal precisaria para resolver os seus problemas... deram muitos passos maiores do que as pernas. Mas fossem lá dizer-lhes isso... nunca ninguém diga a um espanhol que não tem razão. Já experimentaram? Espanha é o maior e o melhor, mais preparado, mais profissional...mas tudo, do mundo. Mas apenas para Espanhóis, e alguns portugueses com falta de vista. Entretanto, construíram por todo o lado. Investiram em tudo. O Santander tornou-se um dos maiores bancos da Europa. Diz a propagando do mesmo, em Portugal ser o mais sólido banco por cá. Nunca me surpreendeu esta capacidade de espanhóis para a mentira. Nunca tiveram a doença das vacas loucas, nem a tristeza dos citrinos, nem a febre aftosa, a peste suína...isso eram problemas dos outros. Eles, apenas têm, desde há muito, o 'dinheiro negro' o 'leite negro' e sei lá mais o quê, 'negro', num país que é o que tem pessoas mais inteligentes e profissionais do Mundo. Esta história da dívida, por exemplo, é outra mentira. A dívida pública é uma coisa, mas a total é a segunda maior do mundo, atrás dos EUA. E nunca o admitem. Espanha padece do que é, tal como nós, países de fachada com um imenso fosso entre ricos e pobres. A Espanha acresce um desprezo visceral por todos os outros (com excepção, pelo que vi, dos EUA). Mas agora é de facto a cegueira de uma Europa do Norte e Centro que, como diz Soromenho Marques, vai acelerar uma decadência já existente há muito na Europa. E esta é uma decadência e queda abrupta, com um enorme empurrão do egoísmo de Alemanha, Holanda, Finlândia, etc. Há uns quinze anos eu dizia a um Alemão de uma multinacional, a maior da química no mundo, onde trabalhei, que um dia a Europa pararia se os mais ricos não entendessem que a 'homogeneidade', a justiça,  de vencimentos e condições de vida não fossem revistos e tornados mais horizontais. Um dia, os ricos exportadores não teriam outra solução se não permitir os 'do sul' serem mais ricos e com mais poder de compra. Quase me chamou de doido e ignorante... Esse dia está a chegar, mas com a enorme diferença de que 'eles' os que acham que ainda mandam nisto tudo na UE (e mandam até que tudo se incendeie...espero que não, ainda) ainda não viram ou entenderam isso. Pode já ser tarde, e o resultado será este recuou de mais de trinta anos que nos obrigam a fazer.

12.7.12

Adoro o meu país!

Adoro este país. Um país com mais de oito séculos de história. Um país onde a Justiça é corrupta e parcial, favorecendo políticos e empresas e empresários com poder. Um país que adopta um Acordo Ortográfico (AO) que é uma verdadeira aberração e sobre o qual os actuais políticos fecham os olhos, ou fazem de conta que tudo está bem. Um país que, por via de AO, escolhe falar mal e escrever pior e, pela mesma via, ignora os que da Língua entendem, os seus especialistas, e os que a adoram e querem proteger, contra essa anormalidade ofensiva que é falar português do Brasil! Um país onde todos os dias surgem buracos financeiros, mas que rejeita renegociar as vergonhosas Parcerias Público-privadas, e extinguir todas as Entidades Reguladoras, criadas com o fim único de dar Tachos a amigos e familiares. Um país que criou uma plêiade de Universidades privadas, com o mesmo intuito das entidades reguladoras, onde abundam os ignorantes corruptos, que se passeiam em automóveis de luxo, a custo de paizinhos idiotas que sabem o que fazem ao meter os filhos em tais antros de ignorância e manipulação. Um país onde os professores se preocupam mais consigo e a sua carreira e não perdem nem um segundo a defender a Língua que aprenderam, mas adoptam tácita, estranha e passivamente o merdoso AO. Mas que se sentem ofendidos quando alguém, a quem eles não admitirão nunca que possa ter mais conhecimentos e cultura (e inteligência) do que eles, possa criticar o mau ensino, de que eles são primeiros responsáveis. Um país que tem um Ministério da Educação que melhor seria se fosse extinto. Um país que diz ser necessário efectuar e motivar um regresso à agricultura, mas logo depois lhe retira todo o apoio e o relega para último plano. Um país que nos últimos anos cresceu em desenvolvimento tecnológico e investigação científica e agora retira os apoios que tal permitiram. E o mesmo faz à Educação, seguindo indicações da estúpida e ignorante 'Troika', que mais não faz do que nos tornar um 'Marrocos na Europa' para que as suas multinacionais possam assim desnivelar melhor os custos salariais. E assim compromete o futuro dos nossos filhos, que terão pior Educação que a nossa. Um país que andou anos a proteger elites imerecedoras e corruptas: transportes públicos, médicos, farmacêuticos, pilotos da TAP, EDP's, GAPL's, Portugal Telecom, TMN, ZON, Serviços Municipalizados de águas e Saneamento diversos, empresas municipais... Um país onde a verdade vale menos do que um cêntimo. Um país onde é possível um bandido como Sócrates ser Primeiro-ministro. E permite o enriquecimento de Sócrates, de Dias Loureiro, de tantos e tantos que usaram a política para fins pessoais e sobre os quais o Povo NADA FAZ. Um país onde os processos de investigação que podem levar Sócrates à prisão (e os seus familiares e amigos), tal como Duarte Lima, Dias Loureiro, e mais umas dezenas de políticos do PS e do PSD, mas também do PCP e do BE e do CDS, e nunca nem uma investigação segue, ou um processo se inicia, ou conclui, com a ajuda inestimável de um suspeito, muito suspeito Presidente do Supremo Tribunal e do Procurador Geral da República...Um país onde se penhoram bens a cidadãos normais, sem escape possível, por dívidas de 20 euros, mas se perdoam milhões a Duarte Lima e a outros tantos (do PSD e do PS, pois e dos outros todos...). Um país onde a Polícia usa de violência gratuita e injustificável, talvez TODOS os DIAS, e mete na prisão, nas esquadras, jovens inocentes, mas perdoa 'tubarões' das empresas e da política. Um país onde as Forças Armadas conseguem sempre o que querem mantendo mordomias inqualificáveis, e nada nos dando em troca das mesmas, senão descanso, lazer e zero de ocupação e trabalho útil. Um país onde os jornais podem batalhar todos os dias por uma causa dita nobre, como a denúncia dos múltiplos casos de Sócrates, de Duarte Lima, de Relvas e tantos outros, mas que nunca os Tribunais farão alguma coisa acontecer. E onde os mesmos jornais não são isentos nem imparciais.

Adoro o meu país. Mas se me perguntarem porquê, prefiro dizer que sou burro e não sei dizer porquê!

6.7.12

Enganar-se a si e a outros. Optar pela sombra


A difícil arte de se enganar e enganar os outros. Bem, não tão difícil, afinal. Mas exótica? Ou também não, por muito vulgarizada. É a arte de se ser crente. Ter uma 'fé', como dizem, pretensiosamente distinguido-se dos que optaram por viver de olhos e sentidos todos abertos e, bem mais saudável, para si e para os outros, ser Livre. Leio aqui e ali, comentários sobre as 'oraçõezinhas', as meditações (orientalismos, budismos...e coisas mais) e apetece-me dizer umas coisitas, poucas. Se cada religioso se manifesta, eu dou a mim mesmo o igual direito de me exprimir, sobre o mesmo tema, mas questionando-os. Se uma religião se diz de si mesma como 'iluminada', esclarecida, liberta (imagine-se, uma libertação enclausurada em conceitos, preconceitos, tradições, normas, regras, disciplinas, e outras burrices que o humano adorou inventar para se castigar, na falta de castigos suficientes pela vida fora. O meu pai dizia que se 'compra um FORD, para pagarmos os pecados que fazemos na vida'. As religiões gostam de se auto infligir FORD's de vária ordem), então não conheço forma de egoísmo mais evoluída, digo, estruturada e violenta. Se alguém que é crente é um elucidado, iluminado, devia poder 'contagiar', essa Luz Superior, aos outros, crentes mas não praticantes, ou mesmo não crentes de todo. Mas o argumento que surge é o de ...para estarmos nesse estado de 'transe', de repositório da Luz Divina, é preciso sermos, primeiro, Crentes sem dúvidas, ou seja, aceitarmos o Dogma (claro, um dogma ou se aceita, ou não o é ahahah), e seguirmos 'as regras', para uns, as de Cristo (que não elaborou nem uma, pois contra regras era ele mesmo), para outros (muito superiores, acham-se e outros acham isso deles) os budistas, os xintaoístas, os não sei quê, desses produtos da estupidez humana inventada há centenas ou milhares de anos (por acaso num tempo em que o conhecimento humano, ainda hoje na infância do Conhecimento, era bem mais incipiente e infantil, eivado e inspirado de medos, pânicos e ignorância). Regras e 'princípios' que nos fazem 'merecer', ou o Reino dos Céus (lembra-me aquela lenga-lenga...o céu tem nuvens, as nuvens são brancas, branco é o leite, o leite vem da vaca, a vaca tem cornos...ele chamou-me ...), ou a Luz (cuidado com a cegueira que as luzes muito intensas podem provocar!). Uma coisa que dizem ser seu apanágio, dizem-no todas as religiões sem excepção (as dos Partidos políticos também, lembremo-nos!) é o Altruísmo. Mas já não se vê réstia dele quando se trata de 'contagiar' com Luz e Reino dos Céus, o irmão, o amigo mais próximo...etc. Mas quanto a contagiar o mundo com guerras, mortes, condenações terrenas e divinas...UI! Está o mundo (religioso) cheio! Ainda ao dia de hoje. Experimentassem, se possível fosse, os religiosos, um dia, um simples e singular dia a libertação de não serem crentes em ser divino, deus e outros disparates infantis...por um só dia, e logo veriam o que é, de Facto! ser-se livre. E contar apenas, para a sua vida e a dos seus queridos, consigo mesmo e com os meios que se conseguem ou a vida nos dá. E nunca, mas nunca, imaginar que o que 'aqui' não se consegue, obtém-se no 'alto', no além, ou no diacho que os carregue. Mas isso não acontecerá, e viverão até que as suas células deixem de metabolizar, a acreditar em fadas e divindades, cheios da cegueira que as suas dificuldades lhes conferem. Uma parte da Mente Humana assim se perde, para mal de todos nós...

12.6.12

Quem não se sente...

Quem não se sente...

Ontem, a propósito do que escrevi no Facebook, e aqui, neste blogue onde ninguém vem ler coisa alguma, sobre Portugal, sobre os professores, generalizando, não por minha escolha, mas pela de uma classe que assim se quer ver a si mesma, ou não se defendia tão corporativamente, e, lamentavelmente, de forma tão ridícula, mas bem útil, já que a defesa colectiva dos nossos próprios interesses ganha em dimensão e eficácia, chamaram-me, ainda que em privado, de egoísta, mas mais ofensiva e subtilmente, de 'usar o Facebook como o palco de que tanto preciso para alimentar o meu enorme ego’, coisa que me surgiu assim perto já da meia-noite, entrando pelo mail, por via de uma pessoa de família.

O caso não é uma novidade. Afinal, os membros das nossas famílias só o são porque as relações sociais assim o ditam, porque, simplesmente o serão sempre, sem escolha possível, ao contrário dos amigos. Há muitos anos, uma pessoa já falecida da minha família, dizia em tom provocatório e por graça, que marido e mulher não são família, o que, na altura eu achava estranho e disparatado. Quando hoje se vê a facilidade com que nos casamos e separamos, alguns fazendo-o várias vezes ao longo da vida, e por vezes mantendo melhores relações de amizade e de convívio alimentado por anos, com irmãos do ou da ex-cônjuge, ao mesmo tempo que se alimenta o ‘ódio’ por quem foi companheiro ou companheira, percebo uma parte do que queria dizer essa pessoa. E percebo ainda mais que alguns pretendam que assim seja. Hoje, quando tudo corre bem, as maiores alegrias nos assolam e as alimentamos, tudo se elogia e tudo está bem. Amanhã, na separação e nas discussões frequentes, o materialismo e o orgulho pessoal falam mais alto e do amor se passa ao ódio mais carinhosamente alimentado.

Com irmãos e cunhados, as coisas serão, muitas vezes bem mais difíceis. Algumas vezes tudo corre bem, por anos e anos, especialmente se, em tempos de crise, alguém está melhor e materialmente mais capacitado, e nesse caso é alvo dos respeitos e elogios, que outros, os que estão profundamente enterrados na sua decadência profissional e financeira, por perda de emprego, sentem na pele o abandono da maioria dos amigos e familiares.

A sociedade não gosta de convulsões. No geral, as pessoas torcem o nariz a quem assume as cisões, se separa ou divorcia, é então o alvo das recriminações dos moralistas de serviço. Nem tudo é sempre tão claro, como se alguém não devesse ouvir essas tais críticas, obviamente. Mas também não o é, para quem não as merece, apenas por ter sido capaz de por termo a situações e relações que não mais queria, ou com elas não fosse capaz de continuar. Mas os moralistas e conservadores de serviço abundam mais do que imaginamos e surgem, com frequência, dos lados de menos suspeitaríamos.

Junta-se a isto a falta de capacidade de encaixe de criíticas, ou meras opiniões, e a identificação consigo próprios de uma opinião, que deveria ser lida como se escreveu, genérica e não particularizada, sobre um grupo social. Um grupo pode, generalizando, para dar forma e cor a esta ideia, fundamento deste meu texto e desabafo, um Partido, um Clube, uma Religião, uma Associação, uma Classe ou Grupo Profissional. Escrito em maiúsculas, devia ler-se em minúsculas, fossemos todos suficientemente democratas e deixássemos os ‘você’ e ‘V.Exa’ na gaveta, para aceitarmos a democratização que a terra e o jazigo nos confere, na hora definitiva.

Uma opinião sobre um Grupo, profissional, numa hora de crise, já que não o é de maior convulsão social, e talvez o devesse, é tão-só isso mesmo. Opinião. Mas quem ‘se sente’ é precisamente quem mais a jeito se põe para ser alvo da opinião ou crítica. As defesas de classes, ou grupos profissionais, são coisa perversa e perigos, a meu ver. Perversa, por eliminarem os ‘pontos negros’, nunca totalmente conhecidos, mas com assiduidade escamoteados. E é deles que se fala, quando se opina, criticando. Nem de outra forma, ou coisa, podia ser. Perverso porque as classes e grupos sempre tomaram mais força e fizeram questão de usar o poder que o número, mais do que a qualidade intrínseca, lhes confere. Em termos claros, uma grande parte dos problemas que temos em termos profissionais e sociais em Portugal será o do acúmulo de greves de transportes, profissionais de transportes, da saúde e da educação, que com as força do número conseguiram obter privilégios que deviam ser mais universais, de todos mesmo, e não o são. Durante estas quase quatro dezenas de anos, em Portugal, mas também pela Europa, os profissionais de transportes terrestres, de transportes aéreos, da saúde, da justiça, da educação, foram conquistando metas, quase sempre muito acima da média miserável da nossa sociedade, economia e país. Foram acumulando privilégios, algumas, ou muitas vezes imerecidos. Nem tudo foi ou é excessivo, mas se atentarmos a que, oficialmente, os profissionais da educação, os professores em concreto auferem em Portugal, 23% acima da média da sua ‘classe’ na Europa, num país com uma piores e menos eficientes sistema educativo, pode-se, pelo menos, reflectir nos ‘porquês’ e não entrar de imediato do coro de vozes de vitimização e de ‘damas-ofendidas’ da classe.

Ontem perguntei e reincidirei exaustivamente, por ser uma causa maior, a meu ver (e o ‘ver’ dos outros, de igual valor ao meu, mas nunca mais do que o meu, se somos democratas, entenda-se, será respeitado, mas ganhei ao longo do tempo esta mania, mais uma, de pensar por mim e a minha opinião emitir, embora ela se forme da dos outros, também), porque razão não se insurgiam os professores contra o Acordo Ortigráfico. Porque razão o aceitaram de forma tão ligeira? Não escreviam antes sem ele? Não estavam bem sem ele? O que melhorou com ele? Porque não se recusam a usar e fazer usar, esta enormidade? Aceitam as Leis assim, sendo que neste caso nem de Lei se trata, mas de mera Resolução, do mesmo valor e força legal das que, na Assembleia, podem impor uma regra para os restaurantes do edifício da mesma, ou do uso razoável do papel higiénico nas instalações do poder legislativo. Não obtive nem uma resposta, nem um só comentário. Excepto já tarde, pela noite, um email de familiar, mostrando a indignação pelas minhas opiniões ‘contra a sua classe, ou grupo profissional’, passando assim por cima de uma relação de família, que não visei em algum momento, na defesa do grupo, acima do familiar. E, diversamente do que eu fiz, personalizando, com o uso ofensivo da frase que no início mencionei.

Se de cada vez que omitirmos uma opinião, em conversa ou por escrito, privada ou publicamente, nos inibirmos de o fazer, porque há um médico na família, ou amigos, um advogado, um professor, um comercial, um gestor, um político, um juiz, um arquitecto, um engenheiro, um parvo de um agrónomo (a quem ninguém obrigou a escolher tamanha enormidade de curso), nunca teremos opinião sobre quase nada na sociedade. Ora eu, para quem me ler com rigor (deve-o  haver tanto na escrita como na leitura) e imparcialidade, não ataco nenhum grupo. Mas não me inibirei de emitir a minha opinião, num país supostamente livre e num mundo que desejo cada vez mais libertado.

Se não podemos falar de políticos, porque, como na Rússia ao dia d hoje se intimidam os líderes da Oposição e se mandam prender, na véspera de uma manifestação contra o Presidente, ou como há uns quarenta anos, por cá. Se não podemos dizer o que pensamos, e condenarmos, bem alto, a pedofilia numa igreja católica decrépita (que outra coisa nunca o foi, diz a história e não fui eu a escreve-la, mas os que a mancharam com repressão e violências várias), ou um grupo e classe profissional, responsável directo pela assimilação da ofensa cultural que é o Acordo Ortigráfico, ofensa tecnicamente comprovável, mas igualmente pelos salários elevados e imerecidos, mais os empregos vitalícios para os ‘efectivos’, e a desgraça total que são as nossas escolas, onde estão eles e não eu (!), e o resultado triste e catastrófico que é o ensino dos filhos que confiamos a esta gente... e que não vemos evoluir em relação ao tempo em que nós andamos por lá (passa-se para o 5º ano sem saber tabuada? Sem conseguir ler fluentemente, mas aos saltos e sobressaltos? Sem nenhum conhecimento sobre o que à volta deles, crianças e alunos, se passa?). Entra-se nas Universidades, onde se exige a Matemática, com negativa na...matemática?).

E a culpa é sempre e exclusiva do Ministério? Que entretanto mudou vezes sem conta, mas nas escolas permaneceram os mesmos professores, e até os alunos mudaram?

Sim, mantenho tudo o que disse da nobre classe dos professores. Tudo. E nunca ofendi, em particular um só. Mas só existe a ofensa de uma classe, porque financeira e egoisticamente (isso sim é um enorme Ego) lhes dá muito jeito.

Acho, humildemente, que devemos ‘saber sair de dentro de nós’, pormo-nos ‘out of the box’. Assumirmos uma opinião sobre um grupo (Partido, clube, grupo profissional, etc.) como se de um ataque ou ofensa pessoal se tratasse é assumir uma falta de visão, uma quase iliteracia confessa. Que me entristece. E, neste caso, me ofendeu.

'Quem não se sente. não é filho de boa gente', foi uma das frase que me foi transmitida. Os ditados, provérbios, aforismos e outras coisas que tal, são isso mesmo. Redutores, limitados, não abrangentes, e retrógrados. São primos das superstições e eu repudio. 

Senti-me. Mas a minha gente não é tocada por isso.